Conversamos com Rodrigo Nieves para saber como foi a adaptação aos Estados Unidos e como estão sendo esses primeiros meses na América

Do Uruguai para o Brasil e agora para os Estados Unidos. Em 2012, os brasileiros conheceram Rodrigo Nieves, de Montevidéu diretamente para o Potro do Futuro de Rédeas da ANCR. Foi sua primeira prova oficial no Brasil e ele colocou seus quatro cavalos na final da Aberta e ainda ganhou o nível 2. Depois dessa estreia, só alegrias e crescimento na vida do treinador.

Ele se estabeleceu por aqui, passou a ser um dos nomes importantes das provas no Brasil, sempre mostrando talento e simpatia. Até que dia 8 de maio de 2019, ao lado da esposa Verônica e da filha Julieta, embarcou para viver o sonho de morar e treinar ao lado dos americanos.

A ideia é ficar para o resto da vida, mas o destino final ainda não está traçado. Por enquanto, estão curtindo essa nova experiência e aprendendo bastante. Após voltar do Tulsa Reining Classic, onde ficou em terceiro lugar no Novice Horse Open Nível 1, Rodrigo falou com a nossa reportagem. Confira:

Rodrigo, Verô e julieta
Rodrigo, Verô e julieta

Como surgiu o convite para trabalhar com Rédeas nos Estados Unidos?

Rodrigo: Nós começamos a pensar que precisávamos uma mudança em nossas vidas, mas não tínhamos claro ainda se dentro do Brasil, na Europa ou nos Estados Unidos. Compartilhando nossas ideias com o amigo Tomaz Marinho, com quem nos sentávamos todos os finais de dia para filosofar sobre a vida – aliás, que saudade desses momentos! – prontamente apareceu um convite do Roberto Jou para fazer uma experiência com Duane Latimer no final do ano passado.

Eu estava me preparando para correr o Super Stakes da ANCR e tinha até uma proposta de mudança para São Paulo, quando me falaram que tinha que dar resposta, pois a viagem já seria para breves dias. Era outubro de 2018 e eles precisavam de alguém para ajuda na preparação final do NRHA Futurity. Então aceitei e viajei para ficar 50 dias montando no CS Ranch com Duane.

Passado esses dias e com uma proposta boa para ficar lá e poder cuidar da minha família nos Estados Unidos, voltei para o Brasil a fim de me reunir com a família nas Festas de final de ano. Aproveitar para planejar as coisas com calma, já que tinha meu próprio negócio e trabalhava para pessoas que mereciam muito meu respeito na hora de tomar uma decisão desse tipo.

Quais foram as primeiras decisões?

Rodrigo: Primeiro, fazer o visto de atleta. O maior sufoco que tive na minha vida. Foi muito ruim esse tempo, pois demorou para que tivéssemos tudo aprovado. O visto podia ou não sair, então tivemos que aguardar. Os amigos perguntavam todos os dias e não podíamos falar antes que tudo estivesse ok. Inclusive, para os nossos clientes, nem nos tínhamos certeza do que iria acontecer e nem quando.

Como demorou mais do que o esperado, tomamos a decisão com no nosso negócio no Brasil, encerramos as atividades e nos entendemos com os clientes. Não era o que mais queríamos, mas as pessoas que tinham apoiado a gente por muitos anos precisavam e mereciam uma resposta imediata.

Rodrigo, Jorge Peña e Duane Latimer no aquecimento em Waco
Rodrigo, Jorge Peña e Duane Latimer no aquecimento em Waco

Mesmo tendo o apoio 100% de todos nossos clientes/amigos, tomamos a decisão de fechar o negocio e ir pra Uruguai esperar a reposta do visto. Algo que demorou mais dois meses, dois meses de agonia, sem montar, na cidade, na casa da minha família.

