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Verminose traz transtornos aos animais e prejuízo financeiro aos criadores

Enfermidade apresenta elevado nível de morbidade e a vermifugação é um manejo essencial, pois a verminose afeta a saúde e o desempenho dos equinos

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Verminose

Um dos principais inimigos dos equinos são as verminoses, que provocam grande transtorno e prejuízos. De acordo com a médica veterinária e analista técnica de marketing de grandes animais da Syntec do Brasil, Beatriz Ferreira, a vermifugação é um manejo essencial para todos os animais. “As doenças parasitárias são graves, pois afetam a saúde e o desempenho dos equinos. É preciso ter atenção constante e utilizar soluções eficazes”, afirma.

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o mercado de equinos movimenta cerca R$ 16,5 bilhões por ano no Brasil e parte desse valor refere-se a gastos com a saúde dos animais.

E de acordo com a FAO e o IBGE, o Brasil possui cerca de 10% do plantel mundial de equinos, estimado em 5,9 milhões de animais. “A maior parte desses cavalos é utilizado na lida diária, no esporte e no lazer. Diante da importância da atividade, é necessário cuidado à saúde para que os animais não sejam acometidos por ecto e endoparasitas, principalmente, as verminoses”, destaca Ferreira. 

Ela explica que as verminoses apresentam elevado nível de morbidade. A letalidade, no entanto, é considerada baixa. “O diagnóstico visual da enfermidade é difícil, pois o problema se apresenta mais sob a forma subclínica. Em casos mais graves, quando não há controle efetivo da doença, os equinos apresentam emagrecimento, pelos secos e arrepiados, anemia, fraqueza e perda de apetite. Nessas circunstâncias, podem adquirir outras enfermidades, ficarem ainda mais debilitados e até virem a óbito.  No entanto, se percebidas e tratadas rápida e corretamente, as verminoses podem ser controladas e curadas sem grandes prejuízos”, conta a especialista. 

Verminose traz prejuízos financeiros

Segundo a veterinária, devido, principalmente, ao afastamento do animal de suas atividades normais, as verminoses interferem diretamente no resultado financeiro dos criadores.  “Os principais prejuízos econômicos atribuídos aos parasitas internos estão relacionados à redução do desempenho dos animais, que precisam ficar afastados de suas atividades até que estejam saudáveis. Obviamente que isso gera grande impacto, principalmente, para os equinos da lida e dos esportes”. 

Mais informações: www.syntec.com.br

Por: Assessoria de imprensa

Fotos: Divulgação

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O que é conectar com os cavalos?

Alessandra Arriada é médica veterinária e terapeuta com cavalos, e neste artigo explica sobre a importância de sabermos nos conectar com os cavalos, mudando nossa forma de olhar para eles

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Os cavalos nos ensinaram muito, nos acompanham por muito tempo, em guerras, esportes, lazer e acredito ser muito deles os louros de tanto desenvolvimento e conquistas…

E por todo esse tempo nós os UTILIZAMOS, de uma maneira deliberada ou seja, os observávamos e sentíamos não como parte do trabalho ou parte de nossas vidas, mas sim como um transporte, ferramenta ou utilitário.

O nosso olhar antigo sobre a maioria das outras espécies sempre foi especista ou seja, o ser humano sobre todas as outras coisas. Mas vamos nos modificando, aprendendo, evoluindo e nos percebendo apenas como parte de um todo, não mais nem menos importante, mas apenas parte, existindo junto e precisando um do outro.

O meu aprender com os cavalos começou cedo, nasci e cresci em meio a eles e os observava como parte da minha vida, com curiosidade, com amor, os tendo como iguais.

O campo por vezes pode ser solitário para uma menina, chorava com eles minhas angústias e me divertia os tentando montar ou imitar. Quando cresci, vivíamos na cidade, então cursei Medicina Veterinária para outra vez me dedicar a eles.

Quando meu pai se foi, minha vida tomou caminhos de descobertas e viagens e estive longe, para, vinte anos depois, voltar a viver no mesmo campo, na mesma terra, com os mesmos cavalos. O meu conectar com eles me conecta a vida. O sentir deles diz muito sobre mim.

Entender como um olhar pode expressar dor, sem dizer uma palavra. Sobre como uma presença, ao estares enfermo, pode ser importante, zelando, cuidando ali teu sono, tua sede, tua comida.

Observando os cavalos

Por longas horas de solitude nesta vinda para morar sozinha no rancho, eu os observava. Olhava o movimentar das éguas em direção ao vento ou chuva e as brincadeiras com os cavalos das pastagens lindeiras.

Com isso, aprendi como para os cavalos era importante a liberdade e como seus focinhos se tocavam ao dar mordiscadas suaves e como aquilo queria dizer curiosidade e amor. Vivendo dessa forma, entregue a oportunidade de longas e longas horas caminhando e tocando seus dorsos, acomodando suas crinas e rindo de suas peraltices, assim como curando suas enfermidades, entendendo suas formas tão distintas de se comunicarem ou de sentirem as coisas, pude finalmente entender o conectar.

O conectar se trata, de certa forma, disso. Olhar para o outro com as suas percepções, não com as nossas. O desenvolver desse olhar permite que tenhamos empatia e possamos entender melhor as necessidades, os pensamentos e mesmos as ansiedades do outro. Quando eu olho para o meu cavalo e não entendo como ele se comporta ou como precisa se desenvolver ou viver, se eu o faço com o meu olhar e meu sentir, eu desprezo o seu bem-estar, desprezo como se sente e nosso convívio não será feliz para ambos.

Quando se fala em entender o cavalo, muito se pensa em: como posso obter um melhor rendimento ou melhor trabalho com ele? Como ele pode me servir melhor? Como ele pode engordar para parecer mais bonito para mim? Ou mais manso? Ou mais cômodo no sentar? Ou mais rápido? Mas, para mim me parece egóico que seja sempre sobre termos vantagens ou controle ou mesmo ganhos com um animal como o cavalo.

Os centauros entendiam a sabedoria e a sensibilidade desses animais, capazes de nos darem lealdade, amor e asas para voar. Sua rapidez, elegância, perspicácia, sua capacidade de prever, por sua pineal desenvolvida, ou mesmo antever perigos e dissabores e ainda sua disponibilidade para nos ensinar, nos servir e nos acompanhar.

