Cavalos ensinam as pessoas muitas coisas que servem não somente para o dia a dia com eles, mas para tudo na vida

Um cavalo não tem a responsabilidade por ser de alguém. Nem tampouco de morar onde mora, comer o que come, ser tratado como é. Esta é uma responsabilidade do proprietário.

Muitos pagam para que seu cavalo more em um local, uma hípica, mas isto não pode significar que a responsabilidade está resolvida. Um cavalo demora para ser ‘feito’, ‘construído’ em termos de trabalho, treinamento.

E não tem dinheiro no mundo, vontade maior, pressa ou qualquer outro fator que chegue um cavalo mais rápido do que o tempo dele. Um cavalo tem medo das coisas que não conhece ou não está esperando. E não tem técnica no mundo que tire este medo natural.

As técnicas existem para que ele processe o medo de forma mais calma e entenda que muitas vezes não precisa ter o medo. Mas o medo vem. Um cavalo só se acalma vivendo em uma comunidade equestre, ou seja, tendo contato com outros cavalos.

A partir deste contato, assume uma vida social que o faz viver com mais calma e mais tranquilidade, transpondo isto para a convivência com os seres humanos.

Um cavalo não tem noção alguma de quem é pelo ponto de vista dos seres humanos. Muito menos noção de valor, fama, marcas famosas. Um cavalo não sabe nem que cor ele é! Quanto mais a marca da sela do seu cavaleiro.

Um cavalo, portanto, não tem vaidades. O cavalo é um animal de defesa. Sendo assim, não pode viver pensando no ontem nem no amanhã. É um especialista em viver o momento presente. Portanto, um cavalo nunca sofre de arrependimento ou ansiedade por algo.

E nós? Um cavalo passa por quatro momentos básicos para tocar sua vida: o medo, a curiosidade, a habituação e a marca mental. Cada uma destas fases é imprescindível para que o cavalo aprenda as coisas, repita exercícios, seja calmo e manso.

Se uma das três primeiras fases não for respeitada, a quarta será a que ficar na mente dele sobre as três primeiras. O que você quer colocar na cabeça do seu cavalo? Um cavalo pode nos ensinar muito. Responsabilidade, paciência, calma, persistência e principalmente respeito ao próximo.

Vejo muitos proprietários que consideram seus cavalos ‘objetos de satisfação e prazer’ e vivem a vida do cavalo somente quando lhes interessa, quando dá vontade e quando precisam por algum motivo.

Interessante notar que o cavalo sabe das pessoas mais do que as pessoas sabem dos cavalos. Quando estes proprietários chegam em seus cavalos, nós, que vivemos a vida com eles, notamos claramente a cara de espanto (dos cavalos), como quem diz, meu Deus, quem será esta pessoa que diz que me ama tanto!?

Por Aluísio Marins
Médico Veterinário e reitor da UC, instruindo cavaleiros a mais de 20 anos
Foto: The Horse

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