Nos cursos que ministramos pelo Brasil temos contato com muita gente.

Gente com muita experiência, com experiência nenhuma, gente que tem o cavalo como hobby, que depende do cavalo para sua sobrevivência. Gente simples e gente sofisticada. Gente que sabe muito, gente que sabe nada. Assim, cada curso tem sua história, seus detalhes, suas particularidades, mesmo quando do mesmo tema ou assunto. Gostamos muito quando vamos longe para um curso. Conhecemos gente nova, trocamos ideias e, principalmente, aprendemos muito.

Muitas vezes vamos a locais muito distantes de Sorocaba, locais estes que podem ser considerados carentes de informação sobre cavalos. Locais simples, onde damos opiniões e ideias sobre um único cavalo de um participante, vamos aos sítios e fazendas no grande interior, para que possamos ver um potro, um garanhão, uma égua. Quando estou nestes lugares me lembro dos cavalos e das pessoas com quem convivo em São Paulo, da minha casa, dos meus cavalos, dos locais que dou aulas e de toda a ‘sofisticação’ que os cavalos de esporte de minha região recebem.

Esteiras, caneleiras especiais, ferraduras moldadas e todo o aparato que cercam os cavalos. Percebo e realizo nestes momentos, quão grande é o nosso Brasil, e quão grande é a paixão que todos temos pelos cavalos. Me pego pensando no caminho que fiz para chegar a uma fazenda no interior de um estado muito longe de Sorocaba, e penso que os cavalos me fizeram chegar até ali, conhecer mais um potro, conhecer mais uma família, mais uma pessoa que quer trocar informação sobre estes animais.

Quando volto e retomo a vida agitada de treinos, aulas nas grandes hípicas e centros de treinamento, me vem na cabeça aquele simples lugar em que eu estava há dois ou três dias, aquelas pessoas, aquela simples estrutura de vida de mais um grupo de cavalos. E obviamente que nesta hora todas as comparações me vêem à cabeça.

É claro o fato de que nos grandes centros do cavalo o volume de informação sobre estes animais é muito maior. É também claro a todos que quanto mais vamos ao interior do Brasil, menos cavalos de esporte, por exemplo, vamos encontrar. O calendário esportivo de nível nacional e internacional concentra sua grande maioria de provas em poucos estados. Mas, isto não significa que nestes outros locais não haja cavalos, e, melhor, não haja pessoas querendo informação sobre cavalos.

Mas, o artigo que escrevo aqui não tem somente a intenção de mostrar a grandeza do ‘Brasil dos cavalos’. Existe, em minha opinião, outro grande fator que faz a diferença nisso tudo: se tocarmos no delicado assunto ‘ignorância sobre cavalos’, pergunto a você o que é pior, ou melhor – a ‘ignorância’ de quem nada sabe ou a ‘ignorância’ de quem pensa que sabe, mas na verdade nada sabe?

Quantas são as pessoas e os lugares que conheço onde se tem muito em termos de localização, belos cavalos, estruturas impecáveis, perto dos grandes centros, e principalmente dinheiro para investir, e onde as pessoas nada sabem sobre cavalos, nada sabem sobre as coisas de cavalos. Preocupam-se com as aparências, as marcas, as opiniões e os comentários, e esquecem que os cavalos sãos muito mais simples do que tudo isso…

Conheço treinadores que soltam os cavalos um vez por semana. Isto porque, segundo o cavaleiro, conhecido na Capital pelo esporte em que atua, mesmo com os piquetes disponíveis, cavalo de esporte não pode ficar solto para não ficar sem energia. De que adianta a estrutura, os equipamentos, o dinheiro, se nada se sabe sobre cavalos! Quanta ignorância… O que dizer a um treinador como este sobre saúde mental, comportamento e outros aspectos? Não são poucos os proprietários que acham o preto mais bonito que o baio, sendo que os dois são péssimos cavalos para os fins a que se destinam… Não são poucos os ‘donos de haras’ que iniciam suas criações comprando o garanhão, mesmo antes de formar a pastagem do haras…

Não são poucos os proprietários de cavalos que se negam a pagar as contas no final do mês, alegando que seu cavalo estava bem e que o tal exame de AIE não era necessário e que o picador não precisaria trabalhar naquele mês porque ele (dono) não veio montar… Não são poucos os haras onde o pátio, a pista, a sede e os caminhos são impecáveis, mas as cocheiras são nojentas e podres, e quem realmente manda são os tratadores… São muitos os locais onde os cavalos apanham todos os dias, com o tratador que tem medo entrando na cocheira dando tapas na cara do cavalo, onde cavalos dormem suados e sujos, pois o horário dos funcionários venceu.

Não sou eu o dono das verdades, muito menos o que tem a pretensão de consertar todos os locais de cavalos do Brasil. Quero apenas sugerir e estimular que pensemos sobre tudo isto. Você que tem dinheiro para ter cavalos, para comprar esta revista, para ir às provas, que pense sobre estas coisas. Temos a obrigação de analisarmos nossos métodos e sistemas de trabalho, nossos conceitos e ideias, nossas convicções e pensamentos. Devemos ter a cabeça aberta às novas coisas, assim como os ‘ignorantes’ lá do interior deste imenso país. Pessoas que sabem pouco, mas que muito querem saber. Gente que quer melhorar aprendendo e não apenas falando.

É obvio o fato de que dentro disto tudo que citei, existem as exceções, as pessoas corretas e as que não dão bola para a futilidade das outras, mas insisto que devemos todos pensar sobre tudo isto sempre. Erramos muito com os cavalos, aprendemos muito com eles, mas não podemos simplesmente passar a vida achando que sabemos mais do que sabemos. Os cavalos são animais simples, descomplicados e principalmente honestos. Coisas cada vez mais escassas de serem encontradas nos Seres Humanos…

Por Aluisio Marins, MV
Foto: Gerson Verga

1 Comentário

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