O Mongol Derby — a corrida de cavalos mais longa do mundo — é, inegavelmente, uma aventura inesquecível. Os cavaleiros percorrem mais de 1.000 quilômetros a galope pela estepe mongol, trocando de cavalo a cada 40 km, contando com pura determinação, habilidades de equitação e um navegador GPS para completar o percurso remoto.
Em 2022, Jessie Dowling, de 40 anos, uma dedicada produtora de queijo e leiteira em Whitefield, Maine, Estados Unidos, ouvia um podcast enquanto ordenhava ovelhas e cabras, sem imaginar que em breve embarcaria em sua própria aventura que mudaria sua vida, competindo no Mongol Derby de 2023.
Tendo uma a rotina exaustiva, Dowling parou para refletir, durante a pandemia, sobre o rumo de sua vida como agricultora e sobre sua felicidade. Ela começou a passar mais tempo com seus cavalos — cavalgando, treinando, participando de clínicas — e ouvindo podcasts. Pensou que o Mongol Derby era só para profissionais, mas quando descobriu que não, algo despertou dentro dela.
Ao decidir competir, sem nunca ter participado de uma prova de resistência antes, Dowling buscou conhecer mais sobre a prova e se inscreveu em programas de treinamento para enduro. Como treino, ela completou sua primeira prova de distância limitada em 2022 e passou na entrevista, confirmando a ida ao Mongol Derby.
Sua preparação, que durou um ano, incluiu corrida, ioga, tarefas na fazenda usando uma mochila de hidratação, uso de uma prancha de equilíbrio para fortalecer os músculos e um curso intensivo de equitação, que mudou completamente sua forma de montar, com ajustes biomecânicos — galope sentada e posição estável por longos períodos. Do mesmo modo, investiu em pesquisar todos os pormenores da prova, a fim de se preparar 100%.

Mongol Derby como ‘divisor de águas’
As regras da corrida são rigorosamente aplicadas, priorizando o bem-estar dos cavalos e a segurança dos cavaleiros, já que passam das 7h às 19h cavalgando. Se conseguir chegar a um posto de descanso até às 19h, o competidor devolve o cavalo ao tratador, come algo e dorme em uma ger (tenda tradicional mongol). Mas se perceber que não conseguirá chegar ao próximo posto dentro do horário, precisa encontrar um local para passar a noite.
E assim Jessie Dowling enfrentou todos os desafios, dos alimentares, quedas, às diferenças de terreno. Montou 29 cavalos ao longo dos mais de 1.000 km, passou por todos os vet-checks com louvor (o bem-estar animal é rigoroso), curtiu solidão, paisagens deslumbrantes, medos com cavalos que não conhecia, mais de oito dias nessa jornada.
Quarenta e três cavaleiros largaram no Mongol Derby de 2023, mas apenas 25 terminaram, e Dowling ficou em 13º lugar. Ela diz que a experiência mudou sua vida, passando de uma cavaleira nível intermediário para avançado. Ao voltar para casa, o queijo da sua fazenda ganhou um prêmio importante no Festival de Queijos do Maine, mas ela se sentia vazia por dentro.
Imediatamente percebeu que não era mais aquela vida que queria ter, fazer queijos e leite já não mais a satisfazia. Prontamente vendeu sua empresa para se dedicar integralmente à carreira equestre — e não se arrepende nem um pouco.
Tradução e adaptação da Revista Horse Illustrated
Fotos: Cortesia de The Equestrianists
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