Há 10 anos no mercado, empresa de Adriana auxilia criatórios do Mangalarga Marchador na hora de resolver a demanda burocrática junto à ABCCMM

A fim de proporcionar ao criador do cavalo Mangarlarga Marchador economia de tempo, comodidade e tranquilidade na hora de organizar e cuidar de toda demanda burocrática de seu criatório surgiu, a cerca de 10 anos, a assessoria Adriana Leal.

O nome que a empresa carrega é, praticamente, de uma filha da raça. Afinal, Adriana Pires de Miranda Leal nasceu e cresceu em meio ao grande Marchador.

Se não bastasse isso, ainda chegou a trabalhar por um período no serviço genealógico da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM).

Adriana Leal já brincava que trabalhava na ABCCMM desde pequena
Adriana já brincava que trabalhava na ABCCMM desde pequena

Por consequência, acabou notando um nicho de mercado pouco explorado e, ao mesmo tempo, muito necessário para o criador. Assim,  ela aproveitou todo o conhecimento adquirido na entidade para empreender no meio do cavalo.

Dessa forma, Adriana montou um escritório bem próximo da sede da associação, em Belo Horizonte/MG, e passou a oferecer um serviço especializado, onde dá todo o suporte aos associados na parte de documentação, registro, comunicações, ou seja, tudo que envolve a parte documental do universo do cavalo Mangalarga Marchador.

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Como resultado do sucesso da empresa de assessoria Adriana Leal, o portal Cavalus foi atrás para conhecer mais detalhes dessa história. A entrevista na íntegra com a responsável por esse feito você confere abaixo:

Como e quando iniciou o seu envolvimento com o cavalo Mangalarga Marchador?

Adriana Leal: Minha história com o Mangalaga Marchador é bem sólida e real, tem quase a minha idade, na verdade, pois minha mãe trabalhou na entidade por 35 anos. Então, acompanhei desde nova todo crescimento e evolução da Raça. Minha empresa já são 10 anos, mais de envolvimento com a Raça são 35 anos

Desde nova, já frequentava a ABCCMM, que funcionava na Rua dos Goitacazes, em BH. Cresci participando dos eventos e exposições com minha mãe, acompanhava sempre que era possível. Eu ia as exposições Nacionais e ficava na beira da pista observando os animais, apaixonada desde nova. Com 22 anos eu comecei a trabalhar na ABCCMM e passei a fazer parte do quadro de funcionários da entidade. Então ali trabalhei por 5 anos e aprendi todos os serviços de todos os setores do SRG – Serviço de Registro Genealógico, que é coração da ABCCMM.

Adriana Leal no Haras Monte Branco com garanhão Diamante da Monte Branco
Adriana Leal no Haras Monte Branco, com o garanhão Diamante da Monte Branco

E como funciona todo esse processo de registro da raça?

Adriana Leal: O processo de registro do Mangalarga Marchador começa desde a monta, desde o cruzamento, seja ele de monta natural ou transferência de embrião. Quando o veterinário faz a confirmação de um embrião ou que uma égua está prenhe, isso já deve ser informado para a Associação. O criador tem 120 dias para fazer esse comunicado.

Aí o prazo de gestação do Mangalarga Marchador é de 310 a 365 dias. Aí quando nasce, o processo é o mesmo, tem que ser informado para a Associação, porque aí tem que bater com a cobertura que você informou lá atrás.

Para esse produto sair do controle e obter o certificado de registro provisório, que é quando ele ainda é um potro, chama-se o técnico credenciado Mangalarga Marchador para fazer a inspeção, elaborar a resenha do animal e aplicar o microchip.

Hoje um potro a partir de 3/4 meses desmamado, já pode ser vistoriado. O criador chama o técnico para esta vistoria, ele faz a resenha do animal, coleta material para exame de DNA e aplica o microchip.

Esse material que o técnico coletou vai para o laboratório, depois de comprovado a qualificação do DNA, confirmando que é filho daquele cavalo e daquela égua que foi informado, aí se emite o registro provisório da primeira idade. É muito burocrático, por isso que existe meu serviço e isso preserva a morfologia, evitando ter desgaste de infiltrar na raça.

Depois do registro provisório, qual é o próximo passo desse processo?

Adriana Leal: O cavalo fica da sua primeira idade até 3 anos com o registro provisório, até ele ter 36 meses. Quando ele completa 36 meses, você chama o técnico novamente na fazenda para uma nova inspeção e daí o técnico de registro vai fazer a comparação, ver se o microchip bate com o que está no sistema da Associação, faz uma nova resenha, monta no animal para sentir comodidade, docilidade e marcha.

Depois desses protocolos, se o animal tiver dentro de todas as medidas exigidas pelo regulamento, assim como sua morfologia e andamento se enquadrarem nos padrões exigidos da raça, o técnico marca o animal com o selo da marca da ABCCMM, passando este a obter o registro definitivo.

Família de Adriana Leal durante a exposição de Itabira/MG
Família de Adriana Leal durante a exposição de Itabira/MG

E se ele não passar nessa medição, ele nem é montado?

