É importante considerar os diversos tipos de pista e o impacto sofrido pelos membros do cavalo ao se ferrar o cavalo de Tambor

As provas de cronômetro exigem muito esforço físico dos cavalos. Nas competições de três Tambores, exige-se que o animal parta em toda velocidade para o primeiro tambor, logo tendo que dar uma diminuída brusca de velocidade para fazer uma volta completa. E depois, sair acelerando até o próximo tambor e repetir o percurso para cruzar a linha de chegada.

Agora imaginem o esforço do cavalo ao fazer partidas explosivas, viradas agressivas e paradas bruscas carregando o cavaleiro. E, ainda por cima, estando mal ferrado. Um estudo foi feito pela American Farriers Association, associação americana que controla o trabalho de ferrageamento nos Estados Unidos.

Mostra que 80% das manqueiras das partes baixas dos membros dos cavalos são causados por negligência e falta de cuidados com os cascos. O ferrageamento é uma prática indispensável para o sucesso destes animais, podendo fazer a diferença entre ganhar ou perder.

Não existe receita para ferrar cavalo de Tambor, mas existem alguns pontos básicos a serem considerados, que serão citados a seguir.

Antes de começar o trabalho é preciso averiguar o histórico do cavalo (performance, informações particulares entre os treinadores…), conformação. Para detecção de problemas de aprumos com análise do balanceamento estático dos membros e com o cavalo em movimento. Se possível analisar o cavalo em treinamento.

Pinça rolada e atrasada

Deve-se casquear o animal sempre seguindo linhas imaginárias, as quais vão orientar sobre o equilíbrio médio lateral (visto de frente). Onde se traça uma linha imaginária verticalmente ao membro. Esta deve dividir o membro em duas partes iguais e o equilíbrio antero-posterior (visto de perfil), onde vão existir quatro linhas imaginárias que são oblíquas.

Passando por: 1ª linha na paleta, 2ª na muralha do casco, 3ª na quartela e a 4ª no talão. Vale lembrar que não se corrige aprumo de cavalos adulto, mas a forma do casco se corrige a qualquer tempo. Porém, esta última deve ser feita de forma progressiva.

O equilíbrio apropriado do casco é aquele que distribui o peso igualmente e absorve o impacto de maneira uniforme. Para corrigir ou manter um casco equilibrado é importante deixar os talões com a mesma altura. Não se deve retirar muita sola, pois a retirada excessiva pode provocar uma manqueira.

Na ranilha só devemos retirar material necrosado, limpando as lacunas laterais e a lacuna central para facilitar a limpeza. A ranilha participa de absorção de impacto e no funcionamento do sistema circulatório através do bombeamento de sangue. Da barra, deve-se retirar somente o excesso e a muralha deve ser mantida com uma mesma espessura em todo seu contorno. Tendo como referência a parte mais larga do casco.

Pinça quadrada com extensão lateral

Existe uma prática antiga, porém condenável, de deixar um talão mais alto imaginando corrigir defeitos de aprumo. No entanto, este procedimento que, visualmente leva a crer que corrigiu o casco, provoca muita pressão na coroa, forçando a abertura da pinça na diagonal oposta. Nestes casos as lâminas podem se romper.

As correções devem ser feitas nas pinças, mudando o ponto de quebra. O apoio dos talões deve estar sempre que possível na base da ranilha. O ponto de quebra é medido desde o momento em que o talão deixa o chão, até a hora em que as pinças se elevam para voar.

Os tendões estão muito esticados no início do ponto de quebra e esse excesso de pressão pode levar a uma síndrome de navicular. Por isso, deve se ter regularidade no ferrageamento, principalmente para cavalos que treinam em pistas com muita areia.

Com pinças longas e um aumento do tempo do ponto de quebra, a habilidade de se encurtar a fase de apoio é dificultada. O que faz com que o cavalo use mais energia e, consequentemente, se canse mais rápido, podendo também causar tendinites. Quando facilitamos o ponto de quebra aumentando a velocidade da saída do membro, a fase de apoio é encurtada.

Em cavalos que se alcançam, ou seja, tocam na parte de baixo com as pinças dos pés; ou pisam nas mãos com os pés, recomenda-se deixar os quatro cascos no ângulo natural (acompanhando o eixo podofalângeo que fica entre 45° e 55° em cavalos normais).

Ferradura de alumínio com agarradeira

Deve-se ferrar as mãos com pinça rolada e até em alguns casos com pinça quadrada. E nos pés usar ferradura com pinça quadrada se estiver com eixo quebrado (ângulo baixo). Nos anteriores facilita a saída do membro, deve-se somente arredondar a parte que está sobrando do casco como fosse ficar sem ferradura, para que não se quebre na hora da tração.

Especificamente em alguns cavalos deve-se deixar as ferraduras bem apoiadas nos talões anteriores para não ter perigo de arrancá-las durante o percurso. O uso dessa ferradura nos posteriores oferece grandes benefícios, como: facilita a movimentação, dando mais centralização nas passadas; diminui a possibilidade de se alcançar (os pés tocando nas mãos); ou também podem ser utilizadas em cavalo que batem ‘castanholas’.

Um dos acidentes mais comuns ocorre quando o cavalo se alcança e pisa no bulbo da mão com a pinça do pé, proporcionando uma forte dor no local por se tratar de uma área sensível. Isso pode prejudicar o crescimento do casco e até criar uma cicatriz e deformar o estojo córneo.

Outra vantagem da pinça quadrada é para cavalos que tem desvio ósseo na região do jarrete onde ele põe muita pressão no talão de fora. Assim ocasionando deformidades, podendo causar lesões na canela e no boleto.

Nos posteriores não se deve usar a ferradura de pinça levantada, porque o cavalo usa a pinça do casco para tração. Como ponto de maior esforço dos posteriores ocorre quando o casco está em ponto de quebra. Isto é (o cavalo está usando a força para tracionar), a ferradura com a pinça levantada escorrega e o cavalo perde a tração.

Ferradura com as bordas externas mais altas (frizada)

Para que a ferradura quadrada ajuste-se a forma ideal é necessário utilizar o tamanho que o cavalo usa normalmente e modelar a pinça de forma quadrada e ajustada de forma que fique sobrando um pouco mais que o normal nos talões. E ainda a utilização das barbetas ou quarda cascos laterais, para que a ferradura não deslize para trás.

Esse tipo de ferradura é para aumentar a tração na reta, porém com a desvantagem de aumentar o peso nas laterais dos cascos nas curvas fechadas. Outra desvantagem é causar um desequilíbrio no antero-posterior por ter agarradeira somente na pinça. Aumentando a possibilidade de lesões em articulações, tendões, ligamentos e músculos, pois essa ferradura não é indicada para prova de tambor, onde predominam as curvas sobre as retas.

Para prova de Tambor podem ser usadas as ferraduras de tração com as bordas externas mais altas, pois se consegue o máximo de tração sem prejudicar o equilíbrio. Elas aumentam a tração tanto na reta como nas curvas.

Há algumas ferraduras normalmente mais utilizadas, mas é claro que em alguns cavalos se faz necessário a utilização de outros tipos que se tornam ortopédicos e terapêuticos. Neste caso é imprescindível fazer a avaliação do cavalo para que possa utilizar o melhor método de ferrageamento e termos o objetivo final que é ajudar o cavalo.

Por Sergio Feitosa e Leonardo Feitosa
Fonte: Editora Passos
Fotos: Cedidas

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