Saúde Animal

Aprenda como interpretar o hemograma do potro

Neste artigo técnico assinado por Ana Claudia Gorino e Alfredo Poci Ferri, Médicos Veterinários da Clínica Equus, entenda quais são as principais diferenças hematológicas entre neonatos e adultos

Publicado

⠀em

Sem dúvida, o período neonatal é uma fase de transição e adaptação à vida extrauterina. Na qual a fisiologia do potro é muito dinâmica e exibe uma série de características distintas. As particularidades dos parâmetros laboratoriais dos neonatos raramente são incluídas nos valores de referência dos exames solicitados. Por isso, devemos estar atentos e reconhecer essas particularidades quando interpretamos os resultados do hemograma do potro.

Hematócrito e concentração de hemácias

Imediatamente após o nascimento ocorre um pico na concentração de hemácias e no hematócrito (Ht). Isso é verificado porque durante o parto ocorre transferência de sangue da placenta, através do cordão umbilical, para o potro e contração esplênica estimulada pelo estresse fisiológico.

Como resultado, verificam-se valores iguais ou um pouco maiores que os de equinos adultos. Contudo, nas 12-24 horas seguintes esses valores decrescem, em média, 10%. Valores baixos ao nascimento podem estar associados à ruptura precoce do cordão umbilical.

48 horas de vida

Ao longo das primeiras 48 horas de vida o hematócrito e a concentração de hemácias diminuem progressivamente. Podendo, portanto, atingir valores próximos ou menores do que o limite inferior para cavalos adultos.

Sobretudo, essa queda está associada a uma combinação de mecanismos de adaptação à vida extra-uterina, como a hemodiluição causada pela expansão do volume plasmático após a ingestão do colostro (as imunoglobulinas exercem um efeito osmótico).

Podemos ter, por exemplo, um Ht de 45-50% em um potro imediatamente após o nascimento e valores próximos a 35-40% aos dois dias de idade. Isso é normal e não deve ser prontamente interpretado como uma possível anemia sem que existam outros sinais ou parâmetros clínicos envolvidos. Quedas agudas no Ht e valores < 20% são atípicos e formas diagnósticas complementares são importantes.

1 semana de vida

A partir dos 7 dias (e ao longo da 1ª – 2ª semana de vida), a concentração de hemácias e o Ht diminuem significativamente. Aos 2 meses ocorre um novo aumento na concentração de hemácias e o valor volta a ser igual ao observado ao nascimento.

De forma geral, os valores ficarão próximos ao limite inferior de um equino adulto até 1 ano de idade.

Instagram: @pro.equus | E-mail: pro.equus@terra.com.br | Telefone: (11) 99918 – 3403

Por Ana Claudia Gorino e Alfredo Poci Ferri, Médicos Veterinários da Clínica Equus
Crédito da foto: Divulgação/ProEquus

Veja mais notícias da Pro Equus no portal Cavalus

Saúde Animal

Dermatite de quartela: causas, sinais e tratamento

Umidade pode afetar, entre outros, a quartela do seu cavalo, ou seja, a parte inferior da perna entre a coroa do casco e o boleto

Publicado

⠀em

Dermatite da quartela é o nome comum dado à doença de pele que afeta a porção distal do referido membro. Quartela é a parte inferior da perna do cavalo, entre a coroa do casco e o boleto, correspondente as duas primeiras falanges.

Portanto, a Dermatite de quartela nada mais é do que uma inflamação da pele causada por uma bactéria denominada Dermatophiluscongolensis. Por outro lado, ainda causam inflamação substâncias cáusticas, ácaros, fungos, alergias e fotossensibilização relacionadas à exposição a pastagens com ervas daninhas tóxicas.

A saber, sofrem mais com a dermatite por fotossensibilização áreas de pelos brancos e pele rosada da perna do cavalo. Algumas raças de tração, como Clydesdales e Shires tem ainda uma predisposição genética, extremamente rara em Quartos de Milha, por exemplo.

A doença, também conhecida como Dermatofilose, manifesta-se em animais que permanecem em precárias condições de higiene. Assim, a combinação de umidade e sujeira é prejudicial ao seu cavalo.

