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Lili Gontijo conta sua vida com os cavalos e o Laço

Ela é juíza Oficial ABQM para Três Tambores, Médica Veterinária, treinadora e laçadora

Quando Lilian D’Almeida Gontijo, 36 anos, nasceu sua família já mexia com cavalos. Ainda bebê, já andava a cavalo com os pais. E montou sozinha pela primeira vez aos 2 anos de idade em um cavalo chamado Pingo.

Sobretudo, hoje ela é formada em Medicina Veterinária pela UFMG (2002/2006), tem Residência Veterinária em Grandes Animais pela UnB (2007/2008) e Mestrado em Ciência Animal/Bem-Estar Animal de Equinos também pela UFMG (2009/2011).

Mineira de Divinópolis, Lili Gontijo treina no Rancho Alegre, localizado no bairro que também se chama Rancho Alegre, em sua cidade, de propriedade de sua família. De fato, entre as primeiras recordações, lembra-se de proferir a frase ‘Paiê cadê o mom (boi)?’ assim que aprendeu a falar.

Desse modo, talvez por ter crescido rodeada de cavalos, bois, pasto e fazenda, tenha tomado esse rumo. No lombo de Pingo, na época com 28 anos, que seu pai havia ganho de presente quando ele tinha 8 anos, Lili Gontijo talvez tenha moldado sua história.

Fomos conversar com ela para sabe tudo. Confira!

Com Pingo – Foto: Arquivo Pessoal/Lili Gontijo

Família

“Meu avô paterno era tropeiro, cuja tropa de rodeio levava seu nome, Zé Capitão. Foi a primeira tropa de rodeio do país. A convite do Clube Os Independentes, desde a primeira festa de Barretos em 1956, por várias vezes levou a tropa ao rodeio. No começo viajavam de trem, posteriormente a tropa percorreu o país de caminhão.

Meu pai, Rosenwald Mourão Gontijo, é Zootecnista formado pela UFV. Sempre trabalhou na fazenda, gosta muito não só de animais, mas também de gado de corte. Hoje ele laça pé comigo também.

Minha mãe, Marli Nogueira d’Almeida, é Fisioterapeuta. Assim como todos em casa, também ama os animais e a vida rural, simples. Começou a construir nosso rancho em 1996, fez Hipismo um tempo e trabalhou com Equoterapia muitos anos.

Por fim, meu irmão Marcus tem 33 anos, gosta muito de cavalos e anda na Equoterapia com mamãe. Adora passear no rancho, ouvir música sertaneja, especialmente Chitãozinho e Xororó. Moda de viola e piano (toco para ele). Ele nasceu com paralisia cerebral grave e microcefalia.

Agradeço muito a meus pais pelos valores que me passam a cada dia, por me darem a oportunidade de crescer em contato com a natureza e os animais. Acima de tudo, por sempre me ajudarem em tudo o que podem para que eu esteja com os cavalos”.

Lili Gontijo conta sua vida com os cavalos e o Laço
Com os pais ainda pequena em uma cavalgada – Foto: Arquivo Pessoal/Lili Gontijo

Começo

“Iniciei nas competições aos 4 anos, em provinhas de Cinco Tambores, Maneabilidade e Velocidade, Seis Balizas e Três Tambores. De modo que treinava em uma pista de grama imensa no Parque de Exposições de Divinópolis.

Meu primeiro cavalo de nome Palomino era tordilho. Com 5 anos passei para o Trovão, um pampa, companheiro de cavalgadas, passeios na fazenda, saltando buracos e troncos e acompanhando os peões na lida com o gado.

Posteriormente, passei a montar no Espírito, outro pampa, que corria e fazia curvas com mais facilidade que o Trovão por ser de trote.

De 1994 até 1996 fiz Hipismo Clássico com um dos cavalos da fazenda, Xerife. Ele era de trote e tinha facilidade para galopar e saltar. Meu pai havia feito para mim um par de paraflancos com varas e eu já treinava saltos com ele. Participamos de Cross Country, Enduro e depois Três Tambores também.

