Cavalgadas Brasil

Expedições em Eswatíni e Lesoto

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, destinos pouco conhecidos

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A expedição que fiz para Lesoto e Eswatíni foi uma viagem não programada/agendada. Em 2010, fui a Witteberg, na África do Sul para conhecer e cavalgar com o Wiesman.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

Sua propriedade é um paraíso para amantes de cavalos, pois tem dois premiados criatórios. A saber, de cavalos Boerperd sul-africanos e cavalos Árabes de Enduro. Eles são criados selvagens nas encostas das montanhas Witteberg.  

Assim, em uma conversa com Wiesman soube da existência do Reino de Lesoto, que ficava bem próximo e resolvi ‘dar uma esticada lá’.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

Lesoto (oficialmente Reino do Lesoto) é um pequeno país da África Austral. Montanhoso, é o antigo reino da Bassutolândia, um dos países etnicamente mais homogêneos da África: 99% de sua população é da etnia basoto.

Vive da agricultura e criação de ovelhas na cordilheira do Drakensberg. Assim também, domina a maior parte do território e atinge mais de 3 mil metros de altitude.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

É o único país do mundo com toda a área acima dos mil metros. Ou seja, mais de 80% do território está acima dos 1,8 mil metros de altitude. Além disso, a geografia única do país valeu-lhe o título de ‘Reino no Céu’.

Reino de Eswatíni

Recém-nomeado, o Reino de Eswatíni tem nome de origem indígena, que significa ‘Terra dos Suazi’. Pequeno, é o menor país do hemisfério sul, possui muita cultura, aventura e vida selvagem.

Antiga Suazilândia, Eswatíni é um dos destinos mais subestimados (e menos visitados) da África. Antes demais nada, existe desde meados do século 13. Ademais, é uma das poucas monarquias nativas africanas ainda existentes. Junto com Lesoto e Marrocos.

Dessa forma, minha sugestão é explorar a Grande Reserva de caça Mkhaya, conhecida como ‘Refúgio para espécies ameaçadas’. Em contrapartida, outra opção é partir do histórico santuário de vida selvagem de Mlilwane e seguir pelas trilhas que cruzam planícies e montanhas. Passando por comunidades rurais da Suazi.

Essas reservas têm habitats bem diferentes. Enquanto Mlilwane são montanhas e áreas de pastagem, Mkhaya é uma típica savana espinhosa.

Uma combinação incrível! Reservas naturais, rica cultura Suazi, paisagem diversificada e abundante vida selvagem fazem desse pequeno reino um novo e interessante destino para um safari a cavalo.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

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2 Comments

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Cavalgada na África do Sul – Reserva de Witteberg

Paulo Junqueira destaca em sua coluna da semana mais uma cavalgada na África do Sul e a excelente sela McClellan usada nos safáris a cavalo na África

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O diferencial dessa cavalgada, portanto, é que é realizada em uma bela reserva na região de Witteberg. Ademais, local onde criam mais de 300 cavalos das raças Árabe e Boerperd (raça Sul Africana).

Antes de mais nada, a criação desses cavalos Árabes é focada em cavalos para Enduro. Assim, duas provas de Enduro afiliadas à Free State Endurance são realizadas lá a cada ano. As distâncias variam entre 40 e 80 km.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg

Uma das trilhas mais bonitas que percorri na fazenda, faz parte do percurso das provas. Só para ilustrar, alternei minha montaria, cavalgando nos Árabes e Boerperd. Aliás, essa última uma raça que é mais usada na maioria dos safáris a cavalo do continente africano. São cavalos muito bons e cômodos.

Durante quatro dias, cavalgamos entre planícies e algumas das montanhas mais altas da África do Sul. De tal forma que em uma das montanhas paramos para ver as pinturas dos bosquímanos, com cerca de 400 anos.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg

Nessa cavalgada, vimos e cruzamos com muitos animais. Springbuck, Blesbuck, Blackwilde beest, Oryx, Eland e Zebra são da fauna africana e vivem nesta reserva, que foi declarada Patrimônio Natural.

Cavalgamos cerca seis horas cada dia. Alguns dias voltamos para a sede da fazenda para o almoço, em outros dias comemos um lanche no campo. Nossa confortável hospedagem foi numa construção feita a partir de antigos edifícios agrícolas.

Sela McClellan

As selas que usamos na cavalgada foram modelo McClellan. Gosto muito dessa sela e trouxe uma comigo para o Brasil, iniciando minha pequena coleção. Inegavelmente, ela merece uma apresentação.

Foi projetada por George B. McClellan, oficial de carreira do Exército dos Estados Unidos. Ele teve a ideia logo após sua viagem pela Europa como membro de uma comissão militar encarregada de estudar os últimos desenvolvimentos e forças de cavalaria, incluindo equipamentos de campo.

Viajou durante um ano e observou várias batalhas da Guerra da Criméia. Ao retornar, apresentou uma proposta de manual para a cavalaria americana adaptada dos regulamentos de cavalaria russos existentes.