Adriana Leal: Na verdade, a vistoria para classificar um animal para o registro definitivo é um conjunto de fatores, faz parte da vistoria analisar o andamento, a comodidade, a índole do animal, o tipo, a morfologia. Então, todos esses critérios são analisados, é um conjunto, um complementa o outro.

Qual é o custo para o criador de todo esse processo? 

Adriana Leal: Para emissão de um registro provisório de um produto de monta natural, o criador gasta R$ 96,00 com emissão do registro, R$ 55,00 com exame de DNA e R$ 20 do chip.

Para emissão de uma registro provisório de um animal oriundo de uma transferência de embrião, o valor da taxa é R$ 150,00. Com relação a despesa com a visita do técnico de registro, o criador paga uma taxa da visita do técnico + 50% do valor da gasolina por km rodado.

Todo esse processo realmente é bem burocrático. Por isso, você enxergou como uma necessidade abrir uma empresa de assessoria equina?

Adriana Leal: Eu trabalhei durante 5 anos na ABCCMM. Aprendi todo o serviço e vi que todo o processo de registro de um animal tem que ser acompanhado, pois se não estiver conforme o regulamento, surgem pendências que se não forem resolvidas, o animal não obtém o registro. São muitos conflitos de datas, prazos para comunicar e informar as cobrições e nascimentos, dente tantos outros. Então, observei a dificuldade do criador e que eles precisavam de alguém para resolver essas questões.

Hoje eu tenho uma empresa, já tem 10 anos no mercado e os mesmos clientes que começaram comigo a 10 anos atrás são meus clientes até hoje. Graças a Deus, porque é um serviço de rotina que precisa. E a gente faz um trabalho sério e com comprometimento.

Equipe da Assessoria Adriana Leal durante a Nacional do Mangalarga Marchador em 2019
Equipe da Assessoria Adriana Leal durante a Nacional do Mangalarga Marchador em 2019

A sua empresa tem quantos funcionários hoje?

Adriana Leal:  Hoje tem três funcionários que me ajudam na assessoria e agora a gente está ampliando também, abrindo o leque para os associados a pedido até dos clientes mesmo. A gente viu a necessidade também de atendê-los na parte de recebíveis, porque fazem muitos negócios, muitos leilões.

Então, eu tenho três pessoas que me ajudam na assessoria e mais uma contadora que me ajuda nas cobranças e emissão de boletos, controle de recebíveis e cobranças.

Hoje em dia não, o associado não me contrata só para fazer comunicações. Ele me contrata pra fazer toda essa demanda que ele não tem tempo de fazer, não tem como, ele é empresário, tem os negócios dele, tem outras coisas para fazer, quando ele chega na fazenda é o momento dele relaxar, querer curtir o cavalo. Então, estamos atendas a isso, buscando sempre saber onde podemos agregar mais.

Quais são os seus planos futuros?

Adriana Leal: Os planos estão a mil por hora, as coisas estão acontecendo, e sei que é preciso estar conectada as todas as mudanças e necessidades do criador. Temos hoje um aplicativo, para facilitar e agilizar ainda mais a comunicação com o criador. Minha empresa, mais uma vez, foi pioneira, saímos na frente trazendo essa novidade. Justamente porque sei como é a rotina corrida dos criadores. Então, tudo que vai otimizar e agregar comodidade a eles é sempre bem vindo!

Adriana Leal durante o Campeonato Brasileiro de Marcha Picada de 2018
Adriana Leal durante o Campeonato Brasileiro de Marcha Picada de 2018

Qual a sua visão do cavalo na transformação na vida de uma pessoa?

Adriana Leal: Vejo o cavalo como mais um criação maravilhosa de Deus! O cavalo é forte, é útil , é inteligente e é uma animal que se supera no quesito servir ao homem. Hoje existem vários centros de treinamentos que usam cavalos para reabilitação de pessoas com deficiências e tantas outras atividades que podem ser executadas com eles. Então, vejo infinitas as possibilidades de um cavalo trazer transformação na vida de alguém. Na minha, particularmente, ele trouxe a realização profissional e aí sou muito grata, primeiro a Deus, e ao Cavalo por isso!!!

É muito gratificante ver nosso trabalho alcançar visibilidade, mesmo que através de um cavalo. Como exemplo, o Animp Haley Morro do Sol Nascente, animal que eu batizei o nome, brilhar em sua primeira exposição Nacional, isso faz tudo valer a pena!

Então, hoje posso sim, dizer que o cavalo transformou minha vida, não só profissionalmente, mas também como pessoa. Pois sou realizada e grata a Deus e ao Mangalarga Marchador pelo privilégio de fazer o que eu amo todos os dias!

A palavra hoje que define minha relação com o Mangalarga Marchador é gratidão. Apesar de ser muito consciente e pé no chão, hoje os maiores criatórios do Mangalarga Marchador são clientes da Assessoria Adriana Leal. Isso é motivo de muita gratidão a Deus por todos eles, e por confiarem em meu trabalho. Só posso dizer que aqui tem paixão! Obrigada Mangalarga Marchador!!!

Por Equipe Cavalus
Crédito das fotos: Arquivo Pessoal/Adriana Leal