Saúde Animal

Os sintomas e cuidados com as doenças infectocontagiosas

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Entre elas, Anemia Infecciona Equina e Mormo

O Manejo Sanitário tem como finalidade proporcionar aos animais ótimas condições de saúde. Buscando evitar, eliminar ou reduzir ao máximo a incidência de doenças. E no rebanho é utilizado para que se obtenha um maior aproveitamento genético e consequente aumento da produção e produtividade.

Esta prática deve ser corriqueira e de rotina em nossas criações, pois desta forma estaremos otimizando ao máximo tudo aquilo que fornecemos ao animal. De nada adianta termos preocupações intensas com genética, alimentação e treinamento se, aliado a tudo isso, o animal não estiver saudável.

Um bom manejo sanitário proporciona ao animal um estado de saúde preventivo, inclusive economizando com tratamento das mais diversas patologias, que muitas vezes são mais caros que a própria prevenção.

Algumas doenças quando diagnosticadas positivamente levam ao sacrifício do animal e a interdição da propriedade por tempo estabelecido pelo Ministério da Agricultura. Dentre as mais importantes na equideocultura, Anemia Infecciosa Equina e Mormo.

A Anemia Infecciosa Equina, ou AIE, é uma doença causada por vírus, transmissível e incurável, que infecta somente equídeos – cavalos, asininos e muares -, independente de raça, sexo e idade. Os sinais clínicos da doença são bastante variáveis e podem produzir três diferentes síndromes: aguda, crônica e inaparente.

A forma aguda normalmente não é comum e seus sinais clínicos são não-específicos, podendo aparecer como: febre não continua (39º a 41ºC); pontos hemorrágicos nas mucosas; fraqueza e cansaço; redução ou perda de apetite; perda de peso; icterícia; edema em membros, abdômen prepúcio e anemia de moderada a severa.

Animais que sobrevivem ao episodio inicial progridem para forma crônica, apresentando os sinais clássicos da doença. Estes tendem a serem letárgicos, anoréxicos, anêmicos, apresentam edema e demonstram decréscimo no número de plaquetas coincidente com a febre.

A forma inaparente aparece na maioria dos animais positivos em testes sorológicos. Não há aparecimento de nenhuma anormalidade clínica resultante da infecção. Porém, estes continuam portadores do vírus por toda vida, podendo propagar assim a doença.

A transmissão da AIE ocorre através de picadas de insetos que se alimentam de sangue (mutucas, mosca do cavalo, dos estábulos); uso compartilhado de materiais contaminados com sangue infectado (agulhas, seringas, esporas, freios, arreios, dentre outros); leite e sêmen.

Já o Mormo é uma doença infecto-contagiosa incurável, causada por uma bactéria denominada Burkholderia mallei, que acomete equídeos  -cavalos, asininos e muares. Podendo também afetar carnívoros, eventualmente pequenos ruminantes e até mesmo o homem. Por ser uma zoonose, é de interesse de Saúde Pública.

As pessoas que se contaminam e desenvolvem a forma aguda da doença, se não forem tratadas precocemente, podem adquirir até 95% de chance de morrer em até três semanas. Se desenvolver a forma crônica poderá desenvolver abscessos em diversas partes do corpo principalmente nos pulmões. Porém a chance do humano de contrair a doença é mínima, em torno de 0,5%.

Nos equídeos, a doença manifesta-se sob forma nasal, pulmonar e cutânea podendo ser aguda ou crônica, o mesmo animal pode apresentar todas as formas simultaneamente. Os muares e asininos são acometidos na sua forma aguda, enquanto os cavalos, na forma crônica, porém nem todos os acometidos manifestam os sinais clínicos clássicos da doença.

Na forma aguda ocorre febre alta, tosse e corrimento nasal, com rápida evolução para úlceras disseminadas na mucosa nasal e nódulos na pele (extremidade dos membros ou abdômen).  A morte pode ocorrer após alguns dias, por septicemia.

Na fase crônica, a forma nasal apresenta lesões que se iniciam como nódulos que ulceram e podem se tornar confluentes. Nos estágios iniciais ocorre corrimento nasal seroso podendo ser uni ou bilateral, tornando-se muco-sanguinolento com o curso da doença. No processo de cicatrização as úlceras são substituídas por uma cicatriz característica em forma de estrela.

A forma cutânea ou linfática se caracteriza pelo aparecimento de nódulos subcutâneos, principalmente nos membros, que ulceram e permanecem com uma secreção amarela escura. Em alguns casos as lesões são mais profundas, e as secreções saem por trajetos fistulosos. Os vasos linfáticos se tornam fibrosos e espessados, irradiando-se das lesões e formando redes.

