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O espírito de uma viagem a cavalo

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre o espirito de uma viagem a cavalo, algo que não se trata do tempo ou distância percorrida

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O espírito de uma viagem a cavalo

Algumas pessoas pensam que uma viagem a cavalo é uma cavalgada por um período muito longo, às vezes meses, percorrendo centenas de quilômetros. Mas esta não é necessariamente a definição de uma viagem a cavalo, não se trata do tempo ou da distância percorrida, o verdadeiro espírito de uma viagem a cavalo é uma cavalgada em que você viaja com seu cavalo, mesmo que somente por poucos dias.

Minha experiência

Eu tive oportunidade de realizar algumas viagens a cavalo mais longas, percorri os históricos Caminho de Santiago Compostela na Espanha e a Estrada Real no Brasil. Foram mais de 2600 kms a cavalo em pouco mais de 60 dias. Foi uma das experiências mais enriquecedoras de minha vida. Me permitiu ver a natureza de forma diferente e sentir fazer parte dela.Ter meus cavalos Elmo e o Garantido como companheiros na viagem da Estrada Real acrescentou algo muito especial à experiência.

Long Riders Guild – Cavaleiros de Longo Percurso

Com essas viagens passei fazer parte do Long Riders Guild entidade inglesa que reúne Cavaleiros de Longo Percurso ao redor do mundo.  CuChullaine O’Reilly, fundador da Long Riders Guild, descreve as viagens a cavalo da seguinte forma: “O que nenhuma publicação equestre e encantadores de cavalos vai dizer é que uma viajem a cavalo traz consigo um tipo especial de sabedoria, ajuda você a ver o mundo com outro olhar e se abrir para a aventura da autoconquista. As viagens a cavalo não se limitam a cobrir grande quilometragem, é a jornada que você e seu cavalo fazem juntos para chegar às fronteiras de um lugar invisível. É uma jornada que você vê do alto daquele altar da liberdade, sua sela. É um antídoto para a obsessão do mundo com a velocidade, porque o ritmo de alguns kms por hora de seu cavalo força você a desacelerar seu corpo, o que por sua vez resulta na abertura de seu espírito. Assim, uma jornada equestre não apenas o transporta ao longo do caminho físico que se estende à frente, mais importante, permite que você cavalgue na trilha secreta traçada no fundo de sua alma. ”

Viagem a cavalo tradicional

“Antigamente, as viagens a cavalo eram cheias de dificuldades e perigos. Com nossa visão moderna sobre ética, moral e bem-estar animal, certamente elas não se enquadrariam na categoria “viagem responsável”. Mas naquela época simplesmente não havia outra maneira, as pessoas viajavam a cavalo por semanas, às vezes meses. Durante essas longas jornadas, muitas vezes havia quantidade ou qualidade insuficiente de forragem e os cavalos eram alimentados com o que estava disponível. Às vezes os cavalos tinham ferimentos e não tinha veterinário ou medicamentos ao longo do percurso para trata-los.

Os viajantes tinham que continuar até encontrar um lugar aonde o cavalo pudesse se recuperar. Essas longas viagens podem parecer muito aventureiras e emocionantes para alguns de nós, mas na realidade muitas vezes estavam longe disso.” Eduard Brunscho

Viagem a cavalo

Considero as viagens a cavalo atuais uma renovação da forma antiga e tradicional. Com bom planejamento e logística, são organizadas para proporcionar ótimas experiências. Hoje, poucos têm tempo para passar semanas ou meses viajando a cavalo, por isso, elas são organizadas em períodos curtos (na sua maioria com 5 dias) e ficaram mais acessíveis para mais pessoas. Os roteiros são criteriosamente estudados, fora dos caminhos turísticos tradicionais, com paisagens de tirar o folego, evitando estradas e trilhas perigosas. Esta abordagem contemporânea para viagens a cavalo provou satisfazer um desejo que estava latente e desperta um interesse cada vez maior entre amantes de cavalos e cavalgadas.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada na Sardenha – Itália

Nessa semana, Paulo Junqueira escreve sobre uma Cavalgada na Itália, um país recheado de paissagens encantadoras

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A Itália tem muito a oferecer numa viagem a cavalo. Suas paisagens parecem feitas para encantar, seus três milênios de história, cultura e culinária nos seduzem. A paisagem da Itália é caracterizada predominantemente por duas cadeias montanhosas: os Alpes e os Apeninos. Mais de três quartos da zona rural italiana é acidentada ou montanhosa, o que é interessante para nós cavaleiros. 10% da Itália é protegida por lei e há 20 Parques Nacionais e 130 Regionais.

