No primeiro artigo falamos da qualidade do pasto que será ofertada aos animais durante o inverno, clique aqui

Como continuação, vamos falar agora do gargalo que se instala na pecuária nesse difícil período de seca, que se torna um tanto quanto crítico, referente a qualidade nutricional dos alimentos que os animais têm à disposição, principalmente quando se fala em pastagem. Ocorre então um decréscimo extremamente alto nos níveis proteicos das forragens em até 50 por cento. Já a oscilação nos níveis energéticos, ficam em torno de 15 a 20 por cento e nos níveis minerais esse decréscimo chega até 80 por cento.

Com o decréscimo destes nutrientes nas forragens, principalmente nos valores proteicos no período de seca, a atividade da microbiota ruminal fica comprometida, pois na maioria das situações, os níveis proteicos da dieta encontram-se abaixo de 7%, quantidade mínima para que ainda ocorra uma fermentação eficiente de forragem. Além da queda do valor nutricional, existe também uma maior dificuldade de digestão desses alimentos por parte dos bovinos.

Temos um aumento da parte estrutural da planta, principalmente no teor de lignina, que é um nutriente indigerível para o bovino, dificultando ainda mais o acesso da microbiota aos nutrientes em si.

Com isso, aumenta também o tempo de passagem do alimento pelo rúmen. O animal vai comer menos, o que irá se refletir no seu desempenho, com a perda de peso. A utilização de proteína e energia nessa época do ano é extremamente importante, principalmente a proteína para que este nutriente ofertado equilibre os níveis mínimos de proteína disponibilizada para a microbiota e melhore a sua multiplicação e o povoamento ruminal.

Aumentado esses microrganismos dentro do rúmen e sua atividade, logicamente ocorrerá uma ação muito melhor frente ao processo de degradação do alimento. Consumir mais forragem e nutrientes, trará grande vantagem para o bovino em si, já que esse animal vai manter o peso e com possibilidade de apresentar ganho.

Suplemento Ureado X Suplemento Proteinado?

Você sabe a diferença do suplemento mineral ureado e suplemento mineral proteinado? Esses produtos levam em sua formulação todos os minerais essenciais, além de fontes de proteína, que podem ser de origem verdadeira, como o farelo de soja, e de origem não verdadeira, como a ureia. O tempo de degradação do nitrogênio na proteína não verdadeira é muito rápido. Se não tivermos carboidrato de rápida liberação, ocorrerá perda de nitrogênio.

A associação de uma degradação rápida da ureia com a degradação um pouco mais lenta do farelo e a degradação mais lenta do capim, vai dar tempos diferentes de liberação de nutrientes. É muito importante para que a microbiota aproveite todos esses nutrientes, ocorrendo assim, maior multiplicação, maior atividade e maior degradação.

Quando se trata de suplementos minerais ureados (suplemento mineral + ureia), se comparado somente a utilização de suplemento mineral de linha branca, ou seja, só com minerais, é possível fornecer complementação de proteína não verdadeira para a microbiota.

Mas, para que se consiga um bom resultado com a utilização de suplementos minerais ureados, é extremamente importante que a oferta de forragem disponível aos animais esteja extremamente seca, uma vez que a ureia é amarga e pode haver diminuição do consumo do suplemento, caso esta forragem ainda não se encontre tão seca.

Já o benefício de utilizar o suplemento mineral proteico, que além da ureia tem em sua composição fontes proteína verdadeira, é uma maior resposta e desempenho dos animais nesse período crítico. Para conseguir um bom desempenho, ou seja, manutenção de condição corporal e até ganhos, é indispensável que a oferta de forragem em quantidade atenda às necessidades dos animais.

Com a suplementação de minerais, proteína e energia, o pecuarista terá maiores possibilidades e benefícios, e influenciará no resultado final do negócio.

Por Marco Antônio Finardi, médico veterinário do Grupo Matsuda
Colaboração: Taxi Blue Comunicação Estratégica
Foto: Grupo Matsuda

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