Me parece muito mais inteligente nosso conectar sincero, disposto e disponível. Um trabalho de estudar, estar entre eles e principalmente, um trabalho de se conhecer primeiro. Um trabalho de enfrentar momentos de medos e inseguranças para conseguir estar perto de um animal de tanto tamanho e maestria.

O cavalo, dentro do picadeiro, nos ensina a ter calma, a entender nosso corpo, a entender nossa voz, que não deve ser alta e nem violenta. O cavalo nos responde nos entregando tudo, se formos inteligentes e bondosos. Mas, se por acaso, deixamos nossa necessidade de defesa através da insegurança de nos percebermos pequenos e infantis falar mais alto, eles teimam, esperneiam e lutam com bravura e coragem, não aceitando facilmente submissão e subserviência.

O caminho da dor violenta pode ser mais curto, mas o conectar é pra sempre. Uma vez estabelecida a confiança, ela não quebra. Os cavalos tem a eternidade de nossos sentimentos e olhares em seu peito, de maneira inquebrantável, tenho certeza disto…Que possamos estar dispostos a esta nova forma de viver o cavalo, e que essa consciência nos permita uma nova maneira de nos conectarmos uns aos outros.

Por: Alessandra Arriada

Médica Veterinária Médica Veterinária e Terapeuta com Cavalos. Formada pela Universidade Federal de Pelotas, com Doutorado em Ciências Ambientais e Mestrado em Engenharia. Mora no extremo sul do Brasil onde se dedica ao desenvolvimento de pessoas com cavalos, ensinando o comportamento e a linguagem desses animais para um convívio e trabalho feliz para ambos. Ministrou cursos no Uruguai, Argentina e Brasil.

Mais informações: @Alearriada

Fotos: Divulgação

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Botupharma

Vem aí o maior congresso para veterinários de equinos do Brasil

Trata-se da XXII Conferência Anual de médicos veterinários, promovida pela ABRAVEQ, que terá a Botupharma Biotecnologia Animal como patrocinadora

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veterinários

O Centro de Convenções Expo Dom Pedro, em Campinas (SP), será palco, de 1º a 3 de julho, do maior congresso para veterinários de equinos do Brasil: a XXI Conferência Anual, promovida pela Associação Brasileira dos Médicos Veterinários de Equídeos (ABRAVEQ). O evento contará com uma variedade de palestras, sobre especialidades equinas, como reprodução, bem-estar animal, clínica, cirúrgica e fisioterapia.

Em 2021, por conta da pandemia de Covid-19, o evento foi realizado totalmente on-line, sendo retomado agora em formato presencial. A conferência, que se consolidou como o principal fórum científico de equídeos da América Latina, abordará os principais temas que norteiam a Medicina e Biotecnologia para esses animais.

Daniel Pasquini, diretor de vendas da Botupharma Biotecnologia Animal – empresa patrocinadora da XXII Conferência Anual ABRAVEQ -, garante que a participação no evento é de extrema importância para todos os profissionais médicos veterinários, que atuam com equinos, não importando a especialização.

“Eventos abrangentes como esse da ABRAVEQ são de extrema importância para meio em geral, contribuindo com muito conhecimento para os profissionais da medicina veterinária. Como empresa é um espaço importante para apresentarmos os nossos produtos como um todo para um público veterinário, voltado para o mercado de cavalo”, finaliza o diretor da Botupharma.

Como se inscrever no Congresso de médicos veterinários da ABRAVEQ?

Os médicos veterinários interessados em participar do evento devem se inscrever pelo site: www.abraveq.com.br. Lá também é possível conferir a programação completa da XXII Conferência Anual ABRAVEQ.

Serviço

XXII Conferência Anual ABRAVEQ
Data: 1º a 3 de julho
Local: Centro de Convenções Expo Dom Pedro
Cidade: Campinas (SP)

Por: Equipe Cavalus Comunicação

Fotos: Freepik

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Boas práticas na Sanidade dos Equinos

A imunização e a vermifugação dos equinos é extremamente importante para proteção dos animais contra as principais doenças ocasionadas por vírus e bactérias que impactam o bem-estar e qualidade de vida dos animais

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Equinos

Uma boa saúde é essencial para que os equinos campeões consigam alcançar o patamar de excelência em cada uma de suas conquistas. O estresse físico ocasionado pelo deslocamento, provas, alterações no ambiente e até mesmo contato com outros animais pode abalar a imunidade dos equinos atletas e deixá-los susceptíveis à agentes infectocontagiosos comuns ao meio equestre.

Apesar de não existir um protocolo com padronização nacional e internacional para as condutas de imunização e vermifugação de equinos, o senso comum aplicado ao protocolo vacinal visa a necessidade de proteção dos animais contra as principais doenças ocasionadas por vírus e bactérias, especialmente nos animais que participam de provas ou feiras.

Principais enfermidades dos equinos

Doenças do aparelho respiratório dos equinos são limitantes e tem efeitos em performance tanto quanto as afecções do sistema locomotor, por isso a vacinação contra a adenite equina (garrotilho) deve fazer parte das boas práticas de sanidade equina. A doença é uma bacteriose de alta morbidade que acomete animais de todas as idades e exige um isolamento de, ao menos, quatro semanas para total recuperação e extinguir chances de transmissão para os outros animais do plantel. A vacinação é essencial para evitar ou reduzir os prejuízos causados pela perda de desempenho, tratamentos e mão de obra, além de melhorar a saúde do rebanho a longo prazo.

A influenza equina é a principal afecção responsável por surtos respiratórios no mundo todo, especialmente entre animais jovens. A doença, causada pelo Vírus da Influenza Equina (EIV) é de notificação obrigatória, e é transmitida pelo contato direto com secreção de outros animais contaminados, apresentando um período curto de incubação, sinais clínicos que podem variar de leves à severos, com uma média de recuperação de até três semanas. A vacinação contra a doença é requisito obrigatório no passaporte de animais que participam de provas da FEI (Federação Equestre Internacional).

