João Ricardo Vieira é o nome do momento na Montaria em Touros mundial e se classificou através da Liga Nacional de Rodeio para o The American

São três as maneiras de disputar o The American, rodeio de dois dias que premia com mais de US$ 2 milhões: Os principais competidores dos Estados Unidos em suas modalidades recebem convites; há o que eles chamam isenção, que são convites para competidores de destaque caso eles não estejam no topo dos rankings e não recebam os convites diretos; e a terceira forma é através da Semifinal.

Para a Semifinal, realizada sempre na semana que antecede o evento principal, são realizadas classificatórias em todo território americano e também no Brasil. Isso mesmo! Através de parceria importantes, competidores brasileiros de várias modalidades, que não moram nos Estados Unidos, também têm a chance de chegar à disputa milionária do The American. O evento foi realizado esse ano dias 2 e 3 de março, em Arlington, Texas, no AT&T Stadium.

Entre os campeões, um brasileiro sagrou-se bi! João Ricardo Vieira está na melhor fase de sua carreira. Desde janeiro, montando pela PBR nos Estados Unidos, ganhou três etapas da divisão principal, ajudou o time Brasil a ser campeão da PBR Global Cup, venceu o seu quarto Iron Cowboy e é o segundo melhor do ranking mundial dessa associação. Para fechar esse bimestre com chave de ouro, ganhou o The American na modalidade Touros.

E esse título começou a ser construído no Brasil. Foi em 2018, um ano em que ele não estava montando bem, que essa trajetória teve início. Ele, que sempre esteve entre os cinco melhores do mundo, terminou a temporada na 21ª posição. Contusões na mão, joelho, e um pouco de ‘azar’ quando se classificava para as finais das etapas, dificultaram sua vida.

O mau rendimento nas arenas fez com que ele perdesse seu principal patrocinador. Sorte da Cooper Tire, que o pegou para esta temporada. O diretor de marketing com certeza está com o sorriso de orelha a orelha!

João Ricardo ao lado da família e dos diretores da LNR em Arlington

Em sua carreira, é comum vê-lo indo atrás de rodeios para montar, já que não consegue ficar mais de uma semana sem participar. Gosta de estar em cima dos touros, não quer saber de descansar, não. Quando todo mundo está de férias, ele faz um cronograma diferente.

Por exemplo, já foi ao Calgary Stampede, maior rodeio do Canadá – entre os três maiores do mundo – três vezes. Calgary acontece em julho, época de pausa na PBR americana. Até arrumar rodeio na Costa Rica ele arrumou. E no Brasil, quando vem ‘descansar’, sempre que pode está montando.

Tanto é que conseguiu ser finalista do Circuito Rancho Primavera ano passado por estar bem posicionado no ranking e ter participado das etapas regulares quando pôde. Se nos Estados Unidos as coisas não iam bem, João fez uma boa temporada no Brasil, entrou em diversas finais, principalmente no final do ano.

Já estava com a cabeça na nova temporada quando venceu a etapa final do CRP em Quintana/SP. Tudo isso era um sinal de que as coisas iam melhorar. Como não estava bem posicionado no ranking mundial da PBR, não conseguiu vaga em Calgary ano passado. Portanto, sabia que não havia chances de ser convidado para o The American.

Outro entrave: havia uma possibilidade de o Brasil ter uma vaga direta para o The American, o que não aconteceu devido a parceria do evento com a PRCA. Se ele quisesse estar em um dos maiores rodeios do mundo, teria que procurar outro caminho. E achou uma saída no Brasil.

A Liga Nacional de Rodeio tem uma parceria com o The American e oferta vagas durante a final de temporada. João Ricardo, então, fez de tudo para poder conquistar uma delas. Mudou sua agenda, pegou um vôo para o Brasil em agosto, para estar em Barretos, montar a final da Liga Nacional de Rodeio. Mas essa vaga direta pela LNR também não deu certo.

É uma maratona conseguir chegar à Semifinal do The American e João não desistiu. Com suas vindas constantes ao país, participou de outra etapa da Liga Nacional de Rodeio que também daria uma chance, e aguardou. Um dos classificados não conseguiu o visto, o próximo da fila era ele, deu tudo certo. A Semifinal do The American é o encontro de competidores que participaram de várias classificatórias e João Ricardo entrou pelo Brasil.

“Acho muito importante essa parceria da Liga Nacional de Rodeio com o The American, ajudando e dando oportunidade para os competidores brasileiros virem para esse evento, que é maior do mundo hoje”, fala João.

E ainda reforça: “Todo semifinalista pagam uma taxa de mil dólares, é tradição nos rodeios aqui pagar inscrição. Mas tanto eu, como os demais competidores que se classificaram pela LNR, não pagamos nada. Graças aos esforços do Marcos Abud e da Liga Nacional de Rodeio”.

Rubinho Gouveia (LNR), João Ricardo segurando seus cheques simbólicos, e Marcão Abud, presidente da LNR

Em sua reflexão, João conta que ainda não está conseguindo decifrar o que está acontecendo com ele nesse momento muito especial. “Estou muito feliz, muitas coisas acontecendo de forma positiva. Acredito que agora é continuar dedicando. Nossa carreira é curta, então eu acho que eu me propus a fazer isso, montar em touros, tento aproveitar todas as possibilidades”.

“Continuo com meus sonhos, ser campeão mundial é um deles. Embora eu viva um bom momento dentro da competição, é um caminho muito longo, preciso continuar me dedicando. Ganhei muitas coisas, mas há outras ainda a serem conquistadas, como Calgary, Barretos. Rodeios que todos querem estar e quer ganhar, comigo não é diferente, vou continuar dando meu máximo”, finalizou o bicampeão.

Foi uma edição do The American especial para a Liga Nacional de Rodeio desde que a parceria começou em 2015. Esta foi a primeira vez que um classificado pelo Brasil conseguiu o título. Em 2017, Claudio Montanha esteve muito perto, ficando em segundo lugar. E os envolvidos diretamente estão em êxtase e felizes com os resultados.

Vale lembrar que não só João Ricardo chegou à disputa principal, como Manoelito Junior e Junior Patrick, Classificados também pela LNR, foram ao Texas, em Fort Worth para as Semifinais, montaram bem e conseguiram vaga para o The American, estando entre os 26 bullriders que fizeram a primeira rodada de apresentações.

“Todos fizeram um esforço para aproveitar bem essa oportunidade e isso vai motivar outros competidores lá no Brasil”, explicou Marcos Abud, presidente da Liga Nacional de Rodeio. “O João se prontificou a participar dos nossos eventos no Brasil, fez um esforço para estar em nossa final, me ligou dizendo que se algum peão não viesse a vaga era dele, com certeza é um cara esforçado e merece essa vitória”, concluiu Marcão.

Colaboração: Eugênio José
Fotos: Divulgação

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