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Mecônio: Saiba como a retenção afeta os potros

Caracterizada pela não evacuação ou evacuação incompleta do mecônio, retenção de mecônio pode afetar potros neonatos nas primeiras horas de vida

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Saiba como a retenção de Mecônio afeta os potros nas primeiras horas de vida

Chamadas de mecônio, as fezes eliminadas na primeira defecação são formadas por secreções glandulares do trato gastrointestinal, fluido amniótico e debris celulares, que, em condições normais, após a primeira mamada do colostro, são eliminadas.

De coloração castanho-escuro a negra e consistência variando de pastosa a firme, o mecônio tem a maior parte armazenado em parte do intestino grosso, incluindo o cólon e o reto, que normalmente é eliminado dentro dos primeiros dias de vida.

A ingestão do colostro é que promove o reflexo de defecação desse material. Se isso não ocorrer, não há a eliminação do mecônio e o leite fica bloqueado, assim os gases formados durante sua fermentação vão causar distensão e dor para o potro. A compactação, causada pelo acúmulo de mecônio que não foi adequadamente eliminado, localiza-se mais comumente no reto e cólon menor distal, ocasionalmente ocorrendo no cólon menor proximal ou cólon maior.

Tratamento

Em situações normais, o mecônio é liberado já nas primeiras horas de vida, sendo que a sua liberação é estimulada, principalmente, pela ingestão do colostro. A não evacuação ou a evacuação incompleta do mecônio pode gerar problemas, muitas vezes graves, com o principal sinal clínico de desconforto abdominal. O tratamento de escolha para esta patologia é o enema, com água morna e óleo mineral ou glicerina.

Enemas fosfatados comerciais também podem ser utilizados, porém podem causar hiperfosfatemia. Quando os casos não são resolvidos com esta terapia, pode –se utilizar enema com solução de acetilcisteína 4%, que tem ação mucolítica. Em situações ainda mais graves, quando as terapias conservativas não obtêm sucesso e há a presença de dor incontrolável, é necessário tratamento cirúrgico.

Diagnóstico

Estando a retenção de mecônio intimamente relacionada com a ingestão de colostro e sabendo que o prognóstico para esses casos é melhor, quanto mais rápido for realizado. Os cuidados e a observação adequada do potro neonato nas suas primeiras 24-48 horas de vida são importantes para prevenir este tipo de patologia, garantindo a saúde do neonato e evitando maiores prejuízos para o proprietário.

Apesar dos avanços da medicina, o estudo de recém-nascidos na veterinária não tem acompanhado o seu desenvolvimento com a mesma intensidade. Estudos relativos a fisiologia e a assistência neonatal ainda são escassas, o que contribui para o baixo grau de treinamento técnico e ineficiência do monitoramento e reanimação neonatal que costumam ser praticados.

Contudo, os potros têm uma constituição orgânica extremamente frágil e sensível, com quase 80% do seu peso em água corpórea. Além disso, eles não possuem o sistema imunológico maturo para reagir a estímulos específicos, como por exemplo os agentes infecciosos. Ademais, isso ocorre pela impossibilidade de transmissão de anticorpos maternos para o feto durante a gestação devido ao tipo de placenta da égua.

Após o nascimento, o potro passa de um ambiente extremamente favorável dentro do útero materno, para um ambiente hostil, com variações de temperatura, presença de possíveis predadores e a necessidade de adquirir independência alimentar. Os potros normais ficam em decúbito esternal em segundos e se colocam em estação dentro de em média duas horas depois do parto.

O reflexo de sucção quase sempre está presente ao nascimento e deve manifestar-se dentro de 20 minutos. A maioria dos potros normais mamam em duas horas de idade, entretanto podem necessitar de até quatro horas para mamar. Estímulos externos visuais, auditivos e táteis resultam respostas exageradas por parte do potro, e isto persiste pelas primeiras semanas de vida.

Causa

Em suma, a principal causa de retenção de mecônio é a não administração ou falha na ingestão de colostro, que pode estar relacionada a outros problemas, como distocia, prematuridade, baixo peso ao nascimento, asfixia neonatal e desidratação além de estreitamento pélvico nos potros do sexo masculino, ausência de abertura da ampola retal e má formação congênita do aparelho digestivo (agenesia do cólon maior e menor).

A retenção de mecônio é a causa mais comum de cólicas em potros. Inicialmente o animal apresenta esforço para defecar, mantendo-se em postura de cifose (dorso arqueado). Com agravamento do quadro clínico, 12 horas após o início da sintomatologia, o animal apresenta-se em decúbito, olhar fixo ao flanco, rolamentos constantes e polaciúria.

Do mesmo modo, é observada a distensão do abdômen e cauda erguida e, ao exame físico, apresentando sintomas de toxemia e desidratação, como mucosascongestas, taquipneia, taquicardia e elevação no tempo de perfusão capilar.

A terapia, nesses casos, quase sempre é simples, através de enemas mornos com água ou glicerina. Se até dois enemas não resolverem a impactação, deve-se administrar óleo mineral por sonda nasogástrica, considerando também outros fatores como: coloração de mucosas, estado do animal, desidratação, tempo de preenchimento capilar, frequência cardíaca, deve implementar terapia paliativa, para correção da desidratação e controle da dor. A partir da avaliação clínica e da progressão do caso, o tratamento pode se tornar cirúrgico.