Uma prova que me marcou no Hipismo foi num centro hípico – CEPEL – em Belo Horizonte. Ganhamos e no final as pessoas vieram me perguntar de que raça era meu cavalo, pois o Xerife era menor e sem uma conformação definida, comparado com os outros cavalos de Hipismo.

Em 1996, mamãe começou a construir o rancho, quando tive a oportunidade de treinar em pista de areia, ainda nos cavalos da fazenda: Trovão, Espírito, Relâmpago e Xerife, todos SRD (Sem Raça Definida)”.

Com Xerife em BH, Hípica Cepel – Foto: Arquivo Pessoal/Lili Gontijo

Quarto de Milha

“A primeira vez que montei um Quarto de Milha foi num curso que fiz de Tambor e Baliza com o Fernando Quintão, em Nova Era/MG, em 1996. Nesse mesmo ano ganhei meu primeiro Quarto de Milha, tinha 2 anos, chamava Backer Jay DBM, baio, ½ sangue.

Desde 1993, com 10 anos, eu ia à bancas de revistas para comprar a Hippus, um tempo depois a Horse Bussines. Fazia recortes das fotos que mais gostava e colava num quadro na parede do meu quarto. Era tipo um quadro dos sonhos.

Lia os artigos que ensinavam a mexer com cavalos, do manejo à equitação. Foi assim que nas minhas férias segui o passo a passo para domar o Backer. Passava horas mexendo nele, às vezes via meu pai me olhando na varanda da casa, era uma segurança que eu tinha.

Backer ficou mansinho, rodei na guia, coloquei sela, não pulou, charreteei, passei muitos dias mexendo nos currais lá da fazenda. Quando chegou a hora, chamei meu pai, ele segurou e montei, tremendo de medo.

Não pulou, no entanto eu não tinha controle ou respostas a sinal nenhum (risos). Ele quis sair correndo, meu pai segurou e eu desci. Ficou um cavalo manso, mas meio pesado de boca. Alguns treinadores trabalharam com ele, corri Tambor, mas não ficou um cavalo competitivo.

No meu aniversário de 15 anos em 1998, na escolha por festa ou viagem, optei por um cavalo. Ganhei o Denver NB, um alazão, QM mestiço ¾”.

Lili Gontijo conta sua vida com os cavalos e o Laço
Aos 13 anos com Backer Jay DBM – Foto: Arquivo Pessoal/Lili Gontijo

Conhecimento e descobertas

“Logo depois, na busca por mais conhecimento, em 1998 meu pai levou a mim e nosso treinador na época para um curso de Três Tambores com a Kelly Polizello e seu treinador, Joaquim Rodrigues, em Mirassol/SP. Fiquei encantada com a família Polizello, me hospedaram na casa deles e me trataram com muito carinho. No ano seguinte, Joaquim veio dar outro curso no nosso rancho em Divinópolis.

Em 1998 e 1999, meu pai me levou a Barretos, algumas amigas da minha cidade estavam lá correndo Tambor. Fiquei apaixonada e meu sonho passou a ser competir naquela arena. Em 2000 ganhei a Carioca, uma égua tordilha de linhagem e porte físico muito bons, primeiro animal que tive de nível para competições.

Nas provas que participei com a Carioca ficava bem classificada. Planejamos de irmos a Barretos em 2002, se eu conseguisse passar no vestibular. Em janeiro de 2002, no último dia do meu vestibular, a Carioca morreu. Meus pais me contaram só no dia seguinte. Passei em um vestibular bem concorrido da UFMG e ainda me sentia triste pela perda da minha égua”.

Nos Três Tambores com Tander Cats – Foto: Divulgação/César Duarte

Crescimento

“Em 2004 passei a correr em Charlotte, uma égua ‘sistemática’. De tal forma que na primeira prova que fomos a gamarra que ela usava para ‘apoio’ arrebentou. Batemos na cerca no final da passada, quebrou a régua, deu um corte na cabeça dela. Fizemos o melhor tempo, mas não pudemos retornar para a segunda passada.

Corremos a Divinaexpô, que foi etapa da ANTT, classificamos para a noite na sexta e ficamos em quinto na semi. Não fomos para final, mas fiquei feliz, pois foi a melhor colocação que eu havia obtido até então no meio de meninas de alto nível.

