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Tropeada nos Aparados da Serra

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É ao redor do fogo num verdadeiro convite a prosa e ao aconchego que o gaúcho recebe os visitantes com uma roda de chimarrão

Os Campos de Cima da Serra Gaúcha têm um dos melhores destinos do Brasil para uma tropeada. Nesta região, as mulas tradicionalmente foram os principais meios de transporte de mercadorias entre os Campos de Cima da Serra e o litoral de Santa Catarina.

Antonio Lopes, fazendeiro da região, resolveu resgatar as tradições de sua família e aumentou sua tropa de muares, comprando alguns Pega em MG. Junto com a Cavalgadas Brasil, Antonio organizou um roteiro com suas mulas pela região, passando por extensas áreas de campo, cachoeiras e Canions.

Foto: Fernando Dias

A região é bastante isolada, senão precisássemos retornar para as fazendas aonde nos hospedamos no final do dia, poderíamos seguir por campos ondulados dias seguidos sem encontrar nenhum sinal de civilização.

Nas refeições, como manda a tradição gaúcha, não faltam os churrascos de fogo de chão, com a típica ovelha da região. O clima é na maioria do ano, frio, com uma cerração que ocorre na maior parte do ano. Também conhecida pelo nome de ‘nada’ ou ‘viração’, aparece de repente e, rapidamente, faz desaparecer tudo, a um passo de distância, cobrindo e descobrindo os cânions e campos.

Foto: Fernando Dias

Todo o percurso da Tropeada nos Aparados da Serra tem como paisagem campos ondulados, que se estendem a centenas de metros de altitude, interrompida repentinamente por paredões rochosos impressionantes.

Uma das mais fascinantes paisagens brasileiras, resultado do encontro das Serras Geral e do Mar, essa região é famosa por seus gigantescos cânions que possuem até 1000 metros de profundidade e formam um corredor de rochedos desde o Nordeste gaúcho até Santa Catarina.

Foto: Fernando Dias

O último dia é especial, a descida da Serra do Pilão, pelo antigo Caminho das Tropas para Araranguá e Torres. No meio da descida tem o Morro do Realengo, com um campo muito bonito, com vários cânions.

O Morro do Realengo é muito procurado por aventureiros, é um local histórico, símbolo do município. A programação termina com a chegada na vila Nova Roma, município de Morro Grande, Santa Catarina.

Por Paulo Junqueira Arantes
www.cavalgadasbrasil.com.br

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Falcoaria a cavalo no sul da Inglaterra

Nesta semana, na coluna Cavalgadas Brasil, Paulo Junqueira relata sobre o uso de cavalos em falcoaria

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Falcoaria a cavalo no sul da Inglaterra

No último texto relativo à minha recente viagem à Inglaterra, destaco uma atividade que nem sabia que existia na Europa. Fazem alguns anos, em uma cavalgada nos Emirados Arabes, cruzei com alguns beduínos treinando seus falcões no deserto, eles estavam de jipe e eu a cavalo.

Também na Mongólia, eu tive um breve contato com essa atividade tão tradicional nas montanhas do pais.

Agora na Inglaterra, tomei conhecimento do Centro de Falcoaria a Cavalo que fica junto do parque nacional de Dartmoor.

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Dentre suas atividades, incluem a caça simulada aonde ambos, cavalos, águias e falcões mostram suas aptidões. Cursos também estão disponíveis, mostrando como treinam os falcões e os cavalos, e como resultam em uma equipe feliz.

O curso ensina os fundamentos da falcoaria, equipamentos, manuseio, treinamento básico de aves de rapina, introdução de falcões e cavalos uns aos outros, manuseio prático montado, melhores práticas e o que fazer se algo der errado.

O curso inclui caça simulada com águias e falcões, dando a oportunidade de sentir como seria a falcoaria em campo. Até onde sei, este é o único curso desse tipo disponível no mundo.

A equipe de marido e mulher Martin e Philippa Whitley combinam a paixão pela falcoaria e cavalos puro-sangue inglês. “Nossa missão é mostrar às pessoas o quão versátil um ex-cavalo de corrida bem treinado pode ser, quando eles chegam ao fim de sua carreira de corrida, nós os treinamos para trabalhar com nossas águias e falcões, combinando as antigas artes da equitação e falcoaria de uma forma adequada ao mundo moderno”

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil

Foto: Divulgação

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Cavalgadas Brasil – Teatro Equestre

Nesta semana, na coluna Cavalgadas Brasil, Paulo Junqueira conta sobre sua experiência com Teatro Equestre, na Inglaterra

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Em minha viagem recente a Inglaterra (junho) tive conhecimento de um empreendimento interessante para todos nós apaixonados por cavalo e equitação, o Teatro Equestre.