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Depois de passar um dia na sela, temos a nossa espera a hospitalidade e a gastronomia italiana. Embora a indústria de alimentos tenha mudado em muitas partes do mundo, a culinária italiana ainda é muito tradicional, preparada da mesma maneira.
Cada região tem algo diferente para oferecer. Já cavalguei em diferentes áreas da Toscana e da Sicília e hoje escrevo sobre a cavalgada na Sardenha.

A propriedade na Abbessanta, é num lugar charmoso. A placa “Scuderia” no estábulo já dá mostras do que os cavalos representam para a família que está na quinta geração na lida com cavalos. Desde algum tempo, a família se concentrou na criação, treinamento e competição de anglo-árabes.

Eu já tinha ouvido falar do cavalo selvagem da Sardenha que havia sido adotado e domesticado, e no quintal da casa lá estava ele comendo maçãs no pé. Ele é pequeno, mas forte.

No primeiro dia de cavalgada trilhas de areia, campos e lagoas salobras, antes de chegar à praia. O litoral lembra a Irlanda com suas falésias e penhascos, como pastos de ovelhas ao lado. Na praia oportunidade para dar uns galopes mais rápidos e depois entrar na agua aonde os cavalos ficam felizes em caminhar nas ondas.

A cavalgada na Sardenha é curta, mas suficiente para mostrar a diversidade de paisagens que a ilha oferece.

Por: Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Fotos: Divulgação

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Cavalgada nos Alpes: Uma imersão na natureza e história dos Alpes, no sopé do famoso Mont Blanc

Nessa semana, Paulo Junqueira escreve sobre uma Cavalgada nos Alpes, no sopé do famoso Mont Blanc

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Muito antes de receber esquiadores de todo o mundo, os picos alpinos do vale Tarentaise e do vale Ferret eram frequentados por homens. Na idade do bronze já havia fluxos comerciais importantes. Alguns invasores da Itália cruzaram os Alpes antes do período galo-romano. O Império Romano construiu um caminho para conectar Mediolanum (Milão) com Vindobonna (Viena).

Cavalgada

Seguimos os passos dos celtas numa cavalgada entre rochas, gelo, florestas, animais e pássaros que formam a natureza intensa dos Alpes. No sopé do Mont Blanc, encontramos estrelas do alpinismo mundial.          

                           

Cavalgamos ao pé de uma série de deslumbrantes cristas, picos, geleiras destino de montanhistas de todo o mundo, incluindo o Mont Dolent que fecha o vale ao fazer a fronteira entre a França, a Suíça e a Itália.

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Cavalgamos no Parque Nacional de Vanoise, com seus altos picos, cachoeiras, florestas e animais. A participação no grupo de um guia naturalista enriquece muito a experiência.                                                  

A cavalo chegamos em La Chenarie- Mines d’Argent de Peisey – os famosos veios de prata de Peisey, rebatizados de “Silver Mount”. Descobertos em 1644, o local abrigou A Ecole Pratique des Minas.

Viagem pela história dos Alpes

Cruzamos algumas aldeias como a de Moulin e Peisey Nancroix, depois no vale Tarentaise visitamos a igreja barroca de Landry, localizada ao pé da Estrada Romana. A arte das igrejas da região reflete a vida nas montanhas, honra os santos invocados contra doenças de homens e de animais, acidentes, avalanches e perigos climáticos. Nos séculos 17 e 18, a fé dos habitantes e o talento de artistas locais, piemonteses e franceses, povoaram as igrejas dos vales com verdadeiras obras-primas.

Durante a cavalgada passamos por vários vestígios romanos bem como edifícios medievais. A nobreza feudal construiu muitos castelos e fortes de função militar na região. Destaque para o castelo medieval e renascentista de Fenis, e seus magníficos afrescos.

Por: Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Fotos: Divulgação

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Cavalgada Solidária

Nessa semana, Paulo Junqueira escreve sobre uma Cavalgada Solidária desenvolvida pela Associação Cavaleiros da Cultura que leva cultura e incentivo à leitura.  

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De origem francesa, solidariedade significa responsabilidade recíproca. Ser solidário é um ato de bondade e compreensão com o próximo.