No final de 2004 passei um mês na Universidade do Cavalo, aprendendo sobre administração de centros equestres e fiz o meu primeiro curso de Horsemanship, com o Aluísio Marins. Sempre em busca de crescer e melhorar minha equitação busquei soluções. Passaram alguns treinadores pelo rancho, sou grata a cada um deles.

Por alguns períodos ficamos sem treinador, então eu montava os meus cavalos e os das alunas. Em resumo, também deu certo nas provas que fomos.

Escutava de pessoas próximas que montar cavalo era um hobby, que só gastava dinheiro. Que era muito bom na vida eu ter algo que me deixava feliz e que recarregasse as minhas energias dessa forma, pois era nítido que montar a cavalo me curava de qualquer gripe, dor de cabeça, tristeza e cansaço. Mas que era imprescindível eu ter uma profissão e uma forma de ganhar dinheiro para sustentar esse hobby”.

Lili Gontijo conta sua vida com os cavalos e o Laço
Com Noble San JA, no Mega Three Friends, com Gustavo Gaiotto – Foto: Divulgação/Edsinho Costa

Laço

“Continuei a faculdade sentindo falta de treinar e participar de provas. Por mais que eu me esforçasse, os cavalos que tinha não eram competitivos. Foi então que decidi mudar de modalidade, um cavalo de laço seria viável financeiramente. Pensei no Laço de Bezerro, pois já havia passado no rancho um treinador que laçava bezerro. E eu batia cavalete e havia brincado de peiar algumas vezes.

Mas vi que a partir de um certo ponto eu não seria competitiva pelo limitante da força física em comparação aos homens. Minha mãe (fisioterapeuta) também achou ruim por lesões que eu já havia tido nos joelhos. Estava resolvido, fui procurar um cavalo de Laço em Dupla e optei pela cabeça.

Em 2005 meu pai e eu fomos procurar cavalo em São Paulo. Fomos a alguns ranchos, montei cavalos que não gostei, até que cheguei ao Aldair da Silva ‘Cheirinho’. Com quem fiz um curso de três dias e no fim comprei o cavalo que fiz o curso, Noble San JA, do Sr Luiz Chiaverini, da Rodeo Way.

Noble foi meu fiel companheiro, paciente, experiente, perfeito para mim, que me acompanhou por muitas provas. Sobretudo, o laço era um desafio. Além disso, quanto mais eu me esforçava mais resultado eu tinha, o que não estava ocorrendo no Tambor, onde os treinadores diziam que eu já ‘tirava água de pedra’ dos meus cavalos”.

Com Noble San JA, CPLD 2011, com Luan Viero – Foto: Divulgação/Miguel Oliveira

Noble

“Levei o Noble para um rancho perto de Belo Horizonte e conciliando com a faculdade comecei a treinar laço com o Gil, um grande amigo até hoje. Dessa forma, onde eu estive o Noble e meu cavalete estavam comigo. Gosto de ir à academia, de me exercitar, me desafiar. Incluí o cavalete no meio disso, é prazeroso para mim e mais uma forma de trabalhar meu corpo e minha mente”.

Em 2007 me mudei para Brasília para fazer residência no Hospital Veterinário da UnB. Um mês depois levei o Noble para lá. Foi o primeiro ano que participei do Nacional ABQM, nas minhas férias da residência.

Quando tinha folga do hospital eu ia treinar, com o falecido Cleiton Dias. Quando eu podia. íamos a provas pela região e em Goiás. Foi o período que eu mais treinei e corri prova. Teve vez de eu correr uma final às 2h da manhã em Goiânia e entrar para o plantão no hospital em Brasília às 7h. Deixava o Noble num piquete do hospital até o dia que pudesse levá-lo de volta para o rancho.

Em fevereiro de 2008 terminei a residência e fiquei treinando um mês com o Cleiton. Morava no rancho em Brasília, dormia na barraca que eu montava dentro na minha carretinha. Sai de lá com o Noble em março, mas direto para Presidente Bernardes/SP, na casa da Eliziane Ribeiro.