Prevenção

Por último, cuidados adequados com o neonato, principalmente relacionado à ingestão adequada do colostro, previnem o aparecimento da retenção de mecônio. Além disso, um diagnóstico rápido garantirá maiores chances de resolução do problema, com consequente desenvolvimento adequado do potro. Sem maiores gastos com o tratamento e com boas perspectivas em relação às atividades que este animal irá exercer quando adulto, por isso é necessário estar em contato com um médico veterinário, profissional que tem maior capacidade técnica para a solução destes problemas.

Por Taís Teles Gomes
Médica Veterinária
Orientação: Profº Arthur Araújo Chaves – UniSALESIANO – Araçatuba
Foto: Divulgação

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Saúde bucal deve ser primordial no trato com equinos

Acompanhamento odontológico promove melhorias nos aspectos, mental, físico e atlético do cavalo

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Acompanhamento odontológico promove melhorias nos aspectos, mental, físico e atlético do cavalo

A princípio, é importante destacar que as desordens orais são responsáveis por pelo menos 10% dos atendimentos em equinos. Devido ao confinamento eles não desgastam seus dentes da mesma maneira que os cavalos que pastam continuamente.

Dito isso, falaremos da importância da saúde bucal dos cavalos. A manutenção dentária adequada além de manter a saúde dos cavalos em dia, faz com que os animais respondam melhor aos seus comandos na hora de montar.

Nesse sentido, a saúde bucal é uma área fundamental na medicina veterinária, com benefícios aliados à melhora do desempenho esportivo. Entretanto, este é um serviço prestado por um médico veterinário, especialista no assunto.

Dentição equina

Além disso, os dentes dos equinos são de crescimento contínuo. Com a domesticação, e o fornecimento de uma alimentação menos abrasiva, como rações comerciais e fenos, houve uma limitação do desgaste dos dentes que antes era mais homogênea.

Cavalos jovens possuem 24 dentes de leite, sendo 12 incisivos e 12 pré-molares. Os dentes de um potro começarão a erupção dentro de uma semana após o nascimento. Eles terão um conjunto completo de dentes até os seis meses, que serão substituídos por volta dos cinco anos de idade.

Quando adultos, os cavalos machos têm entre 36 e 44 dentes permanentes. Já as fêmeas adultas têm 36 a 40. Todos possuem seis incisivos superiores e seis inferiores localizados na frente da boca. Estes são usados para cortar grama e outras folhagens.

Por outro lado, eles têm 12 molares superiores e 12 inferiores (conhecidos como dentes da bochecha) na parte de trás da boca para moer a comida, facilitando, assim, a digestão.

Acompanhamento da saúde bucal promove melhorias nos aspectos, mental, físico e atlético do cavalo, sendo algo primordial.

Mastigação

Na mastigação, temos a apreensão dos alimentos, logo após a mandíbula realiza movimentos elípticos,  e com a compressão do alimento pela língua em direção as cristas palatinas forma-se um rolo alimentar que desloca em movimento espiral até a orofaringe onde é engolido.

Sendo assim, é preciso ficar atento aos sinais de doença dentária. Que incluem, por exemplo, salivação excessiva, perda de peso, inclinação ou sacudimento da cabeça, boca com sangramento, mau odor da boca ou do nariz e sensibilidade da bochecha.

Sendo percebidos sobre a sela também, já que quando montados, apresentarão sensibilidade aos freios e bridões, torção da cauda, recusa em obedecer a ordens, porte ruim da cabeça, etc.

Por fim, aquele velho ditado que ‘Cavalo dado não se olha os dentes’, não está correto. Haja vista que os dentes são os indicadores da saúde e idade dos cavalos. Entretanto, se receber um cavalo como presente, apenas agradeça.

Por Equipe Cavalus
Foto: Divulgação

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Você sabia que o Rhodococcus equi pode causar lesões fora do pulmão?

Neste artigo técnico assinado pelos médicos veterinários da Pro Equus, entenda quais o Rhodococcus equi pode causar lesões fora do pulmão

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Você sabia que o Rhodococcus equi pode causar lesões fora do pulmão?

Antes de mais nada, a infecção por Rhodococcus equi (R. equi) é uma importante causa de morbidade e mortalidade entre potros de 3 semanas a 6 meses de vida. A manifestação clínica mais comum é a broncopneumonia piogranulomatosa com formação de abcessos.

Manifestações extra-pulmonares

Além das lesões pulmonares, são inúmeras manifestações extra-pulmonares (MEP) da infecção pelo Rhodococcus equi. Em alguns casos, as MEP são subclínicas ou diagnosticadas apenas na necropsia. Em outros, as MEP são as primeiras alterações notadas no potro, levando posteriormente ao diagnóstico da broncopneumonia.

Neste artigo técnico assinado pelos médicos veterinários da Pro Equus, entenda quais o Rhodococcus equi pode causar lesões fora do pulmão

Pesquisas

Um estudo de 2009, Reuss et al. avaliaram 150 potros com broncopneumonia causada por R. equi. onde  74% apresentaram pelo menos uma das 39 diferentes MEP identificadas. Cada potro possuía, em média, 2 alterações, com alguns animais apresentando até 9 manifestações diferentes da doença. Em uma menor proporção de casos, o desenvolvimento das MEP acontece sem que o animal apresente qualquer sinal clínico ou evidência post mortem de broncopneumonia.