“Fazer o bem sem olhar a quem”

Começo o ano escrevendo sobre um tema de cavalgada diferente, aquela que ajuda pessoas. Estamos em um momento delicado, no qual muitos brasileiros estão em situação de vulnerabilidade social por conta da pandemia e das enchentes.

Acredito que a solidariedade pode transformar vidas e estou trabalhando num Projeto de Cavalgadas Solidárias em todo o país.                                                                       

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São muitas as iniciativas para ajudar pessoas (na maioria das vezes desconhecidas), através de cavalgadas solidárias. Em várias regiões do pais, grupos de cavaleiros, entidades tradicionalistas, dentre outros, muitas vezes em conjunto com o poder público municipal, organizam cavalgadas de caráter filantrópico. Vamos multiplicar essas ações!

Fazer o bem faz bem – solidariedade e os benefícios para a saúde mental

Sabemos que doar faz bem para o doador e para quem recebe, e é cientificamente comprovado que existe uma relação causal entre o ato de doar e a melhora da saúde mental. Ser solidário com o outro não só faz bem para o outro.Allan Luks, autor do livro The Healing Power of Doing Good: The Health and Spiritual Benefits of Helping Others / O poder curativo de fazer o bem: os benefícios espirituais e a saúde em ajudar os outros, reuniu diversos estudos sobre os benefícios proporcionados pelo altruísmo do trabalho voluntário. Ele identificou uma clara relação de causa e efeito entre ajudar os outros e ter boa saúde.

Associação Cavaleiros da Cultura

Criada em 2008, a Associação Cavaleiros da Cultura realiza uma ação solidária que merece destaque – cavalgada levando cultura e incentivando a leitura.              

A história teve início com um grupo de amigos, que, durante cavalgadas recreativas, procurava um sentido especial para suas jornadas. Em 2007, 16 cavaleiros organizaram a “Cavalgada do Centenário de Oscar Niemeyer”, idealizada por Carlos Oscar Niemeyer neto do grande arquiteto. Partiram de Goianá em Minas e percorreram 813 quilômetros até a cidade de Barretos em São Paulo em 19 dias. Distribuíram 12 mil livros em 25 bibliotecas e escolas públicas de cidades do interior de Minas e São Paulo. Em 2009, em um de seus mais marcantes eventos, a Cavalgada Cultural Brasília, distribuíram mais de 57 mil livros, em 25 municípios dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, beneficiando 32 mil pessoas, no percurso de 650 km entre Niterói e Belo Horizonte.

O Papa João Paulo II afirmou que solidariedade não é um sentimento vago de compaixão pelos infortúnios das outras pessoas e sim uma determinação firme e perseverante de se comprometer com o bem comum!

Por: Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Fotos: Divulgação

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Cavalgada em cavalos Yakutian, raça que sobrevive em temperaturas que chegam a −70 ° C

Nessa semana, Paulo Junqueira escreve sobre uma Cavalgada em cavalos Yakutian, no meio de uma floresta, a 20 km de Maya, na Sibéria, Rússia

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Para encerrar o ano, escrevo sobre mais uma opção de cavalgada na Rússia. Para quem como eu tem interesse em conhecer as diferentes raças de cavalos que existem no mundo, a visita à uma fazenda de criação de cavalos Yakutian, no meio de uma floresta, a 20 km de Maya, na Sibéria, é uma oportunidade de cavalgar, passear de trenó e aprender sobre essa raça que apresenta características bem interessantes.

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Cavalo Yakutiano ou Yakut

O cavalo Yakutiano é uma raça nativa da região da República Sakha da Sibéria (ou Yakutia). Maior que o cavalo mongol e o cavalo de Przewalski, ele é conhecido por sua adaptação ao clima frio extremo da Yakutia, incluindo a capacidade de localizar e pastar na vegetação que está sob cobertura de neve profunda, e sobreviver em temperaturas que chegam a −70 ° C num inverno que pode durar 8 meses.

Origem na Mongólia

No século 13, o exército de Genghis Khan forçou o povo Yakut a fugir da Mongólia. Eles seguiram com seus cavalos para o norte, para o deserto congelado da Sibéria, onde dependiam de seus valentes cavalos para sobreviver.                                              

Numa adaptação que normalmente leva milênios, surpreendentemente, em apenas 800 anos os cavalos Yacultianos desenvolveram uma série de adaptações morfológicas, metabólicas e fisiológicas notáveis ao ambiente extremamente hostil em que vivem. Os cientistas usam o cavalo Yakutian como um exemplo de como a evolução rápida pode ocorrer sob pressão.

