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José Milton Moraes cria Quarto de Milha, Appaloosa e Paint Horse

Titular do Haras Kassunguê, em Sergipe, criador mantém seus cavalos bem próximo à ‘meca’ do Quarto de Milha no Nordeste

José Milton Moraes tem orgulho da sua trajetória até aqui. Titular do Haras Kassunguê na cidade de Boquim/SE, ele é criador de animais das raças Quarto de Milha, Appaloosa e Paint Horse. Recentemente, mudaram o haras de local, instalados agora a 15 km do Parque das Palmeiras, em Lagarto/SE.

“A cidade de Lagarto, sem dúvida, sempre foi um referência para o cavalo no Nordeste. Sobretudo com o Parque Zezé Rocha, que sempre fez uma das maiores festas do Brasil. A referência hoje é o Parque das Palmeiras, uma das maiores estruturas equestres do planeta, nunca vi nada parecido. Sem falar na quantidade e qualidade de domadores e pistas de Vaquejada que temos por aqui”, conta José Milton.

Dessa forma, a compra do espaço para construir a nova localidade do haras foi totalmente estratégica, conforme conta: “E já estamos colhendo os frutos. As vendas estão aumentando muito, acima de tudo, a procura por produtos e coberturas. Estamos na ‘terra’ do Quarto de Milha aqui no Nordeste”.

Ao lado da esposa Simone e dos filhos Fernando e Guilherme, José Milton agradece a oportunidade de passar um pouco da história da família e da criação deles. Confira!

Titular do Haras Kassunguê, em Sergipe, o criador José Milton mantém seus cavalos bem próximo à ‘meca’ do Quarto de Milha no Nordeste
Crédito das fotos: Arquivo Pessoal

Começo

“No início dos anos 80, meu pai comprou um sítio com alguns cavalos, bem perto de Aracaju. Nesse sítio tinham alguns cavalos da raça Mangalarga Marchador e meu primeiro cavalo foi o Mucambo da Triunfo, um Mangalarga Marchardor Baio Amarilho muito bonito. Estava em início de doma com o treinador Durval Teodoro, que trabalhava para o antigo dono do sítio. Assim, ele veio a ser meu professor e ficou trabalhando com meu pai, depois ficou trabalhando comigo. São 35 anos juntos, montando nos nossos animais e Durval até hoje é professor dos meus filhos e meu amigo.

Quando criança, comecei a participar de provas de Maneabilidade, Três Tambores e Seis Balizas. As provas funcionas estavam crescendo aqui em Sergipe e meu pai e um grupo de amigos fundaram a Sociedade Hípica de Sergipe, funcionando no parque de exposições em Aracaju. Eu montava todo dia ao sair da escola de bicicleta. A hípica contratou um professor de Hipismo e eu comecei a saltar também. Acima de tudo, aprendi muito, só que a paixão sempre foi Tambor e Baliza”.

José Milton Moraes e Bimbo Jack’s

Haras Kassunguê

“Em 1981, meu pai comprou a Fazenda Cassunguê, em Estância/SE. Continuamos criando Mangalarga Marchador, alguns mestiços de PSI e mestiços de Quarto de Milha para as provas. Desse modo, durante a exposição de Lagarto/SE meu pai comprou o Bimbo Jack’s, nosso primeiro Quarto de Milha PO, um dos primeiros do estado de Sergipe. Ele comprou também 16 matrizes QM todas mestiças. Nasceu então o Haras Kassunguê com ‘K’.

Como estamos no Nordeste e o esporte número um aqui é a Vaquejada começamos a investir nele. Trouxemos o Kassunguê para a cidade de São Cristóvão/SE e montamos um parque de vaquejadas, o Country Park. Nessa época, um filho do Bimbo Jack’s com a Conchik, Menininho Jack, foi um dos cavalos do estado que mais se destacou nas vaquejadas entre Sergipe, Alagoas e Bahia. Ele era fora do comum, vencia todo final de semana.

Por outro lado, alguns anos atrás meu pai deixou de lado a criação de cavalos. Mas eu não consegui largar, sou apaixonado mesmo. Hoje em dia meus filhos e minha esposa também, por conta disso resolvemos construir do zero uma nova estrutura, uma nova história com o mesma marca que criei com meu pai. Hoje o novo Haras Kassunguê está na cidade de Boquim/SE, construído com muito esforço, dedicação e paixão”.

Titular do Haras Kassunguê, em Sergipe, o criador José Milton mantém seus cavalos bem próximo à ‘meca’ do Quarto de Milha no Nordeste
Guilherme Andrade e o Doquinho

Animais

“A primeira fêmea Quarto de Milha PO que compramos foi a Conchik, uma potra linda que se tornou um excelente animal nas provas de Tambor e Baliza. Venceu muitas provas aqui em Sergipe e, principalmente, em exposições na Bahia. Outro animal que marcou muito no início foi um macho da raça Appaloosa, Cometa Quest Terra Roxa. Também muito bom e venceu muitas provas de Tambor e Baliza, muito habilidoso.

O que mais marcou foi o Winnin Dreams Doc. Um dos cavalos que nos deu mais alegrias, muitos títulos no Tambor e Baliza e seus filhos são craques na Vaquejada, Tambor e Baliza. Infelizmente ele partiu em 2019. Outro animal, sem dúvida, que marca a nossa história é o da raça Appaloosa Winnin Doc Gam FSN, carinhosamente chamado de Doquinho, filho do Winnin Dreams Doc. Esse é da família, meus filhos cresceram com ele, e ganharam muitas provas nele. O Doquinho tem mais de R$ 100 mil em prêmios e hoje é um dos nossos garanhões”.

Nando Moraes e Winnin Dreams Doc

Winnin Dreams Doc

“O ‘Doc’, como muita gente conhece, sempre foi um cavalo que impressionava por sua estrutura muscular, morfologia, habilidade e índole. Um verdadeiro Quarto de Milha e sempre passou tudo isso para seus filhos. Competiu e ganhou em muitas provas aqui no Nordeste e 2007 foi um ano que marcou. Doc venceu o Campeonato Nordestino em Pernambuco, no mesmo em São Paulo o Campeonato  Nacional ABQM e foi o campeão AQHA categoria Aberta.

Com admiração pelos títulos, índole e convivência , veio o afeto, um cavalo que só nós deu alegrias. Falar sobre ele é muito difícil, uma vida com nossa família, e de fato ele é da família!”

O cavalo

“Eu nunca vi o cavalo só como uma mercadoria de venda. Quem pensa assim nunca faz nada como criador. É claro que não vamos ficar com toda produção, temos que disponibilizar para o mercado o nosso sonho, indústria de cavalo não funciona, tem que gostar, procurar entender e viver o cavalo.”

Por Luciana Omena
Na foto de chamada: José Milton Moraes com Winnin Dreams Doc

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