Das páginas da história sai o Cavalo Espanhol e com ele o drama da guerra e a arte da equitação clássica.

O Teatro Equestre é dedicado ao avanço do adestramento clássico como uma forma de arte, através do teatro. Através de histórias criativas, traz a história à vida através dos cavalos. São apresentações celebrando a Equitação Clássica em todas as suas formas e sua história até os dias de hoje.

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Do cavalo de guerra à arte equestre

O cavalo espanhol tem sido uma das maiores influências no mundo do Adestramento Clássico. Excelentes cavaleiros, fazem exibições na arte da batalha. Nos combates a curta distância do período medieval, o choque de lança e espada. Uma oportunidade de viver a equitação da era renascentista, de onde veio o adestramento de hoje.

O local e as pessoa

O Teatro Equestre é baseado no Centro Equestre White Horse Farm, situado na bela vila de Harvel, em Kent, Inglaterra.

O Teatro Equestre é uma ideia de Peter Maddison-Greenwell e conduzido por Treinadores Internacionais de Adestramento e de Equitação Histórica, todos apaixonados por equitação clássica e alta escola histórica (equitação dos séculos XVI, XVII e XVIII).

Não há nada mais mágico do que cavalos atuando em harmonia.

Por: Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil

Foto: Divulgação

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Cavalgada Coreografada, uma maneira de vivenciar a cultura local

Nessa semana, na coluna Cavalgadas Brasil, Paulo Junqueira nos conta a sua experiência em cavalgadas que misturam dança e cavalos

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Cavalgada Coreografada, uma maneira de vivenciar a cultura local

A Claudia Lechonski faz uma comparação muito boa da dança com a equitação no Podcast Cavalgadas – “um movimento com relacionamento”.

Escolhi nessa semana 3 destinos que são famosos por sua dança:

Flamenco em Sevilha/Andaluzia

Andaluzia – o próprio nome já relaciona a região com cavalos (a raça Andaluz). Lá está Jerez de La Frontera a “Capital do Cavalo da Espanha”, que tem em sua Real Escola Andaluza de Arte Equestre uma das maiores atrações equestres do mundo.

As cavalgadas na região incluem trilhas através de floresta, com longas faixas de areia, no campo ao longo de antigos caminhos de tropeiros e cavalgadas na praia que se estendem por vários quilômetros.

As batidas nos pés e as palmas do flamenco

Com influência árabe, judaica e cigana, o flamenco teve origem nos bairros pobres ciganos (as gitanerias) e foi passado de geração para geração transformando-se em uma expressão artística bastante elaborada. Está presente na identidade do povo andaluz e é considerado um ícone da cultura espanhola.

Em 2010 o flamenco foi eleito como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

Tango na Argentina

A Argentina é um país reconhecido por suas tradições equestres, terra do gaúcho e do polo, esporte dos reis. A relação homem/cavalo encontrada na Argentina só é comparada com muito poucas culturas equestres no mundo.

São muitas as opções de cavalgadas nas regiões de Salta, Mendoza, Córdoba e em toda a Patagônia.
Cavalgar na Patagônia é uma oportunidade de percorrer trilhas em áreas remotas, com cenários espetaculares formados por montanhas com picos nevados. De norte a sul do país, o cavalo está presente no cotidiano do povo e nas tradições.

No norte a presença do cavalo Paso Peruano é forte. No restante do país, o crioulo predomina. O cavalo Crioulo Argentino alcançou reconhecimento internacional e está presente em vários países.

O tango originou-se no final do século XIX nas margens do Rio da Prata, em Buenos Aires, na Argentina, e em Montevidéu, no Uruguai. No tango tal qual na equitação, a coreografia é complexa e as habilidades dos participantes são celebradas pelos aficionados. Em Montevideo existe um Museu que une cavalos e a dança, o Museu do Tango e corridas de cavalos. Museo del Tango y del Turf.