Neste artigo técnico assinado pelos médicos veterinários da Pro Equus, entenda quais o Rhodococcus equi pode causar lesões fora do pulmão

Tratar o potro com antibióticos, normalmente resolve a pneumonia, mas há a chance das MEP ainda progredirem e causar a morte ou eutanásia do potro. A taxa de sobrevivência verificada entre potros que apresentam manifestações extra-pulmonares é menor em relação àqueles apenas com broncopneumonia.

Sendo assim, a inalação da bactéria é a rota mais importante para a infecção pulmonar. Além disso, a ingestão da bactéria é também uma forma de exposição ao R. equi, mas raramente leva à pneumonia por via hematógena. Acredita-se que a bacteremia seja o mecanismo pelo qual a bactéria sai do pulmão e chega a tantos tecidos e órgãos diferentes, resultando nas MEP da doença. No entanto, não se sabe exatamente porque alguns potros desenvolvem lesões extra-pulmonares enquanto outros apresentam apenas o clássico quadro de pneumonia.

Conclusão

Dessa forma, potros com sinais de pneumonia por R. equi devem ser submetidos a uma avaliação clínica completa e diagnóstica, levando em consideração as diferentes MEP possíveis da doença, uma vez que elas podem afetar o tratamento e o prognóstico.

Instagram: @pro.equus | E-mail: pro.equus@terra.com.br | Telefone: (11) 99918 – 3403

Por Ana Claudia Gorino e Alfredo Poci Ferri, Médicos Veterinários da Clínica Equus
Crédito da foto: Divulgação/ProEquus

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Administração de medicamentos em equinos: alertas e cuidados

Fique de olho em alguns cuidados básicos essenciais no manejo de medicamentos quando no trabalho diário com os equinos

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Administrar medicamentos em equinos requer, acima de tudo, respeito a algumas regras. Especialmente às que versam o modo de utilização desses medicamentos.

Importante, então, observar cuidados com o ambiente, equipamentos, produtos, animais e funcionários. Todos tópicos fundamentais a fim de que se execute a tarefa corretamente, proporcionando resultados positivos.

Medicamentos em equinos: cuidados com o ambiente

Procure sempre um local plano, calmo e silencioso para realizar a tarefa. Seu animal se sentirá, com toda a certeza, mais seguro se houver condições de trabalho adequadas.

Cuidados com os medicamentos e suplementos

Verifique se você guarda esses medicamentos em local limpo, seco, arejado e ao abrigo da luz e calor. Observe, sobretudo, a data de validade do medicamento.

Leia atentamente a bula para confirmar a indicação, dose e a via de administração recomendada do produto. Lembre de separar em uma bandeja todo o material necessário para a tarefa. É mais prático trabalhar de forma organizada.

Por fim, descarte as embalagens vazias e o material utilizado em lixo apropriado e determinado pelo local de trabalho.

Cuidados com o animal

Antes de mais nada, preocupe-se em evitar acidentes. Por isso, contenha o animal adequadamente com cabresto de forma segura ou em tronco apropriado.

Em seguida, antes de aplicar, pese-o com o intuito de calcular a quantidade de medicamento. Para isso, utilize a balança de precisão ou fita de pesagem própria para equinos.

Utilização de medicamentos e suplementos via oral

Administração de medicamentos em equinos pela boca é o que se chama de via oral. Aplique diretamente na boca ou no cocho, misturado na comida.

Algumas bisnagas de medicamentos para administração oral já vêm com a quantidade exata para o dia do tratamento marcado na própria seringa. Enquanto outros apresentam a dose total de tratamento calculada em quilos.

Por isso a importância da observação e leitura da bula de todo medicamento antes de administrá-lo no animal.

Administração de medicamentos: fique de olho em alguns cuidados básicos essenciais no manejo de medicamentos no trabalho diário com equinos

Aplicação de medicamentos injetáveis: injeção intravenosa

Em equinos, a veia jugular (pescoço) é a mais utilizada. Para esta aplicação, faça a limpeza do local que receberá a injeção com algodão e álcool 70%.

Depois, realize o garrote, feito com os dedos a 10 cm abaixo do local de aplicação. É importante posicionar a agulha com o bisel (parte cortante) para cima, em um ângulo de 45° com a pele e introduzir delicadamente passando a pele, atingindo a veia.

Antes e após a aplicação é importante limpar o local da injeção com algodão e álcool 70%. Agulhas e seringas são descartáveis.

Por fim, é sempre importante lembrar: siga sempre a prescrição do médico veterinário, a aplicação de medicamentos por conta própria pode ser perigoso para seu animal.

Por Raquel Albernaz, departamento Técnico Ourofino Saúde Animal
Crédito das fotos: Divulgação

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Prováveis etiologias e meios de diagnóstico da Síndrome do Navicular

Também conhecida como Podotrocleose, merece um grau de atenção elevado quando o assunto é claudicação em equinos

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Devido à sua etiopatogenia não totalmente definida e pela dificuldade no seu diagnóstico preciso, a Síndrome do Navicular gera diversos estudos a fim de entendê-la cada vez mais. Usualmente, acomete equinos de esporte com várias causas. Entre elas, casqueamento ou ferrageamento errado, excesso de peso do animal, entre outros.

