Hoje ele monta em rodeios abertos e tem o sonho de disputar pela PRCA

Começar uma carreira de rodeio no Brasil, enfrentar todas as dificuldades, ganhar nome, ganhar ritmo em cima dos touros, vencer rodeios, ter reconhecimento e depois ir para os Estados Unidos. Esse é o caminho de 99% dos competidores que chegam à América para competir, seja na PBR ou PRCA, ou até mesmo em rodeios abertos.

Talvez seja também esse o caminho para quem escreve textos, falar de alguém que ganhou um rodeio, um campeonato, ou está no topo do mundial de montarias. Mas hoje vai ser tudo inverso. Conheci uma história diferente, de um competidor pouquíssimo conhecido no Brasil. Ele não ficou muito tempo aqui, pois resolveu construir sua carreira em outro país. Mas por aqui, a história de Vitor de Mello foi semelhante à de muitos.

Começou a montar escondido dos pais, em um sítio em Taguaí, interior de São Paulo. “Tudo começou de brincadeira, aos 14 anos, no sitio de um primo, o Rafael. Logo falei para meu pai que queria montar, ele ficou em silêncio, nem aprovou, nem colocou impedimento.  O problema foi quando falei para minha mãe, ela foi mais dura, disse que não ia apoiar, mesmo assim eu continuei”.

Aos 17 anos conseguiu uma vaga no Rodeio Júnior de Barretos, chegou a montar nos rodeios profissionais de Taguaí e Fartura, também em São Paulo. Porém sua trajetória no Brasil acabou sendo mais em bolões (rodeios amadores), onde conseguiu duas vezes o título na Cia Gato Preto, no município de Avaré. “Eu vi que era isso que queria, que era meu sonho, então resolvi correr atrás do meu visto. Fui para os Estados Unidos em março desse ano”.

São meses que ele, agora com 18 anos, mora nos Estados Unidos. Tentando um ‘lugar ao sol’, ‘fazer a vida’ no esporte Montaria em Touros. Ele já se sustenta com a profissão, embora receba ainda alguma ajuda dos pais, que trabalham e residem no Brasil. “Você tem um leque de oportunidades aqui bem melhores para montar em rodeios, há mais chances. A grande dificuldade daqui são os touros, são muito diferentes dos animais do Brasil”.

Quem acompanha a PBR, onde estão todos os brasileiros que montam em Touros, nunca viu o nome de Vitor. Talvez você esteja curioso para saber por quê. Vitor está fazendo o caminho correto de adaptação aos touros americanos. “Eu monto mais em rodeios aberto e rodeios da UPRA. É preciso se adaptar e ir subindo os degraus, sem pular etapas. Os animais são extremamente qualificados”.

Entre os resultados, Vitor já conseguiu um título na cidade de Madill, Oklahoma. Como todos os brasileiros, ele também tem uma rede de amigos que viajam juntos e se apóiam. “Quando eu cheguei aqui, morei com o João Augusto Cezere, mas hoje moro em um rancho, pois o aluguel é mais barato. Acabo dando uma mão, esporadicamente, para o dono, que cria cavalos”.

Seus companheiros de viagem são os competidores Marcelo Procópio ‘Carreirinha’, João Cezere, entre outros. “Ter outros brasileiros aqui ajuda muito, você consegue as coisas com mais tranquilidade e segurança”. E a PBR? “Claro que sonho em estar na PBR, mas preciso adaptar mais e abrir meus espaços, principalmente acostumar com os animais daqui”.

Quando conversamos com Vitor de Mello, sentimos que era um assunto delicado falar de PBR. Mas ele está certo de sua posição, de que seja algo para o futuro. Muitos tentaram direto e não tiveram sucesso. Acabaram voltando para o Brasil sem conseguir o que imaginavam. Vitor está tendo a paciência, o que é admirável, já que, tem tudo muito perto e ao seu alcance.

“Sempre vemos os competidores que estão no topo da PBR por aqui no Texas. Há alguns eventos aqui perto, mas é preciso esperar meu momento. Tenho que me preparar para ele, fazendo o que escolhi para minha vida que é montar em touros. Agradeço meus pais e meus amigos que estão acreditando em mim e espero fazer uma carreira e meu nome nesse esporte.”

Por Eugênio José
Foto: André Silva

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