Características da raça

Alguns exemplos das características dos cavalos Yakutiano: compactos e curtos, sua conformação robusta os ajuda a reter melhor o calor, assim como sua crina e cauda densas e uma pelagem de inverno notavelmente espessa e longa. Eles são capazes de ganhar até 35 quilos de gordura extra durante os curtos meses do verão siberiano, permitindo a perda de até 20% de seu peso total durante o inverno. Eles têm um olfato aguçado e cascos largos e muito duros, que os ajudam a farejar e desenterrar o pouco de forragem enterrado sob a neve. Para ajudá-los a conservar energia durante o inverno, o metabolismo e a respiração ficam mais lentos e geram menos calor. Compostos anticongelantes em seu sangue ajudam a sobreviver no frio extremo.

Conexão com o mundo espiritual na cultura xamânica yakutiana

Os Yakuts usavam seus cavalos para uma ampla gama de propósitos. Eles eram um meio de transporte, usados para pastoreio, eram ordenhados, suas crinas usadas para fazer cordas e, no final de suas vidas, sua carne alimentava a família enquanto a pele era transformada em agasalhos. Juntamente com essas funções, os cavalos também eram uma importante fonte de conexão com o mundo espiritual na cultura xamânica yakutiana. Seu espírito selvagem reverenciado e eles foram domesticados apenas o suficiente para serem montados, conduzidos e ordenhados.

Embora os Yakuts não dependam mais de seus cavalos para sobreviver e a população equina local esteja diminuindo, o cavalo Yakutian ainda é reverenciado como uma criatura cultural e espiritualmente significativa. É importante na vida cotidiana, festivais e cerimônias.

Por: Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Fotos: Divulgação/ Mikhail Cheremkin/ Shutterstock.com

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Rússia – Lago Baikal – cavalgada nos confins da Sibéria

Nessa semana, Paulo Junqueira escreve sobre uma cavalgada na Russia, no Lago Baikal

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A viagem começa em Moscou de onde sai a lendária viagem de trem de 3 dias na Ferrovia Transiberiana para Irkutsk, ao norte da fronteira com a Mongólia
O roteiro foi desenhado para incluir os melhores pontos turísticos da região.

Lago Baikal

A cavalgada começa nas margens do Lago Baikal, perto da Ilha Orkhon. Os habitantes locais costumavam chamar o Lago Baikal de lugar de poder, e é fácil entender por quê. Formado há 25-30 milhões de anos, o maior lago de água doce do mundo (em volume) contém cerca de 20% da água doce de superfície do mundo. A água também é incrivelmente limpa.

Considerado o lago mais profundo do mundo, ele é circundado por uma rede de trilhas chamada Grande Trilha do Baikal.
Em 1996, foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO.O Lago Baikal é o lago mais antigo do mundo. “É lar de aproximadamente 1.700 a 1.800 espécies endêmicas de plantas e animais”, disse Jennifer Castner, do programa de Meio Ambiente do Pacífico para a Rússia.

Lá estão as únicas focas de água doce do mundo. Muitos habitantes locais ainda acreditam que as águas e a lama do Lago podem ser usadas como tratamento para muitas doenças.

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Cavalos Orlov

Durante uma semana os cavalos Orlov, raça local, muito adaptada ao terreno e ao clima, levam o grupo ao longo das estepes e florestas Tazheran que se erguem das margens do Lago Baikal para cobrir colinas e penhascos, até os picos das Montanhas Baikal.
Durante o percurso visitas a locais budistas e xamanistas, além de incríveis antigas cavernas.

Cruzando o lago com trenó

O Lago Baikal é tão grande que cria seu próprio horizonte, nem sempre visível no inverno, quando a neve e as nuvens podem se misturar com o gelo do lago, eliminando qualquer perspectiva da paisagem. No inverno é quando acontecem viajens pelo gelo do Lago Baikal em trenós puxados por cavalos. Nessas viagens o jantar sai de buracos perfurados no gel, com os pescadores puxando um grayling ou omul do lago, uma espécie de salmão.