Os linfonodos regionais podem ser acometidos e se fistularem. A localização principal das lesões é a região interna do posterior, embora possam ocorrer em qualquer região do corpo. Já na forma pulmonar, mais comum em cavalos, a doença se manifesta como pneumonia crônica, tosse, epistaxe frequente e respiração dificultada.

A transmissão da doença ocorre através do contato direto com as secreções (nasal e pus dos abscessos) e excreções (urina e fezes) dos animais doentes, pois o agente pode penetrar através de via digestiva (ingestão de alimentos ou água), respiratória (inalação), genital e cutânea (por lesão).

Algumas medidas de prevenção e controle devem ser adotadas já que não existe vacina para estas doenças. Compra e venda de animais somente com exames negativos para AIE e Mormo; a não participação em eventos equestres (feiras, rodeios, cavalgadas, exposições, provas), onde não sejam exigidos os atestados negativos; a utilização de agulhas e seringas descartáveis.

E ainda: a desinfecção de equipamentos e materiais que esteve em contato com o sangue, secreções e excreções de animais contaminados; o isolamento da área e sacrifício dos animais positivos. E no caso específico da AIE, a limpeza do ambiente deve ser realizada para se evitar insetos.

Por Dra. Patrícia Bernardes Balducci
Médica Veterinária Pós-graduada em Reprodução Equina e Cirurgia e Diagnóstico Equino
Fonte: Editora Passos
Foto: Alberta Animal Health Source

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Saúde Animal

Bem-estar animal em eventos é tema de Live

Quatro personalidades do meio equestre debateram um assunto de grande importância para o segmento

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Através do canal do Youtube da Sociedade Rural do Paraná – ExpoLondrina, quatro pessoas envolvidas diretamente com o meio equestre debateram o tema ‘Bem-estar animal em eventos’.

De acordo com a assessoria de imprensa, a Live teve mediação de Ilson Romanelli, empresário, agropecuarista, conselheiro da SRP e criador de equinos. Assim como participaram José Henrique Cavicchioli, César Fabiano Vilela e Alexandre Bolfer.

O Dr. José Henrique é médico-veterinário, professor da Unopar, diretor de atividades equestres. E ainda responsável técnico da SRP. Colega de profissão, o Dr César Viella, além de médico veterinário, é perito do TJSP e TJPR. Além disso, é membro da associação de peritos judiciais de São Paulo. Bem como fundador da RodeioVet, empresa de consultoria e responsabilidade veterinária sobre a atividade esportiva. Por fim, Bolfer, também empresário, é diretor da Bolfer Eventos. Trata-se de uma empresa responsável pela realização de rodeios em várias regiões do país.

Bem-estar animal em eventos é tema de Live, e 4 personalidades do meio equestre debateram esse assunto de grande importância para o segmento

Eventos se preocupam com o bem-estar animal

Ilson Romanelli começou sua fala ressaltando que a Live tinha como principal objetivo demonstrar que os eventos se preocupam com o bem-estar dos animais. Bem como as entidades e empresas envolvidas seguem normas e a legislação vigente no que diz respeito ao assunto. O empresário e criador abordou que a Expolondrina sempre esteve pautada em boas práticas de bem-estar animal. Ademais, é um evento que recebe diversas espécies de animais a cada edição, para competição e exposição.

“Como criador, principalmente, sei que a grande preocupação dos proprietários de animais é que o ambiente de um evento seja o mais próximo possível do ambiente que disponibilizamos em nossas propriedades. Antes de mais nada, isso garante uma ótima performance aos animais. Portanto, nós criadores também temos muito interesse nas práticas e normas de bem-estar animal que os eventos executam”.

Romanelli ressaltou ainda uma ação recente da ABQM. A associação do Quarto de Milha lançou o Manual de Boas Práticas para Bovinos Participantes de Atividades Esportivas Equestres. Sobretudo, trata do que envolve o animal nos eventos e competições. Em seguida, Dr. César complementou dizendo que “este manual é único no mundo e que a ABQM buscou conhecimento técnico para aprimorar sua atividade e submeter suas práticas à fiscalização da autoridade máxima competente no Brasil, que é o MAPA”.

Bem-estar animal em eventos é tema de Live, e 4 personalidades do meio equestre debateram esse assunto de grande importância para o segmento

O conceito de bem-estar animal

Conforme comentou o Dr. César, “o bem-estar animal, enquanto ‘condição do animal’, refere-se a todas as situações que ele experimenta no ambiente onde vive. E isso incluo a convivência com os seres humanos. Essas condições experimentadas pelos animais são tidas como positivas ou negativas para sua vida”. Dessa forma, a ciência do bem-estar animal se baseia no princípio dos cinco domínios.

