Brasileiros utilizam técnica inédita para evitar eutanásia com procedimento que antes era usado apenas em cães e gatos

A ostectomia em cunha, que corrige deformação óssea, foi utilizada pela primeira vez em um cavalo. Trata-se da cirurgia feita em uma potra no Paraná, que seria sacrificada pela má formação do osso da sua pata traseira esquerda – o terceiro metatarso. Essa anomalia é rara e atrapalha a vida de equinos por causa do ‘efeito dominó’, já que o osso deformado acaba entortando as demais articulações, como o quadril, joelho e cascos.

Especialistas de medicina veterinária da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) conseguiram salvar Bailarina através desse procedimento inédito em equinos. “O animal não consegue se apoiar, por causa da má distribuição de peso. Para que ele não sofra e tenha uma péssima qualidade de vida, a eutanásia muitas vezes era a solução”, afirmou José Ademar Villanova Júnior, professor da PUCPR.

Antes da cirurgia, os pesquisadores analisaram a anatomia da potra. É que se ela tivesse algum quadro genético de síndrome de formação, a ostectomia em cunha não seria aplicável. “Há síndromes que geram deformidades constantes. Felizmente, Bailarina se enquadra em uma posição de má formação, o que possibilitou a operação”, disse Villanova.

Antes e Depois

Durante o procedimento cirúrgico, parte do terceiro metatarso foi raspado e foram inseridos seis pinos para que o osso pudesse ser calcificado corretamente. O procedimento foi um sucesso!  Os veterinários trabalham agora em um artigo sobre a cirurgia para que o feito possa beneficiar outros cavalos e até outros animais quatrupedes, como bovinos.

“O quanto antes os bichos com deformação óssea forem operados, mais chances terão de sobreviver e preservar seu valor genético”, reforça o especialista. O exame radiográfico em Bailarina foi realizado quando ela tinha um dia de vida e a operação quando ela estava com 41 dias.

Bailarina, uma Puro Sangue Inglês, nasceu em julho de 2017, e logo após o parto a deformação foi identificada. Para que não fosse sacrificada, a Fazenda Experimental Gralha Azul da PUCPR decidiu adotá-la. Foi ideia de Villanova adaptar a ostectomia em cunha para ser aplicada primeira vez em um equino. Devido ao histórico de aptidão da raça, velocidade e resistência são o forte, agora a égua poderá ser, se for o caso, uma campeã de Turfe, por exemplo.

Bailarina no pós-operatório

A recuperação foi ótima: após 180 dias de pós-operatório de calcificação óssea total, os implantes foram retirados e a potra passou a se locomover corretamente, realizar todos os movimentos e até mesmo correr sem dificuldade. Hoje, ela vive uma vida normal.

Fonte: Globo Rural, Revista Galileu
Fotos: Divulgação

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