Aproveitando o ano novo, sugiro uma reflexão sobre a vida que proporcionamos aos nossos cavalos.

O que realmente é valor para um cavalo? Para responder, acho uma boa ideia dividirmos nossos pensamentos em duas partes: as “coisas dos Cavalos” e as “coisas dos Homens”.

Temos como “coisas de Cavalos”: um bom capim, algumas boas horas de piquete, companhia de outros cavalos (mesmo que visual), uma vida regrada com horários e rotinas, comida suficiente para que ele tenha energia (ou seja, nem muito, nem pouco), sentir-se de alguém efetivamente, e não perifericamente, equipamentos limpos, entre outras coisas.

Temos como “coisas dos Homens”, entre outras coisas, na grande maioria dos casos: um pavilhão de cocheiras bonito, muita comida (da melhor qualidade que o dinheiro possa comprar), pêlos finos e brilhantes (portanto, com poucas horas ao sol e shampoos de marca), cavalos sempre extremamente limpos, uma sela de marca famosa, montar nos horários onde todos estão montando, etc. Sem julgar certo ou errado, penso que devemos analisar sobre o que realmente é valor para um cavalo quando proporcionamos a ele um modo de vida. Será que um cavalo preza mais uma sela de marca ou uma sela que não o machuque? Da mesma forma, um cavalo sabe a marca da bala, chocolate ou quitute que seu proprietário oferece? Será que chocolate faz bem aos cavalos?  Será que se tivermos um piquete com uma cocheira aberta, o cavalo ficaria dentro desta cocheira permanentemente?

Obviamente que todos nós temos nossos gostos, preferências e cuidados com nossos cavalos. Dou cenouras, balas, protejo meus cavalos da chuva, gosto de dar um bom banho com um bom shampoo. Mas, sempre que quero fazer estas coisas, primeiro penso do lado do cavalo. Ao dar uma bala, não deixo meu cavalo viciar na bala e a querer a todos os momentos. Não deixo de dar um banho com sabão se o shampoo acabou ou não tenho a marca que gosto. Solto meu cavalo no sol, na chuva, sempre ponderando os riscos de uma gripe, de um piso escorregadio, de um piquete seguro ou não. Gosto, por exemplo, de soltar o cavalo logo após o trabalho, sem mesmo dar um banho. Ele rola no pasto, dá uns galopes, come um bom capim, e, antes de o tempo esfriar, aí sim dou um banho para tirar suor, sujeira, barro, etc.

Após o banho, deixo-o secar na sombra, em um local protegido do vento. Sem deixar que as “coisas dos Homens” avancem o sinal, acho uma fruta ou um torrão para ele, somente para agradar e agradecer pelo trabalho. Considerando então as “coisas dos cavalos”, espero mais um tempo, levo-o para sua confortável cocheira (coisas dos Homens…) e dou no máximo 1 kg de ração, já que ele vai passar a noite parado, sem muito movimento. Oriento o vigia a dar um feno ao longo da noite, e logo de manhã começamos mais um dia, onde ele ou vai trabalhar ou vai ser solto em um bom piquete. São as coisas dos Homens e as coisas dos cavalos, misturando-se para que tenhamos o melhor relacionamento e os melhores resultados com nossos cavalos… e eles conosco…

Por: Aluisio Marins
Foto: Cedida

 

 

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