Dança do ventre na Jordânia e Emirados Árabes

Refazer a cavalo a Trilha de Lawrence na Jordânia é uma viagem através da história, reunindo os três grandes destinos da Jordânia num mesmo programa: a famosa cidade de Petra, o fascinante deserto Wadi Rum, e depois visita ao Mar Morto.

O primeiro dia da viagem é destinado a explorar as ruínas incríveis de Petra. Suas fachadas ornamentadas foram esculpidas em rochas de arenito pelos nabateus em torno 400 AC. Os próximos dias são passados explorando o deserto Wadi Rum a cavalo.
A cavalgada no deserto de Abu Dhabi é uma experiência única para os amantes de cavalos árabes e das paisagens desérticas. Uma combinação perfeita de modernidade e tradição.

Desvendar os mistérios do Oriente a cavalo junto com uma das danças mais antigas da humanidade é uma grande experiência.

Por: Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil

Foto: Divulgação/ Ilustracao de Sandy Rabinowitz

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Gallops Tunisia

Nesta semana, na coluna Cavalgadas Brasil, Paulo Junqueira conta sobre a cavalgada de Gallops Tunísia

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Os organizadores do Gallops lançaram sua nova aventura equestre que terá uma centena de cavaleiros-aventureiros pelo deserto da Tunisia no próximo dia 12 a 19 de novembro de 2022.

Depois do Sultanato de Omã e suas fascinantes areias de Wahiba (2014), Marrocos e as dunas de Merzouga (2017), Índia e as areias do Rajastão (2018) e Jordânia e as paisagens extraterrestres de Wadi Rum (2021), é no Sahara tunisino, no sopé da Cordilheira do Atlas, que vai acontecer a quinta edição do Gallops Tunisia.

A Tunísia é um país fascinante, cheio de verdadeiros tesouros escondidos. É um país que tem um patrimônio, uma cultura e uma história riquíssima. Cartago, cidade fenícia de influência grega, é um dos sítios arqueológicos mais emblemáticos do planeta. A Tunísia foi uma joia do Império Romano. E um país abraçado pelo mar, e os berberes têm marcado a montanha e o deserto com a sua presença durante séculos. Algumas aldeias de montanha com as suas grutas são maravilhas notáveis.

Anantara, um refúgio de paz no deserto

Partindo do super hotel Anantara Sahara Tozeur Resort, base da aventura, os cavaleiros vão atravessar as dunas de Nefta por dois dias até chegar a Ong-jmal, local famoso por ser uma das cenas filmadas em Star Wars.

A rota continuará no famoso triângulo do Oásis das Montanhas do Atlas, cujo sopé começa na Tunísia antes de se expandir pela Argélia e Marrocos. No percurso o local de mais um filme, Black Gold. O final será no oásis de montanha de Midès.

O bem-estar dos cavalos

Os cavalos estão sendo selecionados. Serão Berberes alugados de criadores e centros equestres tunisianos que começarão seu treinamento de resistência em breve.

O bem-estar dos cavalos é uma das principais prioridades da organização Gallops. Cinco veterinários farão duas verificações por etapa e os cavalos serão constantemente monitorados pela “caravana” que os acompanha. A duração de cada etapa foi reduzida para trinta quilômetros e, como em todas as edições, o nível equestre dos cavaleiros será verificado de perto.

Sem a necessidade de serem especialistas em Enduro, os participantes devem ser cavaleiros experientes. Nas edições anteriores do Gallops, alguns pares inseparáveis foram formados entre cavaleiro e cavalo durante a aventura no deserto, a ponto de não poderem ser separados um do outro. Os competidores adquiriram e importaram seus cavalos para serem reunidos em seu novo lar para sempre.

O bem-estar dos cavaleiros

Às vezes a aventura pode ser difícil para alguns, mas o conforto espera todos os participantes no final de cada etapa: um bivaque confortável com tendas que mais parecem lounges reais. As refeições sob comando dos chefs do restaurante Anantara Sahara Tozeur Resort, com sabores berberes e asiáticos.

Por: Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil

Foto: Divulgação

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Cavalgada da Migração – 70 anos

Nessa semana, na coluna Cavalgadas Brasil, Paulo Junqueira conta sobre a cavalgada de Witmarsum no Paraná

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A História

Em 1930, imigrantes alemães menonitas se estabeleceram na região de Santa Catarina fugindo das perseguições Bolchevique e fundaram uma vila que batizaram “Witmarsum”.