Meu parceiro ficou no Rancho Testa e fiquei hospedada na casa da família, que me recebeu com carinho. São pessoas especiais para mim até hoje. Duas semanas fiquei em 5° lugar no Congresso da ABQM Amador Livre Laço Cabeça em Bauru/SP, laçando em dupla com Junior Nogueira”.

Lili Gontijo conta sua vida com os cavalos e o Laço
Congresso ABQM 2008, com Juninho Testa – Foto: Divulgação/Miguel Oliveira

Evolução

“Três anos depois morei por um tempo com a família da Lizi, trabalhando na região numa empresa de medicamentos veterinários. Em 2008 passei um mês aprendendo sobre treinamento de cavalos com o Francisco Almir Bezerra ‘Mimi’, no rancho dele em Santa Mercedes/SP.

Em 2009 voltei para Belo Horizonte para fazer Mestrado na UFMG, levei o Noble para um rancho próximo para treinar. Nesse mesmo ano fiz um curso de laço com o Rafael Paoliello ‘Chifrinho’.

Dessa forma fui seguindo. Em 2011 me mudei a trabalho para o Think a Mite Ranch, da Dona Sandra Navarro, em Florestópolis/PR. Um tempo depois levei o Noble também. Quando tinha alguma prova que coincidisse com minha folga, passava alguns dias antes galopando ele às 5h30, começava a trabalhar às 7h e a noite batia cavalete. Em 2012 voltamos para MG e o aposentei aqui no rancho, faleceu em 2019 com 28 anos”.

Em Morrinhos/GO 2007, com Tião Cândido – Foto: Arquivo Pessoal/Lili Gontijo

Doc

“Logo depois dele veio o Doc Peptolena EMB, em 2012, que ganhei de um amigo que já faleceu, Rogério Pinheiro. Um cavalo muito bom, criação dele. Levei-o para o Rodrigo Calderan ‘Pilha’ colocar no laço de cabeça, ficou excelente.

Fiz um curso de laço com o Miguel Camargo em 2013 eem 2014 pedi ai Pilha que me ajudasse com o Doc. Eles foram para o Nacional da ABQM e ficaram reservados na Aberta Castrado. Passei um mês no rancho do Rafael e Rodrigo Paoliello, em Rubiácea/SP com o Doc, que estava se preparando para a Copa dos Campeões no Laço Cabeça Técnico Aberta Castrado.

Em seguida, 2015, fiz um curso de laço com o Marcelo Pepa, que me deu a dica de prender os loros do estribo na barrigueira dianteira. Doc melhorou, mas ainda pulou outras vezes. Classificamos para a final da Divinaexpô em 2014 com dois parceiros, um deles meu pai. 2017 voltei com ele e meu pai, final de novo. Faleceu em 2019 e foi o cavalo mais habilidoso e com a melhor base de doma e treinamento que já montei.

Mais recentemente, em 2018, fiz um curso de Horsemanship com o Fernando Rolim, da Global Equus em Cotia/SP. E ano passado, 2019 minha grande amiga Eliziane Nogueira me emprestou o cavalo dela para que eu voltasse a laçar. Ele está comigo no rancho. Agradeço pela confiança da família”.

Com Doc Peptolena EMB, Divinaexpô 2014, com o pai – Foto: Divulgação/André Silva

Dias atuais

“Gosto de animais e gosto muito de pessoas. Acredito que a melhor forma de gratidão é fazer bom uso do que nos é proporcionado, com amor e alegria, servindo ao universo. Ajudo crianças e adultos a alcançar seus sonhos com os cavalos, sem precisar passar pelos caminhos tortuosos que passei. Busco ser uma ponte para aumentar a qualidade de vida dessas pessoas oferecendo boas experiências com os cavalos e contato com a natureza.

Utilizo o método de ensino que desenvolvi chamado Equoessência, onde uni: minha vivência com os cavalos; cursos que fiz com profissionais do cavalo; aprendizados da profissão; cursos em desenvolvimento pessoal como Constelação Familiar, Leis de Bert Hellinger, Programação Neurolinguística e Eneagrama; meu gosto por ensinar outras pessoas, aulas desde 1996; sustentado pela forma de ensinar de Pestalozzi: com amor, afeto, empatia, alegria, intuição e conexão com Deus e a natureza, independente de religião”.

