Hoje em dia, nós que estamos diretamente ligados a equideocultura, não podemos esquecer do bem-estar dos equinos durante o transporte em nossos deslocamentos

Cuidados esses, principalmente, para o deslocamento para os eventos hípicos, onde muitas das vezes percorremos grandes distancias. Lembramos ainda, que o transporte de cavalos nas condições que ocorrem no Brasil é um fator de ‘Bem-Estar’, ou melhor dizendo, de ‘Mal-Estar’. Ter conhecimento dos diversos pontos que podem comprometer o Bem-Estar Animal durante o transporte é de extrema importância visando minimizar as condições negativas.

Para uma boa avaliação, devemos conhecer os cinco critérios propostos em 1993 pelo Farm Animal Welfare Council, classificando o nível de BEA – Bem-Estar Animal, conhecidos mundialmente como as ‘Cinco Liberdades’:  Livre de fome e sede; Livre de desconforto; Livre de dor, injuria e doença; Livre para expressar o comportamento normal; Livre de medo e estresse.

Além das obrigações sanitárias exigidas para o transporte (AIE. MORMO, INFLUENZA) e o GTA – Guia de Transporte Animal, não existem normas estabelecidas para o transporte de equinos que se preocupem com a necessária prevenção para o Bem-Estar Animal. Durante o período em que estão sendo transportados, frequentemente animais são submetidos a sensações de medo, fome, sede, excitação, dor e desconforto térmico levando a altos níveis de estresse.

Caminhão boiadeiro

Podemos enumerar vários itens que merecem toda a atenção, desde a hora do embarque e saída até o desembarque e chegada.

O uso de caminhões chamados boiadeiros nem sempre estão preparados para o transporte de equinos. Ao serem contratados (frete), transportam bovinos e equinos necessitando de embarcadores / desembarcadores, e nem sempre obedecem um padrão único, além da habilidade do motorista em manobrar para um melhor posicionamento na estrutura em alguns casos improvisadas.

Injúrias e Traumatismos

São inúmeros os acidentes que ocorrem durante o transporte de cavalos, sendo os mais comuns nos locomotores e cabeça. Geralmente acontecem durante os embarques e desembarques, freadas bruscas durante a viagem, falta de habilidade do motorista em curvas acentuadas, etc.

Recomenda-se o uso de protetores de locomotores e caudas, assim como um melhor posicionamento do animal no veiculo, sem esquecer da atenção e prudência do motorista e intervalos (paradas) a cada três horas para descanso, revisão  e ações preventivas.

Doenças Respiratórias – Privação de Água e Alimentos

Podem ocorrer a PLEUROPNEUMONIA ou FEBRE DO TRANSPORTE, que está relacionada a queda da imunidade devido ao estresse. Outro fator a ser observado, é o animal viajar com cabrestos amarrados impedindo-o de abaixar a cabeça, reduzindo a defesa natural das vias respiratórias dos animais. A falta de ventilação também provoca problemas respiratórios.

Pleuropneumonia é uma enfermidade caracterizada pela inflamação do parênquima pulmonar que se estende à pleura. A resposta a essa inflamação é a formação de transudatos ou exsudatos, que se acumulam dentro do espaço pleural. Esse acúmulo pode ser tão grande que gera um impedimento da expansão pulmonar gerando uma dificuldade respiratória importante.

Na anamnese geralmente é relatado que os animais afetados foram transportados para participação em provas ou exposições, onde entraram em contato com outros animais e permaneceram em ambientes pouco ventilados, com presença de poeira etc. Comumente, são equinos em treinamento, que passaram por um aumento na exigência dos exercícios e/ou que competiram recentemente apresentando alto grau de estresse.

Em viagens onde ocorre há privação de água, ocorre o aumento na frequência respiratória, nos batimentos cardíacos e alterações sanguíneas e desidratação, esta por sua vez, é um problema muito mais frequente. Pode desencadear varias doenças tais como a laminite, impactações de cólon (cólicas), doenças musculares e redução da função renal.

Condições de Transporte

EMBARQUE – Os principais problemas acontecem durante EMBARQUE ou DESEMBARQUE, pois neste momento ocorrem acidentes, provocando lesões, algumas graves inutilizando o cavalo parcialmente ou definitivamente para atividades esportivas. Animais que apresentam maior resistência ao embarque, tem maior predisposição ao estresse.

O treinamento favorece ao animal um melhor condicionamento, eliminando o estresse e habituando o animal ao embarque e desembarque em caminhões, trailers, reboques, carretas, etc. Os cavalos que não foram treinados previamente rejeitam rampas e embarcadores.

TEMPO DE VIAGEM – Interfere na fisiologia do cavalo, ocorrendo após muitas horas de viagem, mudanças em seu metabolismo muscular, perda de peso, desidratação, baixa imunidade e estresse elevado.

CONFORTO DURANTE A VIAGEM – A melhor posição de viagem é em diagonal. Apresenta maior estabilidade do que posições laterais e paralelas.

Conclusão

É fundamental conhecer sobre o Bem-Estar Animal, sendo uma obrigação de todos os envolvidos com equinos conhecer o Comportamento Animal e estar ciente das responsabilidades e dos cuidados no transporte, visando proporcionar melhores condições como conforto, segurança e o seu bem estar.

Por Roger Clark – Médico Veterinário
Juiz e Inspetor Zootécnico ABQM  e ABC PAINT | Consultor em Comportamento e Bem-Estar Animal
Fotos: arquivo pessoal

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