Animal da raça Boerperd com a Sela McClellan

Em conclusão, incluiu uma sela de cavalaria nessa proposta. Com efeito, alegou ser uma modificação de um modelo húngaro (Hussard), usado no serviço prussiano. A peça era também uma modificação de um modelo espanhol usado no México.

A sela McClellan foi adotada pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos em 1859. Era simples e menos cara do que as existentes. Leve o suficiente para não sobrecarregar o cavalo, mas forte o suficiente para dar um bom suporte ao cavaleiro e seu equipamento.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg
Modelo da sela com ajustes

De fato, foi um sucesso! E continuou em uso em várias formas até que os últimos cavalos de cavalaria e artilharia do Exército dos Estados Unidos foram desmontados no final da Segunda Guerra Mundial.

Desse modo, a sela McClellan está em uso desde 1859. Houveram algumas modificações ao longo do tempo, as mais significativas no Século 20. Continua a ser fabricada nos Estados Unidos e na África do Sul e já foi usada por cavaleiros de enduro.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br
Crédito das fotos: Divulgação/Martin Coetzee e Paulo Junqueira

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Cavalgada da Água Boa

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Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte

Cavalguei, alguns anos atrás, na região de Tibau do Sul, a Cavalgada da Água Boa. O município fica entre a Lagoa das Guaraíras e o Oceano Atlântico, no Rio Grande do Norte. A hospedagem foi no Hotel Marinas.

Logo depois de me acomodar, fomos para o Haras Água Boa, do amigo Rogério Bivar. Localizado, portanto  a 10 km do hotel e a 4 km do mar. Antes de mais nada, o haras cria cavalos Mangalarga Marchador de marcha picada desde 1999. E são vários os animais premiados em exposições.

Foto: Paula Silva

Cavalgamos nas praias com oportunidade para vários galopes. Assim como nadamos com os cavalos e cavalgamos em noite de lua cheia. Cada dia teve um diferencial de natureza.

A renomada fotógrafa Paula da Silva acompanhou nossa cavalgada. Por consequência, suas fotos da viagem foram publicadas em várias revistas internacionais.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos

Não só falésias, como também berçário de tartarugas-marinhas, santuário ecológico. E, inegavelmente, muita praia bonita. Os cavalos muito cômodos, estavam sempre dispostos. Assim sendo, mostraram que a seleção do haras faz diferença.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos

Durante os quatro dias de cavalgada, passamos pelas praias de Sagi. A saber, desde a divisa com a Paraíba, Mata Estrela, praia de Baia Formosa, praia de Sibauma, praia do Canto, Chapadão e praia da Pipa.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos
Foto: Paula Silva

Na Barra do Cunhau atravessamos a balsa com os cavalos. Nosso destino, então, em algumas noites, foi a famosa Pipa que fica a pouco minutos de Tibau do Sul. Esse, sem dúvida, é um excelente destino de praia para cavalgar no Brasil.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
Crédito da foto de chamada: Paula Silva
www.cavalgadasbrasil.com.br

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Cavalgadas noturnas – Cavalgada de Lua Cheia

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Paulo Junqueira conta nesse artigo sobre os encantos da Cavalgada da Lua Cheia entre outros passeios; assim como fornece dicas importantes

Cavalgar a noite tem o seu encanto, especialmente em noites claras com lua cheia. Com toda a certeza, existem vários locais que organizam cavalgadas a noite. Eu fiz uma vez a tradicional Cavalgada de Lua Cheia, na Chácara do Rosário, do amigo João Pacheco.

Localizada em Itu/SP, a sede da chácara é um monumento histórico (de 1756), arquitetônico e paisagístico. Assim como possui um grande acervo de peças históricas e móveis de época. Logo após a cavalgada, o sarau na casa fechou a programação com estilo.

Chácara do Rosário – Foto: Cedida

Sempre que possível organizo minha cavalgada na Bahia (região Trancoso/Praia do Espelho/Caraíva) na semana de lua cheia. É uma experiência incrível cavalgar na praia com a lua iluminando o mar que fica com um brilho especial e também a chegada pela praia no rio Caraíva a noite.

Eu tive oportunidade de cavalgar a noite muitas vezes em vários destinos. A maioria foram cavalgadas planejadas, para aproveitar essa sensação de cavalgar confiando nos sentidos do cavalo. Mas tive algumas experiências em cavalgar a noite que não eram previstas, algumas delas ficaram marcadas na minha memória.

Bahia – Foto: Paula Da Silva

Experiências em cavalgadas noturnas

Na região de Calafate, Argentina, sul do continente americano, no verão só fica escuro por volta das 23 horas. Dessa forma, em 2014, quando eu estava pesquisando roteiros com o Esteban Echeverria, dono da Estância Rio Mitre, passamos o dia cruzando montanhas. Quando nos demos conta já eram quase 22 horas.

