Uma terminologia tão falada no meio do cavalo

A Transferência de Embrião (T.E.) é uma ferramenta importante para o criador produzir animais geneticamente superiores e com possibilidades de se tornarem futuros campeões. Entretanto, a tecnologia da T.E. envolve alguns fatores importantes para que seu resultado seja satisfatório.

De forma simples, podemos dizer que temos o material genético do garanhão de um lado, o material genético da égua doadora do outro lado. E eles vão se encontrar para gerar um embrião que será gestado e criado pelo terceiro elo do processo, a receptora.

1 – Escolhendo o cruzamento ideal

O primeiro cuidado que o criador deve ter para atingir este objetivo é buscar em seu plantel ou no mercado o que existe de melhor para produzir um futuro campeão. A técnica de T.E.  somente se justifica quando utilizamos material genético de animais superiores.

2 – Escolhendo o profissional e o local de produção

O segundo cuidado é a escolha do profissional e local onde se realizará o procedimento. O profissional deve ter experiência e domínio de todos os passos que envolvem a T.E.  O local pode ser a propriedade do criador, caso esta disponha de estrutura que atenda a este tipo de produção, ou uma central de reprodução.

Caso o objetivo do criador seja de comercializar o embrião produzido, certamente uma central de reprodução será a melhor opção. O Ministério da Agricultura Brasileiro exige que a T.E. seja realizada em um centro credenciado para estes fins. Por outro lado, o conhecimento do técnico responsável pelo procedimento e o domínio de todos os passos do processo de produção são fundamentais.

3 – Verificando a qualidade do sêmen

O sêmen, material genético do garanhão, pode ser fresco, refrigerado ou congelado. O profissional responsável pela T.E. deve ter experiência para analisá-lo, identificar a qualidade e, caso necessário, realizar procedimentos que possam melhorar esta qualidade.

O sêmen analisado deverá ser colocado no útero da égua com qualidade ideal para que esta parte do processo interfira de forma positiva no resultado final. Ou seja, quanto melhor qualidade tiver o sêmen, maior a chance de ocorrer uma fecundação e produção de um embrião.

No caso do sêmen congelado, após possuir um conhecimento prévio deste sêmen, o profissional poderá determinar a quantidade de palhetas a serem utilizadas no momento da inseminação.

4 – Preparo e transporte adequado do sêmen resfriado

O momento ideal para realizarmos uma inseminação é o mais próximo da ovulação possível. A ovulação é o momento que uma estrutura chamada folículo, que se desenvolve no ovário, se rompe e libera os oócitos.

Assim, no caso de utilizarmos um sêmen resfriado que virá de uma propriedade distante da propriedade onde está a égua doadora, é fundamental que este sêmen chegue no momento correto e em boas condições.

O sêmen resfriado é muito utilizado nos dias de hoje e possui uma excelente taxa de fertilidade. Porém, é fundamental a preparação deste sêmen antes do resfriamento para o seu envio e que o resfriamento aconteça de forma correta.

Alguns pontos importantes devem ser respeitados, como: a diluição correta do sêmen (número de espermatozoides por ml), a escolha do diluente a ser utilizado (sêmen de alguns garanhões melhoram a qualidade com determinados diluentes) e o recipiente de transporte onde irá acontecer o resfriamento (o recipiente poderá resfriar até 15°C , ideal para utilizações até 12 horas, ou 5°C, ideal para utilizações depois de 12 horas). 

O preparo e o transporte adequado do sêmen até o local da utilização poderão interferir diretamente na qualidade do sêmen e no resultado final de todo o processo.

No caso de sêmen congelado, este deverá estar no local onde se encontra a doadora para que no momento exato possa ser utilizado. O sêmen congelado tem um tempo de vida menor dentro do útero; o ideal é que a inseminação ocorra quatro horas antes ou depois da ovulação.

A utilização do sêmen congelado pode ser necessária quando desejamos utilizar material genético de garanhões de outros países, que estão em campanha esportivas ou que já morreram, lembrando sempre que os resultados estão diretamente ligados a qualidade de sêmen.

5 – Controlando e inseminando a doadora 

A doadora deverá estar no momento correto para receber o sêmen. Este momento é próximo a ovulação. A égua produz cios (período que ela aceita a cobertura) de 21 em 21 dias e o período de cio compreende ao redor de sete dias, sendo que a ovulação ocorre 24 a 48 horas antes do final da receptividade da égua pelo garanhão. Todo este período é chamado de ciclo estral.

Através de apalpação transretal e exame ultrassonográfico o veterinário poderá saber o momento do ciclo estral que a doadora se encontra. Através da utilização de hormônioterapia o técnico poderá manipular o ciclo promovendo o período de cio e controlando o momento da ovulação. Desta forma, a inseminação poderá ser realizada o mais próximo da ovulação de forma controlada.

A inseminação é a deposição do sêmen no interior do útero da doadora. Para que os espermatozoides sobrevivam e consigam chegar ao local de encontro com o oócito e assim ocorra a fecundação, é imprescindível que o útero apresente condições ideais.

O ambiente uterino deve estar livre de inflamações e/ou infecções para que os espermatozoides sobrevivam e consigam chegar no local onde ocorrerá a fecundação. De 5 á 6 dias após a fecundação o embrião estará presente no útero, o qual, da mesma forma, deverá estar em condições adequadas sem presença de inflamação e/ou infecção para a sobrevivência e desenvolvimento adequado do embrião.

Algumas éguas podem desenvolver inflamação uterina e/ou infecção antes ou depois da inseminação, fator que reduz a taxa de fertilidade. Neste caso, o profissional terá que intervir utilizando os tratamentos necessários para que o útero apresente condições adequadas para que ocorra a fecundação e desenvolvimento embrionário.

Continua na semana que vem, aguardem!

Por Dr. Orpheu Ávila Jr
Médico Veterinário, proprietário da Central Equina de Reprodução CER
Foto: Pets4home e thehorse

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