Como observar os sinais da Dermatite de Quartela

A forma mais branda começa com vermelhidão, queda do pelo e descamação ao longo dos metacarpos e calcanhares. Coça e dói em alguns casos. A forma mais grave se caracteriza por vermelhidão, queda do pelo e secreção. Essa secreção produz crostas espessas extremamente dolorosas ao toque e causar claudicação em alguns casos.

Há uma terceira forma da Dermatite de quartela, a forma crônica, que se caracteriza pelo desenvolvimento de tecido de granulação duro e cornificado na parte posterior dos metacarpos ou calcanhares. E, eventualmente, progride para cima na perna.

Dermatite de Quartela: umidade pode afetar, entre outros, a quartela, ou seja, a parte inferior da perna entre a coroa do casco e o boleto

Tratamento e prevenção

Em primeiro lugar, dê ao seu médico veterinário todos os detalhes da evolução da doença. Especialmente se você perceber quando apareceu pela primeira vez, se é sazonal ou afeta mais de um animal.

A fim de tratar, limpe bem a área afetada e procure reduzir umidade do local. Remova as crostas e use produtos de tratamento com xampus tópicos antibacterianos e antifúngicos. Lembre-se de que são lesões extremamente dolorosas, então tenha bastante cuidado ao remover as crostas.

Em casos graves, há a chance de precisar de antibióticos, bem como esteroides para controlar a infecção e reduzir a inflamação. Nos raros casos, administre organofosforados tópicos e/ou anti-helmíntico apropriado.

Certifique-se de somente parar com o tratamento medicamentoso quando dor e inchaço desaparecerem por completo. Bem como cheque tudo e confira se ainda há umidade nos ambientes que seus cavalos ficam. Preocupe-se, especialmente, com o período chuvoso. Local seco e estável é extremamente importante.

Evite ainda a exposição crônica do seu cavalo à lama e/ou água parada. Encontre uma fonte alternativa de cama para a baia se houver suspeita de alergia na pele. O prognóstico da dermatite metacarpos depende da identificação da causa subjacente e do tratamento precoce. A recorrência é comum, especialmente se a causa subjacente não for tratada.

Fonte e fotos: AQHA

Veja mais artigos de Saúde Animal no portal Cavalus

Continue lendo

Saúde Animal

Métodos de diagnóstico parasitológico em equinos

Como saber se o seu cavalo está parasitado? Antes de mais nada, o controle de parasitas interfere na saúde e na produtividade dos cavalos

Publicado

⠀em

A fim de zelar pelo bem-estar do seu cavalo, é importante falar a respeito dos principais métodos de diagnóstico parasitológico. São, acima de tudo, fundamentais para tratamento, controle e prevenção de problemas com parasitas nos animais.

Como se sabe, todos os animais criados a campo estão sujeitos a verminoses intestinais. Além de causar sérios problemas, essas verminoses colocam coloca em risco a vida deles. Por isso, não só o tratamento, mas também o controle e prevenção se tornam as principais formas de proteção à tropa.

Um dos métodos de diagnóstico parasitológico em equinos é a técnica de contagem de ovos por grama de fezes, mais conhecida como OPG. Primeiramente, coleta-se as fezes diretamente do reto do animal. Em seguida, as amostras coletadas são identificadas e acondicionadas em uma caixa térmica com gelo reciclável até que sejam encaminhadas ao laboratório.

No laboratório, o responsável pesa duas gramas de fezes e dissolve 400 gramas de sal em um litro de água. Obtém, dessa forma, uma solução saturada – observa-se precipitação de sal no fundo do recipiente.

Depois, mistura-se 28 mL dessa solução saturada de cloreto de sódio em duas gramas de fezes. Em seguida, filtra-se o conteúdo de um copo para o outro. O próximo passo é homogeneizar bem o conteúdo filtrado do copo.

Com uma pipeta, retira-se uma alíquota e preenche-se a Câmara de McMaster (ferramenta de análise laboratorial) com o cuidado de não deixar bolhas. O profissional, então, faz a leitura em microscópio óptico no aumento de 100x (objetiva de 10).

