E também da Tendinopatia do Tendão Flexor Digital Profundo

O aparelho locomotor dos equinos se reveste de grande importância por ser um sistema de sustentação e dinâmica locomotora. Sob o comando do sistema nervoso central e mediante condicionamento, é capaz de realizar de maneira natural e instintivamente, as mais variadas exigências.

E submeter-se às condições extremas de esforço físico, particularmente em situações esportivas. Fato é que, mediante essas condições extremas, os animais são exigidos acima dos seus limites naturais, e podem surgir alterações patológicas.

Uma das alterações degenerativas de ossos de equinos nessas condições, é a Síndrome do Navicular, osso sesamóide distal, situado normalmente palmar à junção das falanges média e distal.

É indispensável para o Médico Veterinário que está frente ao caso saber a dinâmica do sesamóide distal em animais saudáveis. Ou seja, animais que não possuem Síndrome do Navicular com distintas faixas etárias. E saber como esse osso se comporta em animais que apresentam sinais clínicos da síndrome.

Além do conhecimento anatômico básico desse complexo estrutural e funcional, que sob o comando do sistema nervoso central e mediante condicionamento, é capaz de realizar de maneira natural e instintivamente, as mais variadas exigências e submeter-se às condições extremas de esforço físico.

A função principal do osso Navicular é promover uma superfície de deslizamento na passagem do Tendão Flexor Digital Profundo (TFDP) até o momento em que esse tendão muda de ângulo. Muitos estudos de diagnósticos por imagem em membros locomotores de equinos, revelam que a Síndrome do Navicular e as Tendinopatias do TFDP estão intimamente relacionadas.

O TFDP passa por trás osso metacarpiano se curvando atrás da articulação do boleto, entre os sesamóides proximais, assim formando um ângulo sobre o osso navicular e se inserindo no fim da articulação interfalangeana distal.

A vida útil de um equino atleta pode ser comprometida conforme a gravidade da lesão tendínea, especificamente quando se diz a respeito de restabelecimento de fibras e das funções do tendão. Assim, a identificação das causas no intuito de prevenir tais patologias, bem como os tipos de tratamentos adequados, é de suma importância para os equinos de esporte.

Quando o assunto é diagnóstico da Síndrome do Navicular, diversos fatores devem ser levados em consideração, tais como o histórico de claudicação progressiva nos membros anteriores, muitas vezes com início agudo.

Apesar dos equinos da raça árabe e os pôneis serem menos acometidos, não há estudos relacionando a idade ao aparecimento da patologia. Na maioria das vezes a síndrome é bilateral, porém a claudicação pode parecer unilateral.

Figura 2

A anamnese, um exame físico minucioso e bloqueios anestésicos regionais ajudam na identificação da patologia. Porém, somente os exames de imagem poderão quantificar a extensão da lesão no osso sesamóide (figura 2).

Apesar das lesões macroscópicas nem sempre serem evidentes nos animais clinicamente claudicantes. Em relação às estruturas tendíneas, o diagnóstico será mais preciso quando usada a ultrassonografia e o exame de ressonância magnética.

Em estudos mais antigos, notava-se uma dificuldade na definição da eficácia dos tratamentos. Isso pode ser explicado pelo fato dos tratamentos das tendinites serem frustrantes pela dificuldade em restaurar estrutura e funções desses tendões.

Neste âmbito, a definição do tratamento a ser adotado vai depender do tipo de lesão que o animal apresenta, levando-se em conta o tempo de repouso, a medicação que deverá ser administrada, dentre outros.

O objetivo inicial da terapia em uma tendinite aguda é reduzir a inflamação, diminuir a formação de tecido cicatricial consequentemente a restauração da estrutura e a função normal do tendão.

A hidroterapia fria, sacos de gelo ou uma mistura de água e gelo, é utilizada para minimizar a hemorragia e o edema. Uma parte importante do tratamento da tendinite é o repouso, mas o retorno apropriado ao exercício pode auxiliar a estimular o alinhamento das fibras de colágeno. O ultra-som terapêutico tem sido utilizado para diminuir a sensibilidade em tendinites agudas e subagudas.

Outra terapia fisioterápica é a utilização de soft laser, classificados como lasers de baixa potência (arsenieto de gallum – GaAS e hellun de Néon – He-Na), os quais vem sendo aplicados em diversas afecções do aparelho músculo esquelético.

Apesar da realização de vários estudos científicos sobre os mecanismos de ação do laser, permanecem ainda algumas dúvidas em relação aos seus efeitos.

A utilização de corticosteróides via parenteral é defendida por alguns autores, enquanto que outros profissionais utilizam na rotina os anti-inflamatórios não esteroides, como a fenilbutazona e o flunixim meglumine. Injeções de corticosteroides peritendineas podem ser utilizadas com a função de minimizar adesões peritendineas. Já a aplicação do mesmo diretamente dentro do tendão é contraindicada.

O dimetil sulfóxido (DMSO) tópico também pode ser útil, pois proporciona redução significativa no aumento de volume dos membros tratados, mas não há melhora significativa no grau de claudicação e as imagens ultra-sonográficas não mostram evolução positiva. No mesmo sentido, as glicosaminoglicanas polisulfatadas (GAGPS) e o fumarato de ß-aminoproprionitrila (BAPN) apresentam benefícios nos estágios agudos das tendinites, reduzindo a inflamação e estimulando a síntese de colágeno pelos fibroblastos.

Nos últimos anos uma nova terapia para as lesões músculo esquelética tem sido utilizada, o Shock Wave. A experiência de muitos veterinários com o Shock Wave nos casos de tendinite mostra que este processo tende a responder melhorando a área da lesão.

Com base nesse levantamento bibliográfico, ficou claro que não existe apenas um tratamento eficaz que abranja a lesão de tendão e osteoarticular. De maneira geral, sabe-se que é difícil que um tendão volte completamente à sua função como era antes da lesão, e também não é possível cessar totalmente uma degeneração do osso navicular, mas é de suma importância minimizar a evolução da doença e dar conforto ao animal, proporcionando seu bem-estar.

Por Alfredo Pocci Ferri, MV, Murilo Vieira Martins Alcalay, Prof. Dr. Henry Wajnsztejn

2 Comentários

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