Portanto, a fim de avaliar as condições da qualidade de vida do animal do ponto de vista positivo e negativo, os cinco domínios usados são: nutrição, ambiente, saúde física, comportamento e saúde mental do animal. Esse último, a somatória dos outros quatro. “Essa ciência é nova, surgiu entre as décadas de 60 e 70. E desenvolve estudos relevantes ao equilíbrio dessas condições em que os animais estão expostos”, comenta o Dr. Cesar.

Acima de tudo, estuda e busca elevar o nível da positividade do cavalo no ambiente mais natural possível. Em resumo, fornece satisfação às necessidades para que o animal tenha uma vida de qualidade. “Hoje, a sociedade moderna se mostra mais exigente em relação às práticas sustentáveis. Dessa forma, o bem-estar animal se coloca como um elemento satélite. Interfere diretamente na sustentabilidade, nas questões econômicas, sociais, ecológicas e culturais”.

Regulamentação

 Em outro momento da Live, o Dr. César ressaltou sobre as regulamentações do assunto e disse que ela é bem antiga. Por exemplo, há decretos, normativas e leis da década de 30 e 40 que já previam punições para maus tratos e crueldade contra animais. Na década seguinte, apareceram diversas outras normativas e leis sobre o assunto. Mas não havia esclarecimento real a respeito de maus tratos e crueldade.

Segundo o especialista, esse fato foi algo que gerou uma série de entendimentos divergentes, ou seja, cada um interpretava a sua maneira. “A resolução 1236/2018 do CRMV nos trouxe essa informação. Portanto, configurou o que realmente é maus tratos e crueldade. Então, somente nos últimos anos é que isso é tratado da forma correta. Nos últimos anos, aliás, a evolução do tema foi gigantesca. Até cerca de cinco anos, tínhamos leis e normas que tratavam de forma geral o assunto. Enquanto hoje temos regras específicas de como deve se tratar o animal em ambiente de competições”.

A título de informação, o Dr. César levou ao debate também o cenário da pecuária. Nesse ramo de atividade, as boas práticas de bem-estar animal geram melhores resultados. Conceito que quando aplicado nos eventos e nas competições, além de preservar o direito dos animais, garante comprovadamente melhores performances.

“Posso citar estudos feitos pela USP em provas oficiais da ABQM a fim de medir o stress dos animais nas competições. Estes estudos avaliaram o comportamento do animal no evento, mensurando com a análise bioquímica, de algumas substâncias do sangue. Em conclusão, o animal desenvolve alteração fisiológica ao exercício praticado, logo voltando a condição fisiológica normal”.

Responsabilidade Técnica

O Dr. José Henrique Cavicchioli explicou que o responsável técnico de um evento cuida da parte sanitária e de bem-estar. E isso acontece desde a chegada dos animais, sua permanência no local até sua saída. Uma função extremamente importante para o bom andamento dos eventos. Assim, somente um profissional com graduação em medicina veterinária e o registro no CRMV atua como responsável técnico por um evento.

Assim como deve ser certificado em curso no órgão estadual competente. As normas são mais recentes e demonstram grande preocupação dos órgãos com todo o processo. Dr. José Henrique comentou ainda que a ExpoLondrina recebe diversas espécies de animais, desde aves e peixes, até animais de grande porte, como bovinos e equinos. Para cuidar de tudo há uma equipe de dez responsáveis técnicos.

“Cada um com sua especialidade para atender de forma correta cada espécie de animal que adentra o recinto. A entrada de qualquer animal é bem rígida, exigindo todos os exames e declarações necessários a cada espécie, além de terem que estar em condições físicas adequadas. Dentro do recinto, procuramos seguir todas as normativas e a preocupação com o bem-estar dos animais presentes é muito grande.”

Dr. José Henrique Cavicchioli  -Explicou que o responsável técnico de um evento cuida da parte sanitária e de bem-estar, desde a chegada dos animais, sua permanência no local até sua saída, sendo uma função extremamente importante para o bom andamento dos mesmos. Ele ressaltou que para ser responsável técnico por um evento o profissional além da graduação em medicina veterinária e o registro no CRMV, precisa se habilitar através de um curso no órgão estadual competente. Isto foi estabelecido com as normas mais recentes, demonstrando grande preocupação dos órgãos competentes em ter somente pessoas habilitadas a frente deste cargo.  -Ressaltou que a Expolondrina recebe diversas espécies de animais, desde aves e peixes, até animais de grande porte, como bovinos e equinos. Por isso, em cada edição do evento são cerca de 10 responsáveis técnicos, cada um com sua especialidade para atender de forma correta cada espécie de animal que adentra o recinto. “A entrada de qualquer animal é bem rígida, exigindo todos os exames e declarações necessários a cada espécie, além de terem que estar em condições físicas adequadas. Dentro do recinto, procuramos seguir todas as normativas e a preocupação com o bem-estar dos animais presentes é muito grande,”.

