Um encontro a cavalo, no paraíso das aves, beirando o Mar Atlântico, sem deixar de lado as tradições gaúchas do lugar

A nossa viajem dessa vez será para o Rio Grande do Sul. Uma cavalgada na Grande Restinga do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, que fica localizado entre as cidades de Mostardas e Tavares. Uma oportunidade única de conhecer a cavalo um conjunto de ecossistemas riquíssimos do ponto de vista ambiental.

Numa região inabitável como essa, a cavalo tudo fica mais acessível, permitindo que o passeio comece na Lagoa dos Patos, chamada ‘Mar de Dentro’, com 280 km de comprimento por até 60 km de largura. E, em algumas horas de cavalgada, chegue-se ao ‘Mar de Fora’, no Oceano Atlântico, cruzando a antiga ‘Estrada do Inferno’, dunas de areia fina e matas com figueiras retorcidas. É possível conferir porque os nativos brincam dizendo que ali é o único lugar do mundo aonde o sol nasce e se põe no mar.

O Parque Nacional foi criado em 1986. Em seus 34 mil hectares de área encontram-se um paraíso para aves, muitas delas migratórias. Todos os anos, cerca de 40 mil aves de mais de 200 espécies encontram na Lagoa do Peixe sua alimentação natural num grande banquete a céu aberto. Desde os elegantes flamingos, sendo ali o único lugar do país aonde se pode vê-los durante todo o ano, aos cisnes de pescoço negro e os numerosos Trinta-réis, todos convivendo nesta verdadeira teia aquática.

E como bem disse o jornalista Thiago Medaglia, “é a cavalo que se abrem as portas e a é cavalo que você se mistura no Rio Grande do Sul”. Apesar de hoje não ser mais uma região de grandes tropas, as tradições gaúchas e o amor do povo pelo cavalo é tão forte quanto nos pampas, porém este roteiro sai um pouco da forte raiz do cavalo Crioulo, sendo feito sob a sela de um cavalo Lusitano.

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A fazenda fica poucos quilômetros após a pequena cidade de Tavares, junto ao Parque Nacional Lagoa dos Peixes. De lá, todos os dias o grupo sai para cavalgar pela Lagoa dos Patos, Lagoa dos Peixes e pela praia do Oceano Atlântico. Algumas travessias pela água chegam a durar quase uma hora. Entre o Mar de Dentro e o Mar de Fora, em alguns trechos é necessário transpor dunas de areia, que lá são chamadas de ‘comoros’, de até dez metros de altura e chegam a ter alguns quilômetros de extensão.

Nas refeições, como manda a tradição gaúcha, não podefaltar um bom churrasco de fogo de chão, com a típica ovelha da região. Por estar junto ao mar, também são servidos, durante a cavalgada, pratos típicos como o camarão da Lagoa.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

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