Desse modo, o diagnóstico por imagem tornou-se um meio fundamental para o diagnóstico geral da Síndrome do Navicular. Porém, ainda em processo de afirmação. Sem estes meios de diagnóstico, fica difícil a confirmação desta patologia, pois há a possibilidade de confundi-la com muitas outras que abordam claudicação sediadas no casco.

Síndrome do Navicular, também conhecida como Podotrocleose, merece um grau de atenção elevado quando o assunto é claudicação em equinos

Síndrome do Navicular em equinos

Entre as lesões que afetam os equinos, as afecções musculoesqueléticas são a segunda maior causa de retirada de animais de exercício. Totalizando, sobretudo, 15,8% dos diagnósticos das necropsias realizadas na Inglaterra durante o período entre 1958 e1980.

Houve um estudo realizado no Brasil, no qual utilizaram 335 equinos para pesquisa de achados de necropsia. Assim sendo, durante o período de 1968 e 2007, observaram que 14% (47 animais) do total apresentaram afecções do sistema musculoesquelético.

A patogênese da fragmentação do osso navicular não está completamente esclarecida. Encontra-se como fratura por avulsão ou fratura patológica do osso navicular; fratura de um entesófito na origem do ligamento sesamóideano distal ímpar; ou mineralização distrófica dentro do ligamento sesamoideano distal ímpar.

A identificação radiológica de fragmentos é, sem dúvida, um desafio, havendo acordo somente entre observadores experientes quanto à presença ou não de fragmentos.

Identificam-se os fragmentos da borda distal do osso navicular com baixa frequência em cavalos livres de claudicação. A maior incidência, portanto, ocorre em cavalos que apresentam sinais clínicos, e envolve claudicação e impotência funcional.

O significado clínico de um fragmento é controverso e não há conhecimento suficiente sobre a progressão da lesão ou claudicação.

Avaliação

A ultrassonografia é comumente usada para avaliar o tendão flexor digital profundo e a bursa navicular em casos de distensão da região. Com toda a certeza, essa patologia é frequente em cavalos de alto desempenho.

Em estudo realizado por Turner (2014), concluiu-se que há dificuldades de interpretação radiográfica de forma confiável em alterações do osso navicular. Assim, a ressonância magnética tornou-se o padrão para o diagnóstico definitivo da patologia subjacente nesta causa de claudicação.

Com o auxílio da ressonância magnética, lesões no aparato podotroclear são comumente encontrados em cavalos com claudicação; no entanto, os cavalos sem sinais clínicos também apresentam alterações patológicas nesta região. Há relatos de correlação inconsistente entre achados radiográficos e achados clínicos.

Síndrome do Navicular, também conhecida como Podotrocleose, merece um grau de atenção elevado quando o assunto é claudicação em equinos

Riscos na busca pelo diagnóstico

Existem ainda meios de diagnóstico por analgesia, utilizando técnicas de bloqueios perineurais, com infusão de anestésicos em nervos específicos indicando o possível local da claudicação logo após um bloqueio anestésico.

Realiza-se a centese do líquido sinovial da bursa do navicular como parte de uma pesquisa de claudicação. Antes de mais nada, é um procedimento para infusão de analgésico mais focalizado, realizado durante uma investigação para determinar o local da dor no membro do equino.

Porém, injeções da bursa do navicular são objetos de controvérsia, devido à dificuldade de realizar este procedimento em cuidados veterinários primários. Assim como para o eventual risco de traumatizar o tendão flexor digital profundo quando perfurar a estrutura com a agulha.

Novos estudos para a Síndrome do Navicular

Devido aos riscos das técnicas invasivas, há novos estudos sobre acessos alternativos ao aparato podotroclear. Práticas que diminuem o risco de contaminações iatrogênicas no tendão flexor digital profundo e estruturas adjacentes.

Este estudo visa descrever a definição e prevalência da Síndrome do Navicular. E ainda realizar uma breve revisão anatômica do membro torácico distal, expor as prováveis etiopatogenias para o acometimento do aparato podotroclear. E, por fim, evidenciar as principais técnicas de diagnóstico disponíveis na literatura para esta síndrome.

Por Matheus Favaro, MV
Orientação: Profº Arthur Araújo Chaves – UniSALESIANO – Araçatuba/SP
Crédito das fotos: Divulgação/Equus Magazine

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Dorso equino: saiba quais são os problemas musculares e ósseos

O dorso desempenha um papel fundamental na morfologia equina devido à sua função como elemento de suporte da caixa torácica, peso abdominal e peso do cavaleiro

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Antes de mais nada, o dorso equino desempenha um papel fundamental na morfologia devido à sua função como elemento de suporte da caixa torácica, peso abdominal e peso do cavaleiro. Portanto, cuidar da saúde dessa região é essencial a fim de evitar problemas musculares e ósseos.

Assim, o dorso equino compreende a coluna vertebral, desde a cruz à garupa. Bem como inclui músculos, ossos, ligamentos, tendões, articulações, etc. Além disso, tem papel essencial na locomoção, pois constitui a união das extremidades anterior e posterior, auxiliando e participando no movimento.

Principais patologias do dorso equino

Então, entre as principais lesões que afetam a parte traseira do cavalo, você encontra:

  • Lesões ósseas: como a ruptura do processo espinhoso, que por sua vez causa uma inflamação do ligamento interespinhoso. Espondilose e processos degenerativos nas articulações intervertebrais.
  • Lesões musculares: como atrofias, dores (mialgia), lágrimas ou hematomas nos músculos.

