Conjuntos percorreram 750 quilômetros em 15 dias em territórios no município gaúcho de Aceguá

Após 30 dias de concentração na Estância Santa Leontina, os 26 animais participantes da Marcha Anual de Resistência do Cavalo Crioulo iniciaram sua jornada pelas terras de Aceguá/RS, na Cabanha Cevadura, no último sábado, 4 de maio. Cavalos e cavaleiros tinham o desafio de completar 750 quilômetros de percurso em 15 dias, em modalidade promovida pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos.

Antes da largada, os cavalos passaram por exames clínicos gerais e foram pesados um a um. Depois, dia após dia, ficaram sob responsabilidade da Comissão Veterinária e amparados pelo regulamento da modalidade, atualizado da ABCCC. No primeiro dia, os 26 conjuntos percorreram 15 quilômetros durante a manhã e mais 15 quilômetros durante a tarde. O tempo do percurso é de no mínimo uma hora e 45 minutos e no máximo duas horas e 20 minutos.

Marcha de Resistência
Marcha da Resistência. Foto: Everton Souza Marita/ABCCC

E era só questão de tempo que uma mulher se de desse bem nessa competição. Ela, que já vinha se destacando nos Enduros e ponteando nos Chasques do Uruguai, agora cruzou a linha de chegada dessa prova com pioneirismo. A chegada no sábado, 18 de maio, teve a ginete Xaiani Gonzales (foto de chamada) como a primeira mulher a vencer a Marcha Anual de Resistência do Brasil.

Com apenas 16 anos de idade, fez história ao lado de Ponteira 273. Xaiani deixou claro que não percorreu a jornada sozinha: além de provar sua força com a égua companheira, ela ainda atribuiu a conquista à toda família. Quem as viu completando o percurso no tempo 67min47s29 não imagina o que há por trás dessa conquista.

Marcha de Resistência
Marcha da Resistência. Foto: Everton Souza Marita/ABCCC

Muito além do primeiro lugar geral, a sintonia entre ela e sua égua resulta em superações do dia a dia. “Ela é minha terapia”, conta a ginete que luta contra a ansiedade. Assim, juntas, e não por acaso, elas chegaram até aqui, deixando um legado e inspirando outras pessoas a superarem seus desafios.

Eram 7h da manhã quando a última contagem regressiva de largada foi ouvida. Dos 26 animais que participaram do início da Marcha, 14 enfrentaram os últimos 40 quilômetros. Ao término, todos puderam correr ao encontro do abraço de familiares e amigos, ansiosos pela espera dos cavaleiros.

Marcha de Resistência
Marcha da Resistência. Foto: Everton Souza Marita/ABCCC

Choro e riso misturaram-se na face de cada participante, no alvoroço de sentimentos entre o dever cumprido e o cansaço de quem superou seus próprios desafios. Já os cavalos, é claro, ganharam o banho compensatório por todo esforço.

O segundo lugar ficou para Artigas Casa Blanca, 67m48s00; deixando para o terceiro, Umbu da Santa Anita, 68m19s21. As demais classificações e categorias, você pode conferir no site da ABCCC.

Marcha de Resistência
Honrada Cimarron. Foto: Felipe Ulbrich/ABCCC

Classificatória aberta ao Freio de Ouro

No Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio/RS, de 15 a 19 de maio, ocorreu uma seletiva promovida pela ABCCC, durante a programação da 15ª Fenasul. Nesta edição, a quarta classificatória deste ciclo, com animais já reconhecidos na raça pelos seus resultados, se consagra o cavalo Quicio Tupambaé, da Cabanha Tupambaé, montado pelo ginete Gustavo Loureiro de Souza Delabary, e a égua Honrada Cimarron, da Estância Aurora, guiada pelo ginete Guto Freire.

Marcha de Resistência
Quicio Tupambaé. Foto: Felipe Ulbrich/ABCCC

Um dos expositores da fêmea vencedora, Fabrício Corrêa, elogiou o trabalho da equipe na preparação de Honrada e celebrou a classificação para a etapa final do Freio de Ouro. “Esta égua é especial. Ela coroou o conjunto quase completo. Saiu na frente na morfologia e conseguiu se manter na ponta também na parte funcional. Ela se manteve em primeiro lugar desde o início da etapa. Isso nos dá confiança e deixa a certeza que estamos no caminho certo da seleção, do amor que nós sentimos pela raça Crioula”, celebrou.

A representante da Tupambaé, Giovana Evangelista, contou que a vitória do Quicio é uma daquelas gratas reviravoltas e surpresas que a vida traz. “Ele é um animal que por um momento esteve vendido e depois reproduziu muito bem, o que fez que o proprietário trouxesse ele de volta. Apesar de ter começado o treinamento no ano passado, ele é um cavalo muito bem domado, sereno e ágil. Realmente sensacional”, disse encantada.

Marcha de Resistência
Mano a Mano do Rauna. Foto: Fagner Almeida/ABCCC

Oito animais em cada naipe foram classificados nessa oportunidade. Entre os dias 13 e 16 de junho a competição volta ao Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, para a classificatória do Rio Grande do Sul.

Morfologia

A tradicional Exposição de Bagé definiu seus passaporteados para a final Nacional da Morfologia na Expointer. A região de referência em criatórios da raça Crioula trouxe a julgamento, mais uma vez, uma manada de peso para preencher as oito vagas. Nesta edição da Passaporte, que ocorreu entre 18 e 19 de maio, em Bagé/RS, destacou os exemplares mais jovens.

Marcha de Resistência
Irmazita Cala Bassa. Foto: Fagner Almeida/ABCCC

Com exceção do Grande Campeão e Melhor Exemplar da Raça, Mano a Mano do Rauna, os demais animais das filas julgadas por Fábio Muricy Camargo foram Potrancas e Potrancos Menores. Camargo destacou o desenvolvimento e evolução da raça. “Eu tive uma surpresa muito boa aqui em Bagé com o elevado nível desses animais. Me arrisquei a premiá-los pois acredito que terão uma evolução muito grande”.

Mano a Mano vem construindo um grande histórico morfológico, garantindo vaga em Esteio desde seu primeiro ano como marcado. “Era um sonho trazer um animal da minha marca aqui em Bagé. E ganhar nessa Passaporte como Melhor Exemplar é uma satisfação”, enfatizou Rafael Nascimento, da Cabanha Rauna. A Égua Grande Campeã, Irmazita Cala Bassa, também mostrou potencial para ir bem em Esteio, conforme avaliação durante o julgamento.

Colaboração: Assessoria de Imprensa ABCCC

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