Apresentador de cavalos, treinador e juiz, norte-americano esteve no Brasil para o Potro do Futuro da ABQM

Justin Johnson é de Casper, Wyoming, nos Estados Unidos, e esteve no quadro de juízes do evento da ABQM em outubro, no Recinto de Araçatuba/SP. Acima de tudo, ele conta que sua missão é ensinar os jovens a laçar.

Aliás, tudo que tenha a ver com cavalo faz parte de sua vida. Desde que esteja montando, apresentando, julgando ou ministrando clínicas. Sua história nesse meio começou, portanto, quando muito jovem. Seu pai era laçador e apartador, então os cavalos sempre fizeram parte da vida de Justin.

“Do dia a dia no rancho às competições, sempre trabalhamos com cavalos. Quando me formei na universidade, passei a trabalhar fora de casa, em Oklahoma. Foi aí que comecei a me envolver mais com a AQHA. Apresentava cavalos, montava e também laçava em rodeios”, conta ele a reportagem do portal Cavalus.

Só para ilustrar, o rancho que ele cresceu em Casper está na família desde 1891. Ao passo que ele é a sexta geração, criando gado e trabalhando com cavalos. Em virtude desse convívio e de talento e dedicação, Justin tornou-se um nome forte no meio.

Ganhou muitos títulos. Entretanto, o que mais ele estima é ensinar os jovens. Sua missão consiste em incentivá-los a laçar, montar cavalos e julgar provas. “Por toda essa atividade, tenho oportunidade de conhecer pessoas, viajar pelo mundo”.

Conforme ele conta, com ajuda de Ary Rosa Casimiro Filho na tradução, ser capacitado para vir ao Brasil, por exemplo, é algo que ele gosta muito em sua profissão. Justin afirma ainda que espera fazer muita coisa no cavalo. Desse modo, se prepara para competir no mundial da AQHA enquanto exerce de forma simultânea os ofícios de juiz, apresentador, treinador e mentor.

A missão de Justin Johnson é ensinar jovens a laçar
Justin Johnson no estande do portal Cavalus em Araçatuba

Multitarefas

Mantém, portanto, na rotina dividir seu tempo entre julgar por todos os Estados Unidos e pelo mundo, treinar e apresentar cavalos em Laço e Apartação. “Enquanto estava no Brasil meu ajudante que é muito bom ficou condicionando os cavalos que estão classificados para o AQHA World Show. Contudo, também, estamos preparando os potros para o ano que vem”.

No mundial da AQHA [que começou ontem em Oklahoma] Justin participa com três cavalos, dois na Apartação e um que laçará Pé e Cabeça. Semanas antes do evento, ele intensificou o treinamento, escorou os cavalos, laçou com eles, treinando os de Apartação todos os dias. Além disso, precisou se preparar também para a viagem, 15 horas de distância.

Justin aproveitou que um de seus filhos está fazendo faculdade em Oklahoma, então chegou uns dias antes para passar um tempo com o filho e descansar os cavalos. Sem dúvida, aproveitou para treinar um pouco mais, já que na região tem bastante gado à disposição.

Enfim, a rotina é atribulada. Mas ele acredita que tenha muita coisa por vir na vida dele. Justin conseguiu o cartão de juiz pela AQHA em 2012, de tal forma que em 2014 julgou o mundial do Quarto de Milha pela primeira vez. Desde então, vem julgando grandes eventos, os maiores dos Estados Unidos.

Assim como Houston, Fort Worth. Bem como, provas grandes fora do seu país, Potro do Futuro no Canadá, duas vezes no Brasil. Alias, Justin ficou impressionado com o nível dos laçadores que viu no Brasil nessa oportunidade. “O nível aqui é muito alto. Gostei muito dos cavalos, enfim, de tudo. Sobretudo, o cuidado com o bem-estar animal. Gostei muito de tudo que vi”, reforça.

Uma coisa complementa a outra

Sendo competidor e juiz, entender o que o juiz espera nas apresentações, é um ‘plus’ Justin tem por atuar nas duas frentes. Sentado na cadeira, julgando, é possível observar um número grande de outros treinadores também. O que acaba gerando ainda mais bagagem e conhecimento.

“Consigo observar o que cada um tem de bom para aplicar no meu treinamento. Então, com consigo aliar meu conhecimento como juiz, de regras de julgamento, com o conhecimento sobre horsemanship, showmanship, treinamento. O que dá certo para outros, pode funcionar para mim, então tudo é aprendizado”.

Ao mesmo tempo, além de provas, Justin conviveu muito no ambiente competitivo dos rodeios. Hoje em dia não é assíduo, participou de apenas dois rodeios. Mas seus filhos sim, laçam. Um deles, por exemplo, fez a final de Cheyenne esse ano. Inegavelmente, iniciam os feitos da sétima geração de homens do cavalo na família.

Brasil

Já sabemos que ele gostou do que viu no Brasil. Mas e sobre Junior Nogueira e Marcos Alan, o que será que Justin tem a dizer? “Não conheço o Marcos pessoalmente, mas sei que ele é um grande laçador e cavaleiro. Já o Junior conheço bem, é amigo dos meus filhos, estão sempre juntos. Os dois são espetaculares, maravilhosos”, revela.

Quando recebemos um juiz ou competidor de fora, dos Estados Unidos especialmente, que é o berço do cavalo Quarto de Milha, sempre nos perguntamos o que precisamos melhores ainda. Não temos como comparar com a quantidade de cavalos e eventos que, por exemplo, os Estados Unidos têm.

Portanto, para chegar a um nível técnico compatível, na visão de Justin, não tem muito a acrescentar do que ele viu no Brasil dessa vez. “A pista estava boa, os bretes estavam bons, o gado condizente. Não temos como ‘inventar moda’, então não vejo nada que possa pontuar. Não posso endireitar algo que não está quebrado”.

Com tudo funcionando bem por aqui, então, qual dica ele pode deixar para finalizar o bate-bapo? “O ‘céu é o limite’. É preciso treinar e se espelhar nos bons laçadores, nos horsemanships, nos caras que são homens do cavalo. Seguir os que treinam bem os cavalos, não só aqueles que são laçadores rápidos. Antes de ser um laçador é preciso saber o que está fazendo em todos os sentidos.”

Por Luciana Omena
Tradução: Ary Rosa Casimiro Filho
Colaboração: Verônica Formigoni e Analucia Araújo
Fotos: Cedidas

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