Diversos etólogos – cientistas que estudam o comportamento animal – têm pesquisado os sons emitidos pelos animais

Em determinada pesquisa, todos os sons emitidos pelos cavalos foram gravados e divididos em categorias. A partir daí, foram atribuídos significados a estes sons, de acordo com o que o animal estava fazendo quando o emitiu.

Intensidade dos sons

O bufo ou sopro do cavalo é um som de alarme ou sinal de perigo. Um cavalo ao assustar-se vira e olha por uns 20 segundos e só então vai bufar, soprar e possivelmente fazer uma aproximação cautelosa para investigar.

Em cavalos selvagens, o bufo o garanhão chefe da manada prende a atenção de todos membros do grupo, desde potrinhos a éguas. Isso serve para precisar o que é um som de ‘interesse’.

Não há nada no repertório dos equinos que corresponda precisamente a ganir ou rosnar. Antas (animais da floresta parentes dos equinos), emitem um alto assobio em situações de medo e algumas zebras gritam agudo e assobiam.

Mas expressão vocal básica de medo ou submissão provavelmente caiu do repertório vocal dos cavalos há muito tempo. Durante a evolução dos equídeos da floresta até os animais de campos abertos tais ruídos foram substituídas por sinais visuais mais eficazes e econômicos.

O ‘grito agudo de um cavalo’ também parece seguir as regras de maneira mais complexa. Os cavalos emitem gritos agudos quando estão em confronto com outros cavalos. Neste caso, a postura de suas cabeças expressa simultaneamente medo e agressividade. As orelhas estão deitadas para trás, mas a cabeça está retraída e levantada ao invés de estendida e abaixada.

Uma fêmea ‘não receptiva’ poderá enviar um grito agudo em resposta sexual a aproximação de um garanhão e isso faz sentido, uma vez que é um sinal agressivo originado por um subordinado.

Em situações como uma dor extrema e medo, gritos agudos parecem mais um apelo incontrolável do que tentativa de controlar o ambiente. Por vezes, a maneira como garanhões emitem gritos agudos sugere uma adaptação.

Nas disputas entre garanhões, em nove entre dez vezes, ambos evitam o contato físico, mas ao invés se engajam em verdadeiras “competições de gritos agudos” que parecem resolver o problema, terminando com a saída do subordinado.

Descobriu-se nestes confrontos que o grito de um garanhão chefe (dominante), dura cerca de 20 segundos a mais do que dos outros garanhões. Sua duração é diretamente relacionada com a capacidade pulmonar e com a força dos músculos peitorais, ou seja, estes gritos podem ser verdadeiros indicativos de tenacidade numa briga.

Sons e sentidos

O relincho e o chamado parecem desafiar todas as regras. O chamado é claramente usado para expressar submissão, apaziguamento ou falta de uma intenção hostil de quem o está emitindo.Normalmente é usado por potros e matrizes quando estão chamando um ao outro, por cavalos domesticados pedindo por comida ou querendo chamar a atenção, e por garanhões aproximando-se de fêmeas com intenção de namorar.

Relinchos são também sinais que provavelmente evoluíram mais por suas propriedades acústicas do que por razões envolvendo regras de motivação estrutural.

Como o uivo de um cachorro, um relincho é uma comunicação de longa distância que serve para chamar a atenção de alguém em especial, como o tratador ou proprietário, ou de membros do grupo que tenham um significado especial para aquele que está se pronunciando.

É comum acontecer quando o animal está longe dos outros, tanto a pasto como em passeios ou na pista.

Fonte: Editora Passos
Foto: terránea

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