Na década de 1950, em busca de novas terras, eles adquiriram a Fazenda Cancela no município de Palmeira, Estado do Paraná e reimigraram para essa região aonde fundaram a Colônia Witmarsum sob o tripé Igreja, Escola e Cooperativa.

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A cavalgada

Para homenagear os 70 anos dessa migração, um grupo de 16 cavaleiros e amazonas de Witmarsum-Pr decidiu refazer a trajetória de seus antepassados. No dia 5 de junho saíram de Witmarsum, SC e depois de 8 dias e um total de 307Kms chegaram na Colônia Witmarsum, PR no dia 12 de junho.

Cavalos e cavaleiros foram preparados e treinados por 30 dias antes de enfrentar o desafio. Toda a trilha, lugares de pouso e alimentação dos cavaleiros e cavalos foram planejados antecipadamente pelo organizador Fritz Kliewer, e o cardápio e preparo das refeições ficaram por conta da Chef Rosane Radecki.

A tropa e os cavaleiros enfrentaram bravamente as dificuldades, chuva, frio e vento, sempre com muito bom humor e companheirismo. Cruzaram rios, montanhas, matas, belíssimas paisagens e reviveram um pouco do passado, sempre imaginando as dificuldades que os pioneiros enfrentaram. A cada dia vencido ao final da tarde, tinham um merecido descanso com uma boa comida e um lugar para confraternizar e ouvir as histórias sobre os antepassados menonitas.

O Grupo

O cavaleiro mais idoso, Rodolfo Sawatsky, aos 70 anos era quem mais histórias tinha para contar. Além dele e o irmão Artur, atual presidente da cooperativa Witmarsum, participaram Fritz Kliewer, Hartmut Siebert, Marcos Epp, Günther Schartner, Ewald Wiens e Denise Dück Schultz todos de famílias fundadoras da Colônia Witmarsum. Também participaram da cavalgada Edward Schultz , Rosane Radecki e Fernando Fonseca (Petiço) como cavaleiros e no apoio Márcio Penner, também de família pioneira , e os amigos de Santa Catarina Sony, Toco e Raul.

A chegada

Chegando na Colônia Witmarsum, após este longo trajeto, os cavaleiros tiveram uma recepção calorosa da comunidade, em frente ao Museu, antiga sede da Fazenda Cancela, onde os pioneiros iniciaram a história da Colônia 70 anos atrás. Receberam uma benção do pastor Werner Braun.

Trouxeram uma nova história que será contada para as futuras gerações.

Por: Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil

Foto: Divulgação

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Fell:uma raça rara desenvolvida na Grã-Bretanha

Você conhece o cavalo da raça Fell? Nessa semana, na coluna Cavalgadas Brasil, Paulo Junqueira conta como conheceu essa raça durante uma viagem para a Inglaterra

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Cavalgada Brasil Fell

Durante minha recente viagem a Inglaterra, tive oportunidade de conhecer a raça Fell, que é rara. “Fell” é um termo para as colinas de Cumbria, onde a raça começou há centenas de anos.

Naquela época, eram usados para transportar carga em carroças e arado. Os serviços realizados pelos Fells foram fundamentais para comunidades remotas de Lakeland até o século XVIII.

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Eles têm crina e cauda grossas e uma plumagem nas pernas. Embora possam ter algumas outras cores, na sua grande maioria são pretos.

Existem cerca de 250 deles semi-selvagens, divididos em 12 rebanhos vivendo livres nos campos e montanhas em Cumbria, Inglaterra. A história é um testemunho da resistência desta raça nativa que sobrevive nessa região desde os tempos romanos.

A raça desenvolveu-se na fronteira entre a Inglaterra e a Escócia, com a introdução de cavalos fresianos pelos romanos.

Há também evidências deles sendo usados na Idade Média para impedir que lobos atacassem rebanhos de ovelhas.

A rainha Elizabeth tem seu Fell favorito, chamado Carltonlima Emma.

Por: Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil

Foto: Divulgação

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Appleby Horse Fair

Nessa semana, Paulo Junqueira conta como foi sua visita a Appleby Horse Fair

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Hoje escrevo sobre visita que fiz essa semana a Appleby Horse Fair, evento histórico que acontece na Inglaterra desde 1685.

Milhares de ciganos e turistas viajaram essa semana para Appleby-in-Westmorland para a histórica feira Appleby Horse Fair.

