O cavalo Pantaneiro é rústico, porém domável e excelente para a lida do gado

O início da formação do cavalo que conhecemos hoje como Pantaneiro, se deu há mais de dois séculos, na região do Pantanal matogrossense, nos municípios de Poconé, Cáceres, entre outros. Inicialmente, a raça era chamada de ponconeano. A Embrapa associa a origem do Pantaneiro a cavalos Ibéricos trazidos ao Brasil na época da colonização.

Famosa por características inigualáveis, como a resistência no trabalho extremo e contínuo, capacidade para longas caminhadas e facilidade na lida com bovinos, a raça foi uma das atrações da Expoingá, a feira agropecuária de Maringá, no Paraná. Em sua primeira participação no evento, o Pantaneiro chamou atenção.

Um plantel de 35 exemplares das regiões de Poconé, Cáceres, Santo Antônio do Leverger, Aquidauana, Corumbá, Nossa Senhora do Livramento, Barão do Melgaço e planícies inundadas pelo Rio Paraguai estiveram em exposição na Expoingá, que aconteceu de 9 a 19 de maio. Também participaram na pista de julgamento os animais de vários criadores.

Cavalo Pantaneiro
Laudemir Alves de Oliveira em palestra sobre o Cavaleiro Pantaneiro. Foto: Expoingá

A estreia do famoso cavalo na feira foi parte do trabalho que a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Pantaneiro vem desenvolvendo para a divulgação das características da raça. A presidente da Sociedade Rural de Maringá, Maria Iraclézia de Araújo, e o diretor de Pecuária, Jucival Pereira de Sá, quiseram a presença do Pantaneiro na feira por considerarem que trata-se de uma raça que pode contribuir muito para o enriquecimento da tropa regional e paranaense.

Para apresentar o cavalo matogrossense aos pecuaristas presentes na Expoingá, a ABCCP levou a Maringá o médico veterinário Laudemir Alves de Oliveira, professor doutor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), que estuda a raça há quase meio século. Em palestra no auditório da SRM, Laudemir explicou que o cavalo Pantaneiro vem sendo apurado há quase 500 anos.

Segundo ele, os primeiros cavalos que participam da formação do Pantaneiro foram trazidos para a América do Sul pelos espanhóis quando da criação de Buenos Aires, na Argentina. Décadas depois, em luta contra índios que já viviam na região, os estrangeiros perderam parte da tropa para os nativos e muitos animais fugiram e, com o tempo, formaram grupos de cavalos selvagens, que aprenderam a sobreviver às duras condições do Pantanal.

Segundo o pesquisador da UFMT, ao longo dos séculos, várias raças de cavalos trazidas para a América do Sul acabaram cruzando com os animais do Pantanal e aos poucos foram sendo definidas as características que fazem o Pantaneiro atual.

Cavalo Pantaneiro
Foto: Info

Tornou-se um exemplo de resistência entre os cavalos, com capacidade para passar por períodos de forte umidade, com abundância de pastagens, e por tempos de seca, quando os pastos rareiam e praticamente desaparecem. Tanto na abundância de pastos quanto nos períodos difíceis, os exemplares mantêm praticamente a mesma aparência e nem mesmo chega a sofrer fissuras nos cascos.

O presidente da ABCCP, José Morais, diz que o número efetivo vem crescendo devido à valorização comercial e inúmeras qualidades da raça, entre as quais o seu valor funcional para o trabalho e esporte e valor adaptativo às condições ambientais.

Esta valorização, segundo Morais, leva criadores da raça no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul a se esforçarem na seleção e melhoramento, muitas vezes com utilização massiva de reprodutores que se destacam em exposições, o que garante a qualidade de seus descendentes sem comprometer a variabilidade genética.

O padrão Racial do cavalo Pantaneiro exibe qualquer cor de pelo, exceto albina. É um animal de porte médio, cuja altura mínima é de 1,4m para machos e 1,35m para fêmeas. Musculatura bem distribuída, tem constituição robusta e sadia, com ossos resistentes, articulações e tendões bem definidos. É altivo, vivo e dócil.

Colaboração: Expoingá e Rural Centro
Foto de chamada/crédito: Cultura Mix

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