Cavalos em geral precisam de cuidados e uma atenção especial. Agora, você sabe como tratar cavalos considerados idosos?

O cavalo é considerado idoso a partir dos 20 anos de idade, e necessita de cuidados especiais. Isso porque o metabolismo digestivo do cavalo começa a cair a partir desta idade. Ou seja, começa a ter dificuldades de metabolizar os alimentos e dificuldade para engordar.

Em alguns casos, dificuldades na mastigação devido a dentição mais fraca. Além disso, começa a ter problemas na termorregulação, e apresenta dificuldade em se adaptar a grandes variações de temperaturas.

A idade com que ele deve se aposentar vai depender do seu cavalo em particular e do tipo de atividade que ele exerce. Aqueles animais utilizados para trabalho ou para esporte tendem a se lesionarem com maior facilidade, por isso o recomendado é que exames frequentes sejam feitos por um médico veterinário. Ainda deve-se evitar exercícios de maiores intensidades e que sejam desgastantes.

De tal forma, o indicado é que a partir dos 20 anos as atividades realizadas pelo animal devem ir ficando cada vez menos intensas. Importante respaldar essa decisão com um exame médico, para concluir se chegou ou não a hora de encerrar as atividades. Vale ressaltar que, mesmo após a aposentadoria, seu cavalo não deve ficar totalmente parado.

Se mostra relevante a prática de exercícios relaxantes e sem muitos esforços, de duração diária máxima de quatro horas. Há necessidade de adaptações na alimentação. Ao formular uma dieta para um cavalo idoso, dois fatores muito importantes devem ser considerados: facilidade de mastigação e maior digestibilidade dos nutrientes.

Essa nova dieta precisa ser de fácil mastigação já que com a idade, a dentição do cavalo vai ficando mais frágil e menos efetiva. O cavalo idoso fica com a sua superfície de trituração desgastada, bem como pode ocorrer perda ou quebra de dentes, tornando a mastigação muito difícil.

Com isso as partículas de alimento serão engolidas, não serão facilmente digeridas já que estarão maior do que o normal. Salientando que esses problemas podem ser minimizados se este animal for examinado por um especialista e tiver seus dentes tratados duas vezes por ano.

É fundamental que os nutrientes ingeridos por ele sejam de boa digestibilidade. Com a idade avançada a eficiência digestiva diminui e, consequentemente, a capacidade de processar e extrair os nutrientes do alimento também diminui, de modo que muitos nutrientes se perdem e são eliminados.

Sua capacidade de digestão de fibras torna-se menor, o que é agravado pela dificuldade de mastigação de talos duros, diminuição da motilidade intestinal. Além de outros impasses como alterações na população de microrganismos intestinais que diminuem a fermentação de fibras. Em vista disso, seu cavalo deve ter acesso à pastagem verde de alta qualidade, como o capim coast cross.

Essa alteração na microbiota prejudicará também a produção de vitaminas C e do complexo B, vitaminas essenciais para a manutenção do sistema imunológico. O uso de suplementos para cavalos com essas vitaminas é indicada. Uma boa possibilidade é aumentar o fornecimento de gordura. Óleos vegetais são indicados por serem digestíveis e mais energéticos que os carboidratos.

cavalos idosos

Em relação ao concentrado, o recomendado é que contenha de 12 a 14% de proteína bruta, 0,3% de fósforo e entre 0,3 e 1,0% de cálcio. Lembrando que, como apresentam dificuldade de termorregulação, em dias frios devemos fornecer 20% a mais de caloria em sua dieta.

Probióticos são apropriados para esses cavalos por melhorarem a saúde digestiva, desta forma aumentam a eficiência digestiva, melhoram a absorção dos nutrientes e ainda são uma ótima fonte de complexo B. Probióticos para cavalos a base de Saccharomyces cerevisiae são os mais adequados.

Por isso a sugestão é usar o Pro-Sacc (aditivo probiótico para cavalos), onde a cepa de Saccharomyces cerevisiae, que constitui o produto foi selecionada para sobreviver as condições adversas existentes no estômago dos monogástricos e atingir o intestino grosso com alta viabilidade.

No intestino grosso esta cepa de levedura interage com a flora existente promovendo uma verdadeira revolução, aumentando a eficiência da fermentação e diminuindo o risco de acidose.

Há tratamentos especiais específicos para o seu animal com mais idade. E eles irão depender dos problemas associados a idade que ele desenvolveu. Os problemas mais comuns são: artrite, perda de peso, dentição inadequada, tumores de pituitária ou tireoide e problemas hepáticos e renais.

Artrite é a degeneração e inflamação dos tecidos associados com uma articulação, com redução da capacidade de flexionamento ou de suporte de peso. Para o tratamento deve-se consultar um ferrageador veterinário que irá decidir a melhor maneira de casquear e ferrar este animal.

A baia deste cavalo deve estar bem forrada e fofa, além disso, deve-se controlar seu peso para que não prejudique as articulações ainda mais. Terapias com anti-inflamatórios podem ser indicadas para alívio da dor.

Os tumores de pituitária e tireoide causarão incapacidade para suportar alterações climáticas (dificuldades de termorregulação), infecções virais recorrentes, laminite, aumento ingestão de água e micção. Se o tumor for na pituitária, haverá perda de peso excessiva, já na tiroide, haverá ganho de peso excessivo.

O manejo recomendado para esses cavalos consiste em um rigoroso sistema de vacinação, reposição de vitamina C, e para ajudar a regulação da temperatura no verão o acesso à sombra e a tosquia se mostram essenciais e no inverno, a utilização de capas.

Os problemas renais e hepáticos podem levar a perda de peso e de apetite, letargia e micção frequente ou dificultada. Para este problema o principal manejo que deve ser adequado é a dieta. Cavalos com falência renal precisam ser tratados com dietas com pouco cálcio, feno de gramínea, de boa qualidade e milho ou uma ração peletizada.

Já os cavalos que sofrem de problemas hepáticos necessitam de uma dieta com um aumento de açúcar, para manter os níveis plasmáticos de glicose e dietas com muita proteína ou gordura devem ser evitadas. Neste caso recomenda-se feno de gramínea, e uma ração formulada a partir de alimentos doces com baixa proteína, milho, e milheto. Além da suplementação de vitamina C e complexo B.

Por Letícia Simões

Estudante de Medicina Veterinária USP Pirassununga FZEA , estagiária no laboratório de pesquisa em saúde digestiva e desempenho de equinos, atualmente envolvida em um experimento sobre nutrição do casco equino. Também atua no marketing da Univitta Saúde Animal

Fotos: Cedidas

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