Queijo do Marajó Fazenda São Victor é premiado no maior concurso de queijos do Brasil

Queijaria São Victor conquista quatro premiações no VIII Prêmio Queijo Brasil e reforça o papel da produção artesanal no Pará

A Fazenda São Victor, localizada na Ilha do Marajó (PA), foi reconhecida com quatro premiações no VIII Prêmio Queijo Brasil, realizado entre os dias 10 e 13 de julho, no Parque Vila Germânica, em Blumenau (SC). O evento reuniu mais de 2.200 produtos derivados do leite de diferentes regiões do país, consolidando-se como o maior concurso de queijos artesanais do Brasil.

Nesta edição, a propriedade marajoara recebeu duas Medalhas de Ouro — uma pelo tradicional Queijo do Marajó e outra pelo Doce de Leite de Búfala —, além de uma Medalha de Prata pela Manteiga de Búfala. A queijaria também foi agraciada com o título de Melhor Queijaria do Pará, reafirmando sua atuação dentro da cadeia produtiva de laticínios artesanais da região.

As premiações mais recentes se somam ao histórico de reconhecimento da Fazenda São Victor no Prêmio Queijo Brasil, que já inclui Super Ouro em 2018, Ouro em 2019 e 2023, além de Prata em 2024, sempre com o Queijo do Marajó como destaque. Fundada há mais de duas décadas pelo casal Marcus e Cecília Pinheiro, a propriedade integra a cadeia da bubalinocultura no Pará, com foco na produção artesanal e contínuo aperfeiçoamento do Queijo do Marajó.

Em entrevista, os produtores destacaram a importância da premiação. “O Brasil está se mostrando espetacular com os queijos artesanais, tradicionais, autorais. Ficamos orgulhosos de fazer parte disso, de produzir um queijo que é reconhecido no país”, afirmaram Marcus e Cecília.

Queijo de  marajó
Queijo do Marajó Fazenda São Victor.

Reconhecimento nacional impulsiona cadeia produtiva no Marajó

Segundo os produtores, o reconhecimento obtido em concursos como o Prêmio Queijo Brasil tem gerado efeitos diretos e duradouros na realidade produtiva da Ilha do Marajó. Entre os impactos observados estão a valorização do trabalhador rural, o fortalecimento da cadeia leiteira local, o estímulo ao turismo e o reposicionamento do Marajó como território produtor de alimentos artesanais com identidade própria. A visibilidade nacional também contribui para consolidar o queijo do Marajó como um produto de valor no mercado brasileiro.

Os produtores destacam ainda que a ampliação da demanda tem permitido o aumento da produção e investimentos no melhoramento genético do rebanho de búfalas, criado a pasto e com base em capins nativos. “O impacto vai além da nossa fazenda. Essas premiações são de toda a cadeia produtiva, da região, do estado. Elas ajudam a mostrar o valor do trabalho feito aqui”, afirmam.

Apesar de o doce de leite e a manteiga premiados ainda não estarem disponíveis para venda, o reconhecimento nacional deve acelerar o processo de certificação dos produtos, etapa necessária para a comercialização formal. “A gente sempre produziu para consumo próprio. Agora que ganharam medalhas, vamos solicitar a certificação para poder comercializar”, explica Cecília. Segundo o casal, essa nova etapa deve ampliar ainda mais os efeitos positivos na região, com geração de renda, diversificação da produção e estímulo a outros produtores locais.

Tradição na produção do Queijo do Marajó

A produção de queijo na Ilha do Marajó possui raízes históricas que remontam à colonização da região. “Nossa região produz há muito tempo. Acredito que começou ainda na época da colonização, porque ficávamos longe dos grandes centros, então era necessário produzir o próprio alimento”, explicam Marcus e Cecília Pinheiro. “Hoje, nosso produto também representa o trabalho dos nossos antepassados. Trabalhamos para continuar essa atividade que não começou conosco, mas à qual damos continuidade.”

Atualmente, a Fazenda São Victor mantém um rebanho de búfalas criadas a pasto e em vegetações nativas da ilha, com foco na produção artesanal que preserva a identidade territorial e os métodos tradicionais. “Sempre tivemos um amor enorme pela região e optamos por trabalhar no campo. Estamos há mais de duas décadas dedicados ao avanço da cadeia da bubalinocultura paraense, investindo no melhoramento genético das búfalas e na diversificação da produção para aumentar o rendimento, especialmente com o queijo artesanal e tradicional do Marajó”, acrescentam. Apesar dos desafios diários — agravados pela distância e pelas condições locais —, os produtores destacam o orgulho pelo reconhecimento obtido. “Não é fácil, são inúmeros obstáculos, mas estamos muito orgulhosos do reconhecimento que estamos tendo”, finalizam.

Por : Redação

Foto : Divulgação