Associações das duas maiores raças equinas do Brasil, Quarto de Milha e Crioulo, divulgaram nota de repúdio a declarações recentes do ex-presidente Lula

A força do cavalo na economia do Brasil não vem da maçã, e ultrapassa três milhões de pessoas, entre criadores, proprietários e trabalhadores. Com essa frase a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha abre nota oficial divulgada nesta quarta-feira, dia 21 de março, em repúdio a uma declaração do o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na última terça-feira, 20, durante ato em Nova Santa Marta/RS, que afirmou: “estou cansado de ver cavalo comendo maçã”.

A maior entidade equina do país diz nessa nota que reprova e rejeita esse tipo de concepção, que transmite uma falsa e equivocada visão do produtor rural, que além de maçã, produz todo o tipo de alimento que serve diariamente a mesa de mais de 200 milhões de brasileiros. “Para nós, a afirmação também é fruto de desconhecimento quanto à importância da criação de cavalos para o país, que possui a quarta maior tropa de equinos do mundo. De acordo com a Federação Internacional da Agricultura (FAO), o Brasil tem 5.496.817 animais, que além de capim, se alimentam de sal mineral e ração, produzidas por muitas empresas que geram milhares e milhares de empregos, e contribui significativamente para o agronegócio em todas as regiões do Brasil”, reforça o Presidente da Diretoria Executiva da ABQM, Edilson de Siqueira Varejão Júnior.

Cabe ressaltar ainda, segundo a nota da ABQM, que o setor fatura R$ 16 bilhões por ano, emprega cerca de três milhões de pessoas e cresceu 12% em dez anos. Esse número é reflexo do alto investimento em melhoramento genético, nutrição, medicamentos, além da ocupação de veterinários, nutricionistas, treinadores e muitos outros profissionais. E a perspectiva é de que o mercado nacional permaneça aquecido e em crescimento constante. “Por fim, reiteramos que sendo uma associação de raça, onde convivem em paz e fraternalmente milhares de associados criadores, proprietários, competidores e trabalhadores, somos contra a radicalização de qualquer espécie, que nada contribui para as soluções que o Brasil e os brasileiros tanto clamam e necessitam”, finaliza o Sérgio Ricardo Pulzatto, Presidente do Conselho de Administração da ABQM.

A Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos também divulgou uma nota de repúdio à declaração do ex-presidente Lula. Nas palavras de Lula, diz a nota da ABCCC, “Se eles (os criadores de cavalos) tratassem os empregados deles que nem tratam os seus cavalos, estariam muito bem de vida. Estou cansado de ver cavalo comer maçã e criança crescer sem poder comer maçã”. A Associação reitera que a raça Crioula sempre foi um ambiente familiar e de amizade entre as pessoas envolvidas com a atividade, no qual os funcionários são parte valorosa e fundamental. Eles são a base do trabalho e do desempenho que o Cavalo Crioulo vem conquistando ao longo dos anos Brasil afora.

“E neste conceito de família crioulista que sempre pregamos nunca caberia qualquer mal trato a quem seja, principalmente a todos os trabalhadores que fazem parte da nossa rotina. Nossa atividade gera no Brasil mais de 240 mil empregos diretos e indiretos, segundo números da Esalq/USP”, lembra Eduardo Suñé, Presidente da ABCCC. Só no último ano, reforça a nota, a Associação cresceu mais de 20% em número de eventos (mais de mil realizados) e acima de 40% em comercialização de animais. “Reforçamos mais uma vez que lamentamos a fala do ex-presidente Lula em um momento em que o Brasil necessita de união e soluções para superar uma crise onde o agronegócio vem contribuindo muito para amenizar”.

Por fim, a ABCCC reprova e rejeita esse tipo de posicionamento, que transmite uma falsa e equivocada visão do produtor rural como um todo, aquele que trabalha diariamente de sol-a-sol para produzir o alimento que vai a mesa de mais de 200 milhões de brasileiros.

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