Por: Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Fotos: Divulgação

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Quênia: safári a cavalo na Reserva Masai Mara

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre os seus próximos destinos para viagens a cavalo

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Ouvir o potente rugido de um leão nas savanas a noite é algo impressionante. Durante um safari a cavalo os sons da natureza nos acampamentos se transformam numa experiência inesquecível.

Chegamos ao Parque num pequeno avião fretado, e lá de cima já avistamos grande quantidade de gnus, zebras, elefantes, girafas, antílopes e outros animais. São poucos os lugares do planeta com tanta visibilidade de vida selvagem como a Reserva Nacional Masai Mara.

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Grande Migração – Ciclo natural e instintivo numa jornada sem igual

Considerado o maior espetáculo de vida selvagem da Terra, a Grande Migração acontece todos os anos entre julho e outubro. Cerca de 1 milhão de gnus, mais de 250 mil zebras e numerosas manadas de outros animais, atravessam o Rio Mara. A migração entre a Tanzânia e o Quênia é uma das mais notáveis epopeias selvagens da natureza. Os animais percorrem milhares de quilômetros atrás de água e alimento para garantir a própria sobrevivência e de seus filhotes.

Reserva Nacional Masai Mara

O conceito de safári a cavalo surgiu no Quênia na década de 1970, como uma das melhores formas de se aproximar da vida selvagem da África e vivenciar um estilo de hospedagem único.  É a maneira mais intensa e autentica de explorar o ecossistema do Masai Mara, cavalgando ao lado de grandes manadas de animais. Uma das maiores Reservas da África a Masai Mara foi cenário para dezenas de documentários da BBC e da National Geographic.

A natureza vista de camarote

Durante nosso safari a cavalo tivemos vários momentos marcantes, vimos predadores em ação, galopamos lado a lado com manadas nas savanas, testemunhamos cenas de carinho entre uma leoa e seus filhotes. Foram muitas experiências fascinantes que vão ficar eternizadas em nossa memória.

Guias Masai

Durante os dias de convivência com nossos guias Masai, tivemos oportunidade de conhecer e aprender sobre a cultura, tradições e costumes desse povo tão emblemático do Quênia.                       

Os Masai há muito tempo empregam uma abordagem “verde” para o manejo da terra. Muito antes da criação de Parques como meio de conservação ambiental, os Masai pastorearam seus rebanhos sem causar danos à terra ou à vida selvagem.                                  

O estilo de vida tradicional dos Masai concentra-se no gado, sua principal fonte de alimento. Entre eles, a medida da riqueza de um homem é em termos gado e de filhos. A dieta Masai tradicional depende do leite, sangue e carne de gado, com a caça limitada o que não interfere no ecossistema.

Safári a cavalo no Quênia, o fascinante espetáculo da natureza, paisagens impressionantes e fauna icônica.

Por: Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Fotos: Divulgação

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Cavalgada nos Campos de Cima da Serra Gaúcha: Paisagens incríveis, amigos e amor pelo cavalo

Nessa semana, Paulo Junqueira convidou Keila Burle do Haras Serra do Maroto para escrever sobre a Cavalgada Padania para Elas que fizeram juntos na região dos Aparados da Serra – RS

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Moro em Recife, Pernambuco e fui convidada para escrever sobre esta linda aventura que tive a oportunidade de participar, convidada pelas amigas Maria Guimarães do Haras Paranambuco e Gabriela Bório do Haras Padania.

Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul é um estado muito rico culturalmente. A culinária típica, inspirada nas receitas com pinhão, queijo serrano e o costelão, foram algumas das iguarias deliciosas que experimentamos. A hospitalidade das pequenas pousadas no município de São José dos Ausentes, colocou o nosso grupo de 11 amazonas numa imersão cultural das raízes gaúchas. Nos ofereceram aconchego e demonstraram o melhor das antigas tradições tropeiras, em que os donos das propriedades vestidos de bombacha, boina, lenço e botas, nos receberam com muito carinho e declamaram suas poesias.

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A cavalgada

No primeiro dia de cavalgada com o tempo aberto e um céu maravilhoso, cavalgamos dentro da tradicional Fazenda Potreirinhos da família do Tiago, cujo tataravô alemão chegou ao Brasil e se casou com uma gaúcha. Tiago nos levou para cavalgar ao longo da serra, onde os campos estavam bem verdes e em alguns locais se misturavam com uma espécie de “minúsculas margaridas”, bem amarelinhas. Os campos eram tão lindos que pareciam de um filme animado. Coroando este paradisíaco cenário, riachos cortavam os campos. Passamos por rios de solo pedregoso e encharcado, subimos e descemos grandes morros.

