Saber mais sobre os cavalos é a chave para ter o melhor deles. Enxergar o mundo pela ótica do seu cavalo só trará benefícios para o seu tambor

Conhecimento e estudo: uma vantagem competitiva para o seu tambor. Não existe coisa melhor no mundo do que fazer o que você mais ama, com as pessoas que incentivam você e com os cavalos que nasceram para você.

Era exatamente isso que eu sentia quando corria com o Raney e depois com o Shadynho.

Olhando para trás vejo como esse tempo foi especial. E como esses dois cavalos me ensinaram muito a respeito de ‘ser um cavalo’.

Sabe, nós temos o costume de humanizar os animais, de colocar neles (e esperar deles) o comportamento e a forma de compreensão dos humanos. Isso é um pouco óbvio, já que é o comportamento e a compreensão que conhecemos.

Mas não funciona assim.

Quantas vezes ouvi competidores nervosos porque seus cavalos não ‘quiseram’ trabalhar bem na prova. Ou porque eles ‘resolveram’ perder o foco depois de virar o primeiro tambor. Ou ainda porque ‘embraveceram’ e ficaram ‘duros’ nos giros, pesaram, arrastaram o cavaleiro.

Comportamento humano, natureza humana transferida para os cavalo.

E o que vemos são cavalos sem preparo físico, cavaleiros com comunicação corporal deficiente, cavalos inseguros porque não são empoderados.

E também overdose de exercícios com uma função equivocada, competidores inseguros, falta de equitação de qualidade, pouca instrução a respeito da natureza (física e mental) dos cavalos.

O que ele não percebe é que ao fazer isso, ao trabalhar excessivamente ao redor desse tambor, está aumentando a ansiedade desse cavalo e está mostrando que ali é um lugar de ‘correção’, de exaustão.

Assim, esse cavalo reduzirá cada vez mais a velocidade antes de chegar a esse lugar desagradável e criou-se mais um problema: a perda de velocidade. E a ansiedade que o fazia antecipar o giro, continua lá, agora pior.

Como devemos proceder

É bem fácil perceber como devemos proceder com os cavalo. 

Você não precisa ir muito longe, basta pensar em uma criança.

Agora pegue uma criança de sete anos e coloque na lousa alguns exercícios de física, nada complicados, apenas algumas fórmulas sobre forças, ação da gravidade.

Faça você mesmo para ela ver e ‘mande’ ela resolver os outros exercícios semelhantes. A menos que ela seja uma mente brilhante, será impossível que compreenda e resolva.

Porque ela precisa de instrução, de base, de um aprendizado anterior para que seja possível chegar a esse nível. Pular etapas de aprendizado não só não funciona como prejudica o aprendizado futuro.

Idem com os cavalos.

Mas para ensinar, treinar, criar base física, base de tambor, base emocional, você precisa saber com quem está falando. Como ele pensa, como age, como reage aos obstáculos ao seu redor, como reage ao contato com outros cavalos e com os humanos. Enfim, é necessário um mínimo de entendimento sobre a natureza dos cavalos.

Um caso de fracasso:

Um cavalo reduz demais a velocidade e chega a antecipar um pouco a entrada de um tambor. Não chega a pesar demais, mas tende a entrar antes da hora e acaba saindo do giro longe do tambor.

Não são poucos os casos onde o cavaleiro volta para casa após uma prova nada satisfatória e coloca esse cavalo no percurso fazendo com que gire inúmeras vezes ao redor daquele tambor em que costuma se antecipar.

Ele pensa estar mostrando ao cavalo o que deve fazer no dia da prova. Imagina que o cavalo faça corretamente e erre na prova porque falta ‘gravar’ em seu HD que ele deve girar sem ‘cair’ de paleta.

Um caso de sucesso:

Um cavalo reduz demais a velocidade e chega a antecipar um pouco a entrada de um tambor. Não chega a pesar demais, mas tende a entrar antes da hora e acaba saindo do giro longe do tambor.

O cavaleiro percebe que seu cavalo está ansioso e passa a mostrar a ele, em casa, que não deve antecipar a entrada do giro.

Quando treina leva seu cavalo reto e alinhado até que o seu corpo esteja ao lado do tambor.

Se o seu cavalo mostra a intenção de entrar antes da hora, ele segue reto, sai para o outro lado e retorna a trote para o tambor anterior, contorna esse tambor e segue para o tambor do problema da mesma forma que fez anteriormente.

Se o seu cavalo não mostrar a intenção de entrar antes da hora, ele deixa que faça o giro assim que o seu corpo chega ao lado do tambor.

Dessa forma, a paleta desse cavalo terá passado pelo tambor e ele terá espaço para girar e sair colado e alinhado para o tambor seguinte.

Esse cavaleiro passa a olhar para esse ponto de entrada e a levar seu cavalo reto até lá, liberando para o giro somente no local correto.

No dia da prova, ele empurra seu cavalo mais forte (e reto) até que ele esteja ao lado do tambor e, então, libera para o giro.

Por que ele obtém sucesso? Porque compreende que seu cavalo está ansioso, ao invés de pensar que ele esteja fazendo corpo mole ou errando deliberadamente.

Conhecimento é poder e gera mais poder. Quando você sabe e tem confiança no seu conhecimento, sente-se capaz de vencer desafios maiores, porque está preparado para eles.

Abraham Lincoln disse uma vez: “Me dê seis horas para cortar uma árvore e eu vou passar as quatro primeiros afiando o machado”.

Por Claudia Ono
Três Giros
Na chamada: Michele Mcleoad e Slick By Design NFR 2016
Fotos: Cedidas

 

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