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Atletas do hipismo brasileiro aprovam adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio

O primeiro-ministro japonês, Abe Shinzo, confirmou nesta terça-feira (24) que pediu ao Comitê Olímpico Internacional (COI) o adiamento dos Jogos Olímpicos de 2020

Dois atletas do hipismo brasileiro aprovaram o adiamento de um ano dos Jogos Olímpicos de Tóquio por conta da pandemia no novo coronavírus (COVID-19). O anúncio foi divulgado nesta nesta-feira (23) pelo primeiro-ministro japonês, Abe Shinzo, após pedido feito ao Comitê Olímpico Internacional (COI).

Em entrevista ao portal Cavalus, João Victor Oliva, que tinha grandes chances de ser o cavaleiro do Adestramento que ia representar o Brasil nos Jogos, disse que a decisão do COI foi a mais coerente com o momento em que o mundo está passando.

“A decisão foi boa, tem que visar primeiro a segurança das pessoas. É mais tempo para combater o vírus, para as pessoas se protegerem. A proligeração é muito rápida, ia dar um grande problema mesmo se alguém se infectasse durante os Jogos. Então, visando a segurança a decisão foi boa sim”.

João Victor Oliva conquista segundo índice olímpico no Adestramento
João Victor Oliva – Crédito da foto: Rui Pedro Godinho

Contudo, o cavaleiro não escondeu a tristeza de ver o sonho de participar de mais uma edição das Olimpíadas se tornar distante. A sua primeira participação foi na edição do Rio, onde ele obteve um bom resultado entre os demais cavaleiros brasileiros.

“Eu vinha bem nas seletivas, tinha grande chances de ser o cavaleiro que ia representar o Brasil e agora não se sabe se vai abrir uma nova seletiva, se vai abrir espaço para outros cavaleiros. Estou ainda desinformado, porque não foi decidido nada ainda”, lamenta o cavaleiro.

Também em entrevista ao portal Cavalus, o cavaleiro de Salto Thiago Rhavy garantiu que o adiamento foi a decisão mais sensata a ser tomada no momento. Os planos do Rhavy agora são de ficar em Palm Beach, perto de Wellington, na Flórida, treinando sua égua BH Salamandra Baloubina, até liberarem a entrada dos dois na Europa. 

Momento difícil

Outro atleta da modalidade de Salto, Eduardo Menezes disse não se sentir capacitado para opinar sobre uma situação jamais vivida pela atual geração. “Apoio e entendo as decisões tomadas pelos órgãos responsáveis. Espero que o Brasil e o mundo possa encontrar a melhor saída para esse caos”.

Enquanto a situação da pandemia não se resolve no mundo, Eduardo disse que dará as merecidas férias para os seus cavalos. “Eles trabalharam duro durante a temporada WEF e vou ir adaptando o plano deles conforme as decisões tomadas pelos governos e entidades esportivas”, finaliza.

Eduardo Menezes – Crédito da foto: Katty Russel

Do Concurso Completo de Equitação, Ruy Fonseca disse à nossa reportagem que como qualquer atleta está muito triste pela não realização dos jogos. Afinal, são trabalhos de longa data e anos de preparação para chegar em um Jogos Olímpicos, especialmente para quem iria pela primeira vez.

“Mas era inevitável a realização dos jogos por motivos óbvios e a maioria dos atletas de todas as modalidades apoiavam o adiamento, pois a situação é muito séria globalmente. Tanto que, certamente, foi a decisão certa do adiamento. Em 2021 temos certeza que o Japão nos trará um dos melhores jogos da história moderna”, frisa.

Além disso, Ruy ainda frisa que agora todos os atletas precisam, não só de hipismo, precisam se manter focados e mantenham um planejamento para esse período de preparação. “No hipismo quando você tira os meses de intensidade de competições mais os meses de inverno onde não há tantas competições de alto nível, no caso do CCE , esses meses passam rápidos e temos que estar preparados como se fosse daqui seis sete meses”.

Até agora, o atleta do hipismo brasileiro já participou de três edições dos Jogos Olímpicos. “É muito triste para quem fosse pela primeira vez em qualquer modalidade olímpica, pois em um ano tudo pode mudar e ser diferente. Nossa única opção é de sempre continuar focado , treinando e levar dia após dia”, finaliza Ruy Fonseca.

Ruy Fonseca – Crédito da foto: Luis Ruas

Como fica?

Através de uma ligação telefônica, o primeiro-ministro japonês, Abe Shinzo pediu ao presidente do COI, Thomas Bach, pelo adiamento dos Jogos Olímpicos, que tinha início programado para o dia 24 de julho. Dessa forma, o COI acatou o pedido e, em seguida, publicou nas redes sociais comunicado assinado em conjunto com o governo japonês.

“Na circunstância presente, e baseados na informação providenciada pela Organização Mundial da Saúde, o presidente do COI e o primeiro-ministro do Japão concluíram que os Jogos da 32ª Olimpíada em Tóquio devem ser reagendados para uma data para além de 2020, mas não depois do verão de 2021, para garantir a saúde de atletas, todos envolvidos nos Jogos e a comunidade internacional”.

Antes de mais nada vale ressaltar que esta é a primeira vez na era moderna que os Jogos Olímpicos são adiados. Apenas entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundial o evento chegou a ser cancelado.

Por fim, vale lembrar que as Olimpíadas deverão ser realizada em 2021, mas, mesmo assim, o nome oficial do evento será Tóquio 2020, de acordo com o governador da cidade sede, Yuriko Koike.

Por Natália de Oliveira
Colaboração: Luciana Omena
Crédito da foto em destaque: Pixabay/Jason Goh

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