Osmir Francisco e uma história de vida dentro do cavalo

Criado em fazenda, o mundo rural sempre foi a sua vida. De forma natural, ele seguiu o caminho para se profissionalizar e poder viver do cavalo

Para Osmir Francisco dos Santos, 35 anos, natural de Martinópolis/SP, conviver com bois, cavalos, fazenda, rancho, estrada de terra é algo bastante natural. Nascido e criado em fazenda, desde muito cedo ele tem contato com cavalos e o ambiente da vida no campo é familiar desde sempre. Hoje morando em Rio Claro/SP, ele toca o próprio centro de treinamento, especializado em Ranch Sorting.

Top 10 no ranking da ABQM na modalidade, Osmir soma 209,50 pontos de registro de mérito, com mais de dez classificações em primeiro lugar em provas oficiais ou oficializadas do Quarto de Milha. De um começo autodidata, sem apoio dos pais, ele seguiu sua paixão, buscou conhecimento e tornou-se um dos treinadores respeitados em Ranch Sorting. Sua habilidade, vez ou outra, é utilizada também em outros esportes. Confira na entrevista a seguir!

Como era quando você começou a ter contato com cavalos?

Osmir: Quando chegávamos da escola, eu e a molecada vizinha ficávamos treinando laço no cavalete até tarde! Era a brincadeira que a gente mais gostava (risos). Mas, a história que mais me marca, foi de quando eu tinha uns 13 anos e assistia em fitas-cassete vídeos dos americanos laçando. Eu queria aprender mais sobre como mexer com cavalo. Meu vizinho tinha uma potra domada e me disse que se eu conseguisse treiná-la, podia competir nas provas. Como, na época, não tinha condições de ter um cavalo, aceitei. Consegui inicia-la no laço e treinar com ela somente assistindo aos vídeos americanos.

Como foi sua primeira prova:

Osmir: Foi de Laço em Dupla, em Martinópolis mesmo. Era um treino pago e eu laçava cabeça. Ganhei esse treino pago e meu pai estava lá. Ele não me apoiava. Quando cheguei em casa perguntei para minha mãe o que ele tinha achado e ela disse que ele comentou que eu só lacei porque os bois eram mansos e não por meus méritos.

Mas você continuou firme e forte?

Osmir: Depois disso, nunca mais parei. É uma paixão inexplicável, algo em mim que existe desde que nasci! Decidi não trabalhar mais com minha família e fui trabalhar com a Simone Zamora, nos Três Tambores. Algum tempo depois, fui convidado a trabalhar em Rio Claro, ainda com tambor. Ainda trabalhei para outro cliente, mas com cavalos de Laço de Bezerro, Team Penning e Três Tambores. Até que em 2011, eu e minha esposa Clarissa montamos nosso próprio rancho, onde estamos até hoje, e nos tornamos especialistas em Ranch Sorting.

E como percebeu que levava jeito para treinar cavalos?

Osmir: Acho que depois que treinei aquela potra, quando ainda nem imaginava que tudo isso podia acontecer. Sem recurso nenhum, consegui inicia-la no laço e ir bem nas provas. tive mais certeza do que queria.

Atua em outras modalidades?

Osmir: Já fiz em outras épocas, e de vez em quando ainda participo. Além do Ranch Sorting, Team Penning, Três Tambores, Working Penning, Team Roping, Laço de Bezerro e Bulldog.

Qual cavalo que mais te marcou?

Osmir: Smokin Streak. Desde a doma ele se mostrou ser um excelente cavalo. Tem um coração enorme e dá o seu melhor dentro da pista, sempre! No começo, eu tentei vende-lo, pois era muito arredio e estava precisado levantar um dinheiro, mas ninguém quis. Então comecei a trabalhar com ele e quando o coloquei no boi percebi que era diferente. Hoje ele é um fenômeno e tornou-se o garanhão mais pontuado do Ranch Sorting com sete anos apenas. Ganhou o Congresso e o Nacional antes do Potro do Futuro.

Qual a prova que você nunca esquece?

Osmir: Ganhar Barretos no Working Penning, porque Barretos é o maior rodeio da América Latina!

Principais títulos:

Osmir: Tricampeão AQHA, bicampeão Copa dos Campeões ABQM, Campeão Congresso ABQM, campeão Nacional ABQM, reservado campeão Potro do Futuro ABQM, classificado duas vezes para o Mundial AQHA no Texas (Estadis Unidos), campeão em Barretos  Working Penning, ganhador de mais de R$ 100 mil em prêmios.

Por que Ranch Sorting?

Osmir: Porque é uma prova que me identifiquei muito, exige treinamento, cavalo bom e técnica.

Qual título que ainda não tem e deseja conquistar?

Osmir: Ser campeão mundial de Ranch Sorting!

Por Luciana Omena

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