Chegamos até o Cachoeirão, maior cachoeira da região com intenso volume de água que faz surgir uma cortina branca sobre as pedras. Abaixo da queda, o rio se transforma numa piscina natural. Uma sensação de paz, alegria e comunhão com a natureza. A vista é incrível! Cavalgamos também até o Desnível dos Rios, uma falha geológica única nas Américas onde dois rios lado a lado, quase se encontram e novamente se afastam. O rio Divisa e o rio Silveira correm paralelamente na mesma direção, separados por rochas, sendo um mais no alto e outro embaixo com um desnível de 18 metros! Paramos os cavalos no alto das pedras e ficamos ali contemplando aquela paisagem deslumbrante!

No segundo dia cavalgamos até a pequena vila de Silveiras, margeando o rio Silveiras de águas cristalinas, aonde trutas atraem turistas para pescarias. Chegando na vila seguimos de carro para a Fazenda Monte Negro aonde fomos recebidos com muito carinho pelo Anápio da família Pereira proprietária do local. A fazenda possui uma vista linda para vales e montanhas, da janela dos quartos vemos as ovelhas, algumas cabeças de gado pastando e um lindo lago. O clima era mais frio, bucólico e romântico. Da casa da pousada até a outra casa onde está o restaurante Galpão da Tradição, tem uma passarela de pedras, margeadas com lindas flores viçosas e coloridas. A vontade era de ficar ali na varanda, sentada sobre o pelego de carneiro que ficava sobre o assento das cadeiras feitas de araucária.                                                              

No terceiro dia cavalgamos até o cânion e base do pico Monte Negro. Conforme íamos nos aproximando, a emoção tomava conta de nossos corações. Durante o percurso, morros de campos verdes, muros de taipa e gado europeu fizeram parte de um cenário encantador onde a neblina, chamada na região de “viração”, aumentava conforme íamos nos aproximando do cânion.

O Pico Monte Negro é o ponto mais alto do Rio Grande do Sul, com 1403m de altitude em relação ao nível do mar,  fica ao lado do cânion Monte Negro. A vista é deslumbrante! Paramos os cavalos e caminhamos pela borda dos paredões. Um cenário majestoso!

A tropa e a segurança

Os cavalos que foram muito bem preparados pela equipe do Haras Padania, enfrentaram o difícil percurso com tranquilidade. O conhecimento e a experiência em equitação das amazonas aliado a organização do Paulo Junqueira/Cavalgadas Brasil, que nos acompanhou, garantiram nossa segurança. 

Fazenda Rincão Comprido – Premiado Queijo Serrano

No último dia fomos visitar a Fazenda Rincão Comprido, que produz o famoso queijo serrano com a mesma técnica de 200 anos atrás. A visita foi incrível! Fomos recebidos carinhosamente pela família Lopes, fizemos uma degustação do queijo serrano, aprendemos sobre a cultura local e o manejo dos animais. O queijo produzido nesta propriedade com tanta singularidade é reconhecido internacionalmente e está no ranking dos 5 queijos “terroir” do Brasil. A história deste queijo está no livro “Uma longa e deliciosa viagem” de João Castanho Dias.

Gastronomia, vinho e música

Todos os dias refeições maravilhosas com típica culinária gaúcha. A noite, ao lado da lareira acesa para espantar o frio, um bom vinho e muita conversa com as queridas e animadas companheiras amazonas. O grupo ficou cada dia mais unido e uma grande amizade se fortaleceu em meio as belas paisagens e a sensação de paz e bem-estar que a cavalgada trazia.

A despedida

Na despedida nos abraçamos e foi impossível conter as lágrimas! Estávamos em completa sensação de graça e paz com o coração transbordando de alegria e gratidão a Deus por ter tido a oportunidade de cavalgar com pessoas tão especiais neste cenário majestoso!

Por: Keila Burle do Haras Serra do Maroto
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Fotos: Julio Oliveira

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Safári a cavalo na Índia

Paulo Junqueira Arantes, em sua coluna da semana relata sobre um texto de sua autoria do livro Marwari – The Horse of Índia

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Normalmente livros de viagem remetem às memórias e relatos sobre as experiências vivenciadas. Hoje escrevo sobre um livro que nasceu no meio de uma viagem a cavalo que fiz na Índia em 2018. Ele é resultado de minha paixão por cavalos.

