A imunidade dos potros recém-nascidos é completamente dependente dos anticorpos colostrais, isso se deve ao fato da placenta da égua não permitir a passagem de anticorpos durante a gestação.

Portanto, se o potro não ingerir o colostro, além de não receber os anticorpos maternos, não receberá também rica fonte de energia, aminoácidos e minerais. Quando a égua não consegue amamentar, não produz colostro ou produz colostro com baixa quantidade de anticorpos, e os recém-nascidos ficam desprotegidos contra as principais infecções (colibacilose, salmonelose, garrotilho e rodococose) que ocorrem nesta fase de vida.

Os potros podem ter diminuição na transferência da imunidade passiva basicamente por três fatores: falha na produção de colostro, falha na ingestão e ou na absorção de anticorpos. Há uma diferença grande entre as éguas quanto a produção de colostro. É sabido que 28% das éguas produzem colostro com baixa quantia de imunoglobulinas (principalmente IgG). Um colostro para ser considerado de boa qualidade imunológica deve conter entre 3000 a 8.500 mg/dL de IgG.

Outro fator importante é o tempo de ingestão do colostro após o nascimento. Pois as pesquisas indicam que o recém-nascido deve ingerir o colostro em até seis horas após o nascimento. Portanto, os potros recém-nascidos são completamente dependentes dos anticorpos colostrais. Nos equinos a concentração de IgG predomina (65 a 90%) no colostro, contudo diminui sensivelmente a medida que a lactação progride.

Depois desse tempo o intestino perde a capacidade de absorver os anticorpos via intestinal. A explicação para que isso ocorra é que, há à substituição da expressão dos receptores FcRn para imunoglobulinas na membrana das células epiteliais intestinais. A absorção de anticorpos via colostro cai a níveis muitos baixos após 24 horas do nascimento.

O pico dos níveis de imunoglobulinas no sangue é alcançado normalmente entre 12 a 24 horas após o nascimento. Após este período, as imunoglobulinas séricas diminuem gradativamente decorrentes aos processos metabólicos normais. Potros devem possuir pelo menos 800mg/dL de IgG no soro sanguíneo após 24 horas da ingestão do colostro para obterem proteção

imunológica adequada. Se os níveis séricos de IgG não atingem 400 mg/dL, certamente os potros terão infecções severas, principalmente as pneumonias provocadas por Streptococcus equi (bactéria causadora do garrotilho) e as causadas pelo Rodococcus equi (causadora da rodococcose).

Hiperimune em Potros

 

O plasma é constituído por anticorpos, proteínas, fatores do complemento, fatores da cascata de coagulação, fatores de crescimento, aminoácidos, minerais e água. Por todos esses fatores relatados, um banco de plasma hiperimune se faz necessário dentro do haras, com a finalidade de repor anticorpos ao recém-nascido, no fornecimento de proteínas ou quando houver necessidade de fatores da cascata de coagulação.

As pesquisas com o fornecimento de plasma hiperimune para potros recém-nascidos

nos EUA, Europa e no Brasil tem demonstrado que há uma grande redução na ocorrência de diarreias e pneumonias nos haras. No Brasil uma empresa trouxe a mais moderna tecnologia mundial em plasmaférese automatizada, técnica que permite a colheita de plasma sem contaminação por hemácias e leucócitos. Os doadores são imunizados contra Rodococcus equi, Streptococcus equi, Salmonela spp, Escherichia coli e Herpes Virus equino do tipo 1.

A indicação para uso é em potros que não ingeriram o colostro, animais em trânsito com histórico desconhecido ou não adequado de vacinação, para animais com choque endotoxêmico (principalmente associado a cólica), em animais com diarreia, e quando da introdução de animais em propriedades com casos do rodococcose, garrotilho, salmonelose e aborto viral.

Foto plasma

E para dar certo o tratamento há algumas instruções de cada caso a ser seguido, sendo que:

– Recomenda-se o uso de 20ml/Kg de peso vivo de 24 horas a 6 dias após o nascimento. Sendo necessário 1 litro de plasma hiperimune para um potro de 50 quilos.

– Equinos com diarreia e endotoxemia recomenda-se a dosagem de 40ml/Kg de peso vivo.

– Equinos que irão ser transportados, ou sujeitos a aglomerações recomenda-se administrar 20ml/Kg de peso vivo.

Deve ser administrado por via intravenosa com auxílio de equipo com filtro. Deve-se começar a aplicação lentamente, e depois de alguns minutos, deve-se aumentar gradativamente o volume a ser transfundido, sendo necessário 30 minutos para a completa aplicação. Em toda a administração, o potro deve ser monitorado para sinais de reações adversas.

O material é congelado e para o uso o preciso seguir um processo de descongelamento, que deve ser feito exclusivamente em banho-maria, ou em pia com água morna com temperatura entre 37 a 39ºC, tomando o cuidado de movimentar a bolsa várias vezes durante o descongelamento para evitar a formação de pequena quantia de fibrina. O plasma deve ser usado imediatamente após o descongelamento.

Vale ressaltar que o uso do plasma hiperimune é mais uma ferramenta a ser usada para corrigir uma possível falha na transferência da imunidade passiva dos potros recém-nascidos. Contudo, é indispensável que o manejo profilático das principais doenças que acometem os potinhos seja executado com maestria.

Por Prof. Dr. Osimar de Carvalho Sanches , Médico Veterinário Patologista Imunohorse | (18) 99726-2179

Foto : Cedida

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