O evento é o maior encontro tradicional da comunidade cigana na Europa e acontece todos os anos desde 1685. Ele atrai cerca de 10.000 membros da comunidade e um total de 30.000 pessoas para a pacata e histórica cidade. Eles chegam trazendo cavalos, pôneis e carroças decoradas. Uma das principais atrações é ver membros da comunidade com seus cavalos nas águas do rio Éden.

A Appleby Horse Fair começou para comercialização de ovelhas, gado e cavalos. Por volta de 1900, evoluiu para um grande evento cigano que trouxe famílias da comunidade de todo o Reino Unido e da Europa.

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O National Equine Welfare Council e algumas outras entidades realizam no evento um trabalho de conscientização do bem-estar. Porém, eu vi que o resultado não é satisfatório, presenciei muitos cavalos sendo forçados a trabalhar além de seus limites. Seja pelo excesso de bebida, seja pelo exibicionismo de seus donos, esses cavalos sofrem, algo que infelizmente também vemos em vários eventos no Brasil.


Gypsy Horse – O Cavalo Cigano foi originalmente criado por viajantes irlandeses e ciganos da Grã-Bretanha para puxar as carroças em que viviam e viajavam em meados século 18 e foram mais amplamente utilizados do final dos anos 1800 até a década de 1920.

Durante este tempo, os ciganos britânicos adquiriram os cavalos que o resto da sociedade não gostava, muitos dos quais eram coloridos. Entre os ciganos, no entanto, esses cavalos grandes, fortes e coloridos tornaram-se altamente valorizados. Cruzando com seus melhores Clydesdales, Welsh Cobs, Fell Ponies e Dales Ponies, os ciganos produziram um cavalo de carroça de ossos grandes, profusamente emplumado, colorido e bem-humorado.


Até após a Segunda Guerra Mundial, o Cavalo Cigano não era uma raça como tal, mas simplesmente um tipo comum com linhagens que variavam de uma família para outra. Como o povo cigano responsável por essa criação seletiva transmitiu os pedigrees e as características desejadas de seus cavalos oralmente, não foi possível identificar com certeza como foi a origem dos Gypsy Horses.

Eles permaneceram desconhecidos até a década de 1990, quando foram “descobertos” por dois americanos que viajavam pela Grã-Bretanha. Encantados com os cavalos que viram e surpresos com a falta de reconhecimento oficial da raça, eles procuraram conhecer tudo o que podiam sobre a raça e em 1996 criaram a Associação Gypsy Vanner.

A partir de então, várias outras associações e sociedades se seguiram à medida que a raça agora oficial rapidamente ganhou popularidade.

O Cavalo Cigano – Gypsy Horse tornou-se uma raça refinada e com padrões exigentes mantidos em todo o mundo. Eles são famosos por sua natureza leal e disposta. São inteligentes e sensíveis, além de serem extremamente resistentes e econômicos, exigindo surpreendentemente pouca ração em relação ao seu tamanho.

Por: Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil

Foto: Matthew Lodge

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Bisão Round Up anual

Nessa semana, Paulo Junqueira conta a história do Bisão Round Up e sua importância para a Ilha Antelope

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bisão

Muitos acreditam que o único lugar para ver bisão selvagem é no Parque Nacional Yellowstone. Mas próximo a Salt Lake City, nos 28.000 acres da Ilha Antelope, vivem mais de 600 bisões desde 1890.

Todos os anos, no outono eles são levados para o curral, para que sejam separados aqueles que vão para o leilão. São abertas inscrições para quem quer ajudar os funcionários do Utah State Parks nesse trabalho.

Normalmente, há entre 700 e 750 bisões na ilha antes do Round Up, e a meta anual de população é de cerca de 500. O biólogo da vida selvagem do Utah State Parks responsável pelo bisão, determina qual deve ser a população da ilha a cada ano.

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“Temos que reduzir os números ao que a ilha pode suportar. O Round Up nos permite inocular os animais que vamos manter e reunir os que vão para o leilão.”

Leilão de bisão 

As pessoas compram o bisão no leilão por várias razões. Alguns estão começando seu próprio rebanho. Alguns são comprados para ajudar a treinar cavalos, porque os bisões são mais fortes, mais rápidos e mais ágeis que o gado.

Helicópteros e veículos com tração  foram usados no Round Up por muitos anos, mas os funcionários do Parque acabaram decidindo deixar apenas cavalos e cavaleiros fazerem isso.