As atrofias musculares podem derivar de várias causas, mas podemos evitá-las ao fornecer um suplemento ao nosso cavalo que ajuda no desenvolvimento muscular. 

Por outro lado, a dor crônica nas costas causa rigidez e espasmo geral em toda a coluna, conhecida como ‘costas sobre a mesa’. Limita a flexibilidade da coluna e é o mais comum quando há um problema com o dorso.

Classificam-se problemas que afetam o dorso como:

  • Primários: estão derivados de uma lesão contra estruturas diretamente relacionadas (roturas, mialgias …).
  • Secundário: quando é consequência de patologias de outras regiões anatômicas (claudicação, dor cólica …).

Dependendo da lesão, podemos encontrar quadros clínicos com diferentes gravidades; no entanto, tudo causará dor no dorso equino. Essa dor será aparente quando interagirmos com o animal durante o maneio ou o treino.

No maneio, observaremos uma perda repentina de rendimento e flexibilidade. No treino, notamos principalmente uma mudança de caráter, como a recusa em realizar exercícios anteriormente realizados de forma comum.

Você ainda observa hipersensibilidade à escova, cavalo se incomoda quando colocamos o suador. Se a dor for crônica, o cavalo tropeça com a mão ao andar ou ao deitar-se na cama para ter uma altura irregular e esticar as costas.

Durante o exercício, os sintomas mais indicativos são: claudicação unilateral ou bilateral, falta de força anímica por dor no dorso, rigidez do dorso, dificuldade em fazer círculos, movimentos violentos com a garupa, ou falta de impulsão.

O dorso equino desempenha um papel fundamental na morfologia devido à sua função como elemento de suporte da caixa torácica, peso abdominal

Causa e tratamento

É no maneio que encontramos as principais causas de patologias no dorso equino. Portanto, devemos prestar atenção especial ao ajuste correto da sela e suas proteções, diretrizes inadequadas de treino ou binômio entre o cavaleiro e o animal, às vezes o peso ou o estilo do cavaleiro não se casa com o cavalo.

Em segundo plano, é colocada a morfologia do animal, pois existem certas características anatômicas que predispõem às lesões. Por exemplo: cruz proeminente, atrofias musculares paravertebrais em cavalos mais velhos ou lordose (curvatura do dorso, ou também conhecido como cavalo ‘selado’).

O tratamento, em relação ao maneio, começar por melhorar significativamente muitas patologias com uma escolha correta da sela e um desenvolvimento adequado do trabalho para o nosso cavalo.

Em outros casos, não há escolha a não ser tratá-lo com administração local ou sistêmica de medicamentos anti-inflamatórios. Mas as terapias naturais também ajudam, assim como as técnicas de fisioterapia: terapia manual, eletroterapia ou exercícios terapêuticos. Entre outras técnicas complementares, como osteopatia ou acupuntura, que podem nos ajudar.

Em resumo, problemas musculoesqueléticos e ósseos no dorso do cavalo de desporto representam um importante problema de bem-estar, principalmente devido à implicação da diminuição do desempenho atlético. Dessa forma, devemos estar muito atentos às manifestações que comentamos para evitar o desenvolvimento de qualquer patologia.

Fonte: Equinvest
Crédito das fotos: Divulgação/Equus Magazine

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Suplementação mineral adequada proporciona qualidade de vida aos equinos

Uma suplementação bem feita pode auxiliar no cotidiano de cavalos de esporte, provas de resistência, trabalho e até lazer

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Seja de esportes, provas de resistência, trabalho e até lazer, os cavalos precisam de suplementação mineral a fim de receber todos os nutrientes necessários para sua manutenção.

De acordo com os especialistas, aminoácidos e vitaminas comprometem o desenvolvimento dos equinos. Além disso, geram fraqueza, perda de desempenho, redução na fertilidade. E ainda, dependendo da carência, até deformidades e fragilidade óssea.

Dessa forma, apesar de formular rações com a finalidade de nutrir bem os equinos, é fundamental uma suplementação mineral para que eles tenham o melhor desempenho, independentes de sua função e prática.

Inicia-se, portanto, com a suplementação normalmente nos potros, desde que respeitada a exigência nutricional de cada categoria e idade. É importante esse cuidado porque desequilíbrio ou excesso de determinados minerais compromete o desenvolvimento da estrutura óssea.

Fêmeas prenhes também recebem suplementação durante a gestação. Recomenda-se, entretanto, prestar atenção na suplementação energético proteica, que ajuda na melhor formação fetal.

Uma suplementação mineral bem feita pode auxiliar no cotidiano de cavalos de esportes, provas de resistência, trabalho e até lazer

Animais bem suplementados têm estrutura corporal forte e enfrentam melhor os desafios de sua rotina. Em primeiro lugar, há diferentes tipos de suplementos, motivo pelo qual criadores, técnicos e veterinários avaliam o mais adequado na hora de oferta.

E essa avaliação tem como base a real necessidade dos níveis de proteínas e energia condizentes com a categoria animal. Bem como sua aptidão e atividade física. Um sinergismo importante para a fisiologia e o metabolismo para conversão muscular.

Há no mercado suplementação mineral e entre os produtos, um suplemento alimentar proteico, de alto valor biológico e que oferece aporte de aminoácidos essenciais de cadeia ramificada. E ainda produzem efeitos sobre a síntese proteica da musculatura esquelética, gerando hipertrofia e manutenção da massa muscular.