Já a Encefalomielite Viral Equina é uma zoonose de alta letalidade que acomete o sistema nervoso central e pode ser causada por três diferentes vírus: Vírus da Encefalite Venezuelana (VEEV), Vírus da Encefalite Equina do Leste (EEEV) e Vírus da Encefalite Equina do Oeste (WEEV). Sua ocorrência é maior nas épocas quentes do ano que tenham alta umidade do ar, sendo vetores biológicos, principalmente Culex sp e Aedes sp, os agentes responsáveis por sua disseminação. Com as condições climáticas de todo o território brasileiro sendo favorável para a disseminação da doença, a vacinação anual é a medida mais eficaz para seu controle e prevenção.

Outra zoonose importante, de ocorrência global, e com letalidade de 100% é a Raiva, doença causada por um Lyssavirus e que, apesar de ser pouco comum nos equinos, é uma doença de notificação compulsória imediata e faz parte do diagnóstico diferencial para outras doenças neurológicas agudas.  A vacinação contra o vírus da raiva deve ser realizada desde a primeira infância do potro, com doses anuais de reforço.

Embora não seja transmissível, o tétano tem a sua importância por ser de ocorrência mundial e afetar diversas espécies, tendo os equinos os mais frequentemente acometidos. Causada pela neurotoxina produzida pelo Clostridium tetani, é uma doença infecciosa grave e altamente letal (<70%). A forma mais apropriada para a sua prevenção é a vacinação com toxóide tetânico, sendo importante também manter os cuidados ambientais evitando metais enferrujados em locais frequentados pelos animais e um manejo adequado de feridas perfuro-cortantes.

A sanidade animal engloba também infestações que apresentam pouco ou nenhuma manifestação clínica, como é o caso de infestações parasitárias, favorecidas pelo clima tropical nacional e a exposição dos equinos ao pasto, seja pelo ano inteiro ou por um período específico. As infestações parasitárias intestinais resultam em queda de performance, alterações na pelagem, hiporexia, retardo no crescimento, anemia e até mesmo episódios de cólica.

Para um combate eficiente contra os parasitas intestinais, a vermifugação periódica dos equinos com anti-helmínticos a base de ivermectina ou associação de ivermectina e praziquantel é indicada. Por não possuir restrições, ambos os tipos podem ser administrados em potros, garanhões, éguas e éguas prenhes, prevenindo as perdas causadas pelas verminoses e promovendo mais estabilidade em saúde e desempenho do equino.

Equinos atletas ou que participam de feiras devem ser vacinados seguindo as exigências da organização do evento, levando sempre em consideração os locais de origem e destino, seguindo as normas sanitárias vigentes. 

A prevenção contra doenças infectocontagiosas e parasitas intestinais são ações periódicas que limitam a proliferação dos agentes causadores e protege os equinos. Um calendário sanitário de vacinação e vermifugação bem elaborado tem a função de proteger o plantel a longo prazo, respeitando sempre as necessidades de reforço específicas para cada vacina e vermífugo. Desta forma, é possível evitar perdas econômicas e preservar a saúde dos animais.

Referências:

AINSWORTH, D.M.; BILLER, D.S. Sistema respiratório. In: REED, S.M.; BAYLY, W.M. Medicina interna eqüina. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. p.229-230.

COSTA, E.E; ROSA, R; OLIVEIRA, T.S; FURTINI, R.; JÚNIOR, E.F; PAIXÃO, T.A; SANTOS, R.L. Etiologic diagnosis of diseases of the central nervous system of horses in Minas Gerais State, Brazil. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, V.67, N.2, P.391-399, 2015.

DOBROWOLSKI, Elisa Cristina et al. Eficácia do praziquantel e da ivermectina em equinos infectados naturalmente com ciatostomíneos. Revista Acadêmica Ciência Animal, [S.l.], v. 14, p. 75 – 81, fev. 2016. ISSN 2596-2868. 

FAVARO, P.F., FERNANDES, W.R., RISCHARK, D., BRANDAO, P.E., SILVA , S.O.D.S., RICHTZENHAIN, L.J., (2018). Evolution of equine influenza viruses (H3N8) during a Brazilian outbreak, 2015. Brazilian J. Microbiol., 49, 336– 346

KOWALSKI, J.J. Mecanismo da doença infecciosa. In: REED, S.M.; BAYLY, W.M. Medicina interna equina. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, 2000. p.54-56.

OIE – WORLD ORGANIZATION FOR ANIMAL HEALTH. Equine Influenza. Paris: OIE, 2018.

Por: Assessoria de imprensa

Fotos: Divulgação

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O que se passa na cabeça do cavalo?

Mestre, Doutor e Professor Ulysses Fernandes Ervilha ministra um workshop que debate o tema e aponta a importância de conhecermos e compreendermos o cavalo para absorvermos o seu melhor. Inscrições ainda estão abertas

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Cavalo

Hoje, o entendimento de que o cavalo é um ser vivo, e que se você o reconhece como tal e respeita suas características, consegue obter o melhor da sua performance, cresce entre os praticantes de esportes equestres.  Para isso, entender como a cabeça e o emocional deles funciona se faz mais que necessário.

Neste sábado (25), o Professor Livre Docente em Biomecânica pela Universidade de São Paulo; Professor orientador no Programa de Doutoramento em Ciências do Desporto na Universidade do Porto (Portugal) e em Ciências da Atividade Física (USP); Ulysses Fernandes Ervilha ministra o workshop “O que se passa na cabeça do cavalo? – A neurociência do comportamento equino”.

Professor Ulysses Ervilha e os cavalos

Mestre e Doutor em Biomecânica pela USP; Ph.D em Engenharia Biomédica pela Universidade de Aalborg (Dinamarca); Pós-doutorado em Biomecânica pela Universidade do Porto (Portugal), o Professor Ulysses é praticante de equitação há 40 anos e estudioso do comportamento e formas de comunicação entre homem e cavalo há mais de 15 anos.

“Os cavalos são criaturas exuberantes, pujantes e altivas. A simples presença deles gera fortes emoções mesmo naqueles que têm nenhum ou pouco contato com eles. Conhecer como eles pensam, enxergam o mundo, fazem conexões com outros cavalos e com outras espécies, o que os acalma, os assusta, o que fazer para torná-los corajosos e colaborativos, dentre tantas outras informações, são fundamentais para lidar com eles”, explica o professor que complementa, “neste workshop apresentaremos teoria e prática de como lidar com cavalos considerando a maneira como o cérebro de presa deles funciona, bem como o nosso de predador, nas mais diversas situações”.