Evolução do bem-estar animal em rodeios nos últimos anos

Segundo Alexandre Bolfer, mesmo com as normas anteriores mais flexíveis, por organizar rodeios em grandes eventos e nas principais exposições agropecuárias, há uma preocupação com o bem-estar dos animais de rodeio. Por isso ele não teve tanta dificuldade em se adaptar as novas normas.

“Ao iniciar o planejamento de um evento, minha primeira preocupação é com a estrutura de arena e currais que iremos usar. Também faz parte do planejamento inicial o alojamento e acomodações dos animais, a quantidade de montarias, a logística que vamos ter durante a competição. Entre outras preocupações para que tudo saia conforme as exigências de bem-estar animal”, afirma o empresário.

Como organizador de rodeio, ele é responsável, por exemplo, pela contratação das boiadas e tropas que pulam no evento. Antes de tudo, sua premissa é contratar empresas que tenham compromisso com o bem-estar dos animais e que irão cumprir as normas estabelecidas durante o evento.

“Procuro contratar pelo histórico e busco acompanhar as práticas que estão fazendo em sua propriedade. A preocupação do bem-estar animal deve ser de todos os envolvidos no rodeio”. Bolfer ainda reforça que a diretoria da ExpoLondrina é bem ligado nesse assunto e dá total condição para que isso aconteça. Desde o planejamento do piso da arena, até as instalações e acomodações dos animais.

Com toda a certeza, na visão de Bolfer, houve grande evolução no tratamento dos animais de rodeio nos últimos anos. “Os proprietários estão mais conscientes. Mudaram o comportamento em relação ao passado. Melhoraram o manejo, incluíram novas técnicas. Se aproximaram mais dos animais”.

Por fim, ele falou da importância das equipes especializadas em manejo nos rodeios. “É um trabalho que colabora para o bem-estar dos animais”.

Colaboração: Abner Henrique

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Vitamina C é um antioxidante para cavalos atletas

O papel dos antioxidantes é proteger as células sadias do organismo contra a ação oxidante dos radicais livres

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Cavalos de práticas esportivas, principalmente os submetidos à exercícios intensos e de resistência, ficam mais vulneráveis ao estresse oxidativo. Dessa forma, há desequilíbrio entre o sistema oxidante e o antioxidante. Aparecem lesões musculares devido à injúria oxidativa às células musculares. Como resultado, há queda de desempenho dos animais.

Então, como a vitamina C auxilia cavalos de esporte? A vitamina C é um poderoso antioxidante. Protege o animal de danos oxidativos causados pelos radicais livres no organismo. Em especial animais de esporte como os cavalos. Sua função no organismo é regularizar a síntese óssea. Visto que estimula a formação de matriz proteica e da síntese de colágeno.

Tem função ainda na utilização de ácido fólico, vitamina B12 e outras vitaminas do complexo B, do colesterol, glicose. Além disso, a Vitamina C potencializa a absorção de ferro. Está ligada também a vitamina A, já que uma deficiência de vitamina A pode levar à de vitamina C. Assim, a vitamina C, ou ácido ascórbico, faz parte do grupo das vitaminas hidrossolúveis. Ou seja, que se dissolve em água e são metabolizadas rapidamente.

Desse modo, são excretadas e não ficam armazenadas no organismo. Por isso deve ser consumida diariamente. Por outro lado, uma alimentação inadequada gera carência dessa vitamina. Como no caso de animais de competição intensa ou em dieta pobre em energia dietética que não disponibiliza glicose suficiente para a sua  síntese em quantidades adequadas.

A deficiência de Vitamina C gera ainda queda de imunidade e falhas reprodutivas. De tal forma que ainda leva ao retardamento na cicatrização, ossos  quebradiços, artrite. E prejudica a formação óssea e a dentição.

O papel dos antioxidantes é proteger as células sadias do organismo dos cavalos contra a ação oxidante dos radicais livres

Benefícios da suplementação dos cavalos com vitamina C

  • Trabalha como potencializador da imunidade
  • Potencializa a formação da matriz óssea e de dentina dentária
  • Minimiza as lesões oxidativas
  • Auxilia as vitaminas do complexo B

Estudos demonstraram a importância da suplementação com a vitamina C em processos pós-operatórios, infecciosos, traumáticos. Assim como em processos obstrutivos respiratórios e para cavalos após exercícios ou submetidos à alta carga de atividade física. Todos os momentos onde os níveis séricos da vitamina se encontra em valores inferiores ao habitual e em cavalos atletas para reduzir os riscos de estresse oxidativo e promover saúde.