Colaboração: Thales Vechiato, gerente de grandes animais da Syntec do Brasil
Crédito das fotos: Divulgação/Freepik

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Diagnóstico de palpação pela acupuntura

Na Medicina Tradicional Chinesa o diagnóstico de um tratamento de acupuntura pode ser dividido em quatro exames: audição, interrogatório, observação e palpação

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A acupuntura, técnica milenar chinesa que previne e complementa tratamentos contra doenças e lesões, se mostra bastante eficaz com os cavalos. Assim, o diagnóstico de palpação pela acupuntura faz parte do tratamento, dividido em quatro exames. Além da palpação, audição, interrogatório e observação.

O método que, desde 1995, utilizado apenas por médicos veterinários com esta especialização, tem a capacidade de detectar um problema antes de ele do diagnóstico clínico. Além disso, é um excelente auxiliar no tratamento de todas as alterações que acometem um cavalo.

Quando se obtém as informações através desses quatro passos – audição, interrogatório, observação e palpação – se estabelece um paradigma que consolida todos os sintomas como resultado de uma única causa.

Quando tratamos de medicina veterinária equina, na maior parte dos casos, não são apresentadas condições patológicas internas profundas do ZangFu. Mas percebemos um grande número de disfunções fisiológicas que acarretam lesões ligadas a estresse e restrições musculares incômodas.

Por exemplo, os exames tradicionais de claudicação tem grande valia para distúrbios articulares e de membros posteriores. Contudo, quando se tratam de dores dorsais e de membros anteriores é necessário lembrar todas as formas de diagnóstico ao avaliar um mau desempenho ou uma claudicação sutil.

Através de uma anamnese completa e um bom exame físico, que unido a palpação com base na acupuntura, e um bom exame muscular conseguirão montar o melhor diagnóstico para o respectivo animal.

Diagnóstico de palpação

Diagnostica-se lesões de ordem musculoesqueléticas nos equinos, principalmente, através da palpação dos pontos ao longo dos meridianos que percorrem o dorso do animal.

Correspondem, primeiramente, aos pontos do meridiano da bexiga e a teoria dos cinco elementos. Os equinos reagem bem a esses pontos doloridos, ou Ah Shi, quando comparados com outras espécies. É possível ainda pelo diagnóstico de palpação identificar distúrbios endócrinos, Herpes Vírus e disfunções neurológicas.

Antes de mais nada, o meridiano da bexiga contém pontos especializados conhecidos como pontos de assentimento. Estes pontos se encontram paralelos a medula espinhal. Outros pontos especializados são os de alarme, quando são de grande ajuda no diagnóstico. Pincipalmente quando tratamos de distúrbios nos órgãos.

Diagnóstico de palpação: na Medicina Tradicional Chinesa o diagnóstico de um tratamento de acupuntura pode ser dividido em quatro exames

Exame de palpação propriamente dito: cabeça, pescoço e anteriores

Começamos o exame pelos pontos da cabeça do equino. São palpados pontos gatilho ao longo da articulação temporomandibular, ou seja, E7, VB2, ID10. Estes, se sensíveis, indicam alterações nessa articulação

Esta condição pode ser confirmada através da palpação em VB20 e B10. Palpa-se então os pontos ao longo do pescoço a fim de saber se há hipersensibilidade em algum dos canais. Os pontos geralmente palpados são: TA 15, TA16, ID16, IG16, IG17, IG18, VB21, E10, R27.

Palpado pescoço e cabeça é hora de avaliar os pontos do membro anterior. Neste momento, o examinador busca pontos gatilhos na região do ombro, palpando os pontos ID9, IG15 e TA14. Geralmente a reatividade nessa região pode indicar lesão escapuloumeral.

Partimos então para a palpação dos pontos P1 e VC17. Dor no primeiro ponto pode indicar distúrbios respiratórios, enquanto no segundo, distúrbios relacionados ao tórax. Para finalizar o exame do membro anterior, palpa-se os pontos Ting, com o intuito de encontrar alterações nos meridianos.

Membros inferiores

A palpação do dorso e do abdômen tem grande valia, pois neles se encontram alguns dos pontos mais importantes. Se localizam no dorso, paralelamente à coluna vertebral, e são chamados de pontos shu.

A palpação se inicia no B13, ponto de assentimento do pulmão, e percorre pelo dorso em sentido caudal até a região lombar B23, ponto de assentimento do rim. Os pontos da bexiga se associam a pontos de outros órgãos e se reativos podem indicar distúrbios nos órgãos de assentimento ou lesões locais. Nesse momento o examinador passa a palpar pontos alarme localizados ao longo do abdômen e do tórax (F14,  F13,  VB25).

Em seguida, na sequência da palpação, parte-se então para a região sacral. Esta região deve ser avaliada cautelosamente, pois é uma área de hipersensibilidade e alto índice de formação de pontos gatilho.

Os principais pontos são B13, E30, VB27, VB29,  VB30,  B25, B27, B28. Através desses pontos podemos avaliar desde distúrbios imunológicos até alterações osteomusculares. Por exemplo: alterações em jarrete, casco, boleto, joelho e articulação coxofemoral.

Finalizando a palpação chegamos ao membro pélvico. Os pontos avaliados conseguiram demonstrar problemas de joelho, jarrete, até alterações locais em outras articulações. Os principais pontos palpados são B36, B37, B38, B39, VB32, e pontos Ting.

