Saúde Animal

Os cavalos podem ouvir sons a distâncias maiores do que nós humanos

Muitas vezes, o som está há vários quilômetros de distância

Por causa de sua sensibilidade e sua audiência, os cavalos podem se assustar facilmente quando ouvem sons altos o colocando em um estado de alerta maior. Nas semanas anteriores começamos a tratar do assunto Audição dos Cavalos.

Portanto, já abordamos a audição equina como o segundo sentido dos cavalos mais desenvolvido depois da visão; e apresentamos as partes do ouvido. Agora, o assunto é frequência auditiva, localização e distinção de sons.

A Frequência Auditiva

A frequência dos sons é medida em Hertz (Hz). Dessa forma, o nosso alcance de audição vai de 20Hz até 20KHz. Porém, os cavalos podem ouvir desde 60Hz até 33,5KHz, aproximadamente. Assim sendo, é um animal capaz de captar sons não captados pelo homem.

Ao contrário dos cães (que captam melhor os sons graves), os cavalos captam os ultrassons agudos. Contudo, não conseguem ouvir algumas frequências de sons graves que nós conseguimos.

Essa sensibilidade auditiva pode trazer sofrimento ao cavalo. Barulho excessivo o deixa sobressaltado e agitado.

A Localização do Som

Quanto à localização da fonte dos sons, o cavalo sobrepuja muito o homem. Enquanto o ser humano é capaz de localizar um som em um ângulo de um grau, o cavalo tem um limiar de 25 graus.

Ao mesmo tempo, é um animal dotado de um sistema de alerta coordenado entre a visão e a audição. Podemos observar isto na simultaneidade entre os movimentos da cabeça e dos olhos quando o cavalo ouve um ruído inesperado.

Os cavalos podem ouvir sons a distâncias maiores do que nós humanos Muitas vezes, o som está há vários quilômetros de distância

A Distinção Sonora

O cavalo reconhece ruídos familiares e também os comandos dados pelo homem e parecem melhores do que o ser humano para distinguir entre sons de intensidade aproximada.

O som pode ser descrito, portanto, através de uma sequência de ondas sonoras.

Que nada mais são do que ondas de deslocamento, densidade e pressão, que se propagam pelos meios compressíveis, como o ar, a água ou um sólido. Nem toda onda sonora é percebida como ruído e nem todas são identificadas pelo ouvido.

As vibrissas (bigodes) ao redor do focinho e, os cascos, são considerados, até certo ponto, como detectores de energia vibrátil, a energia da onda sonora.

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Qual a diferença entre frequência e decibéis?

A frequência de um som mostra o quanto ele é grave ou agudo, enquanto os decibéis indicam o volume. Este último conceito é uma importante referência para a saúde auditiva. De acordo com o valor dos decibéis (dB), podemos saber quando um som está muito alto.

Barulhos acima de 110dB podem provocar perdas auditivas irreparáveis em menos de 30 minutos. Se o ruído ultrapassar 160dB, como durante uma explosão de fogos de artifício perto, nem que seja por uma fração de segundo, pode levar ao rompimento do tímpano.

Antes de mais nada, a frequência é uma grandeza mais abstrata, mas também perceptível aos ouvidos. Vamos começar lembrando que, em certo sentido, as ondas sonoras são como as ondas do mar: elas oscilam para cima e para baixo, em uma sucessão de picos e depressões.

No caso das ondas marítimas, se o oceano estiver agitado, essas oscilações ficam mais frequentes. Isso significa que a frequência delas aumentou.

No mundo das ondas sonoras, os ouvidos traduzem o crescimento da frequência como um som que fica cada vez mais agudo. Além disso, cada valor de freqüência também significa um tom específico.

Audição em mamíferos

A professora Rickye Heffner, do Departamento de Psicologia da Universidade de Toledo (Ohio, USA), em seu trabalho sobre a evolução da audição em mamíferos, aborda achados igualmente amplos de exposições crônicas e agudas aos ruídos, onde tais exposições poderão desencadear a reação de medo, conseqüentemente a mudança de comportamento animal.

Efeitos do ruído na produtividade e no comportamento animal dependem não apenas da intensidade (dB) e frequência (Hz), mas também da capacidade auditiva da espécie, da idade e do estado fisiológico do animal no momento da exposição.

Também depende da experiência do animal ao tempo que foi exposto durante a sua vida (histórico de exposição aos ruídos).

Fique ligado que semana que vem concluiremos o assunto!

Por Roger Clark
Médico Veterinário, Juiz e Inspetor Zootécnico ABQM e ABCPaint, Consultor em Comportamento e Bem-Estar Animal
Crédito da foto: The Spruce Pets

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