Soma-se a quantidade de ovos contada nos dois lados da câmara e esse resultado multiplicado por 50 para determinação do número de ovos por grama de fezes (OPG).

Outra forma de diagnóstico parasitológico

Os estrongilídeos, geralmente, são os nematódeos mais encontrados durante os exames laboratoriais. Compõe-se por diferentes espécies, porém seus ovos assemelham-se muito entre si, tornando difícil sua identificação apenas pelo exame de OPG.

Portanto, indica-se outro tipo de exame, que é mais específico, também realizado em laboratório a fim de determinar qual parasita intestinal se encontra no animal: a coprocultura.

diagnóstico parasitológico: Como saber se o seu cavalo está parasitado?  controle de parasitas interfere na saúde e na produtividade

Existem várias técnicas de coprocultura para obtenção de larvas de nematódeos gastrintestinais, mais a mais utilizada é a Técnica de Roberts e O’Sullivan.

Nela, coleta-se de 20 a 30g de fezes frescas, retiradas diretamente da ampola retal do animal. Em seguida, mistura-se com um pouco de água a uma serragem – de preferência a serragem esterilizada de pinho para evitar o crescimento de fungos – na proporção de mais ou menos duas partes de serragem para uma de fezes.

Depois de homogeneizar as fezes e a serragem, deve-se preencher um pote com essa mistura e levá-la a estufa ou deixar no meio ambiente por um período de sete a dez dias. É ideal fazer um furo no meio da mistura e cobrir o pote para evitar o crescimento de fungos. É possível que interfiram no desenvolvimento das larvas de nematódeos.

Decorrido esse período, coletam-se as larvas, preenchendo o frasco de cultivo com água morna até a borda. Tampa-se o frasco com uma placa de Petri, invertendo-o e colocando de cinco a dez ml de água na placa de Petri . Após três a quatro horas, coleta-se o conteúdo com uma pipeta e analisa-o em lâmina ao microscópio.

Exame simples

Entretanto, esses métodos não são tão eficazes para todas as espécies de parasitas internos de equinos. Como é o caso do Oxyurisequi, uma espécie de nematoide facilmente identificado através do Exame da Fita Gomada. Trata-se de um exame rápido, simples e eficaz.

Consiste basicamente em fixar sobre a região anal e perianal do equino – local onde as fêmeas do Oxyurisequi fazem a ovipostura – uma tira de fita durex transparente. A análise dessa fita sobre uma lâmina levada ao microscópio confirmará a presença de ovos.

Colaboração: Departamento Técnico da Ourofino Saúde Animal
Crédito das fotos: Divulgação/Thehorse

Veja mais artigos de Saúde Animal no portal Cavalus

Continue lendo

Saúde Animal

Asma equina: o que é, possíveis causas e tratamento

Atualmente, os veterinários têm uma variedade de tratamentos disponíveis para controlar cavalos com asma. As opções incluem desde auxiliares respiratórios de venda livre, produtos naturais/fitoterápicos/holísticos e até uma variedade de medicamentos controlados

Publicado

⠀em

Em 2016, a indústria equina adotou o termo “asma equina” para descrever cavalos com inflamação crônica das vias aéreas. Isso incluiu cavalos jovens com doença inflamatória das vias aéreas, bem como cavalos mais velhos, que os veterinários costumavam chamar de obstrução recorrente das vias aéreas (RAO) ou empinamentos.

Nas formas mais graves de asma equina, os cavalos sofrem de broncoconstrição (um estreitamento das vias aéreas inferiores chamado bronquíolos), produção de muco e broncoespasmo (uma constrição temporária das vias aéreas para os pulmões causada pela contração muscular).

Ademais, os cavalos afetados pela asma geralmente apresentam aumento da frequência respiratória, tosse, secreção nasal, intolerância aos exercícios e dificuldade respiratória. Em alguns casos, uma linha de elevação pode se formar ao longo da borda inferior das costelas devido aos músculos abdominais aumentados para ajudar na respiração. Perda de peso, anorexia e intolerância ao exercício também podem ocorrer.