Sendo assim, percebemos que a palpação através da medicina chinesa vem para facilitar a vida do clínico, auxiliando em um diagnóstico mais preciso e confiável.

Por Letícia Viana Valle Vieira | Médica Veterinária | (61) 98467-3135
Fonte: Acupuntura veterinária, da arte antiga a Medicina Moderna, Allen M. Shoen, 2006
Crédito das fotos: Divulgação

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Pequenos e perigosos: doenças em equinos transmitidas por mosquitos

Saiba mais sobre a Encefalomielite Equina Oriental, Encefalomielite Equina Ocidental e o Vírus do Nilo Ocidental; como você pode proteger melhor seu cavalo

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Notícias recentes descrevem a perda acelerada de espécies de vida selvagem devido a mudanças significativas no habitat e nas fontes de alimento. Mas uma criatura que parece estar prosperando é uma das mais perigosas do mundo: os mosquitos.

Doenças transmitidas por mosquitos afetam todos os mamíferos, com alguns dos mais virulentos, infectando cavalos e humanos de forma semelhante. Dessa forma, causam Encefalomielite Equina Oriental, Encefalomielite Equina Ocidental e o Vírus do Nilo Ocidental

A boa notícia é que os cavalos não podem espalhar essas três doenças para outros cavalos ou humanos, e vice-versa.

Mosquitos fêmeas são os vetores intermediários ou ‘ponte’ que causam a infecção. Os pássaros (e às vezes roedores) são portadores dos vírus, mas nem sempre apresentam sinais clínicos.

Os mosquitos picam os pássaros e pegam o vírus; então, esses mosquitos transmissores passam o vírus para cavalos, humanos ou outras aves. Não só os cavalos, como também as pessoas são considerados hospedeiros ‘sem saída’.

Ou seja, não têm vírus infecciosos suficientes em seu sangue para transferir, através de mosquitos ou fluidos corporais, para outros humanos ou animais.

Encefalomielite Equina Oriental

Os mosquitos Culiseta melanura transmitem a Encefalomielite Equina Oriental. Dessa forma, causam doenças neurológicas graves em cavalos, com uma taxa de mortalidade de 90%. Além de ter febre, cavalos infectados desenvolvem uma marcha descoordenada (ataxia) e freqüentemente apresentam espasmos musculares involuntários.

Os sinais encefálicos progressivos se desenvolvem: pressão na cabeça, perambulação sem rumo, convulsões, hiperexcitabilidade e coma. Uma vez que um cavalo deita, ele não consegue se levantar.

É difícil de diagnosticar porque é um vírus de difícil cultivo e causa sintomas muito similares a outras encefalites ou encefalomielites. No Brasil é mais comum a Encefalite Equina do Leste. Mas encontramos em algum momento o vírus da Encefalomielite Equina Oriental em aves da Amazônia, no Pantanal e na mata atlântica do Rio de Janeiro.

Temperaturas úmidas favorecem a que a população de mosquitos cresça. Por isso, a vacinação do seu cavalo deve estar em dia.

mosquitos: Saiba mais sobre a Encefalomielite Equina Oriental, Encefalomielite Equina Ocidental e o Vírus do Nilo Ocidental; como proteger

Encefalomielite Equina Ocidental

Culex tarsalis é o mosquito transmissor. No Brasil têm sido isolados ou detectados sorologicamente três Alphavirus que têm grande importância epidemiológica e que estão amplamente distribuídos no continente Americano. Entre eles, a Encefalomielite Equina Ocidental.

Uma doença neurológica semelhante à Oriental, cujo a taxa de mortalidade entre cavalos infectados é de 40-50%. Nos últimos anos, houve uma queda dramática nos casos de equinos, nenhum relatado no oeste dos Estados Unidos desde 2004, por exemplo.

No entanto, pássaros e mosquitos ainda abrigam o vírus, então os veterinários recomendam vacinar cavalos anualmente como uma proteção. O vírus da Encefalomielite Equina Ocidental foi isolado pela primeira vez por aqui em equinos no Estado do Rio de Janeiro. 72 espécies de aves tinham anticorpos para o Ocidental, ou seja, tiveram contato com o vírus.

Vírus do Nilo Ocidental

A Febre do Nilo Ocidental é uma doença causada por um vírus do gênero Flavivirus, família Flaviviridae, assim como os vírus da Dengue e da Febre Amarela. Transmitido por meio da picada de mosquitos infectados, principalmente do gênero Culex.

Os hospedeiros naturais são algumas espécies de aves silvestres, que atuam como amplificadoras do vírus (viremia alta e prolongada) e como fonte de infecção para os mosquitos.

Os sintomas mais comuns estão associados com a injúria da medula-espinhal. Nos equinos os sinais da enfermidade neurológica causadas pelo vírus do Nilo Ocidental podem incluir ataxia, perda de apetite, depressão, perda de equilíbrio, contração muscular, paralisia facial, diminuição da visão, enrijecimento no pescoço, marcha confusa, convulsões, voltas em círculos e incapacidade para ingerir.

Fonte: The Horse | Nancy S. Loving, DVM
Crédito das fotos: Divulgação/iStock

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Saúde Animal

Calendário vacinal para Equinos

Toda vacina se destina a estimular o sistema imunológico do animal para dar a ele condições de se defender do agente causador da doença

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Qual a importância de um calendário vacinal para Equinos seguido à risca? Em primeiro lugar, o surgimento de doenças infectocontagiosas aumenta quando ocorre uma queda na resistência orgânica dos animais.

