Comentamos sobre alguns mitos na nutrição de cavalos em outro artigo, clique aqui para ver. Daremos continuidade a seguir

Convém sempre lembrar que os cavalos não suportam bem toda e qualquer modificação da alimentação – mesmo que estas sejam aparentemente para melhor! Consulte sempre um profissional de sua confiança antes de qualquer alteração no manejo alimentar de seu cavalo.

Melaço causa cólica

O melaço é usado nas rações de cavalos para aumentar a palatabilidade e melhorar a homogeneidade da ração, reduzindo a incidência de pó e de finos. Seu valor calórico é similar àquele da aveia, ele tem entre 20 e 30% de umidade, e açúcar é seu principal componente.

Especialmente em clima quente, as rações laminadas com adição de melaço têm maior tendência a mofar que as rações peletizadas ou as misturas secas. Parte deste problema pode ser resolvido adicionando inibidores de fungos, tal como ácido propiônico.

Um outro problema que deve ser considerado é que a quantidade de açúcar presente no melaço sobrecarregará a capacidade do intestino delgado de absorver glicose, o que faz com que parte da mesma chegue ao ceco e vá fermentar, exatamente como acontece com o excesso de amido que não chega a ser digerido no intestino delgado.

Desta maneira, estes componentes não são digeridos adequadamente, causando fermentação bacteriana que pode levar à cólica.  Entretanto, o melaço em si não causa cólica nem problemas digestivos, estes vêm do manejo alimentar inadequado.

Desde que a ração que o contém seja adequadamente estocada (em ambiente fresco e seco) e monitorada quanto à presença de fungos, e principalmente que o cavalo não receba quantidade excessiva de ração numa única refeição, não há nenhum problema na utilização de rações que contenham melaço.

Vale lembrar que os cavalos não devem receber mais que 2 kg de concentrado numa única refeição, para evitar os problemas mencionados de sobrecarga de glicose e amido.

Ração peletizada pode causar problemas digestivos

Este mito é um resíduo dos tempos em que as rações comerciais eram novidade e os tradicionalistas buscavam justificativa para evitarem-nas. Se um cavalo é alimentado corretamente e com regularidade não há porque ele engasgar ou sofrer sobrecargas e impactações por causa de pellets mais do que aconteceria com outras formas de concentrado.

Especialmente para cavalos gulosos, a prevenção da sobrecarga está em utilizar cochos rasos, de superfície ampla, e não pequenos e profundos, o que diminui a velocidade de ingestão da ração. Se necessárias pedras grandes e lisas podem ser colocadas no cocho, o que retarda ainda mais a velocidade de ingestão.

Se um cavalo tiver alguma patologia de esôfago resultando em alterações peristálticas, a melhor maneira de fornecer concentrado é fazer um mingau bem líquido do mesmo, com bastante água, se necessário misturando óleo vegetal e cubos ou pellets de alfafa para suprir as diversas demandas nutricionais. Esta estratégia funciona a curto prazo na recuperação de lesões e também naqueles indivíduos com constrições permanentes do esôfago.

Aveia achatada é melhor que aveia inteira. Tradicionalmente, as pessoas acham que a aveia achatada seja significativamente mais digestível do que a aveia inteira. A maior parte dos estudos de digestibilidade que foram efetuados comparando os dois tipos de aveia mostra que o aumento de digestibilidade da aveia achatada é de, no máximo, 6%.

Outro estudo demonstrou que a digestibilidade do amido entre aveia inteira e achatada é praticamente idêntica. Considerando que a aveia inteira se conserva melhor que a achatada, na maioria dos casos o uso da aveia achatada não é justificado.

Uma exceção possível são cavalos velhos com problemas de dentição, e talvez potros muito jovens. De qualquer modo, uma ração peletizada ou extrusada é mais apropriada para os cavalos idosos.

O cavalo barrigudo deve comer menos concentrado

Muitas pessoas acham que a barriga grande de um cavalo é sinal de gordura, e assim tendem a reduzir a quantidade de concentrado da ração, de modo que o cavalo passa a depender mais do volumoso para cobrir suas necessidades nutricionais, o que pode resultar em novo aumento do volume abdominal.

Contudo, na maioria dos cavalos, a verdadeira causa da ‘barriga de capim’ é perda de condição física, do tônus muscular e dos ligamentos da linha dorsal, o que faz a barriga parecer maior do que realmente é. Em muitos casos, esta situação pode ser melhorada aumentando a quantidade de concentrado junto com o exercício.

Os cavalos tendem a ter depósitos de gordura na crista do pescoço, atrás da espádua, sobre as costelas e ao longo da garupa e na base da cauda, e não na área abdominal, tal como acontece com os humanos. O cavalo visualmente ‘barrigudo’ geralmente está magro ou fora de forma.

Óleo vegetal previne a impactação intestinal

Os veterinários utilizam o óleo mineral por duas razões. Uma delas é que este óleo não é absorvido pelo intestino, porém quando ingerido reveste as paredes internas do mesmo, reduzindo a absorção intestinal de toxinas, que são formadas em diversas doenças, tais como a síndrome cólica e a laminite.

O óleo mineral tem efeito laxante e também lubrificante, auxiliando a eliminação da massa fecal. Sendo inerte no trato gastrointestinal, a absorção de óleo mineral é zero, o que possibilita sua chegada nas porções intestinais finais, onde exerce seu efeito. Por sua vez, os óleos vegetais (milho, soja, canola, etc) têm por volta de 90% de digestibilidade, sendo absorvidos principalmente no intestino delgado. Praticamente nada dos óleos vegetais chega a ceco e cólon maior, para agir de maneira similar à do óleo mineral, de modo que aqueles não têm o efeito lubrificante deste.

Acrescentar óleo vegetal nas dietas dos cavalos serve para aumentar a ingestão calórica, e possivelmente aumenta a absorção das vitaminas fornecidas. Quantidades recomendadas de óleo vegetal variam de 200 a 500 ml diários. Fornecer uma ou duas colheres de sopa diárias deste óleo, como às vezes observamos, não tem efeito prático algum.

O feno mais caro sempre é o melhor para os cavalos

O melhor volumoso para os cavalos é aquele que apresenta o melhor equilíbrio entre valor nutritivo, custo e fibra. Alguns fenos são muito caros por serem jovens, de primeiro corte, e por isso mesmo baixo em fibra, ainda que sejam muito nutritivos.

Os problemas digestivos dos cavalos estabulados costumam se relacionar a falta de fibra, não à falta de nutrientes; para resolver estes problemas e prevenir cólicas, um feno mais fibroso, “inferior” pode ser preferível – desde que não esteja mofado nem estragado, é claro! Também existe o feno fibroso demais, obtido de cortes de plantas velhas, que simplesmente não é ingerido pelos animais e acaba entrando na categoria de ‘falsa economia’.

Fonte: Stephen G. Jackson, Kentucky Equine Research, Inc.
Fotos: horsegrazingpasture

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