Geral

Mapa revoga eutanásia de égua prenhe e portadora de AIE

Caso tomou repercussão após ser divulgado na grande imprensa. A AIE é uma doença infectocontagiosa causada por um retrovírus, que acomete equinos, asininos e muares

A égua Flor está prenhe e iria ser sacrificada por ter sido diagnosticada com Anemia Infecciosa Equina. Contudo, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento revogou a eutanásia, atendendo à solicitação feita pela proprietária do animal. Assim como ao recurso impetrado pela Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB-RJ, que solicitou ao ministério suspensão da medida até, pelo menos, o nascimento do potro.

Em nota, de acordo com a CNN Brasil, o Ministério da Agricultura informou que o sacrifício da égua prenhe está suspenso até a análise administrativa final. Acima de tudo, levará em consideração questões associadas ao risco de transmissão da doença para outros animais da propriedade. A peculiaridade do caso é o fato da prenhez da égua. Por isso, com o risco de transmissão do vírus por via transplacentária ao feto, a recomendação é uma quarentena após o nascimento.

Anemia Infecciosa Equina

A Anemia Infecciosa Equina é uma doença infectocontagiosa causada por um retrovírus, que acomete equinos, asininos e muares, provocando febre, anemia, icterícia, depressão, edema e perda de peso. Ela gera embargos no trânsito desses animais, afetando eventos esportivos e apresentando uma grande importância econômica.

Antes de mais nada, a AIE é transmitida, principalmente, pela picada de tabanídeos e moscas hematófagas, como a mosca do estábulo. Mas existem ainda outras vias de transmissão dessa doença, o uso de agulhas ou instrumentos cirúrgicos contaminados, além de transfusão sanguínea também podem promover a contaminação dos animais.

Conversamos com o médico veterinário Dr. Hélio Itapema sobre o caso:

“Um ponto importante de ser discutido frente ao caso ocorrido no Rio de Janeiro é a capacidade de transmissão através da monta, seja ela natural ou pela inseminação artificial feita com sêmen contaminado, e através da via transplacentária e da ingestão de leite.

Nós sabemos que a doença pode ser transmitida da égua para o potro através da gestação ou através da amamentação, mas estudos sugerem que a prevalência de potros oriundos de éguas soropositivas infectados com o vírus é baixa. Além disso, a transmissão intrauterina pode resultar em abortamentos. E, quando resulta no nascimento de animais infectados,eles frequentemente vão a óbito nos primeiros meses de vida.

Em contrapartida precisamos lembrar que se trata de uma doença de notificação compulsória, com grande importância para a saúde pública e que apresenta como uma das principais medidas de controle preconizada pela legislação, a eutanásia dos animais soropositivos.

Pensando nisso é importante sempre realizar a prevenção da doença, realizando seu controle na propriedade e testando todos os animais que irão participar de eventos como competições e leilões, lembrando que a testagem dos equinos para AIE é medida obrigatória para a emissão da Guia de Trânsito Animal.

Além disso, é importante realizar a testagem de todas as éguas e garanhões antes do início da estação de monta para que não haja risco de contaminação de animais com alto valor zootécnico e do rebanho brasileiro como um todo.”

Mapa revoga eutanásia de égua prenhe e portadora de Anemia Infecciosa Equina. Caso tomou repercussão após ser divulgado na grande imprensa
O Ministério da Agricultura revogou eutanásia de égua prenhe e portadora de AIE – Crédito da foto: Reprodução/G1

A égua Flor

A proprietária Paula Chelles conta que a égua foi resgatada, pois precisava de melhores cuidados. Como possuía um sítio na região serrana do Rio, adotou a égua e logo o bichinho se uniu à família. Em meados de maio, os donos perceberam o aumento de peso do animal e decidiram fazer um ultrassom, onde foi constatada a gravidez e a Anemia Infecciosa Equina.

Logo após o resultado positivo, o laboratório notificou o Ministério da Agricultura, que interditou a propriedade e notificou a decisão de sacrifício do animal. Paula e o marido tentaram ainda um novo teste, mas o pedido foi negado.

Importante lembrar que a AIE não é uma zoonose, ou seja, o equino não é vetor da doença para humanos. Os vetores para os cavalos normalmente são insetos, e os equinos só transmitem para outros equinos através de sangue e leite materno. Por esse motivo, segundo o Mapa, é imprescindível que o filhote seja separado da mãe imediatamente ao nascimento.

Por Equipe Cavalus
Fonte: CNN Brasil e Dr Helio Itapema

Crédito da foto: Reprodução/CNN

Veja outras notícias no portal Cavalus

X