Se fôssemos retornar pelo caminho ‘normal’ e descer rodeando a montanha, teríamos longo trecho acidentado e perigoso já no escuro. Estávamos no topo de uma montanha muito alta e tomamos a decisão de descer em linha reta.

Com efeito, a vertical era tão forte que tivemos que descer puxando os cavalos. Eram cavalos cruzados crioulos muito fortes e tive que descer aos pulos para não correr o risco de ele vir para cima de mim. Meu joelho até hoje reclama dessa experiência…

Paulo Junqueira conta nesse artigo sobre os encantos da Cavalgada da Lua Cheia entre outras cavalgadas; assim como fornece dicas importantes
Calafate, Argentina

Outra vez, em 2017, levei uma equipe da EPTV Globo fazer uma filmagem de cavalgada na ilha do Marajó. Nosso grupo era composto de um casal francês, uma alemã, o jornalista e o cinegrafista da TV. Nesse dia tínhamos uma travessia longa entre fazendas e devido aos atrasos ocorridos por causa da filmagem, aconteceu de ao cair a noite estarmos ainda longe de nosso destino.

Então, não tivemos outra opção a não ser seguir em frente. Minha preocupação maior foi tranquilizar os estrangeiros que estavam muito receosos com os trechos que atravessamos no escuro com a água na altura da sela. Foi uma aventura imprevista que terminou bem e resultou em uma experiência inesquecível para todos nós.

Ilha do Marajó

Estrada Real

Quando em 2016 percorri toda a Estrada Real (foto de chamada), 1780km, tínhamos um destino para chegar a cada dia. Alguns percursos eram mais difíceis e/ou mais longos. Assim, quando acontecia algum imprevisto, acabávamos tendo que cavalgar a noite. Na sua maioria foram momentos interessantes, cavalgar sob a luz das estrelas ou da lua.

Porém, tivemos uma experiência muito ruim. Foi em um dia de percurso mais longo. No meio do caminho tivemos que parar para trocar uma ferradura. Tive que chamar o carro de apoio, que já estava na cidade do Serro organizando as coisas para nossa chegada. Perdemos um bom tempo com isso e tivemos que cavalgar um longo trecho a noite no acostamento de uma rodovia muito movimentada.

Para não ter problemas nessas cavalgadas

Pegando o exemplo acima, faço algumas sugestões para que sua cavalgada noturna seja algo muito especial e não um problema. Em primeiro lugar, os cavalos ficam mais relaxados do que nós, humanos, quando se trata de uma cavalgada noturna. Eles enxergam muito bem com pouca luz.

Foto: ©️www.slawik.com

Tapetum lucidum é o nome da camada reflexiva responsável pela visão noturna superior do cavalo e de alguns outros animais. Ela é a responsável pelo brilho dos olhos refletidos na luz no escuro. Além disso, os cavalos têm três vezes mais receptores do que os humanos. Então mesmo um estímulo de luz fraco é melhor percebido e o contraste entre a luz e a escuridão é aumentado.

Embora os cavalos enxerguem bem no escuro, é aconselhável acostumá-los aos poucos, antes das primeiras cavalgadas noturnas. Você deve familiarizar seu cavalo com situações diferentes, como por exemplo, faróis de carros vindo em sua direção.

Dicas

  • Os cavalos são animais sensíveis e muitas vezes percebem o estado de espirito do cavaleiro. Surpreendentemente, mais rapidamente do que o próprio cavaleiro. Por isso, é importante que você esteja seguro e tranquilo a fim de não deixar seu cavalo tenso ou com medo.
  • Um colete refletivo é um item que deve ser obrigatório em seus passeios noturnos, mesmo que não esteja numa estrada.
Paulo Junqueira conta nesse artigo sobre os encantos da Cavalgada da Lua Cheia entre outras cavalgadas; assim como fornece dicas importantes
Equipamentos de segurança utilizados em cavalgadas noturnas na Europa – Foto: Alessandra Sarti
  • É útil carregar uma lanterna em caso de emergência, mas lembre-se de que a luz pode assustar seu cavalo. Se você precisar usar sua lanterna, aponte-a para o chão (embora ele também possa se assustar com isso). Use a luz com moderação. Seu cavalo, provavelmente, pode ver melhor sem a luz do que com ela.
  • Cavalgar no escuro também ajuda você a aprender a confiar mais em seu cavalo e a construir um vínculo mais forte, já que ele pode ver a trilha melhor do que você.
  • Sempre que possível, conheça seu caminho: percorra a trilha durante o dia primeiro para ambos se familiarizarem com ela. Lembre-se de que seu cavalo enxerga bem à noite, mas pode não prestar atenção em coisas que são importantes para você, como galhos baixos.
  • Cuidado com animais: a vida selvagem é mais ativa à noite. Esteja ciente de que seu cavalo pode se assustar mais facilmente porque qualquer pequeno animal que se mover por perto pode parecer algo muito maior.

Por fim, seja paciente com seu cavalo. Qualquer nova experiência leva algum tempo para se acostumar e essa vale muito a pena!

Por Paulo Junqueira Arantes
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