Tenho muito que agradecer ao Roberto Jou, porque ele realmente passou todo o sufoco conosco. Foram infinitos os momentos em que pensamos que não ia dar certo, mas ele estava sempre otimista, segurando as pontas. Tanto nos ajudando a ter paciência, quanto avisando ao pessoal nos Estados Unidos sobre o andamento do processo. Muito obrigado, Roberto!

Para passar o tempo, aceitei um convite de um cliente do Uruguai  para organizar um leilão e fui parar no hospital. Voei por cima do pescoço de um cavalo, que me disseram ser manso, mas após uma tomografia, nenhum osso quebrado. Pior tombo da minha vida! Mas como tudo passa, finalmente pudemos voar para a América.

Era um sonho trabalhar e apresentar cavalos nos Estados Unidos?

Rodrigo: Sim, com certeza! Toda pessoa que faz Rédeas sonha com vir correr provas aqui. Acredito que seja o máximo para a carreira de um treinador.

Onde estão morando e trabalhando?

Rodrigo: Estamos morando na cidade de Gordonville, no estado do Texas, trabalhando no CS Ranch, da família Schumacher.

Tulsa foi a primeiro prova que fez?

Rodrigo: Não, minha primeira prova foi em Waco, Texas, e marquei 73 na Novice Horse Open.

Jorge Peña, assistente do Duane há 20 anos, se tornou um grande amigo para Rodrigo nesse período. Jorge ajuda muito no dia a dia e inclusive traduzindo tudo que Duane precisa falar para que Rodrigo possa aplicar com os cavalos
Jorge Peña, assistente do Duane há 20 anos, se tornou um grande amigo para Rodrigo nesse período. Jorge ajuda muito no dia a dia e inclusive traduzindo tudo que Duane precisa falar para que Rodrigo possa aplicar com os cavalos

Como é montar ao lado de tantas feras?

Rodrigo: Montar entre tantas feras é muito bom, aprendo muito a cada dia. Montar do lado do Duane Latimer está sendo extraordinário. E a melhor parte é que ele está tirando o melhor de mim como cavaleiro. Na verdade, a minha primeira prova começou saindo da casa dele

 Minha apresentação não foi pensando nos juízes e sim pensando no que ele acharia de mim como apresentador. Ouvir um ‘Good’ (Bom) dele não é nada fácil (risos). Ele gosta muito do detalhe, tem um programa de treinamento e uma experiência gigante.

O que tem aprendido e mais valioso que está agregando na sua carreira?

Rodrigo: O mais valioso aqui, como no Brasil, são as pessoas. Tem que ser dedicado, trabalhador ao máximo, respeitoso. Tem que ser como uma apresentação de Rédeas, sendo que o equilíbrio de tudo é o mais difícil.

CS Ranch no Texas
CS Ranch no Texas

E como tem sido a adaptação?

Rodrigo: Sobre a adaptação ao trabalho com os cavalos foi imediata, pois acho que nosso trabalho no Brasil estava muito correto. Sobre a adaptação a um novo idioma, e novamente passar a falar com língua de senhas, como quando cheguei a Porto Alegre. As pessoas riem, o Duane não entende nada, mas aos pouco vamos falando. Em definitiva, a linguagem do cavalo é uma só!

A Verônica, minha esposa, sempre companheira, está muito feliz, isto é a vida dela também. Era um sonho para ela estar aqui com os cavalos, mesmo antes de casar comigo. A Julieta, nossa filha, é uma pessoa muito especial. Realmente quero ser como ela na minha próxima vida. No começo todo mundo ficava assustado do jeito que ela anda entre os cavalos, agora já entenderam que ela os doma mais rápido que nós mesmos.

Realmente a condição de trabalho aqui é muito melhor para as pessoas e para os cavalos. Isso me faz admirar muito mais a todas as pessoas que deixam tudo no Brasil para viver o sonho de ser cowboy. Podem crer, que são mesmo!

Hoje estar trabalhando nas condições do CS Ranch e sobre a condução do Duane é a certeza de ter entrado nos Estados Unidos com o pé direito!

Julieta
Julieta

Por Luciana Omena
Fotos: Cedidas

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