Lili Gontijo conta sua vida com os cavalos e o Laço
Com Doc Peptolena EM em 2016 – Foto: Divulgação/André Silva

Filosofia de trabalho

“Além da equitação e aprendizado sobre os cavalos (Equo), busco o fortalecimento da pessoa (Essência). Semanalmente ou no formato de curso de dois a três dias, ensino um passo a passo desde o funcionamento da mente dos cavalos, comportamento, instinto, forma de comunicação, como ocorre o aprendizado deles e toda a equitação, voltada para o estilo western.

Ajudo as pessoas a desenvolverem sua própria habilidade de sentir, se comunicar, ensinar e pedir o que desejam dos cavalos. Alunos que queiram praticar uma modalidade comigo, iniciam nos Três Tambores ou no Laço em Dupla, dependendo da vontade deles.

Fica clara a diferença entre a pessoa que apenas monta a cavalo, puxa a rédea e bate a perna como o treinador pede, para aquela outra que entende e trabalha em sintonia com o cavalo. É assim que algumas pessoas com experiências anteriores desagradáveis constatam que o que antes era difícil se torna algo mais simples, natural e prazeroso.

O cavalo nos ensina a ser pessoas melhores, na verdade ele exige isso para que possa evoluir. Pode parecer muito filosófico e abstrato, mas é a realidade, você acreditando nisso ou não. Para haver uma melhora em um cavalo foi necessário que antes houvesse uma melhora em algum nível da pessoa que lida com ele.

Somente quando focamos na mente do cavalo, entendendo a forma como ele pensa, se comunica e aprende, é que se torna possível uma interação e evolução real para o nosso objetivo com esse animal.

É aí que mora a mágica, toda a transformação que ocorre na jornada do ponto A ao ponto B, nas pessoas e nos animais”.

Congresso Internacional de Bem-Estar Animal Equestre e Rodeio em 2013 – Foto: Arquivo Pessoal/Lili Gontijo

Transformando vidas

“Pais têm percebido a importância dos filhos iniciarem de uma melhor forma o contato com os cavalos. Noto uma transformação positiva, não só nas crianças mas também nos adultos em diversos aspectos da vida: relacionamentos, melhora da coordenação motora,concentração, controle emocional, autoestima,empatia e, sobretudo, alegria.

Com crianças pequenas a partir de 2 anos de idade, trabalho com atividades lúdicas.Observo resultados positivos nas pessoas que atendo com leves alterações neurológicas, em crianças e adultos. Recebo também pessoas que buscam diminuir o stress e ansiedade da vida urbana. O cavalo exige que você esteja 100% presente alí com ele, como uma meditação, trabalhando o fortalecimento do foco e atenção, e isso sustenta muitas curas.

Como citei anteriormente, o método de ensino Equoessência também enquadra o Bem-Estar animal. Desde o meu mestrado (2010), estudo sobre o bem-estar de equinos de esporte. Em 2012 trabalhei na Divinaexpô assegurando o Bem-Estar animal das provas de Laço, Tambor e Bulldog.

Posteriormente trabalhei para os Independentes como veterinária responsável pelo Bem Estar dos animais de rodeio na festa do peão de Barretos. No ano seguinte integrei a mesa redonda do 1º Congresso Internacional de Bem Estar de animais de provas equestres e rodeio. Portanto, esta é uma área de meu interesse e que me preocupo para que se desenvolva de forma correta.

Além do desenvolvimento com as pessoas, trabalho os meus cavalos e os de clientes nas modalidades de Três Tambores e Laço em Dupla”.

Lili Gontijo conta sua vida com os cavalos e o Laço
Com Noble parada para o almoço no posto da estrada – Foto: Arquivo Pessoal/Lili Gontijo

Lembrança

“Foram muitos momentos bons para mim, os cavalos literalmente fazem parte da minha vida. No entanto o mais marcante não foi de vitória ou competições importantes que participamos.

Nas viagens com cavalo sempre procurava um posto que tivesse algum local afastado com sombra e grama.

