O Tétano é uma enfermidade de grande importância na clínica de equinos, devido à sua elevada taxa de mortalidade, e pelo fato de o período de convalescença dos sobreviventes ser longo

O Clostridium tetani é uma bactéria gram positiva, que pode ser encontrada sob forma vegetativa ou esporulada em função das condições de tensão de oxigênio no ambiente. Pode ser isolado do conteúdo gastrointestinal dos herbívoros, sendo a contaminação fecal responsável pela propagação das bactérias no solo. As formas esporuladas do C. tetani são encontradas em maior frequência em regiões tropicais e terrenos abandonados, onde são realizadas atividades agropecuárias e podem permanecer viáveis por anos.

Equino com tétano apresentando sudorese, espasticidade, cauda em bandeira, orelhas eretas.
Foto: Hospital Veterinário de Grandes Animais FAEF- Garça/SP

As feridas, infecções do ônfalo, abscessos causados pela aplicação de injeção, infecções uterinas, feridas puntiformes nos cascos ou tecidos moles são locais propícios para a proliferação do C. tetani devido a formação de anaerobiose. Também pode ocorrer infecção bacteriana secundária, necrose tecidual, acúmulo de pus e presença de corpos estranhos. Nessas feridas, quando há condições ideais de baixa tensão de oxigênio, há a multiplicação do C. tetani e produção de três toxinas: tetanospasmina, tetanolisina e uma toxina não espasmogênica.

Animal com tétano apresentando prolapso
de terceira pálpebra. Foto: FAEF

A tetanolisina é uma hemolisina promotora de necrose tecidual local, favorecendo a multiplicação e disseminação do C. tetani.  A tetanospasmina é a toxina neurogênica, que depois de produzida, difunde-se pela circulação sanguínea até os nervos periféricos e parece agir inibindo a liberação de glicina, neurotransmissor que promove a descontração muscular, desse modo, a musculatura permanece contraída, observando-se assim a espasticidade. Existe também a produção de uma toxina não espasmogênica que causa alguns fenômenos autônomos que são resultado da hiperestimulação do sistema nervoso simpático.

Os sinais clínicos de equinos apresentando tétano são: rigidez muscular, acompanhada por tremor; trismo mandibular, prolapso da terceira pálpebra, cauda rígida e afastada do corpo, especialmente quando o animal recua ou se vira. Além dos sinais descritos há posicionamento ereto das orelhas, retração das pálpebras e dilatação das narinas, bem como por hiperestesia.

Animal com tétano apresentando posição
de “cavalete” e orelhas eretas. Foto: FAEF

O diagnóstico do Tétano é realizado com base nos sinais clínicos apresentados pelos animais. Eliminar a fonte de bactérias e toxinas do organismo animal, controlar os espasmos musculares e fornecer tratamento suporte como hidratação e nutrição são fundamentais para um tratamento eficaz. Embora o prognóstico seja considerado reservado, há variação conforme o tempo de evolução e intensidade dos sinais clínicos.

Considerando a taxa de mortalidade em equinos de até 80%, é fundamental manter um controle e profilaxia adequados, sendo o mais efetivo a imunização, feita através de vacinas. Para animais não vacinados deverá ser aplicada a primeira dose, e após 30 dias a segunda dose, o reforço deverá ser anual.

Em caso de suspeita de um animal com tétano, consulte sempre o Médico Veterinário de sua confiança! E lembre-se, que a prevenção do tétano sempre será a  melhor solução para seu plantel.

Por Fernanda Tamara Mobaid Romão
Médica Veterinária | Diretora do Hospital Veterinário da FAEF, em Garça/SP | Clínica Responsável do Haras Ysabruje, em Duartina/SP | ftnmaromao@gmail.com

Fonte: Enfermidades infecciosas dos mamíferos domésticos; Veterinária e Zootecnia; Manual of  Equine  Emergencies; Clínica Veterinária: um tratado de doenças dos bovinos, ovinos, suínos, caprinos e equinos; Equine Neurology; Tratado de medicina interna de grandes animais.

Escreva um comentário