Os ‘glicosaminoglicanos’, ou GAGs, são um recurso terapêutico eficaz no tratamento de diversas doenças dos equinos

Quanto mais se estuda de bioquímica, mais se percebe a profunda verdade do velho provérbio: ‘você é o que você come’. Um grupo de nutrientes pouco conhecidos, porém muito importante, é o dos mucopolissacarídeos (ou MPs), que são componentes de grande parte dos tecidos animais.

Os glicosaminoglicanos, ou GAGs, são um subgrupo dos mucopolissacarídeos, e estudos recentes indicam que eles podem ser muito importantes na manutenção da saúde do atleta equino.

Estes compostos – não exatamente medicamentos, porém mais do que simples suplementos alimentares – são chamados de nutracêuticos. Por serem parte natural do organismo, estes compostos não podem ser classificados como drogas – e com isso seu uso também não é detectado, ao menos na atualidade, nos testes antidoping.

Por outro lado, foi intensamente documentado que os seus efeitos são semelhantes aos de substâncias medicamentosas. Esta ‘personalidade dupla’ dá margem não apenas a uma série de questões de ética médica envolvendo o uso destes produtos, porém também a controvérsias.

Detratores e defensores destas substâncias tem seus argumentos, das quais os GAGs são apenas um exemplo (outros compostos similares incluem o DMSO e o MSM), sobre sua real eficácia.

Alguns veterinários relatam grandes sucessos com o uso destas substâncias, enquanto outros solicitam mais pesquisas antes de substituírem por elas o uso de drogas já aprovadas. Também as pesquisas realizadas apresentam uma divisão similar: um trabalho demonstra resultados persuasivos sobre a eficácia dos nutracêuticos, enquanto outro não consegue demonstrar efeito algum.

Descobertas
Os GAGs reagem se ligando aos componentes do tecido conjuntivo, colágeno e elastina, para manter a função normal e integridade estrutural de articulações, vasos, coração, cérebro e pele, entre outros tecidos.

Com isso, atuam sobre a estrutura interna do tecido mantendo as células unidas e preservando a natureza gel elástica do tecido conjuntivo, através da retenção de umidade no mesmo.

Entretanto, foi surpreendente para alguns pesquisadores descobrir que o organismo não tem tanta facilidade para produzir estas substâncias a partir dos alimentos, ao contrário do que se pensava até há algum tempo atrás.

Sabe-se hoje que os processos de amadurecimento e envelhecimento estão diretamente relacionados às alterações no metabolismo dos mucopolissacarídeos. Em termos humanos, isto é fácil de entender se imaginarmos a diferença de volume e elasticidade na pele do braço de um idoso de 80 anos e de um jovem de 20 anos.

Outros estudos demonstraram que os GAGs exercem uma potente ação anti-inflamatória em doenças do tecido conjuntivo, tendo também elevada capacidade de regular a resposta imunológica.

Parte desta atuação se dá através do revestimento de membranas celulares, o que auxilia na redução da resposta inflamatória. Isto por sua vez causa um aumento da viscosidade, ou seja, na capacidade de lubrificação, do fluido articular (sinovial).

Isto significa que a suplementação com GAGs pode ser utilizada para prevenir e mesmo tratar afecções articulares do cavalo atleta.

Um grupo de nutrientes pouco conhecidos
ajudando no tratamento

Relações com exercícios
Na medicina humana, os MPs são largamente aplicados na terapia cardiovascular, devido tanto às suas mencionadas características de manutenção de elasticidade dos vasos, reparos na estrutura e controle da inflamação, como também à sua propriedade de limitar a coagulação intravascular.

Estes elementos se aliam na prevenção da doença cardiovascular, e também podem beneficiar o cavalo de esporte, ao evitarem a formação de coágulos intrarteriais. Esta é uma resposta fisiológica bastante comum quando o cavalo é submetido a esforço físico intenso, que leva o baço a despejar seu conteúdo para a circulação.

O sangue se torna bastante espesso, aumentando a tendência de hemácias e plaquetas de aderirem entre si, assim formando coágulos.

Outros efeitos documentados dos GAGs incluem o aumento de motilidade dos leucócitos, diminuição de suscetibilidade ao choque anafilático, estímulo do crescimento (incluindo reversão de inibição do crescimento causada por corticóides), aumento da excreção de sódio e aumento de resistência a infecções virais e bacterianas.

Porém, nem todos os cientistas já estão convictos da atuação dos GAGs, alegando que moléculas tão grandes e complexas quanto MPs dificilmente poderiam ser absorvidas pela via gastro-intestinal íntegras e sem prejuízo de seus efeitos.

E ainda, seria possível para estas moléculas, mesmo quando injetadas, penetrarem nas células? A isto se opõem os resultados positivos amplamente documentados com estes tratamentos – em outras palavras, ainda não é sabido exatamente como os GAGs atuam, especialmente quando dados por via oral.

Durante pesquisas feitas para esclarecer o processo de absorção por via gastrointestinal das moléculas de GAGs, sem que estas perdessem suas características, descobriu-se que ocorre a absorção de pelo menos dois tipos de sulfato de condroitina – um monossulfatado e um polissulfatado; os produtos atualmente comercializados pertencem a uma destas duas categorias

Os pesquisadores concluíram que perto de 40% dos sulfatos de condroitina administrados por via oral são absorvidos intactos, sem alterações químicas.

Descobriu-se também que o nível de depleção intracelular de GAGs influencia o grau de absorção – em outras palavras, é possível que células e tecidos mais carentes destas substâncias as absorvam em maior proporção que aquelas que se encontram bem abastecidas.

Conclusão
Podemos concluir que os cavalos com maior deficiência de GAGs – tal como aqueles acometidos de osteoartrite – tendem a ser os mais beneficiados pela terapia de suplementação, ou ‘nutracêutica’, como tem sido chamada.

Além da doença articular degenerativa, também a cura de entorses e luxações, bem como todos os processos envolvendo regeneração e cicatrização de tecidos, costumam responder bem aos GAGs.

Descobriu-se também que tecido regenerado ao longo da terapia com estes suplementos adquire uma estrutura mais reforçada do que o teria normalmente, por isso, também o reestabelecimento de diversas formas de enterite é incrementado pela suplementação oral com GAGs.

Há quem considere que nos casos envolvendo lesão de mucosas e membranas do aparelho digestivo (tal como úlceras gástricas e enterites) os GAGs tenham uma ação tópica, no local da lesão.

Diversas empresas produzem e comercializam GAGs purificados, destinados a serem administrados oralmente – estudos demonstraram que os sulfatos de condroitina são absorvidos numa forma intacta e biologicamente ativa após a ingestão oral, mão sofrendo degradação no processo digestivo, com até 40% do volume ingerido chegando ativo à corrente circulatória.

Aplicações
Muitos veterinários já utilizam GAGs como suplementos alimentares para os cavalos pelos quais são responsáveis, relatando bons resultados especialmente em casos de artrite.

Entretanto, a real eficácia do tratamento com estas substâncias, especialmente quando dadas por via oral, é questionada por alguns veterinários e pesquisadores. Enquanto novas pesquisas não elucidarem estas questões, muitos veterinários estão convictos pela evidência prática dos resultados obtidos para seguirem empregando os diversos tipos de GAGs como terapia nutricional e auxílio preventivo das doenças do locomotor equino.

Fonte: Editora Passos
Extraído do Horsemen’s Journal e do The Horse

2 Comentários

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