Ainda, segundo o Professor Ulysses, tudo o que vemos, ouvimos e sentimos, desde os odores, o tato ou gosto será utilizado por nosso cérebro para elaborar as reações e respostas de interação com o meio em que vivemos. O mesmo ocorre com os cavalos.

Contudo, como eles enxergam, sentem cheiram, escutam e ouvem o mundo é bem diferente de nós humanos. Por exemplo, a visão de um carro se aproximando por trás pode gerar em um cavalo uma reação de fuga descontrolada. Por outro lado, um simples suspiro nosso perto deles pode despertar uma descarga de neurotransmissores que os levam ao relaxamento. Por isso, a importância de entendermos o que se passa pela cabeça deles, para compreendermos seu comportamento”, frisa o professor.

“Quero dividir com vocês conceitos que mudaram meu modo de lidar com pessoas e com o cavalos com os quais tenho o prazer de compartilhar essa jornada”, complementa.

O workshop “O que se passa na cabeça do cavalo? – A neurociência do comportamento equino” será ministrado em Caçapava, interior de São Paulo. As inscrições podem ser realizadas pelo telefone (12) 9923-1019.

Por: Camila Pedroso

Fotos: Divulgação

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Universidade do Cavalo ministra curso exclusivo para mulheres

Idealizado pela Universidade do Cavalo, curso Mulheres e Cavalos visa promover o fomento do conhecimento por meio de grupos mais intimistas. Um curso feito por mulheres e para mulheres

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Mulher e cavalo Universidade do cavalo

A Universidade do Cavalo possui como uma de suas características a inovação, e trouxe para o mercado nacional um modelo de curso que faz muito sucesso entre as mulheres: o curso Mulheres e Cavalos.

As mulheres estão cada vez mais presentes no meio equestre, atuando como instrutoras, treinadoras, nas áreas de gestão, administração e nas rotinas do dia a dia dos centros equestres.

A paixão pelos cavalos tem levado cada vez mais mulheres a montar por lazer, nas cavalgadas, nos esportes equestres e nas atividades que envolvem grupos de amigos com cavalos.

Com isso, surgiu a ideia de promover o fomento do conhecimento em cursos específicos para elas, ministrados por mulheres de destaque no meio, criando um clima favorável e amigável para que ela possa esclarecer suas dúvidas e aumentar seus conhecimentos. Surgiu assim, o curso Mulheres e Cavalos na Universidade do Cavalo.

“Nossa ideia foi colocar um grupo de mulheres juntas, tendo aulas com mulheres, com o intuito de deixa-las mais à vontade para esclarecer as suas dúvidas, questionamentos”, explica Aluísio Marins, idealizador da Universidade do Cavalo.

E a ideia se tornou um sucesso! Com mais de 15 edições, o curso reúne grupos de amigas, mulheres em busca de conhecimento, atletas equestres e entusiastas do cavalo em busca de atualização dos conhecimentos. “Preparamos tudo para deixá-las à vontade. São grupos pequenos, intimistas e o resultado é incrível. Até negócios são gerados durante os cursos”, relembra Marins.

O curso é ministrado por Claudia Leschonsk, médica veterinária formada pela UFPR, ministra cursos nas áreas de saúde, equitação, manejo, administração, além de lecionar no Curso Superior de Gestão em Equinocultura na Universidade do Cavalo, e Ana Vitória Vilela, médica veterinária formada pela UniUbe, Uberaba (MG), Coordenadora Geral das Cocheiras da Uiversidade do Cavalo, e uma das treinadoras e instrutoras de cursos como Rédeas, Horsemanship, Doma Inteligente e outros.

Universidade do Cavalo divulga próxima edição

A próxima edição do curso Mulheres e Cavalos será entre os dias 6 e 7 de agosto e terá como temática o Manejo Geral de Cavalos – abordando a alimentação, cuidados gerais, higiene do cavalo, equipamentos e materiais utilizados, cuidados gerais com as rotinas dos cavalos -, Horsemanship – o comportamento natural dos cavalos e a relação com as pessoas, exercícios de controle e manejo de chão e o entendimento da reações dos cavalos ao cotidiano -, e Equitação – as selas mais adequadas para as mulheres, postura, equilíbrio, exercícios especiais para melhorar a equitação, aulas na guia, aulas nas pistas e nos campos da UC.

Com carga horária de 16h, o curso possui vagas limitadas, restando ainda poucas unidades.

As inscrições paro o curso Mulheres e Cavalos devem ser realizada pelo site da Universidade do Cavalo.

Por: Camila Pedroso

Fotos: Pixabay

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Inverno aumenta a incidência das temidas cólicas nos cavalos

Diminuição do consumo de água é a principal causa. Médico veterinário Hélio Itapema explica os motivos e o quê o criador deve fazer para aliviar as dores da cólica

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cólica

A queda na temperatura traz ao criador, não apenas a preocupação com a gripe equina, mas também com a maior incidência de cólicas.

Os cavalos que sofrem com cólicas ficam inquietos, raspam o chão, sapateiam, dão coices, rolam no chão, deitam de costas, sentam igual aos cães, deitam e levantam com frequência.

De acordo com o médico veterinário Helio Itapema a principal causa da maior incidência de cólicas é a diminuição do consumo de água.

Assim como nos humanos, o cavalo precisa ingerir uma quantidade adequada de água para que o trânsito intestinal ocorra de maneira adequada. Com isso, quanto menos água ele bebe, mais o alimento fica concentrado no intestino aumentando o risco de compactação.

As compactações, explica o médico veterinário, promovem cólicas que podem levar a um quadro clínico e nos casos mais graves cirúrgico. “Muitas vezes você consegue desfazer a compactação na clínica, medicando bastante o animal, mas muitas vezes fica muito difícil de você desfazer e isso acaba gerando um processo cirúrgico”, alerta.

Dr. Helio Itapema explica que o cavalo possui uma propensão grande para a compactação, devido ao comprimento do intestino e por sua estrutura. O intestino do cavalo possui diferenças do lúmen intestinal que estão localizados no intestino grosso e essas diferenças facilitam a compactação do alimento.