Há muitas histórias de bisões e cavalos impacientes enquanto o rebanho está sendo levado para os currais. Antes de iniciar os trabalhos todos recebem instruções rigorosas para nunca chegar a menos de 100 metros dos bisões, pois são selvagens e podem ser perigosos.

Por: Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Qual o animal mais perigoso da África?

Nessa semana, Paulo Junqueira conta quais são os animais mais perigosos de serem encontrados durante um safari na Africa

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Essa é uma pergunta muito comum e nas respostas estão estatísticas e lendas. Mais de 30 milhões de turistas visitam a África todos os anos. Um safári está na lista de desejos de muitas pessoas.

Existem várias opções de safáris de vários tipos e para vários perfis, sendo os safáris a cavalo um deles. Você pode estar se perguntando como os cavaleiros podem chegar tão perto de animais selvagens em um safári a cavalo e ainda permanecerem seguros. Eu já escrevi sobre isso aqui nas semanas anteriores e destaco aqui duas regras que você deve seguir para garantir sua segurança.

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Ouça o seu guia – os guias são muito bem treinados e especialistas em comportamento animal. É muito importante obedecer aos comandos dele. Ele pode pedir para você ficar quieto ou parar de se mexer. Essas instruções podem ser dadas para impedir que um animal ataque, para evitar que suas ações irritem um animal ou para impedir que você interrompa o comportamento normal dele.

Não perturbe a vida selvagem – devemos nos manter apenas como observadores. Evite fazer sons altos, ou movimentos que chamem atenção do animal. A seguir apresento os principais animais considerados perigosos (sem incluir as serpentes). Observe que no texto fica demonstrado que os números de ataques apresentado nas estatísticas se refere principalmente aos moradores locais.

Com esse texto encerro a série “Safári a cavalo é seguro?”

Hipopótamo

A palavra hipopótamo tem origem grega e significa “cavalo do rio”. Eles pesam até 1.500 kg e podem correr em terra a velocidades de até 30 km por hora. Estão nas estatísticas como os que mais matam por ano, porém a maioria dos ataques ocorre ao longo dos rios, com moradores locais, muitas vezes a noite. Embora sejam herbívoros e podem parecer desajeitados, os hipopótamos machos defendem ferozmente seus territórios, que incluem as margens de rios e lagos, enquanto os hipopótamos fêmeas podem ficar extremamente agressivos se perceberam algo entre eles e seus filhotes, que ficam na água enquanto elas se alimentam em terra.

Elefante Africano

Chegando pesar até 7.000 kg, são os maiores animais terrestres. O encontro com eles pode ser imprevisível, elefantes machos mais velhos, machos jovens e elefantes com bebês podem ser perigosos para qualquer um que esteja em seu caminho. Em áreas onde ocorre caça, eles tendem ser mais agressivos. Os elefantes estão constantemente em movimento em busca de comida, como herbívoros, passam de 12 a 18 horas por dia comendo, a maior parte de sua dieta consiste em grama, folhas, cascas e frutas. A tromba é uma das características mais marcantes dos elefantes, são usadas para sugar água, pegar objetos e para se comunicar. As presas de elefante são na verdade dentes que são usados para cavar buracos, tirar a casca das árvores e para lutar. Os ataques de elefantes ocorrem geralmente quando entram em conflito com os agricultores locais. Devido à destruição de seu habitat, os elefantes estão sendo empurrados para áreas menores e frequentemente atacam e destroem as plantações dos agricultores.

Crocodilo

A palavra crocodilo é derivada da palavra grega krokodeilos, que significa literalmente “verme de seixo”. Kroko é grego para seixo enquanto deilos significa verme ou homem. O nome é uma referência à pele áspera dos crocodilos. Os crocodilos são predadores de emboscada, que esperam que a presa chegue ao seu alcance. Quando presas desavisadas chegam muito perto, elas saltam para frente usando seus dentes e uma tremenda força de mordida para agarrar suas vítimas. Sua dieta, no entanto, consiste principalmente de peixes. Ataques a humanos ocorrem em lugares onde as pessoas dependem das vias navegáveis para seu dia a dia, quando estão lavando roupa perto das margens dos rios e lagos e quando estão entrando e saindo de seus barcos. Num safári, você pode ver crocodilos se aquecendo ao sol com a boca aberta. Esse comportamento é uma maneira dele liberar o calor do corpo.