A Índia é um país multicultural, com uma raça de belos cavalos com uma história fascinante, o Marwari. Para divulgar essa raça que faz parte da herança cultural da Índia e esteve em risco de extinção, me associei a renomada equine photographer Paula da Silva na edição do livro de arte – Marwari The Horse of Índia.

A seguir meu texto no livro (que tem 120 fotos artísticas da Paula)

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Horse Safaris

Na Índia as viagens a cavalo são denominadas de Horse Safáris. Muitos ex-Rajputs (descendentes dos xátria, uma das classes dominantes de grandes guerreiros no centro e norte da Índia) tentaram encontrar formas de manter a raça. Na década de 1980, quando a indústria de turismo da Índia começou a decolar, muitos deles foram pioneiros e transformaram suas antigas fortalezas, palácios e mansões em museus ou hotéis e começaram organizar safáris a cavalo. A sementes de salvação da raça Marwari foram plantadas.

O primeiro safari a cavalo foi realizado no final dos anos 1970 mas só no início dos anos 1990 se transformaram numa atividade comercial no Rajastão.

A melhor maneira de visitar o coração deste país emocionante é montando num belo cavalo Marwari seguindo os passos dos antigos marajás. Uma viagem a cavalo pelo Rajasthan, oferece uma visão real da rica história, cultura e tradição do Rajastão. É uma oportunidade única de a cavalo, percorrer regiões rurais onde as pessoas ainda vivem como fazem há séculos, mantendo uma vida muito simples.

A aventura inclui vivenciar a riqueza cultural e o estilo de vida fascinante dos Rajputs, cheio de cores e esplendor. Hospedagem em antigos palácios e luxuosos acampamentos, uma festa para os sentidos.

Por Paulo Junqueira Arantes

Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil

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Cavalgue a Ganhe um Cavalo – Brumbie

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre os seus próximos destinos para viagens a cavalo

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Um brumby / brumbie é um cavalo selvagem que vive livre na Austrália. Os Brumbies são descendentes de cavalos fugitivos ou perdidos, na época dos primeiros colonizadores europeus. Hoje vivem em várias regiões do país, incluindo alguns Parques Nacionais, como o Parque Nacional Alpine e o Monte Kosciuszko National Park, aonde passei alguns dias. https://cavalus.com.br/cultura-e-estilo/cavalgadas-brasil/outback-cavalgada-na-australia-2a-parte/

Dizem que um brumbie escolhe você!

Essa é uma cavalgada aonde durante seis dias, você seleciona, treina e monta seu próprio Brumbie e, no final dessa semana, tem a opção de leva-lo com você, sem pagar nada mais. Caso não queira ou não possa leva-lo, não tem problema, seu anfitrião, Clancy, encontrará um lar para ele.                                                     

No primeiro dia você vai escolher seu cavalo ou como dizem por lá, um brumbie vai escolher voce! Com idades entre 2 e 4 anos, eles são em sua maioria calmos e corajosos, têm pés firmes e fortes, aprendem rápido e são mais fáceis de treinar do que os cavalos domésticos, devido à sua socialização natural na natureza. Todos são inteiros e sem marca.

Doma Racional de Cavalo Selvagem

Após o jantar do primeiro dia, Clancy, Wayne e Brian Hampson compartilham um pouco do histórico dos Brambies e uma visão geral do Programa que foi desenvolvido em várias etapas para construir gradualmente a confiança, as habilidades e a segurança do cavalo e do cavaleiro, com o objetivo de criar uma relação de equipe entre os dois.

As etapas

1. Deixar o brumbie relaxado no redondel e, controlar seus movimentos sem cordas. Andar, trotar, galopar e parar são ensinados em ambas as direções.                                                                                           

2. Juntos – ensinar seu brumbie a segui-lo e aceita-lo perto por meio de uma série de situações de aproximação, recuo e pressão.                                                             

3. Dessensibilizar seu brumbie a todos os equipamentos, ruídos e contato.                                                      

4. Ensinar movimentos com um cabresto leve.                         

5. Dessensibilizar seu brumbie com a sela.                                     

6. Montar seu brumbie no cabresto usando comandos de voz e rédeas leves.                                                  

7. Ensinar seu brumbie outras habilidades mais avançadas (se o tempo permitir).

O método de Brian pode ser melhor resumido pelas palavras: firme, mas gentil. Ele ensina as pessoas a desenvolver um relacionamento próximo com seus brumbies, e uma confiança que permite seus alunos realizarem coisas com seus cavalos que nunca poderiam imaginar em tão pouco tempo. Todos saem da experiência com um entendimento muito melhor de como os cavalos aprendem e a melhor maneira de ensiná-los.

