A equinocultura vem crescendo a cada dia, e cada vez investindo em mais tecnologia e saúde para os animais, principalmente quanto tratamos de animais de esporte.

Equinos de competição precisam estar em perfeitas condições de saúde, com seus organismos em total equilíbrio, para conseguirem desempenhar suas funções de maneira correta. Portanto a anemia acaba se tornando um problema rotineiro no dia a dia de hípicas ou haras.

A anemia é uma das anormalidades mais frequentes encontradas em clínica. Elas são condições patológicas secundárias a alguma doença ou algum outro órgão ou sistema. São caracterizadas pela diminuição da taxa de eritrócitos, de hematócrito, hemoglobina circulante e consequentemente acarretam em uma menor oxigenação do organismo. A Anemia pode ser decorrente de diversas causas desde parasitoses até doenças imunomediadas. Se não tratada o animal pode vir a apresentar fraqueza, anorexia, queda de performance, intolerância ao exercício, sopro cardíaco, e até mesmo chegar a morte. O tratamento se baseará na resolução da etiologia primária.

Vista dorsal dos
acupontos de equinos
(SHOEN, 2006).

A acupuntura é uma terapia que vem ganhando espaço no mundo ocidental, e sua indicação pode ser para pacientes anêmicos, imunossuprimidos e outras afecções. A utilização da acupuntura tem como finalidade a cura ou a prevenção dos desequilíbrios da Energia Interna.

O sangue, também conhecido como Xue, na Medicina Chinesa apresenta um significado diferente da medicina ocidental. Ele faz parte das Substâncias Vitais do organismo, juntamente com o Jin Ye (fluido corpóreo), Jing (essência), Shen (mente), e o próprio Qi (energia). Na Medicina Tradicional Chinesa (MTC), o sangue é uma forma de Qi só que em forma mais densa e material. Além disso o Xue é inseparável do Qi, pois o Qi proporciona vida ao sangue e sem o Qi o Sangue (Xue) seria um fluido inerte.

Segundo a Medicina Chinesa, o sangue é produzido principalmente pelo baço/pâncreas, e rins. Enquanto o pulmão, o coração e o fígado tem importantes funções na transformação, movimentação e estocagem do Xue. O sangue possui três funções principais, nutrir, manter e umedecer estruturas como pele, pelos, tendões, ossos, órgãos, canais e qualquer outro tecido que necessite de sua nutrição. Os desequilíbrios de sangue se apresentam de três maneiras: deficiência do Xue, calor de Xue e estase de Xue.

A Deficiência do Sangue é uma condição observada quando se tem uma insuficiência de sangue decorrente de uma produção ineficiente ou uma hemorragia. Em condições mais crônicas pode apresentar anemia, mas vale ressaltar que nem todos os casos de Deficiência do Sangue apresentarão esta condição. Os sinais mais comuns apresentados são insônia, palpitações, tontura, pele seca, contratura tendínea e cabelos ou pelos secos e sem vida.

Nos casos de Estase de Sangue ocorre a falha na movimentação adequada do Sangue e ele para em algum local. A obstrução dessa movimentação geralmente decorre de algum trauma e caracteriza-se por sinais de contusão, nódulos, inchaços, coágulos de sangue, e dor.

Vista ventral dos
acupontos de equinos
(SHOEN, 2006).

Quando existe Calor no sangue teremos sintomas como sensações de calor, lesões de pele com características avermelhadas, quentes, sede, hemorragias, língua vermelha e pulso rápido. Quando o calor se localiza no sangue do Fígado teremos dermatites caracterizadas por coceiras, calor e vermelhidão. Se houver calor nos Intestinos, teremos sangue nas fezes. E se o calor estiver localizado no sangue do Coração teremos sinais de ansiedade e inquietude mental.

A perda de sangue pode ocorrer por duas causas, uma primeira em que o Qi se encontra deficiente e não consegue segurar o sangue nos vasos, ou em segundo por calor no sangue, este calor presente no Xue acaba por empurrar o sangue para fora dos vasos. As manifestações clínicas incluem epixtases, petéquias, hematêmese, melena, hematúria.

Para iniciarmos um tratamento com Acupuntura, primeiramente devemos identificar o padrão de desarmonia presente segundo as teorias do Zang Fu, Cinco Elementos e Oito Princípios. Uma vez determinado o padrão podemos então iniciar o protocolo de tratamento.

 

O tratamento das anemias envolve alguns aspectos comuns independente da etiologia que a iniciou. Por serem geralmente padrões de Deficiência ou Vazio de Yang, o princípio básico da terapêutica envolverá tonificação. Os órgãos relacionados com a síntese de sangue devem ser estimulados por meio da tonificação com Moxa ou eletroacupuntura, e os principais pontos utilizados no tratamento de casos de anemia são: B17, B18, B20, B21, B23, BP3, BP6, BP10, E36, F8, VB39, PC3, IG11, VC4, VC6, VC12, VG20. Caberá então ao veterinário acupunturista determinar quais pontos utilizar baseando-se nas suas funções e no padrão de desarmonia que o equino apresenta.

Pontos Acupuntura Equino (internet).

Concluímos, portanto, que na rotina da clínica de equinos a anemia gera grandes perdas e prejuízos, tanto aos animais como aos proprietários. As mais diversas patologias podem vir a causar alterações no sistema hematológico. Hemoparasitoses, doenças crônicas, doenças renais, doenças autoimunes, assim como outras patologias diariamente diagnosticadas levam a diminuição dos parâmetros sanguíneos fisiológicos. Embora o tratamento de várias destas doenças se baseie no tratamento suporte do animal, ainda existe um déficit no mercado alopático medicamentos que auxiliem no processo de produção sanguínea. Contudo, na MTC, podemos modular este processo orgânico, auxiliando na recuperação de pacientes enfermos e convalescidos.

Uma doença do sangue pode se manifestar e ter tratamento conforme o órgão afetado. Cabe ao veterinário saber identificar e interpretar os padrões corretamente, para poder formar um protocolo de tratamento de acupuntura. Desta forma o tratamento se torna mais eficaz, e a resolução da anemia ocorre mais rapidamente.

Como auxilio da acupuntura conseguimos melhorar o desempenho dos equinos e prevenir o aparecimento das anemias, e quando feito o tratamento a resolução da diminuição do hematócrito ocorre de maneira mais rápida, gerando um menor prejuízo a atividade da equideocultura.

Por Letícia Viana Valle Vieira – Médica Veterinária

Foto : Cedida

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