Por que acometem tanto os cavalos de laço? Como prevenir e remediar

A origem histórica dos equídeos remonta há aproximadamente de 70 milhões de anos, muito tempo depois surgiu o Equus Caballus. Desde então o homem tem alterado o meio natural do cavalo, moldando-o à imagem dos seus desejos, trabalhando as mais variadas raças com diferentes aptidões.

Atualmente, a performance esportiva tornou-se mais do que nunca no objetivo central de toda a seleção e criação de cavalos. É neste confronto, entre a natureza e a procura incessante por status e performance ‘ideal’, que muitas vezes, o cavalo surge como uma vítima dos fatores ambientais, do maneio e da seleção, o que poderá condicionar alguns desequilíbrios do seu sistema músculo esquelético.

Há 100 milhões de anos atrás, o Platicarpo (réptil que viveu nesta época) já apresentava algumas lesões articulares, conforme pode ser verificado no fóssil existente no museu de História Natural do Kansas. Doenças articulares em equinos foram conhecidas e diagnosticadas como problema clínico que diminuía a performance esportiva na década de 60. Atualmente é uma patologia responsável por importantes repercussões na produção equina mundial, quer em nível do bem-estar animal, quer a nível econômico.

Por ser muito exigido em movimentos como arranque, esbarro e recuo, problemas no curvilhão em cavalos de laço ocorrem com grande frequência, devido a traumas repetitivos sobre uma mesma articulação, provocando injurias que podem causar desde uma leve inflamação até um processo degenerativo crônico e irreversível.

DEFINIÇÃO

O trabalho excessivo, uso precoce dos animais, esforço repetitivo sobre a articulação do curvilhão, pode causar um processo degenerativo das cartilagens das articulações. Levando a uma doença articular degenerativa, osteoartrite degenerativa, artrite traumática, artrose entre outras.

A artrose é uma doença crônica, caracterizada pela degeneração da cartilagem articular, perda da sua estrutura visco elástica e proliferação óssea no bordo das superfícies articulares. Esta proliferação óssea dá origem a excrescências ósseas chamadas de ósteofitos. O espaço, normalmente ocupado por líquido sinovial, será progressivamente ocupado por ósteofitos que por sua vez, provocam atrito anormal quando a articulação é exigida, redução da sua mobilidade, dor e consequentemente relutância a exercer determinados movimentos, como esbarro recuo e arranque.

O líquido sinovial (líquido transparente e viscoso das cavidades articulares), também sofrerá alterações. Com o agravamento da lesão a quantidade de líquido sinovial diminui e torna-se mais espesso, comprometendo a nutrição, umectação, elasticidade e lubrificação da cartilagem articular.

ORIGEM DAS LESÕES

Alimentação: Inúmeras pesquisas relativas às lesões articulares em equinos têm feito recair a sua atenção sobre a suplementação mineral e os níveis energéticos da dieta. Predisposição genética: Foram encontradas diferentes prevalências desta anomalia entre distintas linhagens de cavalos, Stress biomecânico e Exercício: Assim, as influências biomecânicas relacionadas a exercício ou conformação surgem como uma possível explicação para a predileção das lesões pela articulação do curvilhão.

SINTOMAS

Alguns sintomas relacionados com problemas no curvilhão são claudicação a frio, relutância ao exercício ou determinados movimentos (esbarro, recuo arranque), não apoio ou apoio intermitente dos membros, atrofia muscular na garupa.

DIAGNÓSTICO

Geralmente a história clínica do animal, o exame físico, bloqueio anestésico e o recurso à radiografia das articulações em causa, são suficientes para que o Médico Veterinário efetuar o diagnóstico. Algumas vezes podemos ainda utilizar exames complementares como ultrassom, termografia ou até mesmo artroscopia.

TRATAMENTO

Normalmente o tratamento é conservativo, embora existam casos em que é necessário o recurso à cirurgia (artroscopia). Os anti-inflamatórios não esteroidais, diminuem a inflamação e a gravidade dos episódios de dor em alguns casos. O uso de corticosteroides associado com ácido hialurônico podem melhorar a condição da articulação momentaneamente, ou até, permanentemente de acordo com seu uso. O uso repetido deste medicamento tem contraindicações.

Suplementos injetáveis ou oral, a base de glicosaminoglicana, podem prevenir, retardar ou até melhorar a condição da articulação. Tratamentos auxiliares como gelo, fisioterapia, massagem tem benefícios únicos e devem ser amplamente utilizados para controle da dor ou ainda prevenção de aparecimento de lesões nessa articulação.

IRAP (Proteína Antagonista de Receptor de Interleucina) é um novo tratamento homólogo intra-articular de doenças que acometem as articulações, produzida inicialmente na Europa, usado extensivamente na Alemanha e nos EUA, e recentemente introduzido no Brasil. IRAP pode ser estabelecido como forma de tratamento das doenças articulares, como a osteoartrite, pois ela interrompe o ciclo da inflamação, impede que a matriz da cartilagem seja degradada, aumentando a chance de cura, oferece maior conforto, prolonga a vida atlética de cavalo, e apresenta menos efeitos colaterais quando comparada a outros métodos de tratamento, como a cortisona.

PREVENÇÃO

Evitar a obesidade através de uma alimentação equilibrada. Realizar exercícios suaves é benéfico para manter a mobilidade articular. Evitar que o animal seja submetido a esforços físicos exigentes, principalmente em potros. Evitar que o animal frequente superfícies rígidas ou irregulares.

Por Hélio Itapema
Médico veterinário clínico e esportivo

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