As cavalgadas

O período da tarde é dedicado a explorar as belas trilhas do Vale de Yarra. Para essas cavalgadas estão disponíveis cavalos Quarto de Milha, Cruzados Árabe, Cruzados Clydie e também alguns Brumbies, já domados.

A equipe

O Dr. Brian Hampson é PhD em estudos de cavalos selvagens, e pesquisa eles em vários lugares do mundo. Ele tem mais de 10 anos de experiência em domar brumbies para a sela. Ele usa métodos naturais de equitação para suavizar, treinar e montar brumbies selvagens.

Wayne Ryan trabalha em tempo integral como cavaleiro profissional, ferrador e nos últimos 40 anos foi responsável por domesticar centenas de Brumbies.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada das Quatro Águas em Portugal: mar, rio, lagoa e riachos

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre os seus próximos destinos para viagens a cavalo

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Viagem a cavalo num dos destinos badalados do verão português, Vila Nova de Milfontes no coração do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, maior Parque Natural de Portugal. Uma combinação perfeita: praias de rio e de mar e uma cidadezinha muito charmosa. https://www.cavalgadasbrasil.com.br/destinos/europa/portugal

Nessa cavalgada vive-se a paixão dos donos pela região e por cavalos Lusitanos. “É a paixão pela lendária arte equestre que nos motiva. Preservamos os costumes alentejanos, as tradições da terra e os ciclos da Natureza”.

A Cavalgada das Quatro Águas no Alentejo

Primeiro dia – Primeira água – o mar! cavalgamos cerca de duas horas através de uma floresta de eucaliptos e sobreiros, até chegar ao nosso destino da manhã, um local cercado por enormes formações rochosas aonde nos esperava o piquenique de almoço. De tarde, cavalgamos mais uma hora até chegar no mar, aonde brindamos na beira da praia.

Segundo dia – Segunda água – o lago!  – saímos da praia e cavalgamos ao longo de falésias até chegar num restaurante que nos serviu o melhor peixe fresco da costa. À tarde, a experiência foi completamente diferente, seguimos em direção ao interior, rumo à segunda água – o lago!

O dia terminou numa bela fazenda onde os cavalos ficaram e nós voltamos de carro para a Quinta. A noite teve apresentação do Cavalo Lusitano, acompanhado de música ao vivo e tapas para o jantar!                                                                                              

Terceiro dia – Após um rápido traslado para encontrar os cavalos, começamos explorar a segunda água – o lago. Cavalgamos cerca de duas horas ao longo da orla do belo lago Campilhas, até chegarmos ao local do piquenique de almoço, nas margens de outro lago menor. À tarde, cavalgamos cerca de duas horas de volta para os estábulos da Quinta, passando por algumas fazendas tradicionais do Alentejo.      

                         

Quarto dia – Neste dia fomos visitar um tradicional criador de Cavalos Lusitanos, a famosa Coudelaria Brito Paes e a noite fizemos uma cavalgada de lua cheia.     

Quinto dia – Este dia foi dedicado à terceira água – o rio! Uma cavalgada circular combinou impressionantes vistas panorâmicas de pequenas colinas, a travessia de pitorescos vales e a descoberta do rio Mira – considerado um dos menos poluídos da Europa. Um piquenique de almoço foi servido nas margens do Mira.                                                                                    

Sexto dia – O último dia de cavalgada nos levou a quarta água – os riachos! Outra cavalgada circular de 2h30 de manhã e mais 2h30 de tarde pela típica paisagem alentejana, onde as vistas panorâmicas mudam a cada 5 minutos. O piquenique de almoço foi num local místico onde um dos córregos locais atravessa um desfiladeiro rochoso com profundidade desconhecida…

Rui e sua mulher Pamela nos receberam com maestria em sua Coudelaria e ofereceram uma verdadeira imersão equestre na natureza. 

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

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