Durante a evolução dos equídeos da floresta até os animais de campos abertos, os ruídos foram substituídos por sinais visuais mais eficazes

As vozes dos cavalos! Todos os animais, seja qual for a espécie, passam muito tempo ‘falando’ entre si e com outros. A maioria dos esforços vocais são para comunicação entre seus semelhantes, por exemplo: filhotes chamando mães, machos chamando parceiras, dominantes avisando subordinados, dominados acalmando dominantes, membros do grupo avisando sobre comida ou perigo, entre outros.

Os cavalos possuem um sistema sofisticado de comunicação visual que é mais utilizado por eles do que os sinais sonoros. Isto é facilmente observável nas reações de animais a pasto. Como os cavalos raramente ficam fora do alcance da visão dos demais, em geral os sinais visuais são mais efetivos e os vocais desnecessários.

Falando com animais

Muitas pessoas se frustram ao tentarem ‘falar’ com seus animais. Parte do problema se dá porque dão muita ênfase à comunicação sonora. Especialmente à linguagem verbal, que não é utilizada pelas demais espécies animais. A maioria dos animais tem um repertório de sons específicos para diferentes situações: fase de acasalamento, para alimentar-se ou avisar sobre comida, perigo, medo.

Diversos etólogos – cientistas que estudam o comportamento animal – têm pesquisado os sons emitidos pelos animais. Em determinada pesquisa, todos os sons emitidos pelos cavalos foram gravados e divididos em categorias. A partir daí, foram atribuídos significados a estes sons, de acordo com o que o animal estava fazendo quando o emitiu. A partir destes sonogramas, sete tipos básicos de vocalização foram identificados pelos pesquisadores:

1 – Chamado: Emitido com a boca fechada, baixo (aproximadamente 100 Hz), suave e frequente em encontros ‘não muito românticos’ entre éguas e garanhões;

2 – Bufo (sopro): Emitido quando o animal sopra um jato de ar pelas narinas, que trepidam. Um sopro de cavalo pode ser ouvido a 200 metros.

Além de ser uma forma de limpar as vias respiratórias, aumentando a oxigenação, traz consigo curiosidade e medo. É curto, percussivo, sem tom, contendo várias projeções diferentes misturadas. Em geral tende a subir e cair rapidamente em ruído e projeção;

3 – Grito: Mais alto (aproximadamente 1.000 Hz), com bastante aspereza, atonal (ou seja, sem tom);

4 – Relincho: Outro som não muito sonoro, varia na projeção, começa alto (mais de 2.000 Hz) e vai caindo para metade deste valor. É usado para chamar atenção sobre algo ou de alguém, e em geral é respondido por outros cavalos;

5 – Ronco: Grave, curto, descontínuo. Pode ser de cumprimento, namoro, maternal, de maneira geral ligado ao reconhecimento, a um sinal leve de excitação (o ronco de namoro é acompanhado do bater dos cascos e movimento da cabeça, pescoço e cauda);

6 – Rugido: Agudo, ocorre em estados emocionais intensos;

7 – Suspiro: Saída longa de ar pelas narinas, demonstra tédio, mal-estar digestivo ou até angústia.

Na próxima semana, a continuação desse artigo irá abordar sobre a interpretação desses sons!

Fonte: Editora Passos
Foto: thehorse

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