As mudanças acontecem todos os dias e o mercado se preocupa com o crescimento ideal dos cavalos desde a fase inicial

A equideocultura tem evoluído bastante nos últimos anos em todo o mundo, em diversos setores, envolvendo principalmente a questão da inovação na reprodução, acelerando desta forma o melhoramento genético na espécie. Entretanto, no que se refere à nutrição de equinos poucos são os avanços abordando os nutrientes.

Muitos pesquisadores avaliam o desenvolvimento de diferentes raças de cavalos e concordam que os equinos alcançam cerca de 80% de sua altura final aos seis meses de idade, época em que se realiza o desmame em muitos haras, sendo que com 12 meses os potros atingem 90% da altura do animal adulto.

Segundo OTT (1979), esse desenvolvimento acelerado dos equinos, exige que os potros tenham um programa nutricional adequado para que possam desenvolver o máximo de seu potencial genético.

A nutrição dos potros tem inicio já no útero da égua. É frequente encontrarmos potros recém-nascidos que são fracos ou que apresentam alterações ortopédicas em virtude da má nutrição da mãe quando gestante. No terço final de gestação é o momento onde ocorre cerca de 70% do desenvolvimento do feto (o potro pode chegar a ganhar até 500g por dia), aumentando assim as necessidades nutricionais da égua gestante.

Para garantir que o potro esteja recebendo uma nutrição adequada nestes períodos, é fundamental que a égua seja alimentada com ração balanceada com 15% de Proteína Bruta, além de volumoso de boa qualidade fornecido à vontade. Mesmo assim, o leite materno garante a nutrição do potro somente até o segundo ou terceiro mês de vida.

A partir deste período a égua tem sua produção de leite diminuída e, ao mesmo tempo, o potro tem suas exigências aumentadas, o que significa que uma suplementação com ração balanceada deve ser realizada. O ideal é fazer o tratamento com ração comercial específica para potros, contendo em torno de 18 a 20% de Proteína Bruta e um balanço de Cálcio e Fósforo dispostos na proporção de 2:1.

Durante os três primeiros meses da lactação da égua os cuidados com sua alimentação deverão ser priorizados em relação aos dos potros, pois se ela for alimentada corretamente ira fornecer os nutrientes necessários para o desenvolvimento do potro durante essa fase de sua vida.

Recomenda-se que o potro chegue aos 5 meses de idade recebendo em torno de 0,8 a 1 % do peso vivo de ração balanceada ao dia, dividido em dois tratos, pois isto permitirá que o potro chegue à fase de desmame com um estado físico ideal para suportar o estresse.

O consumo deve ser aumentado gradativamente de forma que aos 12 meses de idade atinja 1% do peso vivo ao dia de ração. A suplementação se torna ainda mais importante pelo fato do potro não conseguir digerir eficientemente a fibra, pois não possui o ceco totalmente funcional.

O que significa que o volumoso que é consumido pelo potro não é 100% aproveitado, fazendo indispensável o fornecimento do concentrado. Independente disto é imprescindível que a pastagem esteja de boa qualidade e o sal mineral balanceado específico para equinos deve ser fornecido à vontade para o consumo dos potros. O período do desmame, que normalmente é realizado entre o quinto e sexto mês de vida do potro, é uma fase de transição muito crítica, pois a separação da mãe é sempre estressante para o animal.

Este estresse induzido pelo desmame promove um aumento na concentração plasmática do cortisol e diminui a resposta imune do potro por até 40 horas, além de diminuir o consumo alimentar, o que aumenta muito a susceptibilidade a doenças infecciosas (diarréias, pneumonias, etc.) e úlceras gástricas.

Nesta fase, o estresse acaba sendo fisiológico no animal, deixando-o muito mais vulnerável às doenças. Por isso, é fundamental que as mudanças no manejo do potro neste período sejam as menores possíveis, para diminuir ainda mais estas tendências. O desmame mais adequado é aquele em que são retiradas as éguas do lote, uma de cada vez, restando apenas os potros. Procedendo desta forma, o estresse é menor, e o potro acaba sentindo a falta da mãe apenas nos três primeiros dias.

Além disso, é recomendado iniciar o fornecimento da ração desde a fase de amamentação, e não prender os potros nesta fase em hipótese alguma, pois potros que estão acostumados a viver sempre soltos com outros potros e éguas, quando se vêem sozinhos sem a mãe e outros animais, ficam extremamente estressados, apresentando maior tendência a se machucar e desenvolver doenças. O desmame não é recomendado em cocheira mesmo quando feito em lotes, pois o estresse ocasionado sempre é maior que o realizado ao pasto.

É normal neste período que os potros percam peso e/ou estacionem em altura. Isto ocorre porque o próprio estresse promove perda de apetite e diminui a taxa de crescimento, mas logo após 20 a 30 dias inicia-se a fase de ganho de peso compensatório, em que o animal retorna seu crescimento normalmente.

O pasto verde e de qualidade é essencial neste período, mas devemos ter cautela na utilização da alfafa, onde esta é recomenda após os 10 meses de idade, pois antes disso favorece o aparecimento das DOD. O sal mineral é recomendado em torno de 30 gramas por animal por dia, e é indispensável neste período, para que o cumprimento das exigências minerais especificadas a esta categoria seja alcançado.

A taxa de crescimento a partir dos 12 meses de idade diminui consideravelmente, o que significa que a concentração dos nutrientes exigida no programa alimentar destes animais é menor, e por isso, o índice de distúrbios ortopédicos é bem mais baixo.

Os potros devem ficar em pastagens de boa qualidade, e podem também receber feno de alfafa. A ração comercial ainda precisa ser específica para potros até que os animais completem 18 meses de idade, sendo fornecida de 1,2 a 1,5% do peso vivo por dia, sendo dividido em dois ou três tratos ao dia. Caso os animais iniciem o treinamento, é importante verificar a taxa de energia fornecida pela ração.

Por Camila Furtado
Fonte: Ourofino Agronegócio
Foto: Cedida

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