Além disso, é importante para animais idosos, submetidos à situações de estresse e em crescimento. Os equinos de alta performance requerem um aporte vitamínico suplementar, pois sofrem de estresse oxidativo em exercícios intensos e de resistência o que danificaria diferentes células.

Fonte: Tamires Lima, medicina veterinária e membro da equipe técnica e de relacionamento com os clientes da Univittá Saúde Animal
Crédito das fotos: Divulgação/Pexels

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Nutrição equina está diretamente ligada ao bem-estar animal

A nutrição adequada, sobretudo, favorece o desempenho do cavalo atleta

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Um animal vencedor é construído por um longo processo de preparação. Sem dúvida, momento que inclui muito treinamento e cuidados, especialmente com a saúde. O objetivo é desenvolver todo o potencial genético dos animais. Por isso, a nutrição equina requer cuidados especiais. Antes de mais nada, é algo que está diretamente relacionado ao desempenho muscular, prevenção de lesões e contraturas. E, acima de tudo, ao bem-estar geral do animal.

De acordo com alguns estudiosos, a suplementação ainda não é consenso no Brasil. Mas devemos lembrar que muitos conceitos nutricionais foram importados de países do hemisfério norte. E não levam em conta a realidade brasileira. Nos trópicos, os animais transpiram e eliminam minerais essenciais para o metabolismo. A suplementação corrige esta deficiência, com reflexos no desempenho e saúde do animal.

Em contrapartida, a suplementação completa de um cavalo de esporte custa, em média, R$ 80 por ano, por animal. Entre os principais nutrientes da dieta de cavalos em preparação para provas hípicas, destacam-se cobre, ferro, zinco, selênio, cobalto, manganês. E, especialmente, o cálcio. Este último favorece o metabolismo muscular e previne lesões, contraturas e desgastes ósseos.

Além disso, o cálcio também diminui a ocorrência de doenças podais (casco), atua na coagulação do sangue. Assim como no sistema nervoso e influencia o estado de estresse do animal. Para a nutrição equina, esse mineral traz, com toda a certeza, uma série de benefícios. Desde que sua biodisponibilidade seja adequada. Fontes de cálcio na forma inorgânica possuem baixa absorção. O ideal é a utilização de suplementos minerais na forma orgânica, mais facilmente assimilados pelo organismo do animal.

Nutrição equina está diretamente ligada ao bem-estar animal. A nutrição adequada, sobretudo, favorece desempenho do cavalo atleta

Benefícios da nutrição equina adequada

É certo que os benefícios da suplementação foram analisados em estudo da USP de Pirassununga/SP. A pesquisa, coordenada por Alexandre Gobesso, um dos maiores especialistas em nutrição de equinos do País, acompanhou por 90 dias dois grupos de cinco potros de dez meses de idade. Foram suplementados com fontes inorgânicas e orgânicas de minerais. O objetivo foi avaliar os efeitos dos minerais orgânicos na dieta dos animais, especialmente o cálcio quelatado.

Segundo Gobesso, os animais suplementados com cálcio quelatado apresentaram maior deposição do mineral nos ossos. A conclusão do pesquisador é que a suplementação diminui a probabilidade de distrofias ósseas. Comuns não só em animais de provas, mas também em potros em formação e em éguas em gestação e lactação. No Brasil, a carência de minerais nas pastagens pode provocar sérios problemas de saúde, capazes até mesmo de inutilizar um animal para o trabalho.

Porém, somente a suplementação da dieta não é suficiente para proporcionar saúde e bem-estar aos equinos de competição. É importante ter ainda à disposição forrageiras de boa qualidade. Como as gramíneas da família do Cynodon (Cost Cros, Tifton e Grama Estrela). Já a braquiária, gramínea comum no Brasil, costuma abrigar um fungo que pode provocar fotossensibilização. Causa, entre outros, falhas na pelagem do animal e, além disso, contém grande quantidade de ácido oxálico, dificultando a absorção de cálcio.

Do mesmo modo, é importante vermifugar a tropa. De dois em dois meses para animais a campo e de três em três meses para animais estabulados. Lembre de manter os cavalos separados dos bois. A fim de que não consumam minerais inadequados para sua constituição.

Por Dr. Antônio Augusto Coutinho, especialista em nutrição equina
Crédito das fotos: Divulgação/Pixabay

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