Principalmente em potros que se encontram em fase de crescimento, com maior fragilidade fisiológica. Do mesmo modo, deve manter as éguas de cria vacinadas também. Uma forma de evitar patologias que levam ao crescimento de crias fracas ou ainda ao aborto.

Antes de mais nada, alguns cavalos se tornam mais suscetíveis a determinadas doenças de acordo com o manejo. Por exemplo, vacinar contra raiva animais atacados com frequência por morcegos hematófagos.

Por outro lado, animais que vivem em regime extensivo tendem a adquirir maior imunidade contra algumas afecções. Nos grandes centros hípicos, existem programas de vacinação que englobam todas as doenças.

Não é o bastante, por exemplo, vacinar a égua de cria para doenças que causam o aborto e não imunizá-la contra raiva. Essa, se adquirida, é fatal. O custo-benefício de um esquema abrangente de vacinação é excelente. Ainda mais se considerarmos as muitas doenças graves e fatais que podem ser evitadas.

Todas as vacinas são fáceis de aplicar e sua administração geralmente não apresenta efeitos colaterais significativos.

Especialistas alertam ainda que é importante vacinar todos os animais de um mesmo grupo a fim de realmente se conseguir um esquema preventivo eficaz. A vacina não depende da atividade equestre, porém da faixa etária e das condições sanitárias e epidemiológicas da região habitada, ou frequentada, pelos equinos.

Calendário vacinal para Equinos

Calendário vacinal: vacinas se destinam a estimular o sistema imunológico para dar condições de se defender do agente causador da doença

Colaboração: Claudia Leschonski, MV
Crédito da foto: Divulgação/USEF

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Saúde Animal

Você sabe o que é um neonato?

Neste artigo técnico assinado pelos médicos veterinários da Pro Equus, entenda quais são as diferenças entre os neonatos e cavalos adultos

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O termo “neonato” deriva do latim natus, que significa nascer. Sobretudo, ele se refere ao recém-nascido durante as primeiras semanas de vida, quando o potro atravessa um período de adaptação à vida extra-uterina.

Dessa forma, ele precisa fazer a transição fisiológica da vida fetal – na qual tem dependência total da égua para sua nutrição, excreção e manutenção da homeostase -, para uma vida extra-uterina independente.

Portanto, considerando o tempo de maturação de todos os órgãos e funções, definiu-se o período neonatal como os primeiros 30 dias de vida do potro.

Adaptação e maturação

Como resultado, as mudanças pelas quais o neonato deve passar são profundas e envolvem, de forma mais ou menos intensa, quase todos os órgãos. Contudo, a adaptação de alguns órgãos é mais lenta do que em outros e também há variação entre indivíduos.

Antes de mais nada vale destacar que a habilidade de se adaptar rapidamente é crítica para a sobrevivência dos potros. Especialmente em casos em que o parto não é assistido, impossibilitando intervenção imediata.

Sistemas e funções

O potro começa a se preparar para a transição fetal no final da gestação. Ou seja, órgãos endócrinos se tornam mais ativos, produzindo hormônios essenciais no período perinatal. O funcionamento do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal garante um pico de cortisol fetal, fundamental no desenvolvimento funcional e estrutural de uma série de tecidos diferentes, incluindo pulmões, fígado, rins e trato gastrintestinal, além de estimular ventilação pulmonar e gliconeogênese.

O período neonatal é considerado, sobretudo, os primeiros 30 dias de vida do potro

Potros não são cavalos pequenos!

Precisamos sempre ter em mente que o organismo de um neonato não funciona da mesma forma que o organismo de um cavalo adulto. O recém-nascido possui uma forte memória fetal. Na prática clínica, isso significa que o estresse e doenças atrasam a transição da fisiologia fetal para a fisiologia pediátrica e reverter a fisiologia já adaptada para um estado mais familiar ao neonato – a fetal.

Muitas vezes o maior desafio é identificar em qual estágio da transição fetal um potro doente se encontra e como aplicar o melhor plano de tratamento para cada indivíduo.

Aplicação prática

A fisiologia única implica em muitas diferenças farmacológicas entre equinos adultos e potros. Desta forma, deve-se considerar que a absorção, distribuição, metabolismo e/ou eliminação dos medicamentos também são diferentes, tornando-se difícil extrapolar diretamente as doses utilizadas nos adultos para os potros.

O balanço hidro-eletrolítico também pode ser um desafio, especialmente em neonatos doentes, e a fluidoterapia deve ser cuidadosamente calculada para cada caso. Potros que sofreram hipóxia intra-uterina, por exemplo, tendem a apresentar permeabilidade vascular aumentada e acumular líquido no interstício, enquanto sofrem de hipovolemia.

A fluidoterapia em excesso pode ser fatal nesses casos. Quando levamos em consideração todas as particularidades fisiológicas do neonato, temos maiores chances de oferecer o tratamento mais adequado a cada animal.

Instagram: @pro.equus | E-mail: pro.equus@terra.com.br | Telefone: (11) 99918 – 3403

Por Ana Claudia Gorino e Alfredo Poci Ferri, Médicos Veterinários da Clínica Equus
Crédito da foto: Divulgação/ProEquus

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