Cavaleiros, amazonas e profissionais do mundo equestre buscam sempre a melhor performance de seus animais

Para isto, não basta ter apenas um bom cavalo, é necessário realizar uma boa criação, uma doma racional, um treinamento adequado. E, sem dúvida nenhuma, uma alimentação específica à modalidade praticada. Não adianta ter um equino de excelente linhagem e aptidão, com o melhor treinamento e cavaleiro, se o animal não tiver o combustível certo para desempenhar o seu potencial em pista.

A alimentação do cavalo atleta começa desde a fase de gestação do animal, em que a égua necessita de cuidados nutricionais especiais durante toda a prenhes até o nascimento do potro. A partir deste momento, o potro deve receber uma alimentação específica para crescimento, com maior nível de proteína, que garantirá seu desenvolvimento completo, permitindo que esteja fisiologicamente preparado para um programa de treinamento.

Ao alcançar a idade de doma, inicia-se o fornecimento de ração para trabalho leve, contendo uma quantidade moderada de energia que aumentará gradualmente, conforme a intensidade do trabalho. A alimentação deve ser balanceada de acordo com a modalidade esportiva praticada, pois o que define o substrato energético utilizada pelo animal (o tipo de energia) é a intensidade e a duração do exercício.

Os animais em trabalho são divididos basicamente em duas categorias: cavalos de explosão – que desempenham uma atividade de curta duração e altíssima intensidade (tambor, laço, corrida) e os de resistência – que desempenham exercícios de longa duração e intensidade moderada (enduro).

A base da alimentação desses animais é a mesma, porém o tipo de substrato energético utilizado por cada um deles e a proporção de volumoso e concentrado são diferentes. Isso acontece porque o metabolismo energético degrada vários tipos de substratos de acordo com o tempo.

Primeiramente o cavalo utiliza como fonte de energia a Creatina Fosfato, que está pronta para ser utilizada (primeiros 5 segundos de exercício). Depois o organismo transforma o carboidrato (glicose ou glicogênio) em energia (até aproximadamente 10 minutos de exercício).

Em seguida começa a utilização de gordura (processo mais lento) e depois o suprimento energético passa a ser por conta da energia proveniente da fibra. Isso basicamente define o tipo de ração que cada animal deve receber e a proporção de volumoso e concentrado.

Para o cavalo de explosão, que apresenta como características – exercícios de alta intensidade e curto período de tempo – é fundamental um suprimento rápido de energia. Por isso, o principal substrato energético utilizado é o carboidrato, proveniente principalmente do milho e da aveia.

O óleo também é uma fonte energética importante, pois é bastante utilizado durante o período de treinamento (condicionamento) e para garantir as reservas de glicogênio muscular. A fibra é fundamental na dieta, no entanto, não é utilizada como fonte de energia no cavalo de explosão.

Desta forma, a dieta para cavalos de explosão varia de uma proporção de 50% de concentrado e 50% de volumoso, podendo chegar até 60% e 40% respectivamente, já que a energia utilizada vem principalmente do concentrado.

A ração ideal indicada para esta modalidade deve ser bastante energética (em torno de 3.650 Kcal/Kg de energia digestível) e conter maior fonte de energia por carboidrato, do que por óleo e conter em torno de 12% de proteína bruta, pois é o que será utilizado no momento da competição.

As quantidades de ração variam em torno de 4 a 6 Kg por dia, divididas em 3 tratos diários, com volumoso à vontade.

O cavalo de resistência deve receber uma proporção de 30% de concentrado e 70% de volumoso, pois os substratos energéticos mais importantes para esta categoria são provenientes da fibra e do óleo, desta forma, precisam receber rações que contenham maior quantidade de óleo do que carboidrato em sua composição.

Devemos lembrar sempre que o equino é um animal herbívoro, e por isso, o volumoso é essencial em sua dieta, independentemente do tipo de modalidade esportiva que ele pratique.

O volumoso pode ser fornecido na forma de feno (Coast Cross, Tifton, Jiggs ou alfafa) ou capim verde (no pasto ou fornecido cortado na cocheira), o importante é que seja de boa qualidade e digestibilidade (maior quantidade de folhas e pouco talo) à vontade.

O fornecimento de sal mineralizado para equinos também é fundamental para o cavalo atleta, já que a perda de suor e eletrólitos é muito grande durante o exercício, por isso é aconselhável forçar o fornecimento do sal mineral juntamente com a ração, para garantir que o animal esteja ingerindo o mínimo necessário para o pleno funcionamento do organismo.

Desta forma, podemos concluir que uma alimentação balanceada e adequada para o cavalo atleta é fundamental para garantir o bom desempenho nas pistas.

Por Dra. Claudia Ceola
Foto: Wallpappers4u

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