Os veterinários têm atualmente uma variedade de tratamentos médicos disponíveis para controlar cavalos com asma. As opções incluem desde auxiliares respiratórios de venda livre, produtos naturais/fitoterápicos/holísticos e instrumentos respiratórios até uma variedade de medicamentos controlados.

Muitos medicamentos usados ​​para tratar a asma podem ter efeitos adversos no corpo do cavalo, incluindo laminite – uma inflamação intensamente dolorosa dos tecidos da pata do cavalo.

Limpando o Ar

Enquanto uma pequena população de cavalos sofre de asma equina associada a pastagens, a maior parte dos cavalos com asma desenvolve sinais de doença quando alojados em estábulos e alimentados com feno. Com a falta de fluxo de ar típica de muitos estábulos (em comparação com pastagens), o mais de 50 alérgenos conhecidos no feno e na palha podem se acumular rapidamente!

Esses alérgenos incluem esporos de fungos, ácaros e endotoxinas bacterianas. Poeiras inorgânicas e gases irritantes, como a amônia da urina, também podem agravar o trato respiratório.

Veterinários e pesquisadores consideram a asma eqüina uma “doença da domesticação” por causa da alta concentração de irritantes das vias aéreas em áreas estáveis. Uma equipe veterinária escreveu: “… o manejo ambiental deve ser o objetivo principal porque os sinais clínicos e a função pulmonar melhoram rapidamente em um ambiente com pouca poeira, mesmo sem medicação.”

Opções orais e inaladas comprovadas e verdadeiras

Os dois medicamentos mais amplamente recomendados para controlar a asma equina são os corticosteroides (também comumente chamados de esteróides ou glicocorticóides) e broncodilatadores (β 2 agonistas).

Embora os antiinflamatórios sistêmicos, como prednisolona oral e dexametasona injetável, possam reduzir com eficácia a inflamação das vias aéreas, os veterinários geralmente tentam reservar seu uso para surtos (exacerbações).

Para controle diário e prevenção de exacerbações, procure corticosteroides inalatórios. Esses medicamentos incluem fluticasona, budesonida e beclometasona, que são fornecidos como inalantes, administrados por meio de uma câmara de aerossol colocada sobre uma narina através da qual o cavalo respira.

Os esteróides inalados melhoram de forma rápida e eficaz os sinais clínicos associados à asma. No entanto, os glicocorticóides devem ser usados ​​com cautela em cavalos com histórico de laminite ou com maior risco de laminite.

Já os broncodilatadores resultam no relaxamento imediato dos músculos lisos. O relaxamento dos músculos das vias aéreas inferiores minimiza a hiperresponsividade das vias aéreas (uma das causas da tosse em cavalos asmáticos) e o broncoespasmo. Exemplos de broncodilatadores comumente prescritos incluem clenbuterol oral e albuterol inalado.

Menos comumente, os veterinários prescrevem outros β 2 s, como terbutalina, ritodrina, fenoterol, salbutamol e salometrol. Pesquisadores descobriram recentemente que tanto o fenoterol quanto o salbutamol relaxam com mais eficácia o músculo liso brônquico contraído do que o clenbuterol, abrindo novas portas para essa classe tradicional de medicamentos.

Antes de medicar, consulte um médico veterinário!

Se isso parece muita informação, é. Respire fundo, analise suas opções e concentre-se na prevenção das exacerbações da asma por meio de estratégias de gestão ambiental. É importante ressaltar que sempre consulte seu veterinário antes de iniciar qualquer forma de tratamento para garantir que o diagnóstico esteja correto.

Várias doenças infecciosas podem se apresentar de forma semelhante. Se entrar em uma competição, sempre verifique com o órgão regulador apropriado ao usar qualquer um dos medicamentos descritos acima para garantir que eles não sejam substâncias proibidas.

Fonte: The Horse
Crédito da foto: Divulgação/Boehringer Ingelheim

Veja mais artigos de Saúde Animal no portal Cavalus

Continue lendo