Garrotilho ainda desafia o controle sanitário e impacta desempenho de equinos no Brasil

Mesmo conhecido há décadas, o caráter altamente contagioso da adenite equina e a presença de portadores assintomáticos mantêm a doença como um dos principais entraves sanitários da equideocultura

A equideocultura brasileira, que reúne cerca de 6 milhões de animais e movimenta diferentes cadeias produtivas — do esporte ao trabalho no campo — tem na sanidade respiratória um dos seus pilares estratégicos. Nesse cenário, o garrotilho, também conhecido como adenite equina, segue como um desafio recorrente, impactando diretamente o desempenho, o bem-estar e a previsibilidade no manejo dos animais.

Causada pela bactéria Streptococcus equi, a enfermidade apresenta alta transmissibilidade e capacidade de rápida disseminação, especialmente em ambientes coletivos. Em populações não imunizadas, a taxa de morbidade pode se aproximar de 100%, o que explica a facilidade com que surtos se estabelecem em propriedades, centros de treinamento e eventos equestres.

Entre os principais sinais clínicos estão febre, apatia, secreção nasal mucopurulenta e aumento dos linfonodos na região da cabeça e do pescoço, frequentemente evoluindo para abscessos. Em quadros mais severos, o comprometimento das vias respiratórias interfere diretamente na alimentação, na recuperação e no condicionamento físico dos equinos.

Garrotilho

Apesar de ser uma doença amplamente conhecida no meio, o comportamento epidemiológico do garrotilho ainda impõe desafios importantes. Estudos realizados no Brasil indicam que o agente pode estar presente mesmo na ausência de sinais clínicos. Pesquisas apontam prevalências próximas de 2,3% a 2,38% nos animais avaliados, com presença significativa em propriedades, muitas vezes sem manifestação clínica aparente.

Esse cenário reforça o papel dos portadores assintomáticos na manutenção da doença. Mesmo após a recuperação, alguns animais continuam abrigando a bactéria, especialmente nas bolsas guturais, tornando-se fontes silenciosas de infecção e contribuindo para a reintrodução do agente na tropa.

Na prática, isso significa que surtos nem sempre estão ligados apenas à entrada de animais doentes, mas também à movimentação de equinos aparentemente saudáveis. Em sistemas com falhas de biossegurança, esse fator favorece ciclos recorrentes da enfermidade, dificultando seu controle e erradicação.

De acordo com a médica-veterinária Camila Senna, coordenadora técnica de equinos da Ceva Saúde Animal, o impacto do garrotilho vai além do quadro clínico imediato e precisa ser analisado dentro do contexto produtivo e esportivo. Segundo ela, doenças respiratórias comprometem diretamente o rendimento, já que os animais reduzem o consumo de alimentos, perdem condição corporal e levam mais tempo para retomar o desempenho ideal.

A transmissão está diretamente associada ao contato entre animais e ao compartilhamento de equipamentos contaminados, como baldes, cochos, cabrestos e utensílios de manejo. Ambientes com alta densidade e grande circulação de equinos, como provas, leilões e eventos, ampliam significativamente o risco de disseminação. Ainda assim, medidas básicas como quarentena de novos animais e isolamento de casos suspeitos nem sempre são adotadas de forma consistente nas propriedades.

Diante desse cenário, a prevenção se consolida como eixo central do controle sanitário. A adoção de protocolos bem definidos, controle rigoroso na entrada de animais, práticas de higiene e monitoramento constante são fundamentais. A vacinação também desempenha papel importante, contribuindo para reduzir tanto a incidência quanto a gravidade dos casos, especialmente em ambientes de maior risco.

Com a crescente profissionalização da equideocultura e a valorização do desempenho esportivo, a sanidade respiratória ganha protagonismo estratégico. Mesmo sendo uma doença conhecida há décadas, o garrotilho segue impondo prejuízos quando não enfrentado de forma técnica e preventiva, reforçando a importância de uma gestão sanitária eficiente para a sustentabilidade da atividade.

Sobre a Ceva Saúde Animal

A Ceva Saúde Animal é uma das principais empresas globais do setor, ocupando a quinta posição mundial. Com atuação em 47 países e distribuição em mais de 110, a companhia desenvolve soluções voltadas à saúde e bem-estar animal, incluindo vacinas, produtos farmacêuticos e serviços, com foco em medicina preventiva e inovação.

Com informações da Assessoria de Imprensa Ceva Brasil
Fotos: Reprodução/Pixabay

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