Leão

Principal predador da selva africana, e um dos principais predadores do mundo, os leões não veem os humanos como alimento, mas sim como uma ameaça. A grande maioria dos ataques a humanos são de leões velhos que atacam moradores locais em áreas onde não existem mais suas presas naturais. Os leões vivem em grupos e quando caçam, o fazem cooperativamente, com as fêmeas fazendo a maior parte do trabalho.

Búfalo

O búfalo é um dos animais mais perigosos da África. São agressivos e imprevisíveis, podendo pesar até 1.000 kg. São relativamente mansos quando deixados tranquilos, pastando no início da manhã e no final da tarde. São destemidos e atacam qualquer predador que se atreva a ameaçar seus filhotes. Supostamente responsáveis por matar mais caçadores no continente africano do que qualquer outra criatura. Os búfalos são gregários e vivem em rebanhos mistos, muitas vezes com centenas de indivíduos.

Rinoceronte

A palavra rinoceronte é grega para “chifre do nariz”. Os rinocerontes pesam até 2.800 kg. Embora tenham pouca visão, seu olfato e audição são excelentes. São herbívoros, comem grama, folhas e frutas e podem chegar a velocidades de até 64 km por hora. Ataques de rinocerontes são raros, mas ocorrem, quando se sentem desafiados ou ameaçados. Todas as espécies de rinocerontes estão listadas como ameaçadas ou vulneráveis.

Por: Paulo Junqueira Arantes
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Treinamento de cavalos para safáris na África

Nessa semana, Paulo Junqueira conta como são os treinamentos de Steven Rufus, guia de safari muito conhecido na África

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safari

Steven Rufus é um guia de safári muito conhecido na África. Ele é um cavaleiro versátil e ousado, lecionou em estudos de equinos e competiu em eventos de alto nível na África do Sul.

No início dos anos 2000, ele estabeleceu sua empresa de safáris a cavalo no Vale Limpopo em Botsuana. Em 2013 guiou alguns safáris memoráveis no Delta do Okavango e Songimvelo Game Reserve na África do Sul, depois montou uma empresa de safaris em Zâmbia. O Steven sempre foi reconhecido por seu rigoroso treinamento.

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Limpobo

Em 2008 eu estive no Limpobo e tive oportunidade de conhecer um pouco de seu trabalho com treinamento de cavalos para safaris. Eles tem que lidar com várias situações incomuns para outras atividades equestres como, ter contato próximo com animais predadores, passar a noite em lugares remotos ouvindo os sons desses animais ao redor.

Steven contou que aprendeu com seu pai e seu avô a observar o comportamento dos cavalos e treina-los para safari usando seu corpo, conhecimento e voz. Ao observar o comportamento de cavalos e de zebras ele encontrou muitas semelhanças que utilizou em seus treinamentos.

Ele diz que para ter um ótimo cavalo de safari temos que aproveitar seus instintos para identificar predadores e também saber usar seus atributos físicos, como as orelhas em forma de cone, a boa e grande visão e as narinas sensíveis. Os cavalos vão nos alertar de qualquer sinal de animal muito antes que possamos perceber que ele está por perto. Saber usar esses sinais de alerta são muito uteis num safari.

O cavalo ideal para safari

Com excelente temperamento e resistência, a raça SA Boerperd da África do Sul, é muito usada nos safáris. Muitos foram cruzados com linhagens sangue quente europeus e árabes.                                

Segundo Rufus, o cavalo ideal para safari é um meio sangue AS Boerperd que já tenha realizado pelo menos uma temporada de trabalho na lida com gado. Tendo realizado esse trabalho ele já está acostumado ao som de estampido provocado pelo chicote, o que é muito importante, pois esse som é usado tanto por chicote usados por muitos guias, como por armas usadas para controlar animais perigosos em situação de risco.          

Na lida com gado esse cavalo trabalhou em diversos tipos de terreno, está mais “centrado” e se acostumou ser guiado com a rédea no pescoço, no estilo “neck reining”.

Programa de treinamento de cavalos para safári de Steven Rufus:

  • Disciplina de manada

Quando em treinamento eu gosto que meus cavalos vivam e trabalhem em grupo, permitindo que os mais velhos ensinem os mais novos. O cavalo mais velho não vai ver uma manada de zebras, girafas ou antílopes como ameaça e isso é fundamental para que os cavalos aprendam que podem conviver no mesmo “espaço” sem receio. Isso é uma parte muito importante do treinamento e dá muita confiança para a próxima etapa.