Voltando de SP para MG com o Noble na carretinha, parei na hora do almoço num posto, fui comprar um lanche, voltei e desembarquei ele. Coloquei água no balde e sentei segurando a ponta do cabresto. A gente ‘almoçava’ junto alí no chão.

Nesse dia o gerente do posto foi até nós, ficou surpreso e pediu para tirar uma foto. Disse que a filha era apaixonada com cavalos e que ia mostrar a foto para ela. Depois que ele saiu eu olhei para o Noble, veio um sentimento bom. Agradeci a Deus bem forte e relembrei a importância de eu valorizar os pequenos e simples momentos, os detalhes e todas as oportunidades que me são oferecidas. Noble era um companheirão que eu tinha”.

Com Noble San JA em Piumhi/MG em 2010 – Foto: Arquivo Pessoal/Lili Gontijo

Parceria

“Sem dúvida o Noble é um cavalo, entre todos, que é mais especial na minha vida. Por 7 anos foi meu companheiro de viagens e provas, ficará para sempre em meu coração.

Hoje é a potra que adquiri recentemente, em novembro de 2019, se chama Rose Black. Foi domada pelo Marcão Toledo (in Memorian). Sinto-me honrada e pretendo fazer o melhor que eu puder com ela.

O Marquinho Toledo (filho do Marcão) me ajudou a decidir sobre a compra e me passou importantes orientações sobre treinamento. Havia feito um curso com ele em janeiro de 2019 de doma e iniciação de potros para Três Tambores. O aprendizado com o Marquinho foi um divisor de águas no meu conhecimento sobre os cavalos.

Lili Gontijo conta sua vida com os cavalos e o Laço
Com pai na Divinaexpô 2013 – Foto: Divulgação/André Silva

Prova que marcou

“Foi, certamente, uma prova de laço em 2010, organizada pelo Luiz Edson ‘Sorriso’, em Piumhi/MG. Um grande desafio pessoal, já que estava muito gripada, com febre. Deixei o Noble San JA com tudo ok e fui embora para o hotel com febre alta. Tomei muito soro caseiro, antipirético e rezei.

Não melhorei a ponto de laçar bem e fiquei chateada. Quem me ajudou foi o Cleiton Dias (In Memoriam). Treinei cavalete no meio da prova exaustivamente, mas com vontade de largar tudo e ir embora pra casa.

Resolvi mudar meus pensamentos, fiz um trabalho mental para me corrigir, junto com o físico. Era preciso sentir muita alegria e gratidão por tudo. Estava lá me esforçando para melhorar e fazer algo que eu gosto, que é laçar.

Acabei laçando a noite e a madrugada toda, fechando médias para a final do dia seguinte. Graças a Deus deu certo, já que acabei com uma moto na somatória 3 e uma na 4. Embarquei meu cavalo e voltei para minha cidade feliz e agradecida.

Rodamos 170 km e há 50 metros da porteira do rancho, descendo um morro a noite, devagar, o engate da caminhonete quebrou. Um barulhão e meu cavalo querido “embicado” para frente, porque minha carretinha era de um eixo. Um susto grande. Inesperadamente veio na minha cabeça o que já havia rodada pelas estradas de vários estados.

E exatamente daquele jeito: com a mesma caminhonete, mesmo engate, mesma carretinha, meu cavalo e eu. Alguns apertos mas absolutamente nada de mal havia nos acontecido. Rezei e agradeci a Deus”.

Foto: Divulgação/Guilherme Silva

Cavalo é:

“Um presente de Deus na minha vida. Me aproxima da natureza e de uma vida com mais significado. Acordar e sair de casa para ir montar os cavalos é uma satisfação plena.

Gosto de ficar observando os cavalos soltos no pasto, o comportamento entre eles, o instinto e a individualidade de cada um. São seres maravilhosos. Para mim, Deus está em cada um deles e, sentindo isso, fortaleço minha conexão com Ele, que está em mim”.

Por Luciana Omena
Foto de chamada: Lili Gontijo com Rose Black Hobby RKB | Crédito: Divulgação/Guilherme Silva

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