“Existe uma estrutura do intestino grosso do animal chamada Flexora Pélvica. Ela tem em torno de 6 a 8 centímetros de diâmetro, enquanto a estrutura anterior a ela tem mais ou menos 30 centímetros de diâmetro, uma diferença muito grande de tamanhos de lúmen. Com isso, a chance de o alimento ficar parado nessa região é muito grande”, explica.

O fato do alimento ficar parado do intestino, faz o animal perder ainda mais água e, como no inverno sua necessidade de água é menor visto que ele sua menos e sente menos calor, o alimento acaba compactando e o animal sente as temidas cólicas”, pontua Itapema.

Além disso, explica Dr. Hélio Itapema, a qualidade do feno acaba diminuindo nessa época do ano, pela diminuição da quantidade de chuvas. Isso acaba deixando o alimento com menos fibras e líquido.

O que fazer na presença de cólica?

Ao observar que o animal está com cólica, o criador deve ser ágil, pois a doença evolui muito rápido. O primeiro passo é chamar pelo médico veterinário para que ele possa indicar o melhor tratamento.

Enquanto isso, o criador pode retirar o cavalo do celeiro e fazer com ele ande. Caminhar colabora com a movimentação do intestino, aliviando as dores.

Para evitar as cólicas, recomenda o veterinário, o criador pode fornecer bastante eletrolítico, controlar a quantidade de água ingerida pelo cavalo e evitar qualquer situação de desconforto com a água, como a presença de sujeira. “Deixe a água sempre fresca e bem limpa. A ingestão de sal também estimula o consumo de água, por isso, forneça à vontade”, finaliza Dr. Helio Itapema.

Por: Camila Pedroso

Fotos: Pixabay/ Pexel

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Estratégias de nutrição em um mercado feroz: custo ou investimento?

André Luiz Litmanowicz, Diretor Comercial da Guabi Nutrição e Saúde Animal, comenta neste artigo sobre a nutrição dos animais. Afinal é um custo ou um investimento?

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Artigo

A indústria de nutrição animal, assim como outros setores, vem atravessando uma sequência de fatos históricos que deixaram o agronegócio bastante instável. Nos últimos anos, uma combinação explosiva de pandemia humana e animal, crise hídrica, dificuldades de logística e alta do dólar resultaram, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em um aumento de 70% no valor das principais commodities brasileiras. Agora, em 2022, vemos a guerra entre Rússia e Ucrânia elevar o preço de matérias-primas aos maiores níveis das últimas duas décadas, impactando diretamente nos custos de produção do campo. 

Segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado, o milho e a soja, principais insumos para a fabricação de rações, bateram recordes em março, custando, respectivamente, US$7,64 e US$14,25 por bushel. Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontam que, em fevereiro, o preço do trigo já estava cerca de 15% mais caro e o do milho mais de 7%.

Nesse cenário, o mercado de nutrição animal tem sido desafiado não só a enfrentar a constante inflação das matérias-primas, mas a repassar essas oscilações da forma menos onerosa possível para produtores rurais. Para fazer isso, o grande desafio – e oportunidade – é a busca constante de desempenhos superiores por meio de uma nutrição de qualidade.

Claro que, momentaneamente, rações mais econômicas, ou seja, menos imbuídas de recursos nutricionais e tecnologia, soam mais atrativas ao produtor que está tentando cortar custos e economizar. Contudo, essa é uma conta que não fecha no fim do ciclo. Quando se trata de desempenho animal, nutrição de qualidade é sinônimo de resultados, como ganho de peso diário, redução de estresse e doenças, melhor aproveitamento e digestibilidade dos produtos. E uma nutrição de qualidade necessita estar adequadamente balanceada, contar com aditivos dimensionados com precisão e matéria prima de excelência. 

E a relação entre volume de produção e alimentação é bem fácil de se compreender. Na piscicultura, por exemplo, é possível reduzir o tempo de crescimento dos peixes e ampliar o número de ciclos em um mesmo período com uma boa ração. No caso dos equinos, conseguimos ter muito mais energia, resistência e desempenho, percebidos de forma bastante evidente nas provas atléticas. Pensando em bovinos, podemos aumentar – dependendo do período, até dobrar – o ganho de peso diário. 

Usando produtos balanceados e com tecnologia, junto a um manejo adequado, infraestrutura, controles  de biossegurança e uma gestão estruturada, a produção consegue alcançar, de modo seguro e certeiro, seu máximo de potencial. Isso sem falar no diferencial mercadológico conquistado por criadores que não só aumentam o volume da produção, como também, a partir da nutrição, garantem a uniformidade de suas entregas, em produtos de origem animal que se destacam por atributos comerciais superiores, a exemplo de carnes com menor concentração de gordura saturada, melhor coloração, brilho e maciez, tempo de prateleira prolongado e enriquecidas com mais propriedades funcionais, que agregam valor à mercadoria final. 

Na Guabi, nossos produtos e serviços procuram ajudar, cada vez mais, produtores a alcançarem resultados para além da commodity, levando à mesa dos brasileiros produtos com benefícios adicionais e que contribuem para o bem-estar socioambiental. Afinal, atuar com responsabilidade social e redução de impactos ambientais são uma obrigação de todos nós.

Sendo assim, nutrição de qualidade é um custo ou um investimento para aqueles que desejam altos desempenhos e competitividade num mercado cada vez mais turbulento e feroz? Sabe a resposta certa quem, mesmo com as adversidades, está conquistando boas performances.

Por: André Luiz Litmanowicz, Diretor Comercial da Guabi Nutrição e Saúde Animal

Fotos: Pixabay

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Saúde ocular dos cavalos: proteção ao sol e cuidados de rotina são grandes aliados

Adoão de medidas básicas podem prevenir lesões, infecções oculares e até neoplasias, garantindo a saúde ocular dos cavalos.

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Saúde ocular dos cavalos: proteção ao sol e cuidados de rotina são grandes aliados

A saúde ocular dos cavalos depende da qualidade dos olhos. Os olhos são órgãos de extrema importância para a sobrevivência dos cavalos. Por serem presas na natureza, o corpo deles é extremamente adaptado para fugas: a visão, por exemplo, é bastante sensível e quase de 360º. É o tamanho e a posição dos olhos que possibilita tamanha qualidade visual. Localizados no alto da cabeça e nas laterais do crânio, os grandes olhos dos cavalos conseguem perceber movimentos até quando estão se alimentando. 