  • Join up

A primeira etapa é me posicionar como um garanhão dominante ou uma fêmea madrinha fazem na natureza. O cavalo precisa me ouvir e obedecer como faria com outro cavalo indicando para ele cruzar um rio ou entrar num mato, e isso é feito da mesma maneira que um cavalo ou égua dominante. Os cavalos novos devem aprender a me respeitar e me ouvir.                                                   

Num redondel eles são ensinados a juntar-se a mim/“join up”. Usando meu corpo, ensino eles a se aproximarem e se afastarem, a se moverem em diferentes sentidos e velocidades. Tudo por sinais e comandos de voz. Durante esse trabalho a confiança é adquirida uma vez que eles entendem que você está lá para ensinar. Regras e limites são importantes, tanto quanto paciência e entendimento. Eles precisam confiar que é seguro estar comigo e me seguir. Em situações de stress, com animais perigosos, eles não estarão 100% confiáveis se estiverem agindo numa base de medo, o que por sua vez pode ter resultados imprevisíveis.                                                    

Os cavalos que eu treino voltam ao guia quando chamados, eles reconhecem meu assobio, podem ser até atrevidos as vezes, mas importante é que eles sabem a hora de trabalhar e vão reagir de acordo.

  • Cavalo Guia

Como estabelecido, nossos cavalos devem trabalhar como um time. O cavalo líder é o componente mais importante desse time, já que os demais vão segui-lo.

  • Estabelecendo contato com predadores

Eu promovo encontros (próximos) dos cavalos com elefantes, rinocerontes e búfalos (observe que não inclui leopardo e leão – nenhum guia de safári a cavalo que se preze o levaria conscientemente para perto de um leão a cavalo – em termos de comportamento, o leão deve aprender a reconhecê-lo como a ameaça e sair de perto).                                               

Cavalos mostram sinais bem particulares quando se aproximam de um elefante pela primeira vez – cabeça mais elevada, narinas dilatadas, boca contraída, coração batendo e deslocamento do corpo para preparar uma rota de fuga.                          

Todos os cavalos nesse primeiro encontro são conduzidos por mim e eles aprendem a me aceitar como uma figura confiável e segura. Quando eu digo para eles ficarem parados e aceitarem o avistamento, eles são capazes de refrear seu instinto natural e ouvir seu cavaleiro que está dizendo para eles ficarem parados. Tem mais algumas coisas que também são essenciais para esse resultado: tenha certeza que seu arreamento esteja em boas condições. Se você devido a situação está colocando mais pressão no estribo e ele arrebenta, isso causara uma grande alteração na distribuição de seu peso no cavalo e consequentemente vai tirar a “concentração” dele em seus comandos e tudo isso pode resultar num grande problema.        

O tipo de embocadura também é importante, deixe o bridão de treinamento e use algo adequado para uma possível situação em que tenha que ter seu cavalo totalmente em suas mãos.                                

Muito importante também é seguir aquele instinto de manada e sempre levar um cavalo novo, em treinamento, junto com cavalos experientes. Uma vez que os cavalos experientes vão estar relaxados na frente de um elefante e não vão mostrar sinais de medo, o cavalo novo, ainda vai sentir medo porem seu instinto de fugir será subjugado, uma vez que os demais a seu redor estarão parados.                                                 

Devemos sempre assegurar que o primeiro encontro com um elefante seja positivo, que todos estejam relaxados e que não ocorram ameaças. Para isso devemos encorajar nosso cavalo a pastar nesse momento para ficar mais relaxado. Observar uma distância de 50 metros para que o elefante não se sinta ameaçado. Como todo treinamento, a repetição é a chave, conforme o cavalo novo ficar mais relaxado, a distância deve ser diminuída gradualmente até que eles sintam que essa “convivência” pode ser normal. Com mais tempo e treino, pode-se chegar a uma distância de 10 metros de elefantes, rinocerontes, búfalos.                 

Nesses encontros, sempre posicionar o cavalo novo numa posição um pouco atrás do cavalo mais experiente, mas observar para que ele esteja vendo o elefante.                                                             

  • Conclusão

O cavalo de safari deve ser bem equilibrado, com grande personalidade, que idealmente deve combinar com a personalidade do cavaleiro.

Eu procuro produzir a companhia ideal para um safari e o melhor meio de transporte na natureza africana (to the bush). 

Por: Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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