São vários os Caminhos de Santiago.

A partir da descoberta do túmulo do Santo Apóstolo, no século IX, a curiosidade encarregou-se de demarcar os diferentes caminhos que, partindo de diversos pontos da Europa, iam se formando pela sedimentação das trilhas deixadas pelos primeiros peregrinos que se dirigiam àquele Santo Lugar.

Os caminhos espalharam-se por toda a Europa e se entroncavam nos caminhos espanhóis. O Caminho Francês que entra na Espanha na zona de Pamplona, é a rota das estrelas, é o Caminho de Santiago por excelência. Seu trajeto através do norte da Península Ibérica foi fixado com precisão em 1.135.

Vários daqueles que deixaram o nome na história, como Carlos Magno, El Cid, São Francisco de Assis, Fernão de Aragão e Isabel de Castela, também percorreram o Caminho. Não dispondo de outro meio de locomoção, a grande maioria se deslocava a pé, enquanto os membros da nobreza e do clero iam a cavalo. Peregrinos não menos famosos da nossa história contemporânea, como artistas, escritores, historiadores, e outros, continuam nos dias de hoje fazendo a história do Caminho.

A Rota do Caminho de Santiago é um dos mais extraordinários trajetos monumentais do Ocidente. São centenas de construções civis, militares e religiosas, muitas delas exemplos maiores de seus estilos arquitetônicos (românico, gótico, barroco, plateresco e neoclássico).

Tendo cavalgado em várias partes do mundo, há muito tempo eu queria cavalgar por esse caminho, que tem mais de mil anos de história. Em 2010, quando Santiago de Compostela celebrava seu Ano Santo decidi viajar a Espanha e pesquisar como fazer o Caminho a cavalo. Passei 15 dias percorrendo o caminho Frances de carro e pesquisando. Visitei várias ‘cocheiras’ e fui a base daqueles que organizam cavalgadas na região.

Com tudo organizado, marquei minha primeira viagem para ano seguinte, quando percorri com minha mulher e alguns amigos, o Caminho desde Astorga, em oito dias. É o trecho que mais recomendo. Astorga é famosa pelo Castelo de Gaudi e outras obras interessantes, vale a pena. Nessa rota de dez dias, nove noites e oito dias a cavalo, merecem destaque o Castelo Templário de Ponferrada, muito bem restaurado, e a pequena vila celta O Cebreiro, um lugar especial (só conhecendo para entender).

Passado mais um ano, decidi fazer todo o Caminho Francês desde Pamplona, num total de 780 km. Convidei o amigo José Henrique Castejon, (um entusiasta das cavalgadas com seus Mangalargas) e em 17 dias fomos protagonistas da história viva de um caminho milenar.

Por Paulo Junqueira Arantes
Diretor da agência Cavalgadas Brasil

Escreva um comentário