O Ozônio tem efeito bactericida, fungicida e de inativação viral, razão pela qual pode ser empregado em diversas possibilidades de tratamento veterinário

O Ozônio, obtido da união de três átomos de Oxigênio, é o gás que protege o planeta Terra dos raios ultravioleta emitidos pelo sol. Ele também é utilizado como agente terapêutico no tratamento de diversas patologias, através da Ozônioterapia, uma vez que seu emprego melhora a circulação sanguínea, ajuda na cicatrização de feridas, na oxidação de toxinas e no tratamento de dores crônicas, auxiliando na analgesia.

Ao reagir com os tecidos corporais, o Ozônio forma substâncias que estimulam todo o sistema antioxidante e promovem liberação de oxigênio para as células. O gás também tem efeitos analgésico e anti-inflamatório, que aceleram a cicatrização e a regeneração de lesões.

Na dor crônica, o Ozônio é utilizado com bons resultados no tratamento de hérnias de disco, inflamações crônicas, neuralgias, fibromialgia, entre outras enfermidades. Atualmente, cerca de dez mil médicos europeus utilizam esse recurso no tratamento de seus pacientes. A técnica também serve para fortalecer o sistema imunológico e resguardá-lo dos efeitos nocivos provocados pelos radicais livres.

A Ozônioterapia pode ser feita de várias maneiras, incluindo a aplicação tópica de óleos ozonizados, a insuflação de gás em regiões corporais doentes e a injeção de mistura Oxigênio-Ozônio em pontos dolorosos. O uso médico do Ozônio remonta ao século XIX, propriamente na década de 1840. Foi o químico Werner Siemens quem descobriu os efeitos do gás, quando, em 1857, construiu o primeiro tubo de indução para a destruição de microrganismos.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o médico alemão Christian Friedrich Schonbein utilizou o Ozônio no tratamento de feridas em soldados. No entanto, devido às dificuldades técnicas e com o advento dos antibióticos, Friedrich não conseguiu difundir suas descobertas, restringindo a divulgação às comunidades médicas da Alemanha e da Áustria. Somente a partir da década de 1980 é que a técnica se expandiu e chegou a outros países.

A Ozônioterapia é reconhecida pelo Ministério da Saúde de diversos países, como Alemanha e Itália. Para se ter ideia, Cuba dispõe de 39 centros clínicos de Ozônioterapia, enquanto na Rússia a prática é utilizada e está disponível em todos os hospitais públicos. No Brasil, iniciou-se em 1975 e passou a ter mais adeptos durante a década de 1980, quando começou a atrair o interesse de algumas universidades.

Efeitos da Ozônioterapia
O Ozônio tem efeito bactericida, fungicida e de inativação viral, razão pela qual pode ser empregado tanto na desinfecção de lesões infectadas, como em algumas doenças causadas por bactérias ou vírus. Seus efeitos sobre a circulação sanguínea o tornam interessante para o tratamento de distúrbios circulatórios e para a revitalização do organismo como um todo. Em baixas concentrações, pode modificar e estimular a resposta imunológica.

A terapia com o Ozônio é praticamente isenta de efeitos colaterais. Devemos lembrar que a Ozônioterapia depende de equipamento sofisticado e é preciso que se domine perfeitamente a técnica correta para que possamos obter bons resultados. Portanto, é importante o acompanhamento de médico veterinário na utilização da mesma. Em cavalos, temos sucesso na utilização em tendinites, problemas articulares em geral, cicatrizações, melhora  imunológica e ganho de performance.

Conclusão
Atualmente, temos em mãos tecnologias que nos auxiliam a melhorar o desempenho dos animais, assim como acelerar o processo de recuperação, diminuindo os gastos por parte do proprietário, fazendo com que os cavalos diminuam as recidivas de problemas crônicos. A Ozônioterapia já é uma realidade há algum tempo no Brasil e com as experiências que adquirimos neste tempo, podemos garantir que é um método que veio para ficar.

Lembramos, ainda, que a Federação Equestre Internacional está sempre empenhada em ‘limpar’ os esportes hípicos com o projeto ‘FEI clean sports’. E neste, há dedicação em coibir o doping em cavalos. Isso certamente repercutirá nas modalidades equestres, valorizando, assim, procedimentos que não são considerados doping e podem auxiliar a recuperação dos animais.

Por Dr. Hélio Itapema e Dra. Luciana Soares
Fonte: Editora Passos
Foto: Equine Health Care

 

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