O internauta José Hamilton da Silva entrou em contato com a gente por email para saber mais sobre a Habronemose.

 

Conversamos com o médico veterinário, Dr. Hélio Itapema para sabermos maissobre o que pode ser feito nesse caso.

Ela é uma doença causada pelas larvas do nematóide Habronema spp que normalmente faz o ciclo gastroentérico nos equinos, mas na enfermidade em questão, há a realização do ciclo errático do agente. Conhecida também como Ferida de Verão, a doença tem como vetor as
‘’Mosca Doméstica’’ e ‘’Mosca do Estábulo’’, e por este motivo, é grande a ocorrência nas épocas mais quentes do ano, pelo fato de o ambiente favorecer a proliferação destes insetos.

Sintomas
As lesões são mais comumente vistas em locais expostos à traumatismos que consequentemente apresentam maiores chances de ter feridas e em locais onde o cavalo não consegue espantar as moscas, deixando assim a porta de entrada para o Habronema. Portanto, aparecem em extremidades de membros, pálpebra, pescoço, prepúcio, pênis/glande, sendo que este último pode levar à dificuldade do equino em urinar. As lesões têm características na cor castanho avermelhado que depois de um longo tempo de evolução, chegam a se tornar fribróticas. Na maioria das vezes as lesões são únicas e geralmente não apresentam prurido (sensação incômoda na pele ou mucosas que leva a coçar), a não ser que
haja infeção secundária por bactérias. São bastante perceptíveis aos olhos dos proprietários pelo fato de que dificilmente cicatrizam sozinhas, levando à necessidade de um tratamento
junto ao Médico Veterinário.

Tratamento
Existem dois tipos de tratamentos possíveis para o caso. O tópico e o cirúrgico. Esta segunda opção é considerada pelo Médico Veterinário quando se trata de uma ferida que não cicatriza e/ou que já evoluiu para nódulos calcificados, impossibilitando assim o tratamento efetivo de forma tópica. Nestes casos, recomenda-se a excisão cirúrgica da lesão, ou métodos alternativos como crioterapia, que tem como princípio a ação de temperaturas abaixo de zero para a retirada do tecido, cauterização química com sulfato de zinco ou também radioterapia.
O tratamento medicamentoso é feito com organfosforados como o Triclorfon 22mg/kg, intravenoso, diluído em solução salina ou de dextrose, repetido em 2 semanas. É dado ao animal também, Ivermectina, tida como tratamento de escolha para combater o nematóide. Topicamente, o tratamento leva certo tempo, e baseia-se em aplicações regionais nas lesões de Triclorfon por pelo menos 15 dias. Além disso, podem-se usar corticoides de curta ação (àqueles que ficam por pouco tempo no organismo do equino) para que auxiliem na diminuição da irritação local e pomadas antibióticas para evitar a infecção bacteriana
secundária. Para a remoção do tecido necrótico formado, é utilizada a aplicação de
Albocresil ou limpeza da ferida com solução de Dakin.

Prevenção e Controle
O método mais eficaz para prevenir que ocorram as feridas de verão, é o acompanhamento dos equinos, evitando que se machuquem. Além disso é essencial que haja o tratamento correto para as demais feridas e que estas sejam cobertas, evitando que moscas não depositem suas larvas, levando possivelmente à lesões mais graves como é o caso da Habronemose.

Estes cuidados devem se tornar mais intensos principalmente durante o verão, onde há grande proliferação de moscas, as quais devem ser controladas. Os animais afetados e seus contactantes devem ser vermifugados e tratados com repelentes caso haja feridas abertas pelo corpo.

E aí, José Hamilton, conseguimos te ajudar?


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