Muito se fala que o rodeio não tem mais público. Especificamente o público de montarias

Claro que sou consciente o suficiente para saber que hoje o público só de shows é muito maior que o só de montarias. Há também quem goste de tudo e são muitos. E já quero deixar bem claro que cada rodeio tem um formato, um público, uma situação, uma economia. Não quero com este texto fazer campanha de nada, quero apenas relatar o que vivi.

Trabalhei como comentarista em uma etapa do Top Team Cup, na cidade de Restinga/SP, uma realização da Prefeitura e Câmara Municipal de Restinga, com organização da Prates e Prates, do Fabão. O campeão do evento foi o competidor goiano Josevaldo da Silva Santana, de Jataí/GO.

Era entrada franca em um recinto todo pavimentado. De um lado a arena de rodeio e de outro o espaço para os shows. Não houve competição entre um público e outro, apenas foi vibrante tudo o que aconteceu com as pessoas que se prontificaram a assistir as montarias.

Gosto de chegar cedo ao evento. Quando a portaria abriu em Restinga, eu já estava lá. E via como as pessoas chegavam realmente muito cedo, logo lotavam a arquibancada para assistir as montarias. Quem demorava um pouco mais, precisava ficar em pé ao lado da arena. Quando o rodeio começava, não tinha mais lugar, tudo lotado.

Como nosso esporte tem ligação forte com o homem do campo, das fazendas, há também aqueles que moram nas cidades, mas tiveram seu passado enraizado no interior. Obviamente, quando acontece de um evento proporcionar um rodeio com entrada franca, o público aparece. Não é uma regra, mas na maioria das vezes dá certo.

Pódio

Há muitos rodeios com essa com esse formato, mas como dividem a mesma arena para shows e montarias fica difícil medir o que acontece, ou porque eles estão ali. Lá em Restinga, foi interessante. Primeiro, como relatei acima, do público comparecer e lotar. Geralmente, quando troca o locutor, boa parte some das arquibancadas.

 Lá não, ninguém arredava o pé. Havia vários competidores da cidade e eles vibravam muito. Porém, vibravam da mesma maneira quando outro competidor vencia seu touro. Só um competidor da cidade passou para as semifinais, Leidson Marques. Ele havia marcado a melhor nota na primeira noite, apenas 16 anos de idade. Caiu no sábado, entrou com uma queda na semifinal e fez uma grande montaria. A euforia era contagiante.

Quando foi anunciado que Leidson havia passado para a final, a euforia tomou conta de todo o recinto que estava lotado. Na final o competidor ‘prata da casa’ caprichou novamente marcando a maior nota, 87 pontos. Que loucura!

Nem ouse imaginar que o público parou de gritar! Vibraram nas outras seis paradas da final. A última expectativa era se Ledison havia ficado entre os cinco primeiros e subiria ao pódio. Bingo! Ele conseguiu. Ir embora na hora da entrega de prêmios? Negativo! Público todo ficou lá para ver o representante deles subir ao pódio.

E, para finalizar a participação esplêndida do público de Restinga, quando acabou a premiação, e eu fui conversar com o campeão do lado do pódio, olhei e havia uma fila com dezenas de pessoas. Queriam uma foto com o competidor da cidade, Leidson, que ficou em quinto lugar.

Algo que só havia visto nos Estados Unidos, em Las Vegas, no Texas, estava vendo ali, no interior de São Paulo, na Festa do Peão de Restinga. Foi uma experiência surpreendente e única a atuação do público de Restinga. Quando o público de montarias aparece, eles fazem a diferença!

Por Eugênio José
Fotos: Cedidas