De acordo com a médica veterinária da DrogaVET, Daniela Ravetta, o campo visual dos equinos tem poucos pontos cegos e qualquer movimento pode fazer com que esses animais enxerguem o que estava na área cega. “Considerando um cavalo com a cabeça posicionada normalmente, existem apenas dois pontos cegos em seu campo de visão: um na região frontal, entre os olhos e bem à frente das narinas, e outro na região caudal do corpo”, explica. 

Por serem oblíquos, os olhos dos cavalos também têm a capacidade de fixar a visão em objetos muito próximos ou bem distantes. Eles também são dotados de células fotorreceptoras, que permitem o reconhecimento das cores e da luminosidade. Porém, as mesmas características que permitem o bom funcionamento da visão, também tornam os olhos dos equinos mais propensos a lesões e infecções. Por isso, o cuidado e a prevenção são relevantes. “É importante manter o ambiente do animal sempre limpo e livre de moscas. Dar preferência para pastagens gramíneas com crescimento rasteiro e para cama de baia com pouco pó também são formas de promover mais saúde e bem-estar para os equinos, tanto geral quanto visual”, orienta a médica veterinária. 

Riscos da exposição solar a saúde ocular dos cavalos

Exposição solar é outro ponto de alerta: quando os raios solares atingem os olhos de forma excessiva e cumulativa, podem surgir ou agravar inúmeras doenças oculares. A radiação UVB provoca processos patológicos e complexos na pele da pálpebra, na superfície da córnea e até nas estruturas internas do bulbo ocular dos cavalos. Além de disponibilizar áreas de sombreamento para os animais, especialmente nos horários de maior luminosidade, o uso de colírios com efeito de filtro solar também pode prevenir os problemas. 

“O actinoquinol, por exemplo, é uma substância que tem a capacidade de absorver luz no espectro UVB e reduzir o dano oxidativo causado pelo sol. É um tratamento preventivo, que pode ser utilizado continuamente, principalmente quando já houver alguma suspeita ou evidência de doenças oculares nas pálpebras, conjuntiva, córnea e lente”, afirma Thereza Denes, farmacêutica da rede de farmácias de manipulação DrogaVET. 

Para os animais com olhos ou áreas da pele despigmentadas, o cuidado deve ser redobrado. “Existe a hipótese de que a hipopigmentação dos anexos oculares e a maior exposição à radiação são fatores que aumentam a predisposição ao carcinoma de células escamosas oculares”, alerta a médica veterinária.

Além de absorver a radiação solar do espectro UVB, o actinoquinol promove hidratação ocular e das margens da pálpebra, previne lesões e o desenvolvimento do carcinoma de células escamosas ocular e controla, de forma complementar, a ceratite superficial crônica. Quando manipulado, também pode ser combinado com outras substâncias que potencializam a hidratação da superfície corneal, como o ácido hialurônico e o D-pantenol.

Por: Assessoria DrogaVet

Fotos: Divulgação

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Implantes de ouro trazem vantagens aos cavalos

Uso de implantes de ouro na acupuntura trazem resultados muito satisfatórios no tratamento de doenças

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Você já ouviu falar em implantes de ouro?

Os fragmentos são utilizados na acupuntura veterinária, e são implantados permanentemente no organismo do animal em pontos estratégicos, promovendo estímulo prolongado e permanente dos pontos de acupuntura.

A técnica surgiu nos anos 70 nos Estados Unidos e chegou ao Brasil em 1999.

Conversamos com o mestre em medicina veterinária, especialista em acupuntura Jean Joaquim sobre as vantagens da técnica, suas indicações e riscos.

Jean Joaquim é ex-presidente da Sociedade Brasileira de Acupuntura Veterinária (ABRAVET) 2012-2014 e atual presidente da Associação Brasileira de Ozonoterapia Veterinária.

Confira a entrevista!

Portal Cavalus – Que são estes implantes e qual a sua utilidade?

Dr. Jean Joaquim – Os implantes de ouro são pequenos fragmentos de ouro 18 ou 24k, utilizados intramuscular ou subcutâneo em pessoas, animais para estímulo dos pontos de acupuntura de forma permanente (efeitos locais e distais) ou para efeito anti-inflamatório local da região implantada, não necessariamente em pontos de acupuntura. Em inglês são chamados de gold beads.

Portal Cavalus – Que vantagens traz ao animal?

Dr. Jean Joaquim – É um procedimento um pouco mais invasivo que as técnicas de medicina complementares usuais, porém seguro se respeitada as técnicas e desde que o médico veterinário tenha um bom conhecimento anatômico da espécie a ser implantada.

Os implantes de ouro atuam por diversos mecanismos, dentre eles o estímulo prolongado e permanente dos pontos de acupuntura e outros locais, inerentes ao ouro, como efeito imunossupressor local, anti-inflamatório, desfazendo trigger points, alterando pH e eletronegatividade tecidual de forma a promover analgesia principalmente em casos de dores relacionadas à osteoartrose[1–4].

Outros estudos sugerem até o uso dos implantes de ouro em feridas em equinos como forma de evitar tecido de granulação exuberante[5]. Entretanto em nossa experiência temos utilizado principalmente para animais com quadros neurológicos – epilepsia – e osteoartrose, tendinites crônicas[6], etc., nesta espécie[7,8]. Já para cães e gatos há diversos estudos que variam, desde otite crônica[9] aos quadros de osteoatrose da articulação coxofemoral[10–13]. Abaixo esquema do mecanismo de ação.

Portal Cavalus – Como é realizada a introdução do implante?

Dr. Jean Joaquim – Os implantes de ouro devem ser realizados como um procedimento médico-cirúrgico-ambulatorial, com sedação em grandes animais e em geral anestesia geral em pequenos. Primeiramente é importante termos o diagnóstico do problema, avaliar outras possibilidades terapêuticas, discutir com os proprietários e ou médico veterinário responsável pelo caso sobre as possibilidades de melhora do paciente. Após a etapa inicial, comum a qualquer procedimento médico, o veterinário deverá optar por escolher os pontos a serem implantados que podem ser pontos de acupuntura (na maioria das vezes) e ou pontos periarticulares para fins de tratamento específico local. O ouro é implantado por meio de uma agulha específica, a qual contêm um mandril que irá empurrar o ouro do interior da agulha para o tecido, semelhante ao implante de transponder/ microchip, sendo porém uma agulha 40mmx1.2mm, de menor calibre que a do chip.

Portal Cavalus – Fica no corpo por quanto tempo?

Dr. Jean Joaquim – Os implantes de ouro após ser inserido no tecido, não pode mais ser retirado em virtude de seu tamanho, porém pode ser observado por ultrassom, radiografias, tomografias, ressonância magnética, etc.

Em geral, até ser encapsulado pelo organismo há uma ação que pode variar de 1 ano a muitos anos. Aliás, é importante salientar que devido ao fato do implante não ser magnético, animais submetidos ao tratamento podem ser avaliados por ressonância nuclear magnética sem problema algum salvo risco de formação de artefato na imagem, porém sem o mesmo problema dos microchips que distorcem completamente a imagem.

Portal Cavalus – Quais as contraindicações?

Dr. Jean Joaquim – As contraindicações são locais infeccionados basicamente. Conhecendo-se a anatomia, não há contraindicações, pois o implante não traz risco e sim o procedimento de implantar já que se utiliza de uma agulha de grosso calibre a qual se mal aplicada poderia lesionar vasos, nervos, etc.

Portal Cavalus – Quando surgiu essa técnica e quando ela chegou ao Brasil?

Dr. Jean Joaquim – A técnica surgiu nos anos 70 nos Estados Unidos, através do Dr. Grady Young que inicialmente utilizou a técnica adaptando-a do uso de catgut utilizado na Medicina Tradicional Chinesa. Posteriormente, Dr. Terry Durkes, também médico veterinário Norte Americano, começou em 1975 a utilizar a técnica para tratamento da dor em casos de displasia coxofemoral, epilepsias, entre outros. No Brasil, nós, com o Dr. Eduardo Diniz fizemos os primeiros implantes de ouro em 1999, em um cão chamado Pateta, que tinha convulsões por sequela de cinomose. Posteriormente em 2002, nós com o Dr. Andrei de Deus Matheus, à época capitão da Policia Militar do Estado do Espírito Santo fizemos em um equino que estava condenado com retorno do paciente as atividades esportivas. Em 2004 publicamos um estudo no homem, com a Dra. Doris Bedoya Henao, médica humana, em 2004 também fizemos o primeiro implante em bovinos sendo que também fomos pioneiros em implantes no Chile, Venezuela e Portugal. Sendo assim, o seu uso no Brasil vem crescendo desde 1999.

Portal Cavalus – Quais animais podem utilizar?

Dr. Jean Joaquim – Todos os animais podem ser submetidos ao implante, sendo que já tivemos pacientes como ursos, tigres, espécies selvagens diversas, bovinos, equinos, cães e gatos, etc.

Referências

[1]         Stabile J, Najafali D, Cheema Y, Inglut CT, Liang BJ, Vaja S, et al. Engineering gold nanoparticles for photothermal therapy, surgery, and imaging. Elsevier Inc.; 2019. https://doi.org/10.1016/B978-0-12-816662-8.00012-6.

[2]         Pedersen DS, Fredericia PM, Pedersen MO, Stoltenberg M, Penkowa M, Danscher G, et al. Metallic gold slows disease progression, reduces cell death and induces astrogliosis while simultaneously increasing stem cell responses in an EAE rat model of multiple sclerosis. Histochem Cell Biol 2012;138:787–802. https://doi.org/10.1007/s00418-012-0996-2.

[3]         Miller JM, Rossi EA, Wiesmair M, Alexander DE, Gallo O. Stability of gold bead tissue markers. J Vis 2006;6:616–24. https://doi.org/10.1167/6.5.6.

[4]         Danscher G. In vivo liberation of gold ions from gold implants. Autometallographic tracing of gold in cells adjacent to metallic gold. Histochem Cell Biol 2002;117:447–52. https://doi.org/10.1007/s00418-002-0400-8.

[5]         Frauenfelder H. The use of acupuncture beads to control exuberant granulation tissue in equine skin wounds: A preliminary study. Equine Vet Educ 2008;20:587–95. https://doi.org/10.2746/095777308X374703.

[6]         Joaquim, JGF; Luna, SPL; Rafael L. Gold implants in horses: a study of ten cases. Proc Thirty-Eight Annu Int Congr Vet Acupunct 2012;I:153–60.

[7]         William B, Vmd HM. The Successful Use of Acupuncture to Treat a Case of Chronic Colic in a Horse n.d.

[8]         Märki N, Witte S, Kuchen S, Reichenbach S, Ramseyer A, Gerber V, et al. Safety of Intra-Articular Gold Microimplants in Horses–A Randomized, Blinded, Controlled Experimental Study. J Equine Vet Sci 2018;60:59-66.e2. https://doi.org/10.1016/j.jevs.2017.03.005.

[9]         Sumano H, Tapia-Perez G, Gutiérrez L. Gold beads implants for the treatment of canine chronic recurrent otitis externa. J Vet Clin 2013;30:100–6.

[10]      Martin M, Ribot X. Utilisation des implants d ’ or chez les carnivores domestiques n.d.:25–32.

[11]      Jaeger GT, Larsen S, Søli N, Moe L. Double-blind, placebo-controlled trial of the pain-relieving effects of the implantation of gold beads into dogs with hip dysplasia. Vet Rec 2006;158:722–6. https://doi.org/10.1136/vr.158.21.722.

[12]      Hielm-Bjorkman A, Raekallio M, Kuusela E, Saarto E, Markkola A, Tulamo RM. Double-blind evaluation of implants of gold wire at acupuncture points in the dog as a treatment for osteoarthritis induced by hip dysplasia. Vet Rec 2001;149:452–6. https://doi.org/10.1136/vr.149.15.452.

[13]      Jæger GT, Larsen S, Søli N, Moe L. Two years follow-up study of the pain-relieving effect of gold bead implantation in dogs with hip-joint arthritis. Acta Vet Scand 2007;49:1–7. https://doi.org/10.1186/1751-0147-49-9.

Por: Camila Pedroso

Colaboração: GoldenPetCare

Fotos: Divulgação/ Pexeel

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“Bem-estar animal é uma necessidade que deve ser seguida por todos”

Conversamos com o inspetor técnico, juiz de provas e de Bem-Estar Animal da ABQM Thiago Nitta sobre a importância do bem-estar para todos os atletas

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A Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Quarto de Milha (ABQM) desenvolve uma trabalho árduo em prol do bem-estar dos animais que atuam em suas provas. Não apenas os cavalos, mas a tropa bovina também. Um exemplo da importância dada pela Associação ao tema foi a criação do departamento de Bem-Estar Animal e Sustentabilidade e a elaboração do ‘Manual de Boas Práticas para Bovinos’, participantes de atividades esportivas equestres.

“Apoiamos, em outubro do ano passado, a normatização de equipamentos para provas equestres, oficializada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que tem como objetivo descrever as regras dos equipamentos utilizados pelas modalidades de Vaquejada, Laço e Três Tambores, completou o presidente da Associação, Caco Auricchio.

Toda a diretoria da ABQM promove um trabalho árduo em prol do bem-estar. Muitas pessoas que atuam na ABQM como Neto Garcia, vice-presidente e Rodrigo Bicalho, gerente de Bem-Estar Animal e Sustentabilidade exercem um trabalho perspicaz em prol do bem-estar dos animais.

Segundo o juiz de provas e inspetor técnico da ABQM, Thiago Nitta, o bem-estar animal é uma necessidade a ser seguida. “Hoje a performance dos cavalos está cada vez mais profissional e os animais são vistos como atletas, e nenhum atleta consegue ter uma boa performance se não estiver com a saúde física e mental em dia. Então, o bem-estar hoje é extremamente necessário e não uma obrigação”, afirma.

Ainda de acordo com Nitta, hoje os competidores têm ciência dessa importância e todos os pontos da liberdade dos animais são rigorosamente respeitados.

“Hoje, quando encontramos algo que pode não estar de acordo com as regras, nós vamos até o local muito mais com o intuito de instrução do que punitivo, porque nos dias de hoje as pessoas sabem que por exemplo, um cavalo que não recebeu um manejo adequado não vai ganhar uma prova”, ressalta.

O juiz ainda aponta que hoje os competidores entendem que animais despreparados jamais ganharão uma prova. “Um cavalo que não recebeu o treinamento e o manejo adequados, não vai ter um desempenho de acordo em uma competição. Então, volto a repetir o bem-estar é uma necessidade e isso está cada vez mais na cabeça dos competidores”, pontua.

Bem-estar na quebra do recorde em pista

O conjunto Sidnei Júnior e Prime Fishers MCM (Fishers Dash X Prime Henryetta) de propriedade de Wilson Vitório Dosso, bateu o tempo de 16s337 – novo recorde da pista do Parque Clibas de Almeida Prado -, na categoria GP ABQM de Três Tambores.

Segundo o juiz da ABQM, o tamborzeiro não utilizou reio nem esporas, mostrando que é possível realizar as manobras com perfeição e agilidade, é tudo uma questão de treino e técnica.

“Gostaria de parabenizar o Sidnei pela iniciativa. Isso mostra a qualidade do seu trabalho e do animal”, parabeniza Nitta.

Bem-estar do gado

Dentro dos eventos equestres, explica Nitta, temos vários tipos de atletas: o humano, cavalo e o bovino, e este como todos os outros também precisa estar com todos os cuidados em dia para promover uma boa performance nas pistas.

“Existem protocolos de bem-estar dos bovinos que precisam ser seguidos para que ele também possa ter um bom desempenho. Se o boi tiver uma lesão, por exemplo, obviamente ele não vai conseguir competir, não vai conseguir correr direito e se isso acontecer, o competidor não vai conseguir fazer uma boa passada, uma boa prova”, explica.

Dentre os cuidados que são realizados com os atletas bovinos estão o tempo de permanência do recinto do evento. Os animais chegam ao espaço horas antes do evento para poderem descansar, se hidratar e se alimentar antes de competir.

Na sequência eles são protocolados de acordo com a modalidade. “No caso do Ranch Sorting e Team Penning eles precisam ter uma numeração, nas outras modalidade é preciso dividir os lotes. No caso das modalidades de laço, o gado recebe uma proteção nos chifres para não machucar. Outro cuidado é com relação a alimentação. O gado recebe a alimentação de acordo com a sua idade. Se ele é mais jovem, come uma ração específica, os mais velhos se alimentam de silagem ou feno.”, ressalta.

Lei de Crimes Ambientais

No Brasil, o uso de violência contra animais se tornou crime em de 12 de fevereiro de 1998, com a publicação da Lei Federal 9.605/98, sobre crimes ambientais.

Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos é passível de pena, com detenção de três meses a um ano, além da multa.

§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.

Como reforçar a proteção aos animais?

Existem diversas maneiras de proteger os animais, veja abaixo alguns exemplos do que você pode fazer.

Cuide bem do seu animal: Estabeleça boas práticas de manejo, garanta estruturas e acomodações ideais e proporcione momentos relaxantes;

Procure acompanhamento técnico: Tenha sempre a assistência de profissionais que irão garantir a sanidade, saúde clínica, nutrição e bem-estar do seu animal. Médicos veterinários, zootecnistas e agrônomos são indispensáveis para que isso seja possível;

Conheça os ‘cinco domínios’ dos animais: É possível melhorar nossa percepção e relação com os animais através de seus ‘cinco domínios’, sendo eles nutrição, ambiente, saúde, comportamento e estado mental. Dessa forma, podendo contribuir da melhor maneira para garantir estas propriedades.

Dissemine conhecimento: Comente com seus familiares, amigos e pessoas próximas sobre a importância de garantir a proteção aos animais, para que mais pessoas se conscientizem;

Tenha consciência: Os animais possuem grandes exigências que demandam dedicação e cuidados diários. Por isso, nunca esqueça que eles dependem, exclusivamente, de você como tutor.

Por: Camila Pedroso

Fotos: Thiago Nitta